Corações em conflito

5 Uma lição inesperada


Notas iniciais
*Voltei* Mil perdões pela demora, mas cá estou eu com um novo capítulo, espero que gostem ♥

Havia recuperado meu celular e passei o resto do meu final de semana angustiado. O fracasso que havia cometido nas lições de Obi-Wan não foi de todo mal, eu poderia não considera-lo assim, mas o “roteiro” era outro, como nos filmes, creio que os atores não são capazes de mudar o caminho da história, eles devem apenas aceitar seu destino e eu não passei no primeiro teste, ambos reprovamos nesta matéria.


Ele não havia mandado uma mensagem sequer e o e-mail? Havia sido enviado, eu revisei, será que Obi-Wan teria mentido? E por que o faria? Existiam muitas perguntas que eu gostaria que fossem respondidas, mas um muro de incertezas me impedia. Decidi por esperar até que pudesse vê-lo na próxima semana.


O dia havia acordado cinzento, ignorei os sinais da natureza e prossegui, embora toda aquela angústia estivesse me corroendo por dentro havia um fator anti corrosivo e por incrível que pareça Obi-Wan era esse veneno e era o antídoto para tudo isso.


Minha aparição na aula do professor Kenobi começou a ser frequente, por sorte a mentira que eu havia contado para todos ainda estava sólida. Obi-Wan entrou na sala e imediatamente eu coração começou a palpitar, sorri aliviado quando ele olhou para mim e me lançou um sorriso de bom dia, então, isso séria um “estamos bem?”. Não entendo, ele esta brincando com meus sentimentos e eu gosto.


Ele estava arrumando suas coisas para começar a aula quando o diretor apareceu na porta e o chamou, segui com o olhar todos os seus passos, ele foi até o diretor e se inclinou para ouvir o que ele tinha a dizer, antes seu rosto estava radiante como um dia de sol, depois da nova noticia, ele se fechou como um dia de chuva, como o de hoje por exemplo. Senti seu coração apertado, o que poderia ter causado tal choque no professor Kenobi?


O diretor se afastou, ele segurava a porta ainda virado de costas para a sala, aquela foi a primeira vez que pude notar seus traços corporais, e por mais tenso que ele estivesse, não pude deixar de admira-lo naquela posição. Ele se virou e imediatamente cravou seus olhos intensos em mim, ele caminhou de volta para a mesa e não os desviou, isso começou a me preocupar, franzi a testa sem entender, foi quando ele finalmente falou com uma voz meio rouca.


– Classe... Deem boas vindas à nova aluna... Padmé Amidala. – Ele esticou o braço enquanto ela entrava pela porta.


Respirei pela ultima vez, era como se estivesse caindo de um abismo, ela sorriu para toda sala e caminhou em minha direção indo se sentar ao meu lado, acompanhei suas ações completamente aflito. Antes de mais nada olhei para Obi-Wan e ele ainda estava olhando para mim, agora entendo porque estava tão tenso.


– Ani... voltei. – Ela disse sorrindo. Eu estava perplexo.


– Seja bem vinda de volta. – Consegui dizer.


Obi-Wan não estava mais prestando atenção em mim, por toda a aula ele esteve centrado em apenas uma coisa, a aula e isso era preocupante. Quando o sinal tocou, demorei para me arrumar, queria que Padmé fosse na frente para que eu pudesse falar com ele, mas ela fez questão de esperar.


– Professor Kenobi preciso falar com o Sr. – Antes que ele pudesse responder, Padmé o interrompeu.


– Tio Ben, libere o Ani desta vez. – Ela não queria que ficássemos mais nenhum minuto ali.


– Vá, não precisa fazer isso. – Ele disse olhando para a maleta.


– Mas eu quero! – Contestei alterando a voz, consegui fazer com que ele olhasse para mim.


– Sr. Skywalker não precisa entregar seu trabalho agora, eu dou mais um tempo. – Ele disse sério. Padmé agradeceu e me puxou pelo braço.


Ela caminho todo o corredor pendurada em meu ombro, ela estava radiante e saltitando como nunca. Como isso poderia ser pior?


– Que trabalho é esse que precisa entregar pro Tio Ben? – Ele perguntou quando chegamos a cantina.


– Ah, nada de importante... algo sobre arte, eu acho.


– Quer ajuda?


– Não, não, quer dizer... seria um prazer mas desta vez preciso fazer.


– Tem certeza? Aposto que os outros já fizeram e eu posso copiar de alguém que tenha tirado nota máxima... alterando algumas coisas claro, Tio Ben não é bobo. – Ela sorriu.


– Como faria isso? – Fiquei curioso.


– Só entrar no e-mail dele e pegar os arquivos dos outros alunos. – Ela disse e se virou, andando apressada para uma mesa vazia. Puxei seu braço.


