Corazón De Angel

27 Capítulo 27 Você vai lembrar de mim


Notas iniciais
Então eu voltei, fiz um capitulo fofo pra vocês!
A música é da banda perfeita Nenhum De Nós, como diz o título!
http://letras.mus.br/nenhum-de-nos/28033/
bjs e eu quero muitos reviews

POV EMILY

Eu não sei como eu havia aceitado isso também, mas havia. Talvez minha vida tivesse mudado completamente, acabado com minha personalidade, e eu esteja tentando reconstruí-la, eu não queria aceitar a ajuda, isso na frente dos outros, mas no fundo era o que eu mais precisava e clamava.

Já estava tudo pronto, eu odiava despedidas, então apenas quem sabia era Luiza e Lucas, eles transmitiam meu ‘’adeus’’ depois aos outros.

~*~

Roupa: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=63681208&.locale=pt-br

~*~

Eu forcei minha mala a se fechar, não se engane, eu não levava tantas roupas assim, eram apenas recordações, roupa era o que menos tinha ali dentro. Tirei a mala de cima de minha cama e caminhei até a porta do meu quarto, pronta para sair... Dei mais uma olhada naquele lugar.

Fechei os olhos, que eu sentia marejarem, e por alguns segundos pude me perder em lembranças. Começando quando papai tirava os entulhos daqui para fazer meu quarto já que Taylor estava chegando, quando começamos a pintar o quarto, quando ele se tornou iluminado ao invés de escuro, quando ele ficou pronto e um dia depois Taylor nasceu, quando eu brincava de barbies escondida no canto do quarto, ou quando eu pegava Taylor do seu berço e a trazia para meu quarto, para brincar de mamãe e filinha, e eu acabava levando um sermão de uma mãe preocupada, quando eu e Henry brincávamos de lutinha em cima da cama, quando fiz minha primeira noite do pijama e me achei um máximo, quando em minha pré-adolescência eu corria para o quarto e me jogava na cama para debulhar-me em lágrimas, tudo em segredo, lembrando de quando Cameron vinha em minha janela e lembrando de quando tudo desabou.

Abri os olhos, agora turvos, e limpei as lágrimas.

Aquele quarto... Ele foi meu abrigo e agora eu iria sair dele. Era como se estivesse chovendo forte e eu fosse expulsa dele exposta a chuva, não de gotas de água, mas com pedradas de julgamentos.

Tirei a mala do caminho e fechei a porta, querendo mais do que tudo abri-la e me trancar novamente lá dentro. Mas eu prometi a mim mesma que encararia tudo de cabeça erguida, não é agora que eu desabo. Precisarão de mais.

Desci o do segundo para o primeiro andar, sem ver graça alguma em tentar descer no corrimão.

O clima era monótono, afinal não podíamos nos mostrar tristes demais, nem felizes... Bem, eu não via ninguém feliz.

Papai pegou minha mala e guardou no porta-malas, lembrei-me de quando ele tentava me colocar ali dizendo que eu era uma mala sem alça, Henry estava no banco de trás e mamãe ajeitava Taylor em sua cadeirinha. Quando passei por ela, ela me puxou e me abraçou, eu a abracei também, percebendo que eu estava mais calma do que ela. Embora dessa vez ela não chorasse.

Ela entrou no carro e eu também, papai começou a dirigir, e eu estava passando por nossa rua pela última vez até voltar. Olhei para casa do Lucas, será que ele viria se despedir? Luiza com certeza iria.

Desviei meu olhar da janela para Henry, ele me olhava, escorei-me no ombro dele. Ele tirou os cabelos que caíram na frente de meu rosto, os pondo para trás. Pensei o quanto devia a ele. O quanto devia a todos. O quanto fui ingrata e egoísta.

Parecia que o aeroporto ficava a hectares, mas não levou muito tempo para chegarmos nele. Descemos todos do carro. A família Grigori mandando a primeira menina para um psicólogo, que essa história não se espalhe, pegaria mal. Essa é minha ironia falando, e essa sou eu me arrependendo de ser tão hipócrita.

