Coração De Seda
100 Capítulo 100
Notas iniciais
Desperto de manhã e noto que Zion não está em nosso quarto. Rapidamente me levanto e vejo que eu acordei mais tarde do que o de costume, por isso trato logo de me recompor. Minha mãe logo entra em meu quarto com um sorriso no rosto, mas eu não sorrio como deveria. —Ela logo começa a pentear o meu cabelo, noto a irônia em seu olhar, por isso me viro e olho para ela. —Minha mãe parece estar aliviada por não ser mais a rainha, o peso lhe foi tirado dos ombros.
—Acordei tarde. —Falo.
—Todos as noivas acordam tarde na manhã seguinte após a noite de núpcias. —Minha mãe fala sem nenhum pudor. —Menos Yaffa.
—Ela dormiu no harém? —Indago curiosa.
—Djoser fez errado, eu sei. Mas ele passou a noite de núpcias deles com outra mulher. —Minha mãe fala e então se senta ao meu lado no divã. —E você?
—Eu? —Indago envergonhada.
—Como foi sua noite de núpcias? —Minha mãe pergunta e então eu fico estagnada com seu interesse. —Oh não, não fique vermelha. Está parecendo uma romã de tão vermelha que está, Anippe. —Ela fala e então eu tento me conter. —Não fique assim. Não é a primeira vez que fica sozinha com um homem.
—Eu sei. —Falo. —Vou fazer por onde voltar a amar Zion e esquecer Arão. —Falo para sua surpresa. —Agora, quando minha barriga começar a crescer, todos vão pensar que Zion terá um filho.
—Sua sorte foi se casar rápido e não ter passado tanto tempo ao descobrir a gravidez. —Minha mãe fala. —Agora ponha em sua cabeça que essa criança é filha de Zion. Ninguém pode saber que você vai ter um filho de Arão. —Minha mãe adverte. —Nem escrever em papiros, Anippe.
—Como sabe?
—Entrei em seu quarto e notei o papiro, logo comecei a ler. —Minha mãe fala e então fico envergonhada. —Logo você vai poder dar a notícia para Zion, não se preocupe, ninguém vai desconfiar. —Ela fala risonha ao olhar para meu ventre. —Uma nova geração está vindo. Logo terei netos, meu sangue... —Ela fala emocionada. —Quem poderia imaginar, não é?
—Lyanna. —Falo ao lembrar se minha irmã. —Onde ela está?
—Ela acordou cedo, não vi mais sua irmã.
(...)
—Lyanna? —Indago ao procurar Lyanna pelo jardim.
—Encontrou? —Leila pergunta eufórica.
—Nada. —Falo. —Leila, minha mãe disse que Lyanna não estava na cama hoje de manhã. —Falo nervosa. —E já é quase tarde e ninguém viu a minha irmã. —Revelo. —Onde ela foi?
—Ninguém viu ela sair do palácio. —Zion fala ao se aproximar. —Deve estar aqui.
—Os leões. —Falo e então o pânico se estabelece. —Lyanna foi para a jaula dos leões, Zion! —Falo nervosa. —Se ela não voltou até agora...
—Vão atrás dela. —Ouço Djoser fala e então meu irmão vem até nós. —Ela fugiu bem cedo, pensávamos que ela estava dentro do palácio, mas ela fugiu.
—Como sabe? —Indago.
—Lyanna levou algumas coisas suas e foi até a cozinha. Foi quando ela deixou alguns objetos cairem. —Djoser revela. —Para onde ela foi? Uma criança de cinco anos não vai tão longe.
—Claro que vai. O único problema é Lyanna ser levada por alguém. —Minhas palavras assustam Djoser. —E a mamãe?
—Está louca pensando no pior. —Djoser fala. —Alguma coisa aconteceu com Lyanna ontem?
—Nossa mãe perdeu a paciência com ela. —Revelo. —Acha que Lyanna fugiu por isso?
—Bem provável. —Djoser fala. —Não é possível! Lyanna é uma criança! Eu estou quase colocando um exército inteiro atrás dela!
—Mantenham a calma! —Zion pede. —Vamos pensar. Para onde ela iria?
—Não faço a mínima idéia. —Falo após muito pensar. —Procurar o nosso pai. —Falo. —Ela fala muito disso.
—Pelo Alto e Baixo Egito, Lyanna é mais cabeça dura que Uri. Mesmo sendo uma criança. —Leila fala e então olha para Djoser. —Ela lode ter ido para o Nilo.
—Minha mãe falava para Lyanna que o Nilo trouxe Moisés. —Falo. —Lyanna entendeu de forma errada, Djoser. Lyanna pode ter entrado no Nilo procurando o nosso pai.
—Não... —Djoser nega incrédulo. —Lyanna não pode morrer.
(...)
