Coragem!

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa é minha primeira fic. Sou apenas uma apaixonada pelo casal Sanvers e não resisti em escrever. Essa é apenas uma One Shot de como eu imaginei durante noites e mais noite do ep 2x06.

Espero que gostem. Divirtam-se.

Coragem. Alex precisou de muita coragem para assumir quem ela realmente era. Há muito tempo, mesmo sem perceber, ela estava se procurando. Ela era bem mais do que uma agente do DOE ou simplesmente a irmã da Kara. Ela era mais do que a protetora da supergirl. Supergirl não precisava de proteção. Ela sim.

Alex fechou a porta do bar atrás de si e permitiu que o primeiro soluço saísse rasgando sua garganta. Não precisava mais se segurar. Estava sozinha na escuridão da rua vazia. O que ela tinha feito? Alex sentiu o seu peito rasgar de dentro para fora. Nunca pensou que doeria tanto se assumir para a única pessoa que ela sabia que lhe apoiaria. Mas doeu.

O amor dói. O sentimento não correspondido dói.

Ela precisou de coragem para finalmente assumir para Maggie o que sentia por ela. Precisou de coragem para puxa-la pelo braço e avançar em seus lábios em um beijo necessitado. E precisou de mais coragem ainda para sair daquele lugar quando foi rejeitada. Não podia ficar mais naquele bar. Não podia ficar no mesmo lugar que ela. Não. Não podia. Alex nunca se sentiu tão humilhada quanto naquela noite. Seu chão se abriu em seus pés e ela só queria cair naquele buraco e não ver ninguém. Nunca mais. Nem mesmo Maggie.

Tudo o que Alex queria agora era o conforto e a segurança de sua casa. Queria se esconder debaixo das cobertas e fingir que nada disso aconteceu. Ela podia fazer isso, certo? Podia apagar o dia de hoje. Podia fingir que nunca conversou com Kara ou com qualquer outra pessoa. Sim, ela podia. E, definitivamente, faria isso. Ela subiu em sua Ducati Monster, colocou o capacete e seguiu em frente. O roncar do motor, de alguma forma, lhe confortava. Se pudesse, ela ficaria a noite inteira vagando pela cidade em sua moto. Sempre amou motos. A calma que sentia quando estava sobre a sua tão desejada Ducati era inexplicável.

Alex chegou em casa e não fez questão de acender as luzes. Não queria que ninguém soubesse que ela estava em ali. Queria se esconder no escuro de seu apartamento. Sentir a solidão tão familiar de todos os anos que morava sozinha. Ela queria, e iria, se esconder da confusão onde se meteu. Afinal, onde ela tinha se metido?

Guiada apenas pela luz da lua que entrava pelas janelas de vidro, ela seguiu até o sofá. Não precisou de muito esforço para pegar o habitual whisky que ficava na mesa ao lado do sofá. Serviu-se uma dose e bebeu todo o liquido dourado. Droga. Resmungou mentalmente. Por mais forte que fosse, a bebida não fez o gosto dos lábios de Maggie desaparecer de sua boca.

Ela sentiu o nó preso em sua garganta. Seus olhos começaram a arder novamente. As lagrimas começaram a escorrer por seu rosto e ela não podia fazer nada contra isso. Precisava chorar. Afinal, amanhã quando acordasse, ela terá superado tudo isso. Voltará a ser a mesma Alex Danvers de sempre. Aquela que protege a cidade e aceita que não nasceu para ser feliz. Porque era isso, não era? Ela, definitivamente, não nasceu para ser feliz.

Finalmente, depois de anos, Alex se sentiu interessada por alguém. Não um simples alguém. Mas por Maggie Sawyer. Uma mulher inteligente, determinada, forte, atrevida. Linda. Como ela podia não se interessar por uma mulher como ela? Como ela podia não se assumir e correr riscos para ficar com ela? Não tinha como. Alex fez isso por Maggie. Mas também por ela mesma. Precisava ariscar a única – e última— chance de ser feliz. Mas não deu certo.

Alex sentiu algo que nunca sentiu antes quando conheceu ela. Maggie lhe despertou a vontade de descobrir quem realmente era. A vontade de ser feliz. Ela sonhou em ser feliz com Maggie. Mas era óbvio que ela não nasceu para aquilo. Amor. Flores. Felicidade. Borboletas no estomago. Não. Aquilo não era para Alex Danvers, e ela havia se convencido disso essa noite. Depois que Maggie disse que estavam em lugares diferentes, que não podiam ser mais do que amigas...

