Coração Ardente por Jill
1 One Shot
Notas iniciais
- Jill, já sabe: você tem que ficar escondida. Mesmo que o seu cheiro te denuncie, não fique dentro do campo de visão do strigoi. – Angeline falou e eu assenti. Quando ela viu meu gesto, tomou à dianteira, procurando nossos amigos a cada beco que passávamos.
Eu estava realmente apreensiva, não conseguia acreditar que Eddie, Sydney e Neil estavam indo atrás de um strigoi. Muito menos que nós seríamos a ajuda, já que, o nosso grupo não parecia ser exatamente letal. Mesmo assim, aqui estávamos, tentando encontrar qualquer sinal deles.
Tal sinal não tardou a acontecer pois nós começamos a ouvir ruídos vindo de um beco logo adiante. Senti meu coração bater mais rápido, não estava mais apreensiva e sim, com medo. E se alguém estivesse ferido, ou ainda pior, morto? Pensar em Neil e Sydney machucados me pertubava mas no Eddie...eu podia imaginar a dor que eu sentiria. Não, eu não podia me desesperar agora. Eu confiava no Eddie, ele já tinha matado dois strigois na minha frente, ele era bom o suficiente para fazer isso de novo.
Quando os barulhos começaram a ficar mais próximos, Angeline parou de andar logo antes de entrar no beco e avisou para que eu me mantivesse escondida ali. Assim que me posicionei, ela e Trey entraram na viela correndo.
No momento em que eles foram, fui checar o que acontecia. A primeira coisa que vi foi Eddie e o strigoi lutando, depois, percebi que no fundo Neil tentava se levantar com a ajuda de Sydney. Será que ele tinha sido nocauteado? Droga!
- De jeito nenhum. – Pude ouvir Sydney falar.
A chegada de Trey pareceu surpreender o strigoi que foi atacado por um golpe forte de Eddie. Enquanto isso, Angeline foi ajudar Neil a se levantar, ela pegou a estaca dele e se preparou para entrar na luta.
O strigoi não parecey se sentir ameaçado com a chegada de Trey no combate e tratou de atacá-lo direto, jogando-o no chão. O golpe do vampiro teria sido ótimo se não tivesse dado chance de Eddie acertá-lo com a estaca, fazendo-o urrar de dor. Infelizmente, esse ataque não afetou o strigoi suficientemente, já que ele continuava se defendendo e atacando perfeitamente.
O medo crescia dentro de mim, já bastava Neil machucado, eu não queria que nada acontecesse com os outros também. Só que, diferentemente do strigoi, meus amigos começavam a demonstrar cansaço. Tentei me impedir de ser negativa agora, mas não adiantava, a realidade era simples e dura: se isso continuasse, não haveria apenas um Neil machucado...
Foi então que o meu guardião chutou o vampiro forte o bastante para derrubá-lo, Trey, então, tentou matá-lo com a sua espada. Contudo, assim que começou o movimento, o strigoi já estava de pé novamente, girando e chutando os meus amigos. Com isso, os dois caíram e o vampiro aproveitou essa vantagem para ir atrás de Eddie. Senti meu corpo endurecer, nada podia acontecer com ele, não ele. O aperto em meu coração aumentou e eu olhei para todos os cantos procurando um pouco de água, quando encontrei uma poça. Sem pensar muito, levantei meu braço e senti meu elemento corresponder aos meus comandos. Felizmente, a neblina que fora formada foi o suficiente para deixar o strigoi meio perdido.
Em um momento ele estava parado, no outro Angeline o atacava com uma estaca de prata. O ataque dela não fora certeiro, mas o de Eddie com certeza tinha sido. Ele havia apunhalado o strigoi no coração que se contorceu e logo caiu.
Eu comecei a ficar aliviada novamente e me senti sorrir, eu sabia que Eddie era capaz. Ele estava cansado mas ainda assim era incrível no que fazia. Eu estava tão aliviada com a morte do strigoi e ao mesmo tempo tão orgulhosa de ter Eddie como guardião que me surpreendi ao ouví-lo gritar:
- O que você está fazendo aqui?
- Salvando as suas bundas. Eu sabia que algo estava acontecendo! – Angeline respondeu em tom acusatório. Mas Eddie não estava falando com ela, estava falando comigo. Eu sabia disso pois ele olhava fixamente na minha direção.
