Coração De Gelo

3 Capítulo 3: Frio, mas não tanto.


Notas iniciais
"Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters"
Nothing Else Matters - Metallica.

Sirius acordou com toda aquela claridade. Piscou os olhos e se levantou, dando-se conta de que estivera deitada no chão de neve daquele lugar durante toda a noite e então já era de manhã. Olhou em volta, sem encontrar vestígios da estação.

A primeira coisa que pensou foi que tudo fora um sonho, mas as árvores feitas de uma espécie de cristal ainda estavam ali, e cobrindo seu corpo estava a mesma túnica branca como neve da noite anterior.

Pôs-se de pé, voltando a olhar em volta. Sua mochila e suas coisas estavam bem ao seu lado. Tirou a bússola de dentro da bolsa e viu que ela ainda girava com força, totalmente perdida. Suspirou. Ah, bem, tinha sido abandonado então...

-Filho da puta desgraçad...

-Ah, saudações.-Ouviu então uma voz atrás de si, o que o fez se virar tão rapidamente que quase caiu. Cara, ele tinha a bendita mania de aparecer do nada, não tinha?!

-Porra, eu achei que você tivesse sumido!

-E é por esse motivo, eu presumo, que estava me ofendendo verbalmente há alguns momentos.-Inverno perguntou, embora sua feição continuasse sempre impassível a voz, inalterada, sem vestígio de emoção alguma.

-É claro que é! Porra, eu ficaria preso se ficasse sozinho aqui!-Sirius exclamou, notando então que a estação ainda estava sem a parte de cima de sua roupa e o rapaz ainda estava agarrando a bendita túnica contra o peito. Jogou-a para o outro no exato momento, que a pegou no ar, logo a vestindo.-Valeu pela roupa.-Agradeceu somente.

-Não há de quê.-Inverno respondeu, olhando em volta. Fazia frio, mas estava bastante suportável até, quem sabe porque estivesse de dia.-Logo farei nevar, é melhor que volte. Durante a noite, haverá uma nevasca, então não saia, entendeu?

-Desde quando você virou minha mãe pra ficar me protegendo assim? Se eu quiser, eu saio!-Sirius exclamou, sempre odiando receber qualquer ordem.

-A escolha de sair numa das piores nevascas do século certamente é sua, e a vida e a morte também. Não irei poupar sua vida, moleque, lembre-se que a morte para mim é apenas uma consequência da vida.

-Então quer dizer que você prefere que eu fique na Base e não saia para que, assim, eu continue vivendo? Será que você não quer que eu não morra? Porra, cara, você me quer vivo!-Sirius exclamou, sorrindo como se achasse muito engraçado.

-Não, eu apenas acho que, no seu caso, seria um desperdício.-Inverno disse então, os olhos escuros como os mares congelados parecendo ainda mais frios.-A nevasca não é algo que eu possa evitar, antes que pergunte. Eu preciso fazer, é algo que devo fazer, uma necessidade.

-E eu sinto necessidade de não voltar...-Sirius comentou, cruzando os braços, mas se virando então, dando as costas para a estação.-Porra, mas eu volto quando a nevasca acabar. Nem morto eu fico naquela merda de base por um dia inteiro, ouviu?!

-Faça como quiser.-Inverno deu de ombros, vendo o humano pegar as coisas como sua mochila e etc e então sair dali pela escada de gelo que o outro fizera surgir no dia anterior.

Inverno fitou o céu, aparentemente limpo. Sumiu dali então, como se todo seu corpo tivesse se transformado em flocos de neve carregados pelo vento enquanto, pouco a pouco, o céu assumia um tom assustador.

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-Sirius, por onde andou?!-Liam, o pai do rapaz, gritou ao vê-lo de volta na Base, parando sua pesquisa e tudo o mais apenas para ver o filho ensopado com a neve que derretia na temperatura mais alta do lugar.

-Por aí.-Sirius respondeu, já tomando o caminho para seu quarto.

-Ei, ei! Espere aí, aonde pensa que vai?!-Liam segurou o menino pelo braço, fazendo-o parar e se virar, a irritação já presente nos olhos quase negros.-Você sumiu ontem! Saiu de dia e não voltou e está vivo! Nós procuramos por você em toda a redondeza!