“Amigas...” Alex soltou em meio a uma risada dolorosa e irônica. Ela não queria ser amiga dela! Depois de receber esse tapa na cara, Alex finalmente acordou para a sua vida. Ela nunca seria feliz. Não importa o quanto quisesse – sonhasse — com isso.

Que droga! Alex se repreendeu novamente quando se pegou fechando os olhos e lembrando da sensação de seus lábios unidos. Era tudo o que ela tinha imaginado. Não. Era melhor. Muito melhor. Maggie tinha um gosto doce misturado com cerveja. A cara dela. Alex sorriu. Não queria, mas o sorriso foi inevitável. Mesmo magoada, Maggie ainda a fazia sorrir. Ela tinha que esquecer tudo isso. Tinha que esquecer tudo o que viveu – ou não ­— com Maggie. Tinha que deixar de lembrar desse beijo. Tinha que esquecer esse beijo! Mas isso seria impossível, e ela sabia. Alex tinha plena consciência de que todas as noites quando fosse dormir, lembraria desse beijo. Sonharia com esse beijo. Sonharia com ela. Com a vida que poderia ter tido se Maggie tivesse aceitado aquele beijo.

Se ela tivesse aceitado...

Alex não queria pensar nisso no momento. A possibilidade de Maggie gostar dela acabou no mesmo momento em que ela não retribuiu o beijo – tão esperado— de Alex. Não recuou. Mas também não retribuiu.

O frio começava a incomodar. Mesmo com a calça cumprida e a jaqueta de couro, Alex sentia sua pele começar a se arrepiar e pedir por algo mais quente. Lembrou-se que não tinha ligado a termostato quando chegou. Estava tão atordoada com tudo o que aconteceu, que nem ao mesmo lembrou de que aquela noite esfriaria. Isso não fez diferença no começo, mas quando a madrugada começou a cair e o frio da noite a aumentar, ela sentiu na pele sua burrada. Demoraria um pouco até que aquecesse o apartamento inteiro, ela ainda não estava pronta para dormir e se acolher nos seus lençóis quentes.

Alex ligou o termostato e sentou-se no sofá novamente, dessa vez, com uma coberta quente. Seu olhar se perdeu facilmente pela janela. Ela pensou que essa noite iria ser totalmente diferente. Cheia de risadas bobas e beijos amorosos. Mas não foi. Como sempre ela estava ali com sua habitual garrafa de whisky virando a noite. Sozinha. Não importava o quanto bebesse, Alex ainda estava sobrea. Ela queria ficar bêbada. Inconsciente. Esquecer tudo. Mas não conseguia.

Desistiu. Pelo visto ela teria que encarar aquilo tudo sozinha – e sobrea. Largou o copo em qualquer lugar na mesa de centro e levantou, puxando a coberta sobre suas pernas junto com ela. Sua cabeça já começava a doer das lágrimas que derramara. Ela precisava dormir um pouco. Quem sabe quando acordasse na manhã seguinte percebesse que isso tudo foi apenas um terrível pesadelo.

Não se deu o trabalho de tirar a roupa toda. Jogou suas botas longe e retirou a jaqueta. Se meteu debaixo das cobertas quentes e relaxou o corpo. Seus olhos fecharam-se automaticamente. Sim, ela estava cansada. O dia tinha sido longo e já estava tarde. Por hoje já deu...

Ou não.

As batidas fortes e insistentes fizeram Alex abrir seus olhos novamente. Ela podia apostar que não fazia nem cinco minutos desde que se deitara na cama. Tentou ignorar, mas quem quer estivesse do outro lado da porta, parecia determinado. Resmungando, Alex jogou as cobertas longe e se levantou. Ignorou o chão frio e seguiu descalça até a porta. Não olhou quem era pelo olho mágico, apenas abriu. Seja lá quem for, iria levar um bom esparro dela, tamanha sua raiva nesse momento.

“O qu...” não conseguiu terminar. Sua fala foi cortada pela imagem da mulher a sua porta. Maggie estava ali, a encarando. Seus olhos castanhos, um pouco avermelhados, estavam presos em Alex. Nenhuma das duas parecia bem. Elas se encaravam com raiva. Cada uma com seu motivo.

