Notas iniciais
Boa Leitura!

Coração Desgastado

Capítulo 5 - Animal


À muito custo conseguira voltar para sua toca. Tivera de passar por ruas vazias até chegar ao seu carro, procurando não deixar o sangue que escorria de si á vista das outras pessoas. Aquele tipo de coisa não podia acontecer, não com ele. Ele teria sua vingança, oh sim.

Conduzira seu carro pelas ruas quase calmamente, um trajeto que rendeu cerca de meia hora. Tinha raiva daquele rapaz, podia sentir seu sangue borbulhar naquele exato momento. Tivera de usar sua jaqueta nova para estanca o sangramento. Sua jaqueta nova!

Socou o painel do carro.

Tudo bem, tentou dizer para si mesmo várias vezes. Ele ainda teria sua revanche. Sabia onde o desgraçado morava, podia pagar-lhe uma visita outra hora. Mas antes teria de arranjar um novo divertimento que lhe tirasse da mente sua fúria.

Ok, havia algumas garotas num barzinho ali perto. Bastava um pouco de tempo para convencer alguma a sair com ele, ou para arrastá-la até o carro. Afinal, tempo era o que tinha de sobra.

Estacionou o carro na garagem da toca e saiu do automóvel. Abriu um armário e contemplou, pensativo, algumas ferramentas que se encontravam ali. Tinha saudades do machado... Há quanto tempo que não o usava? Retirou-o do armário com um sorriso estampado no rosto e o deixou em um outro recinto. Ele reclamaria da bagunça, certamente, porém os instintos falavam mais alto e a opinião dele podia ir para o inferno.

Pegou um metro de arame farpado, luvas pretas e preparou o painel. Deixou todos os itens na mesma sala do machado e se dirigiu até um quarto. Abriu uma caixa que se encontrava dentro do guarda-roupa e a abriu. Despiu-se e jogou as peças do outro lado do ambiente. Tocou o local do ferimento e, imediatamente, seu corpo se contraiu com o toque. Doía, contudo já tinha se ferido de forma pior. Pôs-se a limpar e desinfeccionar o local. Limpou os itens que utilizaria. Com precisão, pois havia feito aquilo diversas vezes em outras ocasiões, iniciou a fazer pontos.

Após vinte minutos, terminou. Guardou tudo em seu devido lugar e tomou um relaxante e demorado banho. Colocou suas roupas para lavar. Arrumou-se até que sua aparência estivesse... agradável. Presas eram atraídas pela aparência. Estimular os sentidos delas era uma de suas partes favoritas naquele jogo doentio.

Ligou o carro e saiu.

Ajustou o retrovisor e mirou o homem que era refletido. Estava ótimo para a caçada daquele horário. O movimento estava maior, o que era bom já que haveria mais opções.

Foi até o barzinho e estacionou o carro uma quadra de distância num local discreto e sem movimento. Ajeitou a roupa e aprumou o corpo. Estava mais confiante do que nunca!

Dentro do local, permitiu que sua mente vagasse pelo espaço. Escolheu uma moça jovem e de feição saudável, e claro, desacompanhada. Foi até seu lado e aguardou ela notar sua presença. Quando ela ergueu o olhar, sorriu de modo galanteador.

─ Percebi que está sozinha. Posso me juntar a você?

De início, a mulher o fitou desconfiada, todavia logo fez um gesto para que se sentasse, mostrando que tudo bem.

─ Então, qual o seu nome?

─ Emily. E o seu?

─ Sou James — e sim, aquele era um nome falso. Um de vários que já usara.

Após algum tempo de conversa, ela tragar um cigarro e duas garrafas de bebida alcoólica terem sido esvaziadas, Emily se encontrava mais próxima dele. A desconfiança já tinha acabado e o flerte tinha começado — falso por parte dele, obviamente.

Ela sorria abertamente e ele retribuía o gesto, embora não soubesse do que ela falava há dez minutos. Tinha permitido que seus sentidos se deleitassem com aquela voz que em breve estaria gritando, a imagem do belo rosto dela sendo desfigurado por causa dos golpes e a sensação do toque sobre aquela perna ensanguentada.

Olhou o relógio de pulso e viu que eram 20:30; um bom tempo já tinha transcorrido. Convenceu-a a ir para sua casa. Ela se encontrava semi consciente de suas ações. Bom, muito bom...