-Ah, eu achei um canto para ficar.-Sirius deu de ombros.-Eu passei a noite bem, viu? Estou vivo, o que mais importa?

-Como você sobreviveu a temperatura que fez?!-Liam exclamou, franzindo o cenho de tão surpreso que estava.-E-Eu não entendo! Não há como se abrigar numa planície aberta como a que estamos, você teria morrido! Sirius!

-Me solte!-O filho exclamou, puxando o braço de repente, com raiva.-O que importa é que estou vivo, certo?! Me deixe em paz, nunca se preocupou comigo e agora quer bancar o pai coruja?! Ah, vá à merda!

-Sirius!-Liam exclamou, fazendo o filho xingar mais uma vez e voltar a marchar para seu quarto, batendo a porta ao entrar no mesmo e jogando suas coisas no chão enquanto jogava a si mesmo na cama, ouvindo o pai bater na porta com força, mandando que abrisse, mas apenas o ignorou, mordendo o travesseiro com força para não resistir a tentação de responder ao mais velho.

Por fim, Liam foi embora, reclamando. Sirius continuou deitado, pegando a câmera para olhar as fotos que tinha tirado, vendo que, por alguma razão e mesmo a máquina sendo digital e de última geração (presente de sua namorada, Emily), todas as fotos tinham uma mancha branca no meio da foto, embaçando tudo.

Sirius suspirou, irritado, tendo certeza de que enquanto dormia aquele maldito do Inverno deveria ter quebrado sua máquina ou algo assim, mas enquanto reclamava, apertou o botão sem querer e bateu uma foto do teto do seu quarto. Piscou, sem entender, vendo que a foto estava perfeitamente bem. Virou a máquina e tirou uma foto de si, vendo que também saíra sem qualquer mancha.

-Que estranho... Mas, porra, eu tô um trapo. Vou tomar um banho... Ah, merda, será que eles têm pelo menos toalhas nessa merda de lugar?-Perguntou a si mesmo em voz alta, tirando uma muda de roupa de dentro da mala e deixando o quarto até os banheiros que ficavam no fundo da ala.

Os banheiros eram grandes, claro, por serem coletivos... Pelo menos os masculinos eram, com vários boxes onde deveria haver privadas e essas coisas, uma grande fileira de pias ao lado da porta acompanhadas por uma parede de espelhos e, bem no fundo, os chuveiros tendo uma divisão de concreto que os separavam do resto do banheiro mas sendo que, entre si, detrás desse murinho de concreto, não havia nada.

Ou seja, todos os machos tomavam banho juntos. Sirius suspirou, dando graças aos céus por estar sozinho ali. Não que tivesse algo contra a ver um contingente de homens nus, mas era...

-Porra, isso é viadagem demais pro meu gosto.-Reclamou, pondo a muda de roupas sobre o murinho baixo que separava os chuveiros do restante do banheiro e ligando um dos mesmos, sentindo a água quente lhe correr pelo corpo.

Apostava que a única coisa boa naquele lugar deveria ser a sensação quente da água contra os músculos que, se não fossem cuidados, congelavam. Ah, bem, isso até a porta do banheiro se abrir de repente e um cara entrar, imediatamente achando Sirius, que pôs logo uma cara mais irritada.

O cara, um outro pesquisador que Sirius vira no avião na ida para aquele lugar, era alto, mais musculoso que os demais e tinha a barba por fazer. Os olhos, castanhos contra o loiro dos cabelos, eram aparentemente comuns.

-Hey.-O cara o cumprimentou enquanto Sirius só assentia, fechando o chuveiro e se enxugando com a toalha que tinha pego antes, protegido atrás do murinho que apenas permitia que só fosse visto das axilas para cima.-Você é o filho do Liam, certo? Sirius, né?

-É isso aí.-O rapaz respondeu, vendo que o homem se apoiava na pia, parecendo querer puxar assunto. Sirius enxugou-se e vestiu a calça embolada na muda de roupas, saindo então de detrás do murinho, a toalha em suas mãos secando seus cabelos.

