Coração Indomável
22 Nahuel
Notas iniciais
LEAH
Passei algum tempo vagando de um lugar para outro, pousava em algum hotel barato e sempre ficava alerta a qualquer perigo que cruzasse o meu caminho. No começo usava só o dinheiro que estava no envelope que o Cullen mandou para mim. Durante esse período, cheguei a me comunicar algumas vezes com a minha mãe por celular, só para ela saber que eu estava segura e viva.
Através dela fiquei sabendo que Seth tinha ficado revoltado com a minha partida repentina. Isso causou brigas entre ele e o seu Alfa, porque todos culparam Jacob pela minha decisão de sair de La Push. Mas a verdade é que ao contrário de Sam, o filho de Billy me permitiu tentar ser livre e feliz mesmo que fosse longe dele.
Quando me lembro da nossa despedida meu coração se aperta.
Será que ele pensa em mim, assim como eu penso nele? Será que com o passar do tempo, ele vai me esquecer? Será que um dia a gente vai poder se reencontrar? Eu espero que sim. Todavia, para isso acontecer, preciso vencer a maldição de Utlapa.
Pelo menos desde que sai de La Push, meus pesadelos com Utlapa pararam. E nemChiara tem me visitado nos sonhos. Porém, sinto que isso é só uma trégua temporária, cedo ou tarde algo vai acontecer.
Enquanto isso, me sento sobre a cama e de repente resolvo dar uma olhada naquele livro que Jacob entregou para a minha mãe. E, assim que começo a leitura, não consigo mais parar.
Eu tenho sonhado que estou no meio de uma encruzilhada. De um lado está o meu exército pronto para seguir o meu último comando rumo à vitória, e do outro lado está a minha amada esposa me esperando ansiosamente. No final, sou forçado a escolher um e sacrificar o outro.
Somente alguns dias depois, é que fui entender o que aquele sonho significava, quando descobri que estava sendo traído pelas duas pessoas que mais confiava.
Maximus era o General que comandava o exército de Santorinni e que era também o meu melhor amigo, por isso nunca imaginei que pudesse me apunhalar pelas costas. Da forma mais cruel possível, ele tocou em minha mulher, minha Rainha, que era o amor da minha vida.
E quanto mais folheava aquelas páginas, mais eu ficava perplexa com a sua história.
Como Katherine ousou me trair? Ela me machucou e me humilhou, foi dissimulada, me fez acreditar em suas promessas de estar ao meu lado, até o fim de nossas vidas.
Eles cometeram adultério e precisavam ser punidos. Pelas leis de Santorinni fui obrigado a mandar meu General ser enforcado em praça pública e, não tive outra saída senão expulsar Katherine para sempre do castelo e da minha vida, com apenas a roupa do corpo. Ela nem mesmo pôde se despedir da sua filha.
Pela sua traição Katherine foi condenada a viver até o fim de sua vida sozinha e na miséria.
Fiquei chocada ao constatar que aquelas páginas foram escritas pelo marido de Katherine, o Rei Vladimir.
Pensei que tinha feito justiça e que logo me reergueria, casei-me com sua irmã para manter a aliança entre nossas famílias. Foi um casamento por pura conveniência política. Nunca amei Isabella, assim como nunca consegui ser o pai que Renesmee precisava.
Quando minha amada Katherine foi embora, levou consigo a minha alma e o meu coração. Por causa dela, tornei-me um Rei frio, violento e cruel, obcecado pela vitória. E nada parecia capaz de me parar.
Até que a velhice chegou e junto com ela a exaustão, a solidão e um passado cheio de arrependimentos. Eu estou prestes a morrer, minhas memórias estão se definhando e meu último desejo era rever Katherine e pedir perdão.
Meu último desejo era poder morrer em seus braços.
Todavia, seu desejo nunca chegou a se concretizar, pois Vladimir terminou a sua vida como um velho louco, solitário e trancado em seu quarto.
Agora, por que esse livro foi parar na mão de Jacob?
Dou um longo bocejo, minhas pálpebras pesam, devagar, o cansaço me vence e eu apago por horas. Quando acordo já é noite. Percebo que adormeci enquanto lia aquele livro.