– Entra no e-mail dele? – Perguntei pensando que ela poderia ter algum envolvimento sobre o assunto do e-mail “não enviado”.


– Ficou interessado Ani... – Ela estava seria. – Não sou eu que sei, Ayla sabe, mas posso te ajudar com isso.


– Então Ayla sabe a senha do professor Kenobi?


– Certamente. – Ela voltou a andar para a mesa vazia.


– E ele sabe disso? – Cochichei.


– Não Ani, só nós sabemos. – Ela fazia uma voz misteriosa e se não fosse terrível, seria engraçado.


Ayla era o problema, mas será? Algumas outras perguntas borbulhavam em minha cabeça, ela sabia que eu havia enviado um e-mail e ele, e fez questão de apaga-lo, mas por quê? E como ela havia conseguido sua senha? Por mais que eu tenha escrito de um modo que só ele entenderia, me senti ameaçado. Estava tão distraído que quando notei Ayla e Plo estavam nos fazendo companhia.


– Eu e Quenlan não achamos você depois do cinema. – Ele estava me entregando sem saber. Ayla é uma garota esperta e eu já sabia que ela desconfiaria.


– Eu procurei por vocês e também não achei. – Retruquei. Estava trabalhando melhor sob pressão, estava com um pouco de raiva da Ayla por isso me concentrei em mentir.


– Que estranho, mas da próxima a gente combina melhor e trate de prestar mais atenção, da próxima vez quem pode cair na piscina é você. – Ele riu de sua própria piada, tentei um sorriso mas Ayla me cortou.


– Você foi ao cinema Ani? Quando? – Minha boca ficou seca.


– Na sexta Ayla. – Respondi apenas o que ela me perguntou, sem delongas, tentei desviar o assunto, mas fui interrompido novamente.


– Se não foi com os meninos, estava com quem? – Padmé parecia desconfiada também, mas nem sonha que minha companhia era seu tio Ben.


– Sozinho.


– Sozinho? Quem vai ao cinema sozinho? – Ayla perguntou. Por sorte o sinal tocou e eu me levantei depressa.


– Vamos? – Chamei por Padmé, Ayla estava jogando e eu precisava entrar no jogo dela e para isso acontecer, eu teria que me aproximar de Padmé.


Passei pelo corredor, Padmé ainda pendurada em meu braço, por azar Obi-Wan passava pelo mesmo corredor, Ayla poderia estar olhando então comecei um assunto aleatório com Padmé e não olhei para ele, como foi difícil, meu coração estava frio. Durante todo o dia ela insistiu para que pudesse me ajudar no trabalho falso, tentei negar, mas não foi possível manter um “não” até o fim, hoje à tarde me encontraria com ela, na minha casa, infelizmente.


***


Antes que Padmé chegasse, mandei uma mensagem para Obi-Wan.


“S.O.S”


Não obtive resposta, eu precisava urgentemente de um tema para o trabalho falso e só ele poderia me ajudar e tem mais, eu precisava contar sobre Ayla, não sei o que ela esta planejando, inúmeras coisas passaram pela minha cabeça, ela foi corajosa em tentar me desmascarar no intervalo, ela estava me testando, não posso deixar transparecer meu nervosismo e mais nenhum sentimento público por Obi-Wan.


Padmé havia chegado e nada de mensagem, tentei prosseguir isso a moda antiga. Ela veio até meu quarto, eu ainda estava pegando o computador para levar até a sala, mas antes que pudéssemos descer, ela me impediu. Não, não, não, era tudo que eu não queria. Ela avançou contra mim e me puxou para um beijo, eu tentei empurra-la, mas desta vez ela me segurou no lugar, não poderia machuca-la. Encontrei um jeito de escapar quando ela deu uma pausa para respirar, me afastei depressa e ela estava ofegante e eu, assustado. Ela tentou se aproximar e eu desviei.


– Padmé... eu, eu já volto. – Sai depressa do quarto, se eu ficasse ali, ela me atacaria de novo.


P.O.V Obi-Wan Kenobi


– Alô Ani? – Falei ao telefone, ainda estava digerindo toda aquela bagunça, mas ele aparentemente precisava muito da minha ajuda.


– Tio Ben? – Padmé havia atendido o telefone de Anakin.


– Padmé? O que faz... – Meu corpo estava fervendo.


– Você não ligou para cancelar o trabalho dele, ligou? – Minha cabeça começava a latejar e a vontade de ir até a casa de Anakin crescia.


– Trabalho? – Por um momento esqueci que isso tinha sido minha desculpa de mais cedo.


– Sim tio Ben, Ani me contou tudo, ele precisa pra passar de ano, mas ele nem sabe o tema, preciso ajuda-lo. – Anakin havia por algum motivo mentido para ela também, essa história estava se estendendo.