-Entendo... Vocês não se parecem muito.-O homem disse, olhando em volta.-Você... É filho dele mesmo?

-Não me importa.-Sirius respondeu, jogando a toalha em algum lugar, uma vez que elas também era coletivas e eram lavadas e postas limpas todos os dias.

-Ah... Entendo... Então... Você está aqui porque foi expulso de casa, posso notar... Meu nome é...

-Não quero saber. Não venha dar um de bonzinho, não duvido que meu pai tenha lhe mandado falar comigo.-Sirius rebateu, vestindo-se e saindo do banheiro, sendo seguido pelo outro.

-Você tem razão mas...

-Mas nada. Cai fora daqui antes que eu chute sua bunda, seu merda, e manda meu pai me deixar em paz!-Sirius exclamou, entrando em seu quarto e batendo a porta com força, trancando-a e jogando-se na cama, desejando, mais do que tudo, sair dali.

Ir aonde ninguém lhe daria ordens nem lhe imporia limites e nem exigisse explicações. Um lugar onde que ele não fosse tão trancafiado porque, até em casa, na sua verdadeira casa a quilômetros de distância, ele ainda se sentia preso a tantas outras coisas que às vezes tinha vontade de jogar tudo para o ar e desistir, fugir de casa e tudo o mais.

Mas é claro que não podia fazer aquilo.

Era como querer simplesmente desistir e não poder.

Virou-se na cama por horas, mexendo no notebook sem mais nada para fazer, jogando paciência e freecell e esses jogos de cartas, bufando a cada cinco minutos de tanto tédio. Precisava sair dali mas agora que eram... 12 da manhã, no horário local. Logo o almoço seria posto no refeitório.

E por isso, logo ouviu batidas na sua porta e a voz do seu pai soando do outro lado.

-Sirius... É hora do almoço. Venha comer.-Ele disse, dando leves batidas na porta enquanto o rapaz tirava os fones dos ouvidos e voltava a bufar.

-Estou sem fome, vá embora.-O filho respondeu, esperando que o mais velho fosse simplesmente embora, o que não aconteceu.

-Você precisa comer. Okay, não vou mais lhe encher com essa de como diabos você voltou vivo mas, filho, por favor, não seja tão grosso assim com as outras pessoas... Você é meu filho e por isso precisa ser...

-Ah, você fala daquele cara que mandou falar comigo? Ótimo, agora sei das suas capacidades como pai para pedir desculpas ao filho.-Sirius bufou, mas foi até a porta e a abriu, antes escondendo o notebook e as outras coisas, claro.

Encontrou seu pai sorrindo então.

-Eu não quero comer, só quero ir embora. Você pode agir como se fosse meu pai e tudo o mais, mas desde criança lembro bem que só a mamãe esteve comigo, que só a mamãe foi no colégio na minha primeira briga e na minha primeira suspensão. Pode ser que esse meu jeito seja tudo culpa sua, quem sabe uma frustração porque meu pai nunca esteve comigo e só aparecia no natal e às vezes nem nessa época.-Sirius disse, totalmente sério, recorrendo ao seu “escasso” conhecimento da gramática para falar difícil, quer dizer, só complexar um pouco.

O sorriso do seu pai mudou então, desapareceu.

-Olha, Sirius, é também por isso que eu quis que viesse e...

-Não. Você perdeu todas as oportunidades de se tornar meu pai. Você pode ser meu pai biológico mas pai no verdadeiro sentido de pai, não. Para mim você é só um estranho com a aparência um pouco parecida com a minha.

-Sirius... Não seja tão radical, você sabe que se eu não viajasse para fazer as pesquisas, eu...

-Não quero saber!-Sirius exclamou, cansando-se de tudo aquilo.-Você nunca me ligou em todos os meus aniversários! Nem presentes me trouxe, não me ensinou a dirigir e nem a fazer nada! Que significado você tem para mim? Nenhum. O que aconteceu, aconteceu. O que sou hoje é consequência das suas escolhas. Vá embora e me deixe em paz, okay? Já é ruim o bastante e fica pior ainda com você me enchendo o saco com essas baboseiras.