Eu acendo a luz, sentindo o meu estômago reclamar de fome, o que me força a ir até uma lanchonete ali perto que ainda estava aberta e com pouca movimentação.
Quando estava retornando para o meu quarto, senti cheiro de sangue e... um cheiro doce e nojento que, curiosamente vinha do quarto vizinho. Resolvi averiguar por minha conta e risco, já ficando em alerta ao ver que a porta estava com a fechadura arrebentada.
O pior era que desde que sai de La Push, não havia me transformado mais em Loba, porém isso iria mudar agora quando vi um corpo de uma mulher caída no chão sangrando muito, seu coração batia muito fracamente. Não tive tempo de ajudá-la, pois o vampiro logo saiu de um canto escuro, mostrando as suas presas e seus olhos vermelhos.
Imediatamente, me transformei na Loba e entramos em confronto. O quarto se tornou pequeno para nós dois. Para encurtar a história, o vampiro saltou pela janela e eu o persegui. O problema é que ouvi sirenes e, em seguida a policia cruzou o meu caminho. As coisas fugiram do meu controle e, de repente, eles estavam atirando em mim com suas armas de fogo, uma das balas atingiu a minha pata.
Sem saída tive que fugir para uma floresta que por sorte tinha ali perto, mas era uma área totalmente desconhecida por mim. A pior parte era que não consegui retornar a minha forma humana. Consequentemente, não pude retornar para buscar as minhas roupas, nem dinheiro e nem documentos. Acabei sendo forçada a passar um tempo sobrevivendo como a Loba cinza.
Foi uma fase assustadoramente difícil, mas também tão libertadora. Uma fase em que me deixei ser guiada apenas por meu instinto animal. Pelo menosdessa vez, eu não precisava mais compartilhar meus pensamentos com a matilha, porque agora me tornei um lobo solitário.
Vaguei como um animal por mais de dois anos, passando por vários lugares do país, até atravessar a fronteira e vir conhecer o México e regiões da América Latina. E, foi numa dessas minhas andanças, que acabei vindo parar no Norte do Brasil, mais especificamente, no coração da Amazônia onde acabei conhecendo Nahuel.

Nosso primeiro encontro foi bem assustador e inusitado. Ele estava caçando sozinho quando cruzei o seu caminho e quase virei a sua presa. Nahuel definitivamente não era um humano comum, era forte, rápido e muito selvagem.
"Mas que tipo de coisa é você?", indagueiperplexa quando ele grunhiu para mim e mostrou as suas presas.
Subitamente, meus pensamentos foram interrompidos quando surgi ao lado dele, duas mulheres de origem indígenas. Ambas eram vampiras e uma delas tinha um olhar tão sinistros que foi me deixando tão doente.
A maldita vampira conseguiu me forçar a se transformar em humana e me deixou exposta e vulnerável. Eles descobriram o meu segredo.
"Eu sou um híbrido.” Entretanto, Nahuel me surpreendeu ao decidir dividir o seu próprio segredo comigo. “Sou metade humano, metade monstro. E tenho 200 anos." Fiquei chocada com o quão inacreditável e bizarro era a sua história. "Minha mãe um dia se apaixonou por um imortal e, inexplicavelmente, engravidou dele. Mas, infelizmente ela morreu durante o meu parto."
Isso me fez lembrar da filha de Bella. Ou seja, Renesmee era uma híbrida como Nahuel.
"Essa é a minha tia, Huilen. Quando eu nasci acabei mordendo ela acidentalmente."
“Então, ela virou vampira por acidente?” Aquela era a história mais maluca que eu já tinha ouvido.
“Sim. Pelo menos pude cumprir a promessa que fiz a minha irmã de cuidar do Nahuel.” Huilen tinha um jeito maternal e tentou ser gentil comigo, ao contrário da outra vampira que tinha uma aparência bastante ameaçadora e bem selvagem.
Zafrina tinha a habilidade especial de criar ilusões, então, decidi que evitaria de olhar para aqueles olhos que mais pareciam um abismo negro, pronto para sugar a minha alma.
"Não se preocupe. Zafrina só se alimenta de sangue de criminosos.” Huilen tentou me tranquilizar.
