Notas iniciais
Boa Leitura!

Coração Desgastado


Capítulo 1: Contato



Sua habitual manhã consistia em resolver casos que a polícia e outras autoridades eram incapazes de resolver. Porém, para ele, aqueles casos eram muito fáceis, o que lhe fazia duvidar da competência daquelas pessoas ou da força de vontade delas.

Mas hoje fôra diferente.

Após ter comido, escutou batidas na porta da frente do apartamento que alugara e ali vivia há pouco mais de um ano. Atendeu a porta.

_ Bom dia, senhor. Você é Mihaell Keehl, ou melhor dizendo, Mello?

_ Sim.

_ Posso? — o homem fez um gesto se convidando a entrar.

_ Claro — deu passagem a ele.

Fechou a porta e sentou numa poltrona de frente para o sofá, e, consequentemente, para o homem misterioso. Aproveitando aquela proximidade observou com mais atenção os traços e detalhes do rosto. Ele tinha cabelos grisalhos, olhos pretos, usava óculos e trajava uma roupa social marrom. Aparentemente, não parecia suspeito, mas, por precaução, colocou a mão sobre o quadril; a arma estava pronta para ser utilizada, caso fosse necessário.

_ Ah, me perdoe. Meu nome é Roger; sou da polícia assim como você.

Roger retirou seu distintivo do paletó e o mostrou a Mello com o intuito de prova que não estava mentindo.

O loiro assentiu, e então o outro guardou o objeto.

_ O que você quer? — queria saber logo do que se tratava.

_ Está havendo uma onda de homicídios incomuns — Roger retirou da maleta um pacote e o entregou ao loiro _ Veja.

Abriu o pacote e retirou dele todos os documentos. Leu superfluamente os relatórios que os policiais e legistas fizeram e observou cuidadosamente as fotos dos mortos. As informações eram bem incomuns, nunca vira algo parecido com aquilo. Perguntava-se como era possível aquilo acontecer e o que poderia ter provocado aquilo.

_ Só para ter certeza: isto, por acaso, é alguma brincadeira de mau gosto?

Roger ergueu os cantos da boca num sorriso.

_ É claro que não.

Por um breve momento permitiu relaxar a mão que tocava na arma de segundo em segundo. Talvez pudesse confiar naquele homem...

_ Mas então, vai aceitar este caso?



::{ Coração Desgastado}::



Mello embarcava no avião que tinha como destino Nova Iorque. Havia decidido aceitar o tal caso que lhe fôra apresentado no fim da visita daquele policial. Em outros momentos teria negado por preferir passar o dia em sua casa comendo barras de chocolate ou dar uma volta na cidade ao anoitecer, comprando algo sem uma intenção aparente, parando para olhar as vitrines das lojas ou ainda apenas por ansiar ver um pouco de movimento. Nada mais, apenas isso. Seus dias eram vazios. Contudo, quando viu o caso, sua intuição — ou fosse o que fosse — lhe alertou para aceitá-lo e mergulhar de cabeça. Uma verdadeira loucura, isso sim.

Foi algo muito estranho...

Assim que ouviu seu número de embarque sendo anunciado apressou-se em entrar no avião. Poucos minutos depois houve a decolagem. Pegara alguns salgadinhos e outros petiscos que lhe foram oferecidos pelas aeromoças, assistira um pouco da programação disponível e ouviu um pouco de música para controlar o nervosismo de pensar que tinha feito uma burrada. Porém nada funcionou, não por muito tempo. Ele se viu obrigado a ir ao banheiro apenas pela vontade de levantar um pouco da cadeira e caminhar. Logo após, adormeceu.



::{ Coração Desgastado}::




Demorou cerca de três horas para chegar em seu destino. Após desembarcar e pegar sua mala chamou um táxi, disse ao motorista o nome do local o qual deveria comparecer naquela tarde e aguardou.

Nova Iorque era um local bonito, observou. E pelo que o motorista lhe disse durante o trajeto, ainda nevaria no tempo em que estaria por ali. Teria de comprar roupas adequadas...

Pouco tempo depois o carro parou de andar e o homem verbalizou que eles já se encontravam no local indicado. Pagou-o e saiu do automóvel, já dirigindo-se ao majestoso prédio.