Liam suspirou e então saiu, deixando o mais novo encostado no arco da porta, de braços cruzados. Qualquer um teria pelo menos ficado comovido pelo pai de Sirius, mas não este último. Sirius tinha muita raiva guardada e mágoa pelo pai para sentir qualquer coisa de bom sobre o mesmo.

O fato foi que acabou almoçando chocolate novamente (que acabava mais rapidamente do que calculou) e passou o resto da tarde dormindo, até que voltaram a bater em sua porta e, grogue demais para dar uma resposta ignorante ou simplesmente mandar embora, a abriu, dando de cara com um dos caras que trabalhavam com seu pai.

-O que é que você quer?-Sirius perguntou, coçando os olhos enquanto o homem respirava fundo e tentava organizar os pensamentos, mas suas palavras saíam todas desconexas.-Calma, cara, respira aí e diz logo pra eu voltar a dormir...

-Seu pai...-O homem respirou fundo, apoiando-se na parede ao lado da porta.-Ele... Saiu da Base faz umas horas e... Já escureceu e... Ele não voltou...

-E daí?-Sirius perguntou, sincero.

-O seu pai sumiu! Ele não responde ao comunicador e a nevasca só parece piorar cada vez mais!-O homem exclamou, sem entender como Sirius podia ser tão frio.

-Não posso fazer nada, oras! Porra, não sou nenhum mutante pra sair numa nevasca dessas e voltar vivo! Se você quiser morrer, vá em frente, morra, mas eu não farei nada.

O homem fez uma careta de nojo então.

-Ele é o seu pai!

-Cale sua boca porque você não sabe nada, entendeu? Posso ter vindo da merda do saco dele, mas meu pai ele não é e nunca vai ser, agora dê o fora daqui e diga pra todo mundo que parem de vir me perturbar.-E dizendo isso, Sirius fechou a porta com força, voltando a se jogar na cama, irritado.

Irritado e depois confuso.

Confuso porque ele simplesmente não conseguia pegar no sono novamente e, na verdade, estava bastante desperto além de mais irritado ainda. Porra, ele deveria ir pelo menos atrás do pai, não devia? Quer dizer, dever, devia, mas iria?

Liam poderia estar voltando naquele momento. Sair no meio da nevasca horrível poderia ser uma missão suicida e infrutífera, mas deixar seu pai morrer também era igualmente ruim. Não que se preocupasse, porque não se preocupava, mas se fosse qualquer outro ser humano, Sirius acabaria indo atrás mesmo assim.

Porque até no colégio ele pegava brigava com os outros estudantes que adoravam importunar os menores, sempre os salvando, se metendo nos problemas dos outros. Talvez fosse essa sua maior característica.

Então, meio a contragosto, vestiu-se de forma apropriada para o frio, colocou o útil dentro da mochila e respirou fundo. Teria mesmo que fazer aquilo? Sério mesmo? Ir numa missão suicida pelo homem que mais detestava naquele planeta? Sério mesmo, diretor, é isso mesmo? Mas que droga, eim, que grande sorte você tem, Sirius.

O rapaz respirou fundo por uma última vez e então deixou o quarto, notando que grande parte da Base estava vazia exceto pelo refeitório, onde estavam os demais pesquisadores provavelmente decidindo o que fazer, se iam atrás de Liam ou se esperavam ou se pediam ajuda, coisa que não adiantaria muito porque a alma viva mais próxima ficava numa cidade a 120 kms de distância dali.

Sirius fez questão de não deixar que o vissem. Não queria chamar atenção, até porque mesmo o impediriam de fazer aquilo, e mesmo que não quisesse ir atrás daquele maldito homem, já tinha decidido ir.

Além de que...

Além de que era a oportunidade perfeita de deixar a base.

E ver Inverno.

O fato foi que quando deixou a Base e viu aquele deserto frio e branco a sua frente, uma súbita vontade de voltar surgiu, mas ele continuou andando em frente, chamando pelo nome do pai. A neve forte que era tragada pelo vento atrapalhava bastante sua visão e acabava com qualquer possibilidade de sua voz ser ouvida, tanto que logo ele ficou rouco.

