Coração De Vidro
1 Casa nova, escola nova, cidade nova = vida nova.
Notas iniciais
Me sentia só novamente, era questão de milésimos até que eu começasse a lacrimejar novamente. Eu não sou depressiva, é sério, eu só choro de repente, às vezes. Meu pai sim é depressivo, ele chora muito, sempre, ele fica falando que não aguenta mais o fato de que minha mãe se foi, sim ela se foi, morreu em um acidente de carro, a história detalhada é realmente muito longa, esquece, não irei contar. Depois disso lá em casa não há facas em lugares visíveis para meu pai nem nada que possa fazer com que ele se mate. Assim posso me sentir segura ao sair de casa. O celular está tocando...
- Olá, pai, como está?
- Bem. Vai vir para casa hoje?
- Vou ir à uma festa daqui a pouco com a Natália e talvez vou dormir na casa dela, ou quer que eu vá até ai e durma ai em casa?
- Não precisa filha, se cuida, te amo.
- Ta bom pai, juízo, te amo.
Meu pai se preocupa comigo e muito! Depois da morte da minha mãe ele não aguenta nem me imaginar morta, mas ele sabe que eu sei me cuidar, nada pode me afetar enquanto estou com minhas amigas, além do mais, nem sem elas eu me machuco, sei me cuidar e ele sabe disso. Daqui a dez minutos eu vou para a festa e tenho que estar perfeita.
Cheguei à festa e ao entrar lá, me vi no meio de muitas luzes e pessoas dançando, eu sentei. Eram casais dançando e eu não tinha meu par. Minha amiga, Natália, pediu licença e foi dançar com o seu namorado. Logo um garoto senta ao meu lado.
- Oi.
- Olá.
- Como é o seu nome?
- Evilyn e o seu?
- Marcos.
- Humm, olá Marcos.
- Está esperando seu namorado? Um par?
- Não, e você?
- Não.
Ele chega mais perto e se acomoda ali ao meu lado, põe a mão em minha cocha, olha para mim e sorri. Esse garoto deve ser muito idiota para achar que só por causa de uma conversa do tipo, estou afim dele. Não, eu não estou afim dele. Peguei a mão dele lentamente, coloquei-a em cima da perna dele. Não sou puta e ele já deveria ter entendido isso, não é atoa que eu não estava em um baile funk dançando com o primeiro que visse, um menino com óculos espelhado com corrente, ridículo, quase dando o cu para qualquer um.
Logo aparece um garoto muito gentil, ele conversa comigo e logo vamos dançar. No final, ele pediu meu telefone, dali em diante, nossos sms, telefonemas e etc, não pararam mais.
Nossa amizade cresce mais a cada dia, bom, crescia, ele desapareceu um dia desses, não o vejo à um tempo, sinto muita falta dele. Ele não atende os telefonemas, responde sms de vez em quanto mas nunca os sms que perguntam aonde ele está, já faz um tempo que sinto que algo está acontecendo, algo muito ruim, mas não tenho certeza e, não posso dizer nada antes de descobrir o que está acontecendo. O nome dele é Gustavo, fez 18 anos mês passado.
Me mudei para uma cidade nova com meu pai a uma semana. Casa nova, escola nova, cidade nova = vida nova. Mas eu não podia evitar, aquela casa trazia muitas lembranças da minha mãe, principalmente para meu pai.
Resolvi sair para passear hoje à tarde, uma mulher veio e me perguntou: "Você é Evilyn?" logo após eu responder que sim, ela disse "Gustavo precisa de você, ele está muito mal" sem dar mais informações, ela saiu, gritei por ela, fui atrás dela mas logo ao virar a esquina ela desapareceu, me assustei, mas senti meu coração bater rápido demais, algo estava gritando dentro de mim, ele precisava mesmo de mim e eu não sabia como ajudá-lo, como encontrá-lo.
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