Notas iniciais
Gente, que confusão tá o Nyah kkkkkkk eu postei o capítulo faz três dias e por algum motivo ele sumiu do mapa. Sorte que não apaguei nem nada do celular. Vamos fazer o seguinte; Todo sábado, a começar de hoje, irei postar um capítulo. Eu coloquei para quinta-feira, mas acho melhor no sábado pq aí vocês vão ler com mais calma. Bjs!

Algumas semanas se passaram desde que eu e Arão nos beijamos. Fazem noites que não sonho com Uri, não sonho mais desde então. Passo a maior parte do dia ajudando Leila e Joquebede, assim evito de me esbarrar com Arão. Ainda não sei bem como reagir ao que aconteceu com nós, muito menos quero lembrar. Não que eu me sinta desonrada, mas foi algo embaraçoso para mim beijar um homem feito e viúvo. Não sei como reagir a tal situação. Talvez eu esteja assim porque vejo Arão de outra forma. Não sei o que pensar! Definitivamente não sei o que pensar. Mas a única coisa que eu sei é que, mesmo me sentindo fora de mim, mesmo achando estranho, algo dentro de mim gostou do que aconteceu.

—Yaffa? —Indago surpresa ao ver a filha do sacerdote em minha frente. —Não te vejo faz tempo.

—Meu pulso está ótimo, Anippe. —Yaffa fala irônica tentando me atingir.

—Não me importo com isso. —Rebato e então sorrio para Yaffa. —O que quer?

—Vim deixar claro que não te odeio. —Yaffa fala me deixando confusa. —Apesar de tudo, não guardo rancor seu.

—Mas eu sim. Eu tenho ódio pelo seu pai. —Falo ao me aproximar bruscamente de Yaffa.—Um ódio tão forte... Tão forte que todas as noites eu penso em como matá-lo com minhas próprias mãos.

—Quem você vai matar com suas mãos? —Leila pergunta me surpreendendo. —Saia, por favor. —Ela pede para Yaffa.

—Eu estava falando de Amun. —Revelo para Leila.

—Anippe, não se faça de desentendida. —Leila pede. —Sabe muito bem que matar outra pessoa vai contra as leis de Deus.

—Mas isso não vale para Amun, não é? —Pergunto furiosa. —Ele matou Kamés e o meu pai! Tem noção disso?

—Ramsés deve estar tomando as providências, Anippe. —Leila fala e então me chama a atenção.

—Djoser em momento algum falou do meu tio. —Falo intrigada. —Isso é estranho.

—Ele deve ter se esquecido, Anippe. —Leila argumenta.

—Isso está muito estranho, Leila. Eu preciso voltar para o Egito o quanto antes. —Falo. —Não vou esperar Djoser.

—E como vai chegar em segurança? Você sozinha? Anippe, o deserto é imenso! —Leila fala.

—Sabe que há embarcações, Leila. Não muito perto daqui, mas com algum esforço irei. —Falo e então Leila se assusta. —Não precisa vir comigo.

—Anippe! É muito arriscado! E Moisés não deixaria! —Fala. —E Yaffa? E você? Não vai chegar até o Egito, Anippe.

—Eu vou fugir, Leila. —Falo. —Vou pensar melhor. —Minhas palavras deixam Leila mais aliviada. —Sei que para viajar de embarcação em embarcação até chegar no Egito preciso ter muito ouro. —Falo. —E até agora não tenho absolutamente nada.

—E como pretende ter ouro? —Leila indaga. —Anippe, o que vai fazer?

—Eu não sei. —Falo perdida. —Mas eu vou ter ouro, Leila. —Falo determinada. —Djoser me esconde alguma coisa e eu vou pôr meus pés no Egito mais cedo do que ele imagina. —Falo seriamente. —Colocarei esse deserto a baixo se eu não conseguir o que quero.