“Agora me sinto tão aliviada!”, fui sarcástica.
“Agora você é fascinante. Nunca conheci uma fêmea da sua espécie.” Nahuel retirou a camisa que usava e me deu. Seus olhos me deixaram um pouco nervosa.
“Nahuel, pegue leve! Você está deixando a moça constrangida.” Huilen lhe chamou a atenção.
“Meu nome é Leah.”
“É um lindo nome.” Ele tinha uma cara de inocente, mas um sorriso travesso que, imediatamente, me fez lembrar de Jake. Talvez, por isso acabei abaixando a minha guarda.
Nahuel decidiu me levar para conhecer os Ticunas, uma tribo gigantesca, a mais numerosa da Amazônia brasileira. Diferente do mundo urbano, ali a tradição pulsa de forma viva: a língua nativa dominava as conversas, e os rostos e corpos traziam grafismos detalhados e rituais ricos em cores. Eles viviam em uma conexão profunda e sagrada com a natureza.
Porém, o que mais me surpreendeu foi vê-los interagir pacificamente com aquelas vampiras, cientes da existência delas.
Além da presença de Huilen e Zafrina, ainda havia Senna e Kachiri duas vampiras que eram as mais jovens do Clã das Amazonas. Mesmo me sentindo tensa no meio delas, logo percebi que o grupo era como os Cullen, que viviam pacificamente entre humanos.
Resumindo: o bando de Nahuel funcionava como os protetores dos Ticunas e da floresta Amazônica, assim como os Lobos eram os protetores dos Quileutes.
“Eu ficaria muito feliz em aprender sobre o seu povo, Leah. Claro, caso você decida ficar com a gente." Nahuel parecia bastante empenhado em me convencer a ficar em sua tribo. E eles pareciam bastante acolhedores e me tratavam com muito respeito.
Como eu não tinha mesmo para onde ir, decidi me arriscar e ficar por um tempo, sempre mantendo um olhar desconfiado e atento sobre Nahuel e o seu clã.
Afinal, a confiança leva tempo para ser conquistada.
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Algumas semanas depois, Nahuel também acabou me levando para conhecer outras regiões do Estado do Amazonas, inclusive sua capital Manaus. Pouco a pouco, fui conhecendo uma pequena parte do Brasil e de sua beleza natural. Amei a comida, a música, as danças e, principalmente, o seu povo, só não curtia muito o clima tropical, pois sentia muita falta do frio e da neve.
Comecei a flertar com a ideia de viver por ali e quem sabe fazer uma faculdade. Claro que para isso, precisaria aprender mais do português, conseguir um trabalho e ter dinheiro e, ainda conseguir os meus documentos de volta. Só que naquele instante, me dei conta que ainda estava ilegalmente no Brasil.
Voltar a ser humana e ter que lidar com tantas responsabilidades não seria simples. No meio disso, ainda fui me lembrar que depois de todo este tempo vagando como uma loba solitária, fiquei sem entrar em contato com Sue.
Meu Deus! Eu era com certeza a pior filha do mundo.
"Eu preciso ligar para a... minha mãe", pedi para Huilen, que prontamente me emprestou seu celular.
Assim que ouvi a voz da minha mãe e ela ouviu a minha, ambas acabamos chorando, porém depois tive que aguentar as broncas dela. Ela queria saber o que havia acontecido para eu ter sumido. Disse que havia até pedido para Charlie e a polícia ajudá-la. Descobri que eles tinham espalhado cartazes pela cidade e me colocaram entre a lista de desaparecidos dos Estados Unidos.
“A matilha revirou o país tentando te achar. E o Jacob chegou a pedir a ajuda dos Cullen.”
Fiquei mexida ao ouvir o nome daquele garoto que ainda mexia com o meu coração.
“Mas você parecia que tinha evaporado e não deixou rastros.”
“Desculpa, mãe. Eu tô bem.” Troquei um olhar com a Huilen que parecia intrigada com a nossa conversa. “Eu fui embora dos Estados Unidos”, comecei a dizer meias verdades só para aquietar o seu coração de mãe.
“Onde você está, Leah?”, sua voz soava tão aflita.