Na recepção mostrou a uma jovem um cartão com uma assinatura que Roger lhe aconselhara a mostrar na hora em que chegasse. Ela sorriu e educadamente orientou-o a pegar o elevador e pressionar o botão do vigésimo andar, e assim que o fizesse deveria comparecer no quarto 325.

Fez tudo corretamente, mas não pôde deixar de ficar apreensivo ao pousar a mão sobre a maçaneta. Girou-a e abriu a porta. Vários olhares recaíram sobre ele.

_ Mihaell Keehl, certo? Sente-se ali — uma mulher loira que aparentava ter uns 25 anos apontou-lhe uma poltrona próxima ao sofá da sala. Sentou-se.

Havia um homem loiro que não tirava os olhos dele — o que já estava o irritando -, um homem de curtos cabelos negros que o fitava de forma mais confortável e um rapaz de madeixas brancas que evitava o fitar por mais de três segundos, preferindo continuar montando um quebra-cabeça.

_ Ficamos surpresos por você ter aceitado este caso, senhor Keehl — a mulher iniciou a falar.

_ Imagino — respondeu, embora seu tom tenha soado irônico. Também estava surpreso por isso.

_ Tem algo que achamos que talvez não tenham te informado direito mas que é importante que saiba desde já.

_ Diga.

_ Você vai nos ajudar a resolver o caso, porém você terá de trabalhar junto do agente Nate River, ou Near, se preferir.

_ Como? — não, não esperava por aquilo.

_ Você terá de cooperar com Near — ela apontou para o garoto de pele pálida que montava o quebra-cabeça.

Naquele momento Nate se voltou para Mello com um semblante sério e um olhar um tanto quanto misterioso. O loiro não conseguia captar qualquer vestígio de emoção. Tinha algo nele que o impedia de quebrar aquele contato visual, algo peculiar.

Todavia, pensar que teria de trabalhar com ele já fôra o suficiente para que virasse o rosto para a loira com um certo desgosto. Nunca tivera de ter um parceiro, e nas raras ocasiões que aquilo tinha acontecido as coisas terminaram mal. Ele não tinha paciência para suportar o outro e o outro sempre abandonava o caso tamanha sua infelicidade.

Então por que diabos tinha de acontecer agora?

_ Por que? — foi a única coisa que conseguiu articular, pois se realmente falasse o que estava pensando, não seria nada educado. Porém, desde quando ele se importava de ter boas maneiras?

Ela suspirou.

_ Mello, fomos avisados que você nunca se saiu bem com um parceiro, contudo, desta vez será necessário.

_ E por que insistem então? — arqueou uma de suas sobrancelhas.

_ Mello, você se deixa levar pelos sentimentos e qualquer impulso que tenha. O Near age calmamente em todas as situações, não importa o que aconteça. É preciso um equilíbrio, entende, é por isso que você precisa aceitar.

_ Digo que não e recuso aceitar o caso a menos que vocês desistam dessa ideia suicida.

Não obtendo uma resposta, levantou-se para ir embora. Céus, onde estava com a cabeça para ter aceitado aquele caso? Ele devia estar em estado de demência ou algo assim...

_ Mihaell, por favor-

A mulher foi interrompida por Near que, pela primeira vez, resolveu se pronunciar:

_ Deixe-o ir Halle, desistir é coisa de pessoas fracas. Não precisamos de alguém assim...

Foi então que Mihaell ficou imóvel. Como um desgraçado que não o conhecia tinha coragem de o chamar de fraco? Ele era um filho da mãe abusado.

_ Halle, eu aceito o caso — Mello proferiu com um meio sorriso no rosto.

Não abandonaria o caso naquele momento. Iria provar para aquele garoto ridiculamente pálido quem era fraco... O humilharia com seu intelecto avançado sempre que pudesse. E então o faria provar de um veneno fatal.

Notas finais
Aí tá a minha linda long fic que venho prometendo *--*
Cara, estou adorando escrevê-la -q
Tive vários problemas para não postá-la antes, vou dize-los no próximo capítulo que deve sair, se tudo der certo, semana que vem.
Obrigada por ler *0*