O voo ainda não havia chegado. Não sei o que era maior em mim, a ansiedade de ir ficar lá e não voltar, a ansiedade de ir e voltar logo, ou a ansiedade e ilusão de ficar e fingir que tudo estava bem.

Desabei em uma poltrona ao lado de minha mãe, que tinha uma Taylor semi adormecida nos braços. Papai estava fingindo que estava concentrado no jornal e Henry encarava os aviões como se tivesse 6 anos. Eu não me incomodei em procurar algo para fazer, nem daria tempo, Luiza chegou não muito depois de nós. Ela veio até mim e me abraçou, depois deu um selinho em Henry e o confortou com um carinho no ombro. Depois ela se voltou para mim e me abraçou novamente.

-Tem mesmo que ir? – Ela perguntou me fitando com aqueles olhos castanhos sempre gentis.

-Te... Tenho. – Suspirei. Forcei um sorriso – Mas eu volto.

-Para onde você vai?

-Casa dos meus avós... Já te expliquei... Não há muito que dizer.

-Eu sei...

Mordi o lábio, uma mania comum, olhei ao redor ansiosa, esperando que ela estivesse acompanhada... Mas não estava. Isso fez eu desmoronar mais. Quando a dor não era mais suportável eu parei de morder o lábio que quase sangrava.

-Luli...

-Sim?

-Ele veio com você?

-Não, Emy... – Ela disse em uma tristeza solidária.

-Acha que ele vem?

-Não sei amiga...

Olhei mais uma vez ao redor. Nada. Suspirei.

-Quer tomar um café? – Perguntei.

-Pode ser.

Dirigimos-nos até a cafeteria do aeroporto e pedimos dois cappuccinos grandes que acabaram em um minuto.

O voo foi chamado no alto-falante, destruindo todo a qualquer fio mínimo de esperança em me despedir de Lucas. Levantamo-nos e fomos até minha família que já estava perto do portão de embarque, Taylor segurava inocentemente a mão de mamãe, Papai e Henry estavam encostados na parede. Eu dei um último abraço em Luiza.

-Até mais – Falei.

-Até. –Respondeu com a voz embriagada.

Olhei para Henry, ele encontrou meus olhos, os dele estavam impassíveis com uma pontada de raiva, já que ele culpou papai e mamãe por eu me afastar, mas seus olhos se amoleceram ao encontrar os meus. Eu me joguei contra ele e ele cambaleou antes de me apertar contra ele.

-Eu te amo, mano – Falei

-Te amo, maninha- Sussurrou de volta.

Eu o soltei e ele abraçou Luiza com um braço. Olhei para meu pai e o abracei fortemente, depois beijei sua bochecha.

-Te amo, muito.- Ele disse.

-Eu te amo, papai.

Depois me abaixei e beijei a bochecha de uma Tay sonolenta, ela jogou os braços ao redor de meu pescoço e eu a peguei no colo.

-Voche vai me deixa? – Ela perguntou manhosa.

-É claro que não. Eu nunca te deixaria. Não conseguiria, você é minha maninha. Não vivo sem você.

Ela sorriu um pouco, mas logo desfez.

-Puque vai emboia?

-Não vou. Só vou viajar.

-De novo?

-Sim, de novo. Mas eu vou voltar como voltei antes, tá?

-Pomete?

-Prometo.

-Dedinho?

-De dedinho.

Entrelaçamos o dedo minguinho, em promessa.

Depois eu a passei para o colo de meu pai e minha mãe me agarrou em um abraço sufocante.

-Eu queria ta aqui quando ele nascesse – Falei manhosa.

Ela riu.

-Como sabe que é ele?

Dei de ombros.

-Sei lá... Pressentimento.

Ela sorriu e me abraçou de novo.

-Eu te amo – Falou ela.

-Também te amo, mamãe.

Enfim larguei do abraço de minha mãe e juntei minha bolsa ao ombro, comecei a andar ao portão de embarque e mais uma vez corri o olhar por todo o lugar... Ele não estava lá.

