Notas iniciais
Espero que gostem desse...

Tom estava encostado na porta do carro e observando o papel em sua mão. O telefone de Anne. Ainda não sabia se ligava para ela ou não, ao menos para dizer um “Oi”. Talvez, ela nem se lembrasse da sua existência. Mas os olhos daquela menina... Aqueles diamantes negros não saiam de sua mente nem um segundo sequer. Dormia pensando neles, sonhava regularmente com Anne Danielle e ainda por cima acordava morrendo de vontade de ligar para ela. Ouvir aquela voz de novo. Mas era melhor não e tentava se convencer disso. Para que atrapalharia a vida dela? Anne aparentava estar tão bem, e pelo que falara amava sua profissão. Veterinária. Não podia atrapalhar a vida dela de modo algum e além do mais, ela morava em outro país. Era melhor deixar assim mesmo.

Guardou o telefone da garota no bolso da jaqueta no mesmo instante que viu Eric se aproximar. E ele não estava com uma expressão muito boa.

— Tom, você viu a Beth por aí? – O loiro indagou, preocupado.

Ele? Perguntando por Beth? Estranho. Deu de ombros. Não sabia da garota.

— Não.

— Não viu ela hoje nem uma vez?

Tom repassou em sua mente tudo o que fizera durante o tempo que ficara no hotel. Sim... Tinha visto Beth. Ela estava indo para o quarto e aparentemente estava chorando, mas não devia ser nada demais.

— Vi, mas ela estava indo para o quarto dela. Porque?

Eric passou a mão no rosto, nervoso. Não encontrava a garota de jeito nenhum. Parecia que tinha evaporado!

— Eu não acho aquela maluca. Ela desapareceu, assim, do nada.

— Já perguntou pro Fred? Ela é mais amiga dele.

— Ele e o Jeff estão procurando também, enquanto temos um pouco de tempo. – Olhou no relógio. Não tinham tempo nenhum. – Aliás, acabou o tempo. Legal... – Riu nervoso.

Instantes depois, Fred e Jeff se juntaram aos dois, ambos nada felizes. Tinham revirado o hotel de cabeça para baixo, mas não encontraram nada sobre a garota. Fred apenas descobriu que ela tinha pago toda a conta dela do hotel e saído. De resto, ninguém soubera lhe informar nada. Também pudera, Beth não dava as caras no hotel. Não tinham como saber quem era ela.

— E aí, Fred? Achou? – Tom perguntou calmo. Era óbvio o que tinha acontecido.

— Se ele tivesse achado ela tava aqui, Tom! – Eric quase gritou nervoso. Acendeu um cigarro, inquieto.

— Não, nada. Apenas sei que ela pagou toda a conta e desapareceu.

Jeff cruzou os braços. A garota ter sumido sabia que era culpa do baixista. Ele que não queria enxergar. Ficara incomodado com a frieza com que ele estava tratando Beth e não aprovava.

— Bom agora temos que ir. – Tom disse, afastando-se do carro e abrindo a porta.

— Não! Eu não saio daqui sem saber onde essa retardada se enfiou! – Eric exclamou.

— Ela foi embora, Eric! Cacete! – Tom falou, quase explodindo com o baixista — Até parece que você não entende isso! Elisabeth foi embora porque quis. Acabou. Agora entra nessa porra desse carro e vamos embora.

Mesmo contrariado, Eric se enfiou no veiculo com seus companheiros de banda e partiu para o aeroporto. Como Beth teria ido embora depois de ter transado com ele? Não tinha lógica. Ainda a desejava e queria mais que tudo ter Beth para lhe satisfazer daquele jeito na turnê inteira. Ela era diferente de qualquer outra na cama e o conquistara. O que ainda não conseguia entender era o sentimento de posse que estava tendo. Queria ela ali, naquele instante. Queria saber onde ela estava, com quem e como. Como ela podia ter feito aquilo?! Não tinha um motivo para fugir. E para onde ela teria ido? Talvez, Fred tivesse as respostas. Ele era o melhor amigo dela, algum aviso a garota teria que ter dado ao baterista antes de se mandar dali.