—Agora vejo que assim é mais arriscado. —Leila fala preocupada. —Você é mais incontrolável que a força do Nilo. Pare de pensar! Assim vai criar coisas que não existem! —Leila adverte me fazendo acreditar.

—Eu não quero ser má, Leila. Mas eu quero fazer justiça. E eu só vejo justiça matando Amun. —Falo.

(...)

De fato eu não quero me tornar uma pessoa má. Eu já fui muito egoísta com meus pais, assim como quase me tornei uma má filha. Mas por sorte mudei, mas agora já não vejo mais sentido nisso. Eu não quero ser má, mas há uma pequena faisca em meu coração que deseja isso. Uma faísca, uma partícula que que pode causar um incêndio dentro de mim a qualquer momento. Depois que meu pai morreu, não sou mais a mesma. Até mesmo no sonho onde Uri me mostrou o que eu desejava ver, não senti absolutamente nada em "ver" meu pai morto. Eu tinha consciência de que ele estava morto, mas meu coração não sentia absolutamente nada. —Uma parte de mim parece não acreditar, assim como a outra também não. Minha mente diz que meu pai está morto, mas o meu coração não aceita, e eu como filha não acredito. —Estou perdidamente confusa. Para mim, meu pai está vivo.

Flash Back On

—Precisa de ajuda? —Meu pai pergunta ao me ver com minha maquiagem em mãos.

—Não sabia que o senhor estava roubando o trabalho de Leila. —Falo e então meu pai sorri. —Não preciso de ajuda, já fiz o que tinha que fazer.

—Também vai negar que é vaidosa? —Meu pai pergunta risonho.

—Não sou vaidosa. —Afirmo a verdade.

—Sua mãe diz o mesmo. —Meu pai fala orgulhoso. —Mas a sua vaidade é diferente da dela.

—Principalmente nas roupas. —Falo em tom de brincadeira. —Ela gosta tanto de azul, enquanto eu gosto de cores mais quentes.

—Seria um absurdo você ter o mesmo gosto que ela. —Meu pai brinca e vem até mim. —Você se parece tanto com ela... —Ele fala. —E você cresceu tão rápido.

—Quando menos esperar logo eu e meu irmão estaremos casados. —Falo.

—E quem disse que eu vou permitir que você se case? —Meu pai pergunta ciumento. —Você deveria estar pensando em outras coisas, não nisso.

—A minha mãe se casou jovem, porque comigo seria diferente? —Pergunto.

—Porque eu não sou Seti. —Meu pai fala seriamente. —Você ainda é muito nova, Anippe.

—E quando eu tiver idade para casar? O que vai fazer? —Pergunto risonha.

—Não é hora pra pensar nisso. —Meu pai desconversa. —Como eu mesmo disse, você é muito nova. —Repete. —Não sabe nada sobre a vida.

—E eu posso me machucar com isso? —Pergunto. Meu pai então sorri ao olhar para meu rosto. A forma como ele me olha faz com que eu sorria e deixe ainda mais visível as minhas bochechas rosadas.

—Eu vou estar aqui, Anippe. Eu sempre vou estar aqui com você. Aconteça o que acontecer. —Meu pai fala ao segurar minhas mãos. —Não vou caminhar por você, mas vou te guiar. E quando eu não puder mais fazer isso, lembre que há uma parte minha em você, minha filha. —Meu pai fala com os olhos marejados, prestes a chorar. —Uma parte no coração. Ainda bem que não é no rosto. —Ele brinca com a situação e seu dedo indicador brinca com meu nariz. Acabo rindo assim como ele. —No dia em que eu morrer não quero que você chore, não quero que você sinta nada.

—Não tem como. —Falo.

—Você sabe como sua mãe ficou quando o pai dela morreu, não sabe? —Meu pai pergunta e eu afirmo. —Ela sofreu, Anippe. Também sofreu quando a rainha Tuya morreu...

—Queria ter conhecido minha avó, pai. Queria ter conhecidos os seus pais. Queria ter conhecido o pai de minha mãe também. Porque não conheci nenhum deles? Eu vou sempre viver em dúvida sobre eles. —Desabafo.