Ando desesperada as margens do Nilo desde o entardecer. Fazem horas que procuro por Lyanna, mas minha irmã parece ter sumido de todo o Egito. Djoser entrou casa por casa pessoalmente, Zion questionou cada escravo, cada servo, mas ninguém viu minha irmã. Nem mesmo Leila ou Karoma sabem explicar o que está acontecendo. Meus pés estão calejados por tanto andar à procura de Lyanna dia e noite. A noite é sombria para uma criança de cinco anos, não é possível que minha irmã tenha se jogado no Nilo.
—Eu não aguento mais. —Minha mãe fala ao parar de andar enquanto o vento frio sopra seus cabelos. —Eu perdi Lyanna, Anippe. —Fala enquanto seus olhos ficam marejados.
—Não, tenha calma. —Peço ao ver minha mãe está desesperada. —Vamos achar Lyanna logo.
—Não vamos. —Minha mãe afirma prestes a chorar. —Eu não posso perder essa menina. —Ela fala ao se culpar. Lyanna é importante porquê é a última lembrança viva que minha mãe tem do meu pai.
—Vamos voltar, está de noite e estamos sozinhas. —Falo ao abraçar minha mãe e olhar para o céu. Onde Lyanna está? Logo ouço risadas. Uma risada familiar e uma risada de criança. Olho para minha mãe, mas ela parece não escutar. Logo as risadas vão ficando cada vez mais próximas, com isso vejo Lyanna aparecer de mãos dadas com um homem.
—Lyanna! —Minha mãe exclama incrédula e então minha irmã corre, mas vem até mim.
—Eu trouxe ele, Anippe. —Minha irmã fala e então olho para o homem com o rosto coberto. Logo pego Lyanna pelo braço e entrego para minha mãe.
—Quem é você? O que fez com ela? —Indago furiosa. Olho para minha mãe, mas ela está abraçada a minha irmã. —Diga seu nome.
—Anippe, eu sei quem ele é. —Minha mãe fala e então fico incrédula. —O homem que levou Lyanna não era Radamés. —Ela fala o que Lyanna já havia me falado. —Esse homem... —Minha mãe tenta falar, mas a vergonha é maior. Seus olhos transbordam dor, medo... Por isso fico confusa.
—Sou eu, Anippe. —O homem desvenda seu rosto e então posso ver quem é. Lyanna sorri para mim enquanto minha mãe chora de alegria. Tento entender como é possível este homem estar bem na minha frente, por isso sinto meu corpo tremer.
—Pai? —Pergunto confusa ao ver meu pai em minha frente. —O senhor morreu!
—Anippe...
—Sai! —Grito enfurecida. —Foi tudo mentira? Que brincadeira é essa? —Pergunto enquanto choro. Meu pai tenta me segurar, mas eu me afasto.—Não toque em mim! —Falo ao ver minha mãe se aproximar. —O que significa isso? —Pergunto furiosa. —Como isso é possível?
—Nós vamos explicar, meu amor. —Meu pai pede, mas eu nego. —Eu e sua mãe...
—A senhora sabia? —Indago furiosa.
—Todos sabiam. —Minha mãe revela. —Eu soube depois que seu pai estava vivo. Logo fingi que Lyanna estava morta assim como ele, mas agora todos sabem que ele está vivo. Todos sabem, menos você.
—Era para o Amun acreditar, Anippe. —Lyanna fala docemente e então choro. —Eu e o papai estamos vivos e a mamãe não está louca.
—Não toca em mim. —Falo ao ver que meu pai quer se aproximar de mim. Minhas lágrimas estão frias devido ao vento da noite. —Não ouse tocar em mim. —Ordeno. —Passei todos esses anos achando que estava sem pai para agora saber que tudo não passou de uma farsa? Saia de perto de mim! —Esbravejo enfurecida e então caio de joelhos no chão. Meu pai fica sem reação, apenas me olha com tristeza. —Porquê fez isso? —Indago. —Eu estou destruída desde que recebi a notícia. —Falo e então ponho a mão em meus ouvidos. —Minha cabeça parece que vai explodir... —Falo enquanto minha mãe segura Lyanna. Meu pai vem até mim e me abraça mesmo que eu não queira.
—Me perdoe! —Meu pai pede enquanto me abraça forte. Eu me entrego aos seus braços e choro como uma criança. —Eu sei que errei, mas foi precisei fazer isso. Me perdoe, Anippe... —Ele pede novamente e então nego. —Me perdoe, minha filha. Por cada lágrima que você deixou sair de seus olhos, por casa dia de dor, por casa acesso de fúria e o ódio que tem plantado em seu coração. —Meu pai fala enquanto sinto meu coração arder com toda a raiva que sinto. Lyanna vem até nós dois e sorri de alegria. Meu pai tenta fazer por onde eu não me soltar de seus braços, mas eu faço.