Alex se pegou perdida, momentaneamente, naqueles olhos. Eles eram atrativos e chamara a atenção da ruiva no dia em que conheceu Maggie, naquela cena de crime. Desviou o olhar e ajeitou sua postura, tornando-a mais firme. Ela não sabia o que Maggie estava fazendo ali, mas não podia se deixar levar por suas fraquezas. Tinha que ser forte. Por mais que adorasse aqueles olhos, ela não podia admira-los. Ela tinha que admitir que tudo foi apenas um equívoco. Tudo foi apenas um engano. Ela não gosta da Maggie e nem é gay. Ela é a mesma Alex de sempre. Ela só precisava se convencer disso primeiro...

“O que você quer aqui, Maggie? Já está tarde.” Perguntou cruzando os braços em sua frente, desviando seu olhar para baixo.

“Eu não me importo.” Maggie disse firme e passou por Alex sem pedir licença, entrando no apartamento da ruiva.

Alex sentiu o cheiro de álcool que irradiava na mulher. Só então percebeu a voz meio arrastada dela e viu seus passos meio tortos. Aquela não era a Maggie Sawyer que ela conhecia, mas era tão linda quanto. Teve vontade de rir, mas se conteve. Maggie estava bêbada em seu apartamento. Isso com certeza não era algo bom.

“Maggie você está bêbada?” Perguntou fechando a porta atrás de si.

“Estou.” A morena admitiu sem rodeios e virou-se, encarando a ruiva. “Eu nem queria ter saído daquele bar, mas me expulsaram...” ela passou as mãos pelos cabelos e respirou fundo. “Eu saí andando e quando eu vi...” a morena jogou os ombros e apertou os lábios em um sorriso fraco. “Eu estava aqui...” completou.

“Você veio andando até aqui?” Alex perguntou incrédula.

“Sim. Eu precisava ficar sobrea para...”

“E você veio até aqui para isso?” Alex a cortou.

Maggie encarou a ruiva. Nem ela mesma sabia o que realmente estava fazendo ali. Ela só sabia que precisava ir até Alex. E assim fez. Andou pelas duas de National City. Não se importou com o frio ou com o perigo que as ruas podiam lhe oferecer. Apenas andou. O pouco de consciência que tinha lhe impediu de ir de carro. Maggie ficou mais de uma hora em frente ao prédio da ruiva. Decidindo se entrava ou não. Mas então uma raiva começou a lhe consumir. Raiva por Danvers ter se declarado. Raiva por ela sentir alguma coisa por Alex. Raiva de nada ser tão simples para ela. Nunca foi. Porque tudo não podia ficar como estava? Elas eram amigas e se davam bem. Amor nunca foi o forte de Maggie, e ela sabia disso. Mais cedo ou mais tarde estragaria tudo e perderia mais do que uma namorada. Perderia uma amiga.

“Vim.” Disse com simplicidade. “Nós somos amigas. Não somos?”

Aquela pergunta doeu em seu peito mais do que gostaria. Mas não doeu mais do que em Alex. Maggie tinha medo da resposta, mas teve que perguntar. Se elas não fossem mais amigas, ela estaria perdida novamente, assim como se perdeu quando foi obrigada a se assumir para seus pais. A ruiva sentiu as lagrimas voltarem, mas se conteve. Virou-se de costas para Maggie e assim ficou até conseguir conter o choro que quase cortava sua garganta.

“Não...” disse em um sussurro e se virou para a morena. “Não somos amigas.” Completou.

Maggie não disse nada. Sofreu em silencio e internamente. Aquelas eram as únicas palavras que ela não queria ouvir. Assim como as que ela disse a Alex mais cedo, eram as únicas palavras que a ruiva não queria ouvir. Estava colhendo o que plantou. Maggie se importava mais do que queria – e devia — com Alex. Sentiu seu chão desmoronar aos poucos depois que a ruiva saiu daquele bar e a deixou sozinha. Sentiu-se péssima por magoa-la sem ao menos terem tido nada. Esse era o dom dela. Maggie sabia e admitia isso. Ela magoava as pessoas por onde passava, por isso nunca foi feliz em nenhum relacionamento.