Andou uns 700 metros até que seus músculos começassem a latejar de forma dolorosa. Sirius tinha uma ótima disposição física graças aos inúmeros esportes que praticava e ao corpo saudável (apesar de todas as porcarias que comia), e geralmente conseguia correr por mais de uma hora antes de o cansaço bater, mas suas pernas pesavam toneladas e sua vista começava a embaçar.

As extremidades do corpo já estavam dormentes e, a cada passo, sentia que começava a se perder embora a bússola (que tinha voltado a funcionar depois que saíra do domínio de Inverno) fosse constantemente verificada para sempre seguir pelo norte (que era aonde seu pai deveria ter ido para pesquisar sei lá o que fosse).

Quando completou algo como um quilômetro e meio, já não respirava direito e estava com câimbras constantes principalmente nas pernas. Olhando em volta não havia nada exceto o deserto branco e ameaçador, a nevasca piorando cada vez mais se é que era possível.

-Mas que... Merda...-Murmurou, seus dentes batendo com força e já abraçando a si próprio, tentando a todo custo manter o calor de seu corpo, sempre olhando em volta.-Merda, pai, por que você teve que sair...? Seu... Idiota...

Uma das pernas fraquejou e o rapaz caiu de joelhos na neve fofa que lhe causava dor pelo contato do gelo com os tecidos grossos que vestia e que mesmo assim, deixavam que a temperatura chegasse até sua pele.

Tentou se levantar, mas as câimbras estavam fortes demais e apoiar-se na neve para se erguer era igualmente dolorido. Parecia que seus músculos tinham congelados, que seu sangue tinha congelado e até seus olhos porque até ver sua volta doía. Seus pulmões se esforçavam ao máximo, assim como seu coração, mas conseguir oxigênio tinha se tornado dificílimo.

Porra, assim acabaria morrendo. Uma moleza súbita apareceu, tirando-lhe qualquer vontade de se levantar, e Sirius sabia que eram assim que as pessoas morriam no frio. Sua temperatura cairia de forma drástica, o sangue, feito principalmente de água, congelaria literalmente, e sem transportar oxigênio em questão de segundos seu cérebro morreria, e sem o cérebro, todo o resto parava de funcionar.

Ah, bem, ele meio que sentira que desde o começo aquela fora uma missão suicida mesmo.

Caiu então na neve fofa, o gelo contra a pele queimando-lhe, mas ele estava sonolento demais para se preocupar com aquilo, só queria dormir... E fechou os olhos então. Pelo menos, se morresse, não seria mais preso nem mandado, pelo menos seria livre.

Perdeu os sentidos, desmaiado no meio da enorme planície gelada sem ninguém para lhe ajudar, sem mais qualquer chance. Esse poderia ter sido o fim da história, um trágico final, aliás, o mais provável final, mas.

Mas.

Mas de repente, bem de repente, segundos depois que Sirius perdeu os sentidos, alguns flocos de neve perderam seu curso em direção ao chão e se juntaram no ar, condensando-se, girando como um pequeno redemoinho de neve até que um ser surgisse de tais flocos, um ser vivo, o inverno em pessoa.

-Eu disse para não vir, moleque...-Inverno disse, se aproximando do humano.

Ele sabia que não deveria intervir. Ir até ali quando ainda o tinha avisado tinha sido escolha do humano e, portanto, ele deveria arcar com as consequências e morrer de acordo com suas escolhas. Inverno deveria só ficar ali de pé, olhando-o o morrer, então. Não deveria fazer nada a não ser ficar ali e observar, como um predador.

Mas antes que pensasse como predador, ergueu o humano nos braços, a cabeça de Sirius em seu peito gelado tão fria que não chegava a fazer diferença contra a pele de Inverno. E antes que pensasse em mais alguma coisa, saiu caminhando para longe dali, afastando-se de todos os seus instintos e de tudo aquilo que fora formado: O frio.

Notas finais
E aew gente? Reviews pra me fazer ficar tão happy que vou chegar a cagar felicidade? (noes, sufia, ninguem quer ver você fazer isso!)
Enfiem, espero que tenham gostado!
Kisses e até próximo sábado!