– Padmé não vou cancelar nada! Estava ligando porque também achei que ele precisasse de ajuda... eu, eu ia indicar alguns livros para ele.


– Tio Ben, você é uma pessoa maravilhosa, não é a toa que... Ani estava voltando, me diga depressa o tema.


– A expressão da realidade interior do criador. É um aspecto essencial da arte que ele precisará trabalhar, creio que não posso ajuda-lo.


– Obrigada tio Ben. – Padmé havia desligado, ela certamente não poderia ajuda-lo com esse tema.


Achei que eu havia enterrado esse sentimento quando vi Padmé voltar para a sua antiga cidade, tive fé que esse veneno não penetraria mais em minhas veias e correria direto para meu coração, acreditei com todas as forças que isso não seria mais um problema. Quando recebi a noticia de sua volta, me senti destruído, mas quando ouvi sua voz ao telefone, fui tomado pela raiva.


Quanto mais eu tento entender essa história, mais confusa ela me parece ser. Por quais motivos Anakin estaria estendendo essa história? É terrivelmente triste acreditar que eu tinha um roteiro perfeito para todas as lições que ele precisaria tomar e agora, houve um corte e eu preciso mudar meus caminhos para me adequar a um pesadelo chamado Padmé Amidala.


P.O.V Anakin Skywalker


– Voltei... quer suco? – Eu estava segurando uma jarra de limão e dois copos, foi o melhor que pude fazer.


– Quero Ani. – Ela se virou assustada.


– O que foi? Você esta pálida.


– Tio Ben, ele te ligou. – Ela disse balançando o celular.


– É mesmo? – Tentei esconder meu nervosismo e a frustração por não ter atendido.


– Sim, ele queria te indicar alguns livros sobre o trabalho.


– E quais são? – Falei colocando a jarra em cima da escrivaninha.


– Algo sobre a expressão da realidade interior do criador, e parece ser esse o tema.


– Realidade interior? – Ele me constrange até quando outra pessoa diz o que ele quis falar.


– Deixe que eu ajudo com isso. – Ela tirou a jarra da minha mão e estava colocando suco para mim.


Ela me olhou como antes, eu já sabia o que viria em seguida, tentei desviar mas não consegui escapar, ela me segurou pelo braço e me beijou novamente.


– Ani você esqueceu... – Minha mãe abriu a porta e nos pegou. – o gelo.


Padmé se afastou envergonhada, peguei o gelo com a minha mãe e sussurrei obrigado. Quando fechei a porta, ela já estava pegando sua bolsa para ir, ela seria incapaz de ficar ali depois do que havia acontecido. Padmé pode ter mudado muito, mas eu ainda conheço alguns pontos de sua personalidade.


– Padmé, sinto muito. – Menti.


– Não sinta, eu que fui precipitada, céus que vergonha. O que sua mãe vai pensar de mim?


– Ela sabe que você é uma amiga de longa data, nunca escondemos nossos sentimentos, não se preocupe. – Tentei amenizar a situação, mas ainda queria que ela fosse embora.


– Anakin, preciso ir. – Ela se despediu com um abraço e se foi.


“Preciso falar sobre os livros da expressão da realidade interior”
“Encontro-te daqui dez minutos no café”
“Combinado”

***


– O que acha que estava fazendo? – Senti seu corpo estremecer.


– O que você acha? Me escondendo é claro. – Falei me inclinando para ele.


– Com Padmé Amidala. – Ele levantou as sobrancelhas, apertando os lábios.


– Com Padmé Amidala de Ayla Secura. – Retruquei.


– Ayla? – Ele pareceu sério.


– Sim, Ayla! Ela que excluiu o meu e-mail e agora tem provas para desconfiar de nós.


– Como sabe de tudo isso? – Ele cruzou as pernas.


– Padmé me contou que ela tem sua senha, como isso, ela não me disse.


– Minha senha? Impossível. – Ele descruzou as pernas e se inclinou para mim.


– Tenho certeza!


– Ainda não acredito. – Ele forçou os olhos.


– Vamos fazer um teste? – Desafiei.


– Vamos! – Ele concordou depressa, Obi-Wan estava lá.


Planejamos juntos como pegaríamos Ayla, já que ele não estava acreditando que isso seria possível, fiz com que ele fosse o alvo, o colocaria no local onde teríamos supostamente marcado. Enviei um e-mail falso para ele.


“Boa tarde professor Kenobi, preciso urgentemente dos livros, me encontre na biblioteca as 19”


Enviei.