—SAI! —Grito furiosa assustando meus pais. —Todo esse tempo? Cinco anos para Djoser ir me buscar? Agora eu entendi. A demora para a notícia da morte do meu pai chegar até mim, a farsa sobre a morte de Lyanna, sobre a loucura da minha mãe! Tudo isso para fazer Amun acreditar que estávamos fracos?
—Tinhamos que fazer isso! —Minha mãe fala envergonhada. —Eu só soube depois que seu pai tirou Lyanna de mim. Eu não sabia de nada até então, Anippe. Radamés ficou para cuidar de tudo, ajudar Gab e Djoser. E então pedimos para ele assumir a culpa por ter levado Lyanna. Que seu pai tinha planejado tudo e mandado ele para cá...
—Eu posso até entender. Foi um belo plano. Mas somos uma família, ou éramos. Porque eu fui a única, a última que soube. Depois de cinco anos! —Exclamo furiosa e então meu pai nota o quanto furiosa estou com tudo isso.
—Ao invés de ficar com raiva por ter sido enganada, deveria estar feliz pelo seu pai estar vivo. —Minha mãe me repreende e então minha consciência começa a pesar. Sinto minhas mãos tremerem de tão nervosa que estou, mas logo meu olhar cai para Djoser e Gab.
—Ah não... —Djoser fala nervoso ao ver que eu já sei da verdade. Fico totalmente fora de mim e com isso acabo batendo no rosto de meu irmão várias vezes até não poder mais. Gab então segura Lyanna e faz por onde a menina não ver a briga.
—Para com isso! Pare com isso, agora! —Djoser pede e então me prende em seus braços. —Anippe! —Ele exclama ao ver que consigo me soltar e corro de tudo e todos. Corro sem rumo, sem ver direito onde estou pisando por causa da noite escura perto do Nilo.
Corro até não conseguir mais. Acabo caindo em meio à mata alta perto do Nilo e começo a chorar ali mesmo. Tento encontrar uma explicação para tudo isso, mas a raiva que sinto por ter sido enganada tanto tempo me faz perder a linha de raciocínio. Eu deveria estar chorando de alegria por meu pai estar vivo, mas não estou. A única coisa que sinto é ódio. Eles fizeram isso para ganhar tempo com Amun. E eu tola chorei cinco anos de dor achando que meu pai estava morto, quando na verdade ele estava vivo e vendo Lyanna crescer. O ódio que sinto agora é maior do que qualquer outra coisa. Essa maldita guerra começou porquê Amun sempre quis o trono do Egito, isso é fato. Mas ele amou a minha mãe, que complemente cega, não viu a fera com quem estava. Se Gab tivesse sido legitimado como filho de Seti, não haverá guerra pelo trono. Kamés não teria morrido, Ramsés também não. Minha mãe talvez nem tivesse sofrido tanto. Com toda certeza eu e meus irmãos não teríamos nascido. Todas as desgraças que aconteceram em minha família foi culpa de Tuya. Culpa por ela não ter aceitado Gab como primogênito de Seti. Em sua mente, Gab iria roubar tudo de minha mãe. Sendo que Gab é a pessoa que mais ama Henutmire, mesmo sendo algo proibido. A culpa é de Tuya. Essa maldita guerra pelo poder vem desde que Gab nasceu, desde que minha mãe nasceu. Mas ela não vai se estender por muito tempo! Não mais! Essa guerra tem que acabar. —Tuya deveria ter permitido que Gab tivesse nascido no Egito. Assim a grande maioria das coisas seriam diferente. Mas ela foi ambiciosa, sabia que o filho que carregava não teria poder se Gab fosse legitimido. Provavelmente Seti não amaria sua única filha, e mais provável ainda que Kamés e Ramsés nem chegassem a nascer. —Se minha mãe não fosse a herdeira de Tuya e Seti, Amun não estaria fazendo essa guerra pelo trono. Era para Gab ser o rei agora, mas pelo o que me parece, a vida não seguiu seu plano. Eu só gostaria de entender porquê me esconderam a verdade por tanto tempo. Todos sabiam o quanto eu amava... Amo meu pai. Todos sabem que quase enlouqueci.
—Ele me salvou. —Falo ao juntar as peças e ver que meu pai é o homem que me salvou quando eu estava morrendo afogada. —Ele levou Lyanna de minha mãe... —Falo. Sinto minha cabeça latejar tão forte que estou sentindo que em breve irei morrer após entrar em colapso.
—Anippe. —Ouço meu pai chamar por mim e então meu olhar cai sobre ele. —Nós precisamos conversar. —Ele fala ao se aproximar de mim. —Sobre muitas coisas, minha filha.
—Eu não quero. —Falo pausadamente e então meu pai respira fundo. Sinto meus lábios trêmulos ao vê-lo em minha frente, por isso tento não falar mais nada. Céus, meu pai está vivo. Todavia minha raiva é implacável.