Não é possível que depois desta luta toda ele fosse brigar comigo, eu tinha ficado escondida o tempo todo e ajudei quando eles precisaram. É decerto que eu queria fazer mais, só que o que mais eu poderia fazer?
- Não estou falando com você. – Eddie respondeu com raiva, guardando a sua estaca e vindo em minha direção. Me permiti sair do meu esconderijo quando ele continuou – Você não tem o direito de estar aqui. Eles não deveriam ter te trazido.
- Tenho todo o direito de estar aqui. – Eu disse, começando a ficar irritada. – Quando Angeline me convenceu, soube que tínhamos que ajudar. E ajudamos.
- Não me importa o que eles fazem. Se quiserem colocar em perigo suas vidas, que seja. Mas a princesa de um povo não tem que se colocar em perigo. – A raiva dele era visível, ele nunca tinha gritado comigo e agora isso? Já era ruim o bastante não poder fazer muita coisa para ajudar, mas não poder nem tentar era um absurdo.
Eu sei que não sou nenhuma dhampir e estou longe de ser perigosa mas eu me recusava a ficar parada quando os meus amigos estavam em perigo.
- Uma princesa não tem que estar de lado quando lhe dizem que sua gente está em perigo. – Respondi a altura, com a frustação crescendo dentro de mim.
Eddie tinha que entender, eu também me preocupava com eles! Além do mais, ele tinha sido tão incrível hoje, eu só queria abraçá-lo e dizer isso para ele. Sem nenhuma discussão, por que ele não entendia?
- Tem alguma ideia do que poderia ter acontecido se? – Ele perguntou. Era impressão minha ou havia um tom de desespero na sua voz? Observei seu rosto e por um momento não pude acreditar, a sua expressão raivosa tinha dado lugar ao medo...
Alguma coisa despertou dentro de mim, será que era isso mesmo? Eddie não parecia estar com medo só porque eu era a princesa, parecia algo mais profundo que isso. Poderia ser carinho, mas eu tive uma impressão dizendo que não era só isso. Não sei o que deu em mim depois de olhar nos seus olhos, talvez tenha sido fruto da impressão ou talvez tenha sido por causa da admiração que eu sentia por ele. Eu não sabia, eu nem imaginava tomar uma atitude dessas até fazer.
- Cala a boca! – Falei, beijando-o impulsivamente.
Por um momento achei que fosse me arrepender por ter feitouma coisa dessas porém esta sensação passou assim que eu senti o corpo dele relaxar. Eddie estava não só aceitando meu beijo como também correspondendo-o. Colei meu corpo ao dele, era tão bom poder finalmente beijá-lo.
Eu sabia que nossos amigos estavam observando a cena, mas não me importava. Eu só conseguia pensar no beijo, em como meu coração estava batendo mais rápido e como era bom ter a mão dele segurando a minha cintura. A excitação crescia dentro de mim, eu queria o Eddie e queria muito, por isso, não pude evitar o ar de decepção quando eu o senti desvencilhar do nosso beijo. Então, não me restou fazer nada além de me afastar também.
Eu tentei observar Eddie, buscando algum sinal de que ele tinha gostado. Contudo, só pude perceber seu olhar fugindo do meu, checando o meu corpo e virando, depois, na direção de Neil.
Qual era o meu problema? Onde diabos eu estava com a cabeça? Por que eu tinha feito isso? E por que o medo de que não nos beijássemos de novo era maior do que o arrependimento por ter agido tão impulsivamente?
- Oi. Você fez. Provou que a tatuagem funciona. Temos uma maneira de impedir que os Strigois bebam de outros. – Minha boca abriu um pouco de surpresa, então era esse o motivo para a gente estar aqui. O fato da vacina ter funcionado era maravilhoso e isso mudava tudo.
Angeline me cutucou enquanto os garotos ajudavam Neil e Sydney destruía o corpo do strigoi, dizendo baixo:
- Isso foi incrível. – Eu abri um sorriso em resposta. – Aliás, bela cena com o beijo. – Desviei o olhar dela e corei.
“Não tanto se não ocorrer de novo.” Quis dizer, mas preferi ficar quieta antes que alguém nos ouvisse. Ela percebeu que não ia conseguir me fazer falar nada e se voltou para Trey, segurando a mão dele. A relação deles era tão fofa, eu me perguntava quando teria uma assim e se havia alguma chance dela acontecer com o Eddie...
- Eu sabia. Sabia que algo estava acontecendo nessa noite. – Angeline falou.
- Fez bem . Muito bem. – Sydney disse.