—Me ouça bem, Anippe. —Meu pai pede e então nos sentamos. —Seti morreu por causas desconhecidas na noite em que pediu o perdão de Henutmire. Sua mãe passou anos pensando que havia matado seu avô com o seu desejo, com seu ódio. —Ele revela. —Perder alguém que ama é doloroso. E perder a odiando por algum momento então...

—Mas eu não odeio o senhor, nunca irei odiar. —Falo e então abraço o meu pai. —Eu te amo, pai.

—Eu também te amo, Anippe. Porque é isso que os pais fazem. Amar os filhos e protegê-los. —Meu pai fala enquanto me abraça forte.

Flash Back Off

Minhas lembranças são interrompidos assim que sinto uma dor muito forte em meu peito. Me sento enquanto lágrimas escapam de meus olhos por causa da dor, nunca senti algo parecido. —Respiro fundo tentando aliviar a dor, mas ela não vai embora. —É como se meu coração estivesse prestes a parar de bater. Eu devo estar doente! Não há outra explicação.

—O que você tem? —Halima pergunta ao entrar e me ver tão mal. —Anippe, você está pálida. —Ela fala e então permaneço de pé tentando mostrar que estou bem. —Anippe? —Halima chama por mim ao olhar bem para o meu rosto. Sinto o ar me faltar, logo sinto algo escorrer em meu rosto. Algo vindo do meu nariz, logo ponho meus dedos finos em meu rosto e o sangue avermelhado rubro nas pontas de meus dedos.

—Anippe... —Arão fala assustado ao me ver sangrar pelo nariz. Ele vem até mim querendo me ajudar, e de fato ajuda. Se não fosse por Arão, meu corpo iria de encontro ao chão nesse exato momento. —Anippe! —Ele chama por mim enquanto perco as forças em seus braços. Fecho meus olhos para o mundo e então adormeço tranquila.

(...)

—Ela está acordando. —Ouço Arão falar e então abro os olhos.

—O que aconteceu comigo? —Pergunto assustada. Logo Joquebede vem até mim.

—Descanse mais um pouco. —A mulher pede preocupada. —Você ainda não se recuperou por completo.

—O que aconteceu comigo? —Pergunto mais uma vez e então os dois se olham.

—Você foi envenenada, Anippe. —Arão revela me assustando. —Por sorte seu organismo foi mais forte que a substância.

—Envenenada? —Indago incrédula. —Como? Porque? Quem fez isso?

—Calma, Anippe. —Arão pede ao me ver nervosa e assustada. —O pior já passou e você está viva. —Ele fala ao tocar em meu rosto. Seu semblante é de alívio por me ver bem. —O importante é isso.

—Mas... —Falo. —Precisamos achar o culpado, Arão. —Peço. —Quem me quer morta, afinal?

—Josué e Moisés estão cuidando disso. —Joquebede fala tentando me acalmar. —Mas agora você precisa se acalmar.

—Eu não consigo pensar bem... —Falo nervosa. —Porque querem me matar? —Indago. —Eu não fiz... —Paro de falar imediatamente ao me lembrar de Yaffa. —Yaffa. Foi ela!

—Não fale o que não sabe! —Joquebede me repreende. —A situação entre o pai de Yaffa e a sua mãe já é muito delicada. —Ela ressalta. —Aliás, levantar falso testemunho é pecado. —A mulher relembra um dos mandamentos.

—O importante agora é você descansar. Logo, logo vamos saber quem fez isso com você. —Arão promete.

—Se alimentar agora é o melhor que você tem a fazer também. —Joquebede fala. —Faz dias que você não se alimenta direito.

—E mesmo assim me envenenaram. —Falo. —Está acontecendo comigo o mesmo que aconteceu com minha mãe. —Falo pensativa. —Alguém próximo me quer morta. —Falo. Arão então olha para Joquebede, assim a mulher faz menção de sair.