“Porque você tinha que me beijar?” perguntou sentindo as lagrimas formarem em seus olhos, mas se negou a chorar. “Porque não podia deixar as coisas como estão? Nós éramos amigas antes disso e estava tudo bem.”

“Porque eu gosto de você!” as palavras de Alex saíram mais altas e mais carregadas do que gostaria. Mas ela precisava desabafar. Maggie parecia não ter compreendido, e ela precisava explicar. “Eu gosto de você, Maggie Sawyer. E não posso ser simplesmente sua amiga.”

Alex admitiu. Negar seria pior. Além disso, nada mudaria para a morena. Ela não a queria. Não gostava dela do mesmo jeito. Maggie permaneceu em silencio, apenas encarando a ruiva. Ela precisava dizer alguma coisa. Mas o que? Não tinha mais nada para ser dito. Elas não eram mais amigas.

“Você quer que eu vá embora?” a voz de Maggie pareceu perdida. Triste. “Porque se você quiser... eu vou. Eu sumo de sua vida.”

Mais uma vez aquela noite, Alex sentiu seu peito rasgar. A ideia de Maggie partir e não voltar mais era ainda pior do que a rejeição. Não podia deixar isso acontecer, mas também não conseguia dizer nada. Sabia que se ela ficasse, as coisas não seriam simples.

“Tudo bem. Eu entendi.” Maggie disse triste. O silencio de Alex veio em resposta. “Até mais, Danvers.” Disse ao passar pela ruiva.

Em um movimento rápido – quase desesperado— Alex segurou o braço da morena e a manteve firme no mesmo lugar. O toque da ruiva fez Maggie parar de imediato. Ela não conseguiu ter reação alguma diante das mãos firmes dela. Mesmo com a jaqueta de couro, ela conseguia sentir o calor que a mão de Alex passava. Sentiu um frio no estomago. Aquilo era um erro. Não podia – não queria – magoar Alex.

“Não vou deixar você sair daqui assim...” Alex finalmente começou depois de longos minutos em silencio. Ela olhou Maggie por cima do ombro e, como em câmera lenta, seus olhares se cruzaram. “Você dorme em meu sofá hoje.” Afirmou.

Aquilo não foi uma pergunta. Nem sequer foi uma opção. Estava decidido e ponto. Maggie não discutiu. Não queria ir e a voz firme de Alex a fez sentir um pouco de medo. Apenas balançou a cabeça concordando com a ruiva.

“Agora senta, ali...” aponto o sofá. “Eu vou preparar algo para você começar...” a ruiva foi até a cozinha e viu Maggie tirando sua jaqueta e jogando em qualquer lugar sem cuidado.

“Não precisa, Alex.” Maggie sentou no sofá e jogou a cabeça para trás. Seus olhos fecharam imediatamente, mas em seguida veio a tontura. “Está tudo girando”.

Alex riu. Maggie estava muito bêbada. Não se admiraria se ela não lembrasse de nada no dia seguinte. Tirou sua atenção dos sanduiches que estava fazendo a ponto de ver a morena se sentir confortável e em casa colocando os pés na mesa de centro. Fechou os olhos e amassou a cara para o que estava por vir. Maggie se sentou rápido com o barulho e olhou para o chão.

“Alex, eu quebrei seu copo.” A morena levantou-se rápido. As palavras saíram ligeiras de sua boca. Uma mistura de culpa e vergonha. “Eu vou limpar. Eu vou... ai, ai, ai, ai...”.

“O que houve?” Alex largou tudo na cozinha e se aproximou da morena, que já estava sentada no sofá olhando seu pé.

“Nada, cortei meu pé...” Maggie disse em meio a uma careta de dor.

“Deixa eu ver isso...” Com cuidado, Alex retirou a mão da morena que cobria o corte e viu o sangue escorrer. “Maggie isso está feio.” Disse vendo a quantidade de sangue escorrer pelo corte.

“Droga, estou sujando todo o seu tapete.” Maggie resmungou com sua voz arrastada.

“Eu estou pouco me lixando para o tapete.” Alex disse séria e a olhou. “Vou pegar meu kit, já venho.” Sua voz saiu mais suave dessa vez. Por impulso, fez um leve carinho no rosto da morena e sorriu antes de levantar-se.