“Eu estou em um lugar incrível. Um dia vou te trazer para conhecer...” Nessa hora, ouvi algumas vozes ao fundo de Seth e Charlie. Eles pareciam ter acabado de chegar. “Mãe, eu tenho que ir. Mas, não se preocupe. Estou com uns amigos e estou bem. Te amo!” Rapidamente, desliguei o celular, sentindo o meu coração se apertar de saudade.
“Por que você não disse que estava no Brasil? Por acaso você tá fugindo de alguém?”, Huilen perguntou após eu lhe entregar seu celular.
“Talvez, eu esteja fugindo do meu... próprio destino.”
***/ /***
Por incrível que pareça, acabei fazendo amizade com Senna e Kachiri. Elas tinham uma aura de criança travessa e uma inocência que me lembrava Seth.
"Hoje vamos receber alguns novos visitantes. Eles são do Hemisfério Norte e super pacíficos."
"Que tipo de visitantes?" Já me senti tensa, olhando para os rostos das duas garotas.
"Bem… são vampiros", respondeu rapidamente Kachiri. "Mas fica tranquila, eles não são uma ameaça. Mas se fossem… nós nunca deixaríamos te machucar."
"Ah, devo me sentir aliviada com isso?" Ri do jeito espirituoso delas.
"Com certeza!", falaram em uníssono. “Mas é sério, os Cullen são legais!” Imediatamente, ao ouvir aquele sobrenome... fiquei tensa.
“Você os conhece, Leah?”
“Infelizmente, sim”, murmurei tão desanimada.
Não acredito que aqueles malditos sanguessugas iriam aparecer e estragar a minha paz.
“É bom te ver também, Leah Clearwater!" Senti um arrepio na espinha quando ouvi aquela voz e, imediatamente, senti o seu cheiro adocicado pairar no ar. Me virei para olhá-lo parado a poucos metros de mim.

Meus olhos se fixaram no vampiro de cabelos cor de bronze e eu podia jurar que sua pele tão pálida, tinha ganhado um pouco de cor natural com o reflexo do pôr do sol e seus olhos antes dourado, agora estavam verdes e me fitavam com uma intensidade que me impossibilitava de afastá-lo.
Ele parecia tão... humano.
No instante que nossos olhos se encontraram, eu me vi sendo transportada para uma outra época e uma outra vida.
Naquele momento, não éramos Leah e Edward, mas sim Katherine e Vladimir de Santorinni no auge de sua paixão.
“Minha amada Rainha, prometo que vou te amar por toda a minha vida.” O Rei sela a sua promessa com um beijo sôfrego e febril, sem imaginar que aquele beijo seria o último que daria em sua Rainha.
Todavia, aquela visão não durou muito.
"Leah!" Logo, fui trazida de volta para a minha atual realidade, me deparando com Edward me segurando em seus braços, com seu olhar enigmático e o seu toque frio.
"Me deixem em paz!" Sem conseguir me conter fugi para longe daquele vampiro.
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Era final da tarde e estava muito abafado, decidi molhar os pés na beira do rio, depois me agachei, joguei um pouco de água na cara e na nuca. Fechei meus olhos e passei a apreciar o barulho da natureza. Você até podia ouvir o barulho dos peixes sendo trazidos pela correnteza do Solimões, também havia os zunidos de insetos sobrevoando por ali e se misturando com a cantiga melodiosa das várias espécies de pássaros que você só conseguia encontrar na Floresta Amazônica.
"Maldito vampiro! É por isso que eu te odeio!", praguejei, assim que vi o sanguessuga empoleirado em cima de uma árvore.
"Sinto muito. Não queria te assustar."
"Afinal, o que você veio fazer aqui... no Brasil?", indaguei tão confusa. "E desde quando você conhece o Nahuel?"
"Desde ontem quando Zafrina me apresentou a ele."
Edward me explicou que veio parar no Brasil, por causa de uma visão que Alice teve sobre os Volturi vindo para Forks a fim de começar uma guerra, dessa vez, não por causa de Bella e sim por causa da filha deles. A garotinha estava se desenvolvendo muito rápido, nunca seria uma criança normal, suas habilidades sobre-humanas poderiam chamar a atenção e serem consideradas uma ameaça para o mundo.