—Você teve a mesma reação que sua mãe. —Ele fala ao se aproximar ainda mais. —Eu quero que me entenda, Anippe. Eu estava em ruínas porquê Uri tinha morrido. Amun poderia, pode ainda, fazer algum mal para você e sua mãe. Você estava longe, Ramsés morto, sua mãe grávida. Eu precisava fazer por onde Amun pensar que eu estava morto. Assim ele não iria de fato ter mais como atingir sua mãe. Eu tive que tirar Lyanna dos braços de sua mãe, assim Amun também não teria ela para usar contra sua mãe. —Ele explica. —Djoser tinha Gab, Anippe. Mas ainda tinha sua mãe. O que fazer com ela? Foi quando decidimos contar a verdade para ela e levá-la para a Núbia. Djoser disse que Henutmire estava louca, presa na torre mais alta. Então, Amun iria atacar somente ele. Mas eu estava com sua mãe e Lyanna, Anippe. Depois fui te ver e te salvei das águas que quase mataram você. Passei anos te observando de longe, minha filha. Por isso Djoser não fui te buscar logo... —Ele explica enquanto choramos. —Eu não queria colocar você nisso porquê eu sabia que você não iria se passar por algo tão... Por essa loucura. —Meu pai fala. —Mas quando eu vi que Amun estava disposto a matar toda nossa família, depois que soube que Ramsés morreu envenenado, eu precisava manter essa mentira de pé.
—Meu tio Ramsés sabia?
—Sim. —Meu pai responde. —Eu estava bebendo a fórmula que Paser fez para mim. Era uma bebida forte que fazia minha respiração ficar pesada, quase inexistente, com o pulso fraco, assim como o coração. Eu estava bebendo todas as noites sem sua mãe suspeitar. Quando souberam que os homens de Amun iriam tentar invadir o palácio, eu bebi toda a fórmula rapidamente. E antes de um dos homens dele tentar me matar, eu estava inconsciente na sala do trono. Ramsés então saiu avisando que o plano tinha dado certo, naquela hora os homens de Amun tinham fugido, outros morreram, com isso Paser foi avisar para Henutmire que eu tinha morrido. —Meu pai revela toda a história. —Gab dava calmantes fortes para sua mãe dormir em algumas noites. Ela até tentava não dormir, mas a fórmula era forte. Então eu olhava ela dormir com Lyanna em seu ventre. —Ele revela. —Outra vez ela acordou, mas seu sono foi ainda maior e voltou a dormir. Logo de manhã Karoma e Gab convenceram Henutmire de que tudo foi fruto da imaginação dela.
—Foi um plano infalível. —Falo orgulhosa. —Mas Amun está vindo com suas tropas. Ele roubou o trono de Moabe.
—Estamos prontos. —Meu pai fala convicto. —Prontos para a guerra. —Ele fala e então eu me afasto. Olho para ele com uma certa dúvida. Fazem cinco anos que não sei o que é ter meu pai perto de mim. —Eu sei que a última lembrança que tem de mim foi quando você partiu do Egito quando o nosso povo foi liberto. —Meu pai relembra. —Foi a última vez que te vi tão perto. Você ainda era uma menina, uma princesa que estava se redimindo de todas as rebeldias que fez. Mas agora você é uma rainha. —Meu pai fala orgulhoso. —A coroa que usa agora... Eu quem fiz. —Ele revela e então meus olhos ficam arregalados. Tento não mostrar o meu espanto, mas é impossível. —Ai está você, Anippe. Idêntica a sua mãe, rainha, casada e ainda mais corajosa que antes.
—E mesmo assim eu ainda odeio o senhor. —Minha palavras surpreendem o meu pai. —Agora eu não estou errada, eu tenho razão. Mas parece que ter o meu perdão foi decepcionante, não foi? Por isso falhou comigo e com Uri.
—Não...
—O senhor não é pai coisa nenhuma. —Falo ao ficar próxima dele. —Errou tão feio com Uri, não foi? Pior fez comigo.
—Isso é mentira. —Meu pai nega enquanto olho no fundo de seus olhos.
—Errou. —Afirmo. —Não errou com Djoser, mas quem sabe com Lyanna. —Falo, então meu pai me olha assustado. —Seu legado de pai é uma mentira. —Minha palavras magoam meu pai.
—Quando tiver um filho, vai me entender. —Meu pai fala e então me lembro da criança que carrego.
—Quando eu tiver um filho, vou fazer por onde o senhor nunca encostar nele. —Minhas palavras são quase um decreto. —Pode ter netos de Uri e Djoser, mas de mim saiba que nunca irá carregar um neto nos braços. —Falo e então seguro sua mão. —Meus filhos não são sua descendência. —Falo risonha e me retiro sem olhar para ele novamente.
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