Entraram no carro e deu a partida. Emily elogiou o veículo e ele agradeceu como qualquer outra pessoa faria. Já tinha se concentrado nas imagens do que faria quando ela começou a tagarelar. Cerrou os dentes com força e apertou o volante. Odiava ter de ouvir aquele som irritante desnecessariamente. Explodindo, mandou-a se calar. A garota parou na mesma hora e se encolheu no banco, assustada com a possibilidade de ter feito algo errado. Se desculpou e ele disse que "sem problemas, ela não havia feito nada de errado", embora estivesse com uma vontade enorme de esfregar na cara dela que ela era culpada por tirá-lo do sério, que ela interrompera as fantasias dele, etc, etc, porém manteve-se quieto.

Agradeceu aos céus por terem chegado. Já tinham saído do automóvel quando ele a conduziu para a sala.

─ James? James, aqui está escuro. Será que poderia-

Ele trancou a porta e num instante a segurou pelo pescoço. A moça tentou se soltar, debatendo-se, mas em vão. Pressionou aquela pele delicada e começou a desenhar círculos imaginários ali, apreciando a sensação. Ela choramingou e implorou para que a soltasse, que ela faria tudo o que ele quisesse. Ele riu e negou.

─ Nada será mais bem vindo do que isso.

Deslizou uma de suas mãos até a região do coração e ficou em silêncio, apenas ouvindo as batidas rápidas e irritmadas e o som do choro dela.


Eu quero que vocês me sigam

Eu quero que vocês acreditem em mim

Eu quero sentir seus olhares

Eu quero controlar cada batida do coração


Levou-a até o outro canto da sala e jogou-a contra o chão sem cerimônias. Atordoada pelo impacto causado por bater a cabeça, não notou quando ele colocou luvas e enrolou o arame farpado em seu pescoço, somente quando ele apertou. Urrou quando o arame penetrou sua carne e o sangue saiu pelos cortes.


Por um momento ela achou que ele pararia, mas aquela pausa foi apenas para que ele acendesse a luz. Assim que ele voltou para ela, puxou-a pelos cabelos, fazendo-a ficar de pé. Outras lágrimas vieram aos olhos dela ao observá-lo amarrá-la num painel feito de molas de colchão e arame. Ele prendeu seus pulsos e pernas ao painel. Mais gritos incompreensíveis de dor e agonia escaparam de seus lábios, junto do líquido da vida que escorria até o chão.


Entretanto, aquilo não era suficiente, nenhum pouco. Ele mudou a posição da mão dela para que ela pudesse movimentar aqueles membros quando as apertasse ou fizesse qualquer outro movimento que mostrasse sua aflição.


Eu quero ouvir suas vozes

Eu quero perturbar o silêncio

Eu quero que vocês me vejam bem

Eu quero que vocês me entendam


Pegou o machado e mostrou a ela, orgulhoso de sua escolha. O toque na lâmina lhe deu frio na espinha, mas de forma deliciosa. Ela implorou para que parasse, que ela daria todo o dinheiro que tinha, que faria tudo o que ele quisesse. Mas novamente ele recusou a oferta dela.

Andou até ela e abriu um sorriso diabólico, mostrando que encontrava-se muito feliz com toda a situação que armara. Tinha esperado horas por aquilo, era óbvio que estava contente!

Sabia o que queria fazer, sabia o que o animal dentro de si desejava. Ansiava por corresponder às expectativas dele e de toda sua mente insana.

Ergueu o objeto e desferiu o golpe.

Ah!

Eu quero suas fantasias

Eu quero suas energias

Eu quero ver suas mãos

Eu quero me afogar em aplausos

Um pedaço da perna dela já era, pensou rindo. Outros gritos ela fizera, porém nada que o detivesse. Continuou a golpear, e vários respingos de sangue sujaram a parede, o chão e ambos. Ela urrava, chorava e se debatia com seus tocos. Uma visão magnífica na concepção dele.

Para o gran finale, decapitou-a num único golpe.

A respiração ofegante dele continuou presente, assim como a ansiedade e adrenalina que percorriam suas veias.

Precisava limpar tudo, pensou antes chutar a cabeça para longe.

Notas finais
Demorei e vou demorar um pouco na próxima postagem -q
Eu curti muito esse capítulo e vocês? Gostei de fazer algo totalmente baseado no psicopata. Minha parte favorita foi dos sentidos dele se deleitarem com as futuras sensações. Mas ainda acho que poderia ter melhorado algumas descrições...
Os trechos de música são de Ich Will da banda Rammstein (minha banda favorita ♥), ou seja, créditos a eles.
O que acharam dessa postagem? Raiva? Queriam um capítulo com o Mello e o Near? xD Batam em mim -qq HUASHUAHS' Próximo será dedicado a eles.