P.O.V Ayla Secura


Anakin enviou uma nova mensagem ao Ben. Da última vez fui tola, pelo que Plo falou, Anakin foi realmente ao cinema, deveria ter o seguido para ter certeza que Ben não havia recebido a mensagem, mas pelas respostas curtas de Anakin, eles se encontraram sim, o e-mail havia sido enviado apenas para confirmar o encontro. Não posso cometer o mesmo erro, as 19, estarei lá.

P.O.V Anakin Skywalker


Ficamos de olho nos e-mail, e sim, ele havia chegado, mas foi o tempo de atualizarmos a página que ele não estava mais lá. Obi-Wan me olhou assustado, nosso plano estava quase concluído, para termos certeza que era Ayla apagando as mensagens, fiz com que ele fosse até a biblioteca e ficasse esperando por ela.


E ela foi, exatamente as 19, estava do outro lado da rua e a vi chegar, ela agia como uma fugitiva se esgueirando pelos cantos e observando pela janela, quando vi que ela endireitou a postura e começou a andar normalmente até a biblioteca, enviei uma mensagem para Obi-Wan: “Alvo foi pego”.


P.O.V Obi-Wan Kenobi


– Tio Ben? Mas que coincidência. – Ayla estava se aproximando, como de fato Anakin havia previsto.


– Ayla, que surpresa te encontrar aqui. – Tentei parecer feliz, me levantei para cumprimenta-la. – Sente-se.


– Ah não, não quero te atrapalhar. – Ela estava me encarando.


– Não há problema. – Apontei para a cadeira.


– Não esta esperando ninguém em especial? – Um ponto para Anakin, definitivamente ele sempre teve razão.


– Não que eu saiba. – Ri. – Você está?


– De jeito nenhum. – Ayla riu de volta, ela estava procurando por algo, olhava para todos os lados e para a porta a cada segundo.


– Parece que esta esperando alguém sim. – Eu dei uns tapinhas em sua mão.


– Não estou tio Ben. – Ela havia ficado corada e escondido o braço. – Hm, você está ajudando Anakin com o trabalho? – Mais um ponto para Anakin.


– Não exatamente, Padmé já está fazendo isso. – Senti meu estômago embrulhar, preferiria não ter mencionado o nome dela.


– Ah sim, eles estão juntos. – Ela estava tentando me enganar.


– Formam um lindo casal. – Senti um leve refluxo, tentei disfarçar olhando para os livros que estavam na mesa.


O celular dela vibrou várias vezes, era uma ligação. Ela se afastou para atender e quando voltou, disse que precisaria ir, me deu um abraço de despedida e disse que gostou muito de me encontrar lá, agradeci pela companhia. Nosso plano estava concluído e Anakin tinha razão, voltei para o carro, ele ainda estava escondido no banco detrás.


– Pode voltar, você tinha razão.


– Eu disse, desde o inicio, Ayla não é de confiança.


– Mas ela é da família. – Confesso que estava um pouco decepcionado.


– Precisamos encontrar uma ligação para toda essa confusão.


– Não vai precisar estar com Padmé novamente, vai? – Me dava arrepios só de pensar.


– Acho que... espere um pouco, isso é... ciúmes?


– Ciúmes? Bobagem. – Tentei desviar o assunto.


– Há, Obi-Wan Kenobi, você está com ciúmes. – Ele ria da minha situação, aposto que se fosse ao contrario ele não estaria nem um pouco satisfeito. – Anda tentando me testar e é o destino quem te testa agora. Hilário.


– Anakin, não está sendo fácil. Isso é de fato uma lição, não posso negar. Mas eu já sei lidar com isso, quem precisa aprender é você.


– Já sabe lidar? Até imagino como agiu quando Padmé atendeu o telefone.


– Ela te contou? – Olhei preocupado.


– Você se entrega professor Kenobi, precisa lidar com isso, tanto quanto eu. – E era a segunda vez no dia que ele tinha razão. – Você foi pego de surpresa não?


– Completamente. Foi algo inesperado.


– Eu também, infelizmente, mas respondendo sua pergunta, sim, vou ter que vê-la, pelo menos por enquanto até Ayla se convencer que não é preciso mais desconfiar de nós.


– E isso vai demorar? – O plano de Anakin era terrível.


– Não sei, mas nós dois precisamos aguentar isso, juntos.


Seria então um dos momentos mais complicados da minha vida, Anakin teria que fingir estar com Padmé e isso não me agrada, porém precisamos despistar Ayla, o que será cada vez mais difícil se Ani não se aproximar de Padmé. Como ele mesmo disse, o destino me preparou essa lição e eu vou precisar segui-la, sem fracassos, não sei se conseguirei aturar essa mentira. Mas eu estava disposto a tudo para finalmente poder ficar com Anakin Skywalker.

Notas finais
Padmé voltou e Ayla se mostrou ser de má confiança, mas por que? Espero que tenham gostado