Maggie acompanhou Alex com o olhar. Viu a ruiva andar graciosamente com aquela calça colada que deixavam suas curvas a mostra. Alex era realmente uma mulher linda. Sorriu a vendo meio atrapalhada – quase nervosa— enquanto procurava seu kit de emergência. Logo Alex voltou e se ajoelhou no chão, de frente a morena. Colocou alguns materiais não chão e olhou para o par castanho curioso. Alex sorriu.

“Eu não tenho anestesia aqui, então vai doer um pouco.” Avisou.

“Eu acho que aguento.” A morena sorriu e Alex começou a limpar um lugar do corte.

Maggie ficou quieta, apenas admirando o cuidado com que Alex estava a tratando. Mesmo depois do que ela fez... mesmo depois de magoa-la, Alex ainda estava ali. Preocupada e cuidando dela. Sentiu as lagrimas se formarem e as enxugou. Alex desviou seu olhar um segundo do corte da morena e a viu secar suas lagrimas.

“Ei, o que foi? Está doendo?” perguntou preocupada. Maggie não respondeu, apenas balançou a cabeça e sorriu. “Eu pensei que você fosse mais corajosa.” Brincou e viu o sorriso de covinhas da morena. “Eu acho que não vai precisar suturar. Só vou enfaixar e...” Alex se calou quando percebeu mais lagrimas descerem pelo rosto dela e o sorriso se desfazer. “Ei...”

A ruiva soltou o pé dela com cuidado, apoiando-o numa almofada, e sentou-se ao seu lado. Maggie não conseguiu mais se conter. Ela não tinha se permitido chorar nenhuma vez até ali. Mas não pôde se conter diante o cuidado que Alex estava tento com ela. Talvez fosse o álcool falando...

Alex afastou os cabelos negos da face da morena e secou suas lágrimas. Sabia que não devia estar fazendo isso, mas seu coração gritava para que ela fizesse. E ela fez. Limpou as lagrimas e acariciou o rosto de Maggie. Aquela poderia ser única chance de ter esse contato íntimo com ela, não desperdiçaria. Amanhã ela não lembraria de nada e aquilo ficaria guardado na memória de Alex para sempre.

“Você não devia ter me falado nada, Alex...” Maggie diz com a voz fina do choro contido. “Você não devia...” reafirmou.

“Eu não devia dizer que eu gosto de você, é isso?” Perguntou e um sorriso surgiu em seu rosto quando Maggie assentiu. A morena baixou o olhar, mas Alex, que ainda segurava seu rosto, a forçou a encara-la. “Mas eu gosto você. Você é uma mulher incrível. Tem como não gostar de voce? Porque se tiver, por favor me diz.”

Maggie sorriu.

“Você não sabe...” Maggie balançou a cabeça negativamente e fechou os olhos. “Você não sabe o que eu faço...”

“E o que você faz, Maggie?”

“Eu destruo as pessoas.” Disse rápido e a encarou. “Eu destruí todos os relacionamentos que eu tive, e...” ela parou e respirou fundo. “Eu magoei você hoje, e nós não temos nada. Você devia querer distancia de mim...”

A morena tentou levantar, mas Alex impediu.

“Ei, calma.” Forçou ela a sentar novamente. “Seu corte ainda está aberto, não pode sair andando...”

“Eu preciso ir, Alex...” Maggie choramingou.

“Você não vai.” Mais uma vez Alex avisou. “Me deixa terminar isso aqui.” Alex encarou a morena por mais um tempo até se ajoelhar no chão novamente e terminar o que começou. As duas permaneceram em silêncio. Não tinham que dizer nada — e não queriam. O silencio as vezes era confortável. Você diz que destrói as pessoas...” Alex começou quando passava a faixa lentamente no pé da morena. “Mas eu também não sou diferente disso...” ela deixou um sorriso triste escapar. “Eu nunca fui realmente feliz em algo que eu tenha feito para mim, sabe?” olhou de relance para Maggie, que a ouvia atentamente. “Eu nunca fui feliz... Eu fiz a minha mãe feliz cuidando da caminha irmã. Fiz minha irmã feliz trabalhando onde trabalho, mas... Eu nunca fiz algo por mim... E eu estava feliz por finalmente faze-lo e...” Alex deu os ombros. Ela tinha acabado de terminar de encaixar o pé de Maggie e então a encarou. “Eu já aceitei que eu nunca vou ser feliz.”