- Realmente não acreditei. Quando a Angeline me disse que estava indo, fui ao seu quarto te contar. Zoe disse que você estava fora esta noite, e foi então que percebi que poderia estar acontecendo algo.
- Você ia me dedurar? – Angeline falou se sentindo traída.
Na verdade, eu ia sim, só não gostava de ver esta minha atitude como um simples ato de dedo duro. Angeline já estava na mira da diretora, mais um ato fora da linha e ela seria facilmente expulsa. Além do mais, eu não acreditava que algo estivesse realmente acontecendo, achei que Angeline fosse sair à toa e acabaria indo para um lugar perigoso por causa de suas teorias conspiratórias. Mas eu não queria entrar nesse assunto agora, então, encolhi os ombros e respondi:
-Tudo saiu bem.
-Desta vez. – Sydney pontuou, me fazendo suspirar.
Ao chegar ao carro de Sydney, ajudamos Neil que parecia ainda estar sobre o efeito das endorfinas.
- Realmente funcionou... – Ele disse.
- Duvido que dure por muito tempo quando cheguem os resultados.
Eu estava tentando até então não olhar na direção de Eddie mas às vezes ainda o espiava. Agora, pelo canto do olho pude vê-lo sorrindo em concordância para Neil, ele estava contente com a descoberta e com a batalha vencida. Mais uma vez não pude deixar de admirá-lo.
- Agora qual é o plano? – perguntou Trey – Estamos aqui depois do toque de recolher.
- Vocês assinaram a saída? – Eddie perguntou. Assim que nós negamos, ele continuou – Nós também não. O plano era ficar fora toda a noite e chegar de manhã quando todos estiverem ocupados, assim espero que não percebam nada. Nenhum de nós vai falar dos outros.
- Estou com fome. — Neil murmurou.
- Conheço um ótimo lugar 24horas. Vamos comemorar a vitória com frituras. – Trey falou.
Antes que chegássemos perto do lugar onde lancharíamos, Sydney falou:
- Tenho que ver Adrian, me deixe lá e vão no meu carro. Ele me levará de volta.
Uou, essa é nova para mim. Adrian e Sydney eram sempre tão cuidadosos, não contavam para ninguém sobre o relacionamento deles. O que tinha dado na Sydney para pedir isso agora? Eu estava com certeza surpresa e olha que eu sabia do namoro deles, mas pude perceber que não era a única. Eddie também estranhou e, por isso, perguntou:
- Por que precisa vê-lo?
- Simplesmente preciso. – Era realmente estranho Sydney estar deixando tudo tão claro, mas não me importei muito, Sydney sempre sabia o que estava fazendo.
Ou talvez não soubesse... ela realmente ia deixar Eddie e eu sozinhos no carro? Tipo, sério mesmo? Geralmente, eu não me importaria em ficar sozinha com ele, mas depois de beijá-lo eu não queria ter que falar com ele. Pelo menos, não agora, não sozinha...ou queria? Eu não sabia. Por Vladimir, eu tinha gostado tanto do beijo que não queria ter que receber logo um fora. Queria mais tempo pra ter esperanças e fingir que talvez – só talvez – rolasse algo a mais.
Tive muita vontade de falar algo, porém, eu sabia como o Adrian se sentia com a Sydney. Seria muito egoísmo da minha parte impedir que ele se encontrasse com a mesma por minha causa.
Algum tempo depois, nós paramos na frente do prédio do Adrian, então, Sydney saiu do carro dizendo:
- Boa sorte. Me chame se algo ruim acontecer com Neil.
Assim que Eddie saiu com o carro, eu olhei para janela, tentando cortar qualquer contato visual. Eu tinha certeza que ia acabar corando se ele falasse comigo, além do mais, eu não queria que percebesse qualquer traço de decepção quando me desse o fora.Conforme os segundos passavam, eu sentia meus batimentos cardíacos ficarem mais rápidos. Olhei pelo canto para Eddie e tive a impressão de ver sua boca mexendo. Ah, não. Não fale comigo, não fale comigo, não fale comigo.
Notas finais
Se vocês tiverem gostado e tiverem interesse, eu escrevo uma one shot dessa mesma cena pelo ponto de vista do Eddie também. E, é claro, críticas construtivas são sempre bem vindas. Vocês acharam o que eu escrevi parecido com o que a Jill faria/pensaria? Porque eu estava pensando em escrever outras fanfics pelo pov dela.
Beijoos :*
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