— Fred, ela não disse nada pra você?

— Não, Eric. Nada. Nem um bilhete.

Acendeu outro cigarro. Agora a merda estava feita. Fumaria como um louco de tanto nervoso e ansiedade. Por culpa daquela garota louca.

— Não é possível! Porque ela sairia sem falar com alguém? Eu não entendo o motivo dela ter ido embora. Não entendo. – Tragou e segurou a fumaça por alguns instantes, soltando-a devagar depois.

Tom observava a reação de Eric em relação ao caso da garota. Quase sorriu, mas não podia tirar conclusões antes do tempo. Mas ao seu ver, Eric sentia algo por Beth. Só apenas não sabia disso ainda.

— Eric, relaxa. Nem sei porque você está assim. Ignorou a coitada durante dias! – Jeff falou, num tom acusador. – Tenho certeza que foi por isso que ela resolveu ir embora. Qual o motivo de tanta “preocupação”?

— Não é da sua conta, Jeff. Por favor, cara, me deixa em paz. – Virou o rosto para a janela e continuou a fumar. Nesse momento, queria que todo mundo fosse para o inferno.

Aquela dor no peito tinha voltado e estava mais forte. Seu cérebro parecia que ia fritar de tanto que pensava nos motivos dela ter ido embora, mas nenhum entrava na sua mente. Fora tudo tão bom. Não, ela não tinha motivo algum para ter ido. Iria descobrir onde aquela menina estava. Cedo ou tarde a teria de novo.

Já fazia três dias que Beth largara a turnê e estava em casa. Não saia de seu quarto de modo algum. Ficava enclausurada naquele cômodo escuro o tempo todo. A casa inteira estava intocada desde que chegara. Não tinha vontade de fazer algo para comer e estava com pouca fome. No quarto, em varias partes via-se embalagens de fast-food. Há três dias sobrevivia daquilo. Tinha coragem apenas de se levantar da cama para tomar banho e mesmo no banho, onde estava agora, pensava em como tinha sido idiota. Se apenas tivesse pedido desculpas e ido embora, não estaria assim com certeza. Aquela transa a fizera ter um tipo de sentimento por Eric. Um sentimento que não podia nutrir.

Sofrera muito com seu antigo namorado, fora enganada, traída. Não queria isso de novo, não queria se apaixonar, amar e ver-se depressiva de novo pois descobrira uma traição de Brittingham – O que não era difícil, já que ele não podia ver um par de peitos grandes, que se jogava em cima.

Estava tão bem antes de encontrá-lo... Suas cicatrizes no coração estavam curadas, e estava tão feliz. Seria melhor não ter encontrado Fred naquele hotel? Sim, com certeza seria melhor, pois não estaria passando por isso agora. Se tivesse ficado quieta em seu quarto ao invés de descer para passear, não estaria com novas feridas no coração. Não teria se apaixonado pelo homem mais safado e idiota que vira na vida.

Suspirou e olhou para o lado, onde tinha colocado um banco com um copo de whisky em cima e algo que passara a usar novamente desde que voltara para Nashville: Cigarro. Aquelas duas coisas lhe lembravam o loiro. Whisky e cigarro. Era o que ele usava.

Tinha largado o vicio pouco tempo antes de começar suas viagens, mas não agüentou quando chegou. Sua ansiedade aumentara, assim como o estresse. E o desejo pela nicotina falou mais alto. Acendeu um cigarro e tragou, soltando a fumaça logo em seguida. Mais uma vez afundaria sua vida por causa de um cara. Riu de si mesma. Como era idiota.

Minutos mais tarde, saiu da banheira e vestiu uma roupa qualquer. Não sairia e tampouco receberia visitas, mesmo. Sentou-se na cama e pegou seu violão que estava ao lado da cama. Tocaria algo para passar o tempo. Afinal, nem televisão ou seu toca-discos estavam lhe chamando atenção. Começou a tocar os acordes de Wish You Where Here do Pink Floyd e cantar. Aquilo parecia lhe libertar da angustia. A musica era seu escape para muitas coisas.