Olhei para minha família e acenei. Suspirei e me direcionei ao portão de embarque, que pareceu mais feio que nunca. E as pessoas pareciam mais grosseiras que nunca.

Quando eu estava chegando ao fim do portão ouvi gritos atrás de mim. Uma única voz gritando meu nome.

Talvez meu irmão?

Vir-me-ei para o som da voz.

-Emily! – Ouvi mais uma vez.

Não era meu irmão. Eu reconhecia aquela voz. Tinha certeza de quem era... Mas não o via.

Seria ilusão?

-Emily! –A voz estava mais próxima. E então eu avistei aquele cabelo bagunçado.

Quando eu te vejo
Espero teu beijo
Não sinto vergonha
Apenas desejo

-Lucas?! – Falei, mas não saiu som.

Larguei minha bolsa no chão sem me importa que alguém a roubasse ou algo do gênero.

Corri em direção ao cabelo bagunçado, corri em direção a voz.

Quando alcançamos um ao outro eu me choquei contra ele, nossos corpos se juntaram em um abraço apertado e necessário. Suas mãos escorrendo em minhas costas, minhas mãos entrelaçando-se em seu cabelo, nossas respirações ofegantes e irregulares se misturavam.

Afastei-me dele para olhar seus olhos, ele estava prestes a fazer o mesmo. Encaramo-nos, sem pensar em quando quebraríamos o olhar. Sua mão se estendeu até meu rosto e tirou meu cabelo de meus olhos, a costa de sua mão acariciou a maçã do meu rosto, foi quando percebi que algumas lágrimas fugiram do seu lugar. Afinal ele viera se despedir.

Minha boca encosta
Em tua boca que treme
Meus olhos eu fecho
Mas os teus estão abertos

Meus lábios tremiam, ansiosos pelos dele. Meus olhos mudavam de ponto fixo. De seus olhos azuis, tão profundos e sinceros, entregando todos os sentimentos dele, mostrando o quanto fui covarde e egoísta todo esse tempo sem olhar neles, a sua boca avermelhada e firme. Ele se aproximou. Eu fechei os olhos, mas pude ter certeza que até ele tocar meus lábios os dele estavam abertos...

Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois

Sua boca tocou a minha e fez explodir emoções dentro de mim, foi melhor do que na primeira vez, ela se movia segura pelos meus lábios sem eu precisar mostrar como eu a queria, deve ser porque eu a queria de todos os jeitos, sua língua se entrelaçando com a minha, sua mão em minha cintura, trazendo-me para mais perto dele, pois ainda estávamos distantes demais. Meus dedos enroscando-se em seus cabelos e brincando com eles.

Esse foi um beijo de despedida
Que se dá uma vez só na vida
Explica tudo, sem brigas
E clareia o mais escuro dos dias

Esse beijo, pode ter sido um beijo de despedida, mas não foi um adeus. Foi um beijo de até logo, pois ainda haveriam mais... Eu sabia. Eu lembraria dele, ele lembraria de mim. Não deu certo, mas dará.

Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois

Afastamo-nos e nos encaramos mais uma vez nos olhos, agora suas mãos permanecerão em minha cintura. Eu selei mais uma vez nossos lábios e quando o alto-falante deu o último aviso o soltei. Ele segurou minha mão e me puxou para ele.

Mas você lembra!
Você vai lembrar de mim
Que o nosso amor valeu a pena
Lembra é o nosso final feliz
Você vai lembrar...
Vai lembrar...sim...
Você vai lembrar de mim.

-Eu te amo... Desculpa demorar em dizer – Falou, sincero,

-Eu te amo... Desculpa demorar em perceber.

-Volte.

-Volto.

Soltamo-nos e eu entrei no avião, depois de recuperar minha bolsa. Meus olhos não puderam evitar as lágrimas tão acumuladas. E meu peito não pode deixar de doer, mas também de estar aliviado.

Eu voltaria para o abraço, para o beijo dele.

Notas finais
reviews e indicações?