—Pensei que nunca mais fosse te ver. —Arão começa a falar enquanto me olha. —Me perdoe, não quero ser inoportuno.


—Isso mostra que você se preocupa comigo. —Falo fazendo Arão sorrir. —Mas mesmo assim é errado. —O sorriso dele então se desfaz.


—Descanse, Anippe. —Arão fala seriamente antes de sair desapontado.

(...)

No meio da noite saio sozinha e ando pelo acampamento sem me preocupar se estou bem ou não. Ainda não posso acreditar que fui envenenada aqui, justo aqui. —Ouço passos e então olho em minha volta, mas não vejo ninguém. —Acho que estou ouvindo coisas demais por aqui.

—Quem está aí? —Indago ao permanecer ouvindo passos, mas não vejo ninguém.

Vejo então um homem escondido, não posso ver bem o seu rosto porque ele está escondendo seu rosto. Mas ao me aproximar, posso ver que se trata de Zion.

—Ah, é você. —Falo aliviada por ser Zion.

—Está melhor? —Zion pergunta preocupado. —Não pude ir te ver.

—Estou melhor, eu acho. —Falo confusa. —Não precisa se preocupar, Zion. Vaso ruim não quebra com facilidade. Era o que Paser costumava dizer quando eu era criança.

—Quanto amor próprio. —Zion brinca me fazendo rir.

—Se eu fosse tão boa quanto acha que sou, não teriam tentado me matar como acabam de fazer. —Falo para sua surpresa.

—Ou talvez não. —Zion fala. —Tudo o que você precisa agora é esperar Djoser voltar.

—Não vou esperar ele voltar. —Falo para surpresa de Zion. —Preciso da sua ajuda para ir embora o quanto antes, Zion.

—Como iremos? —Ele pergunta assustado.

—Há embarcações em lugares próximos daqui. Precisamos ir o mais rápido, um cavalo para nós seria o suficiente. —Falo meu plano. —Mas Halima pretende ir comigo.

—Se quer mesmo ir, terá que ir somente comigo. Não pode levar tantas pessoas com você, Anippe. Chamaria muita atenção. —Zion fala e eu concordo. —Um cavalo será algo fácil de arranjar, mas e o ouro para entrarmos em alguma embarcação?

—Eu não sei. —Falo. —Não faço a mínima ideia, Zion. —Repito angustiada. —Minha mãe deu um colar para Halima como uma lembrança. —Falo pensativa e então olho para Zion.

—Se eu vender o colar...

—Mas ele é de Halima. —Falo magoada. —Não, essa não é a melhor saída.

—Eu irei arranjar ouro, Anippe. —Zion fala ao segurar minhas mãos. —Eu estou aqui para proteger você, não é? —Ele pergunta me fazendo sorrir. —Você vai voltar para casa o quanto antes. Depois...

—Depois voltarei para buscar Halima. —Falo. —O importante agora é eu voltar para casa e saber o que está acontecendo de verdade. Djoser me esconde alguma coisa, Zion. E eu vou descobrir nem que eu tenha que peregrinar de reino em reino. —Falo. —Desta vez eu irei dar um jeito em tudo. —Falo pensativa. —Meu irmão deve entender que quando eu quero algo, eu consigo rapidamente. Djoser querendo ou não, irei voltar...


—Essa é uma das coisas que mais gosto em você. —Zion fala ao segurar meu rosto. —Você nunca se deixa esperar. —Ele fala ao aproximar seu rosto do meu. Vejo qual é sua intenção, por isso sorrio nervosa. Logo me lembro de Arão, do nosso beijo, por isso fico ainda mais nervosa. —Está nervosa? —Ele pergunta ao notar meu nervosismo.


—Estou nervosa pelo o que me aconteceu. —Falo. Logo os braços de Zion me envolvem, com isso permaneço aconchegada em seus braços.

Notas finais
Zinippe ou Arippe?