“Não, Alex...” Maggie pediu. “eu não queria que você se sentisse assim... Eu não sabia... Eu..” a morena não sabia o que dizer. As palavras lhe fugiram. E Alex estava ali, tão perto, tão frágil, tão indefesa.

Maggie se inclinou e puxou a ruiva para um beijo. O simples toque de seus lábios fizeram as duas sentir um frio no estômago. Maggie sentiu as mãos de Alex tocarem as suas enquanto segurava o rosto da ruiva. Estava pronta para sentir Alex se afastando. A rejeitando como ela tinha feito. Mas isso não aconteceu.

Alex distanciou milimetricamente seus lábios. Como se fosse algo ensaiado, abriram os olhos juntas. Os cílios quase se tocaram. Alex pôde admirar o castanho tentador dos olhos da morena. Eles estavam ali, entregues. Sentiu-se ansiosa por mais. Colou seus lábios nos de Maggie novamente. Dessa vez com pressa, desejo – quase desespero — queria ter certeza de que o que estava acontecendo era real. E se não fosse, queria guardar o gosto do beijo dela para sempre. O gosto doce e viciante. Maggie não recuou. Queria isso tanto quanto ela. Sem pedir licença, Alex abriu passagem entre os lábios da morena e aprofundou o beijo. Suas línguas se tocaram e Maggie deixou um gemido escapar. Aquilo parecia ainda melhor do que o primeiro. Alex sorriu entre o beijo e puxou o lábio da morena entre os dentes. Ela podia não ter experiência com mulheres, mas estava se saindo bem com essa. Era o que importava.

Maggie a puxou para si e Alex sentou no sofá, ao lado da morena. Suas mãos subiram pelos braços morenos, sentindo a pele macia até a nuca dela. Alex segurou firme seus cabelos e intensificou o beijo. Aquilo era tudo o que ela precisava no momento. Maggie estava entregue aos carinhos da ruiva. Ela estava ali e ia se jogar de cabeça. Não podia mais esconder que não sentia nada. ELA SENTIA. Definitivamente, ela sentia.

“Droga.” Alex resmungou quando bateram na porta.

Quem diabos poderia ser dessa vez? Era tarde. Ninguém, visita alguém essas hora! “Eu vou olhar que é. Não saia daí. Não se mova.” Pediu com sorriso enquanto se levantava.

Maggie riu e se ajeitou no sofá enquanto acompanhava Alex ir até a porta com o olhar. Para Alex, era muito tentador ignorar quem estivesse batendo na porta e ficar com Maggie ali. Os beijos eram viciantes. Não queria parar. Mas alguém era estava bastante insistente.

Alex abriu os olhos rápido. Estava confusa. Em um instante ela estava no sofá beijando a mulher que tanto queria e agora... Bom, agora estava deitada em sua cama sozinha. O que tinha acontecido afinal? As batidas na porta chamaram sua atenção novamente. Cada vez mais forte. Alex levantou a cabeça e olhou em volta. Seu olhar parou na mesa de centro e então tudo se esclareceu. O copo ainda estava ali. Inteiro. Nada tinha acontecido. Foi apenas um sonho.

Em um impulso, Alex jogou as cobertas de lado e se levantou. Pegou o copo na mesa de centro e o encarou em sua mão. Apertou forte o objeto ao se lembrar do sonho que tivera. A raiva lhe consumiu. Raiva dela mesma, por estar tão perdidamente louca por uma mulher que não lhe quer.

“Ahhhhhh” extravasou e jogou o copo longe.

O vidro bateu contra a parede e caiu em pedaços no chão. Assim como o coração dela. As batidas da porta voltaram. Alex encarou a porta e, depois de respirar fundo, resolveu ir abrir. Quem quer que fosse, parecia bastante decidido a ficar ai até ela abrir.

“Maggie?” disse surpresa ao ver a morena em sua porta. Os olhos vermelhos e inchados. Ela andou chorando? Alex não sabia dizer. Varreu seu olhar pelo corpo da morena e viu que ela ainda usava as mesmas roupas da noite anterior.

O que ela fazia ali?

Notas finais
Agora é com vocês. Deixo a imaginação de vocês dizer o que Maggie estava fazendo ali.

Até mais.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!