Portanto, qualquer coisa que fosse considerada uma ameaça para os Volturi, consequentemente, deveria ser destruída.
"Nessa guerra, Alice previu que todos nós iríamos morrer... inclusive os lobos." Ao ouvir sobre a matilha, meu coração acelerou nervosamente. "Alice também previu que a chave para impedir essa guerra… estava aqui no Brasil. Só não imaginávamos que era em uma tribo indígena." ele pulou lá de cima e, cautelosamente, se aproximou de mim.
"Então, a chave pra impedir a guerra… você acha que é Nahuel?"
"Até ontem acreditávamos que Nessie era a única de sua espécie. Mas, agora descobrimos que existe Nahuel. Ele é a prova viva de que minha filha não será uma ameaça no futuro."
"Boa sorte pra vocês!” Parei ao perceber que Edward estava segurando o livro de memórias do Rei de Santorinni. "Como você conseguiu encontrá-lo?"
"Jacob apareceu em nossa casa no Alasca e nos contou que você havia desaparecido. Enfim, te procuremos por todos os lados, até que conseguimos resgatar seus documentos e achar o... o Meu livro." Nós paramos em silêncio, trocando um olhar profundo.
Estar aqui sozinha com o vampiro, me deixou num misto de tensão e ansiedade, especialmente depois de ter aqueles flashbacks de Katherine e seu marido. A parte mais bizarra era que agora comecei a achar que Edward Cullen parecia uma versão mais jovem do Rei Vladimir, só que sem a barba e os olhos verdes. E eu não conseguia mais me livrar desse pensamento.
“Então, esse livro era seu?” Agora estava explicado o porquê tinha o cheiro dele.
“Sim. É um livro de memórias, que pertencia ao meu tataravô e era a única coisa que guardei da minha vida humana. Nunca mostrei pra ninguém... nem para a Bella." Edward conseguiu me deixar tão surpresa.
O vampiro continuou me explicando que o manuscrito foi passado de geração em geração, até chegar nas mãos de sua mãe humana, Elizabeth Masen.
“Eu ainda consigo me lembrar perfeitamente da primeira vez que minha mãe leu essa história para mim. Ela disse que o meu tataravô perdeu o seu grande amor, por confiar na pessoa errada."
"É... Ele confiou em Isabella... a irmã invejosa", eu falei com todo o meu ódio como se tivesse discutindo com o próprio Vladimir. "O que foi? É a verdade... Ele foi um Rei egoísta e cruel. Ele nunca mereceu o amor de Katherine."
Edward me olhou inexpressivo e em seguida resolveu jogar o seu livro dentro da imensidão do rio Amazonas.
"O livro pertencia a Edward Anthony Masen, ele morreu em 1918. Portanto, ele já deveria ter sido enterrado junto com... com o meu passado humano." Ele resolveu me dar as costas, assumindo a sua postura fria e arrogante.
"Se você ia jogar o livro fora, por que o mostrou para mim?"
“Isso não importa!" Edward perdeu um pouco a compostura, seus olhos antes indecifráveis agora irradiavam raiva. "Apenas esqueça o passado. Porque você não pode mais mudá-lo, Leah!"
“Você tem razão. Vamos esquecer o passado e lembrar que... nós renascemos nessa vida para sermos inimigos naturais." E, de alguma forma consegui atingi-lo, sem nem precisar usar força. "Esse é o nosso Carma."
Eu achei que o nosso papo havia sido concluído, estava pronta para seguir o meu rumo. Entretanto, senti a mão fria e rude do vampiro me puxar e me segurar ali atrás dele como se tivesse tentando me proteger de alguma ameaça. Só que eu não queria ser protegida, muito menos por uma droga de sanguessuga. Afinal, sobrevivi por dois anos sozinha, então...
"Silêncio!" Ele sussurrou tenebrosamente, me causando um arrepio horripilante. Tentei lutar contra o seu aperto, mas suas próximas palavras me pararam. "Não estamos sozinhos. Há mais um vampiro aqui." Seus olhos predadores passaram a varrer a vasta mata a procura do intruso. Ele rosnou pressentindo a presença do perigo e me fez entrar no modo alerta.
{Continua…}
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