Corações Rendidos
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Todos chegaram exaustos do show. Aquele em Paris, fora o melhor até o momento na opinião de todos.
Eric, enquanto tomava banho, não parava de pensar em Beth. Seria agora que ele conseguiria o que queria. Depois que saísse daquele chuveiro, correria para o quarto da garota e a faria saber que com ele não se mexia. Odiava ser feito de idiota e era o que ela estava fazendo. Sendo cínica.
Já era o terceiro show que Eric fazia sem parar de pensar um segundo sequer em Elisabeth. Aquilo estava incomodando-o. Sim, tinha vontade de transar com ela, mas não conseguia entender o motivo dela não sair de sua mente. Muitas vezes se pegava pensando em Beth nos ensaios, ou em qualquer outro momento. Pensando em como seria morder aqueles lábios cheios e vermelhos, tocar a pele branca e aparentemente macia... Só de imaginar, ficava excitado. Precisava dela. E naquele minuto.
Assim que saiu do banho, nem ao menos secou-se direito, deixando o cabelo muito molhado. Vestiu apenas uma calça jeans, uma regata preta e um par de tênis. Não precisava de tudo aquilo, pois iria tirar mesmo, mas como o quarto dela estava no andar superior, não podia sair pelo hotel como queria: apenas de cueca.
Ao pegar o elevador, se deparou com Tom. Mais uma vez o quarto dela ficava perto do dele. Entrou e apertou o botão para o andar numero 12.
— Tá indo pra onde, Eric? – Ele perguntou, com as mãos nos bolsos do sobretudo.
— Estou indo acabar com essa brincadeira toda. – Respondeu sério.
Tom riu alto. Beth estava fazendo do amigo um perfeito idiota. E estava sendo muito engraçado. Preparou-se para descer, pois já chegara ao térreo e se virou para Eric.
— Você acha que vai conseguir? Eu não acho. – Disse, esperando a porta do elevador abrir.
— Vai achando.
Tom balançou a cabeça, rindo. Se ele não tinha conseguido nada até o momento, não conseguiria nunca. Beth era muito decidida e geniosa. Tinha certeza que o amigo não teria sucesso algum com ela. Saiu do elevador e caminhou para fora do Hotel. Iria tomar um ar, pois sua cabeça estava muito bagunçada.
Assim que a porta do elevador abriu no andar numero 12, Eric saiu como um foguete e disparou para a porta do quarto de Beth. Era bem ao lado da de Tom mesmo, mas como ele não estava lá...
Pensou em bater na porta, mas decidiu verificar se ela estava aberta. Forçou a maçaneta e conseguiu abri-la. De novo, Beth tinha deixado a porta do quarto aberta.
Primeiro olhou o quarto. Tudo escuro. A porta que dava para a varanda aberta. Ninguém na cama. Onde ela teria se enfiado? Provavelmente estava na varanda. Entrou e trancou a porta, guardando a chave no bolso de trás da calça. Andou em passos lentos até chegar próximo à porta dupla aberta, mas mal chegou, ouviu a voz dela e a luz acendeu de repente.
— Eu imaginei que você viria. – Disse ela, parada na ponta da cama com os braços cruzados.
Olhou-a de cima a baixo sentindo seu corpo ferver. Beth estava vestida normal, com calça jeans e regata, mas só de olhar aquela garota, tudo dentro dele pegava fogo.
Se aproximou de Beth, mas ela se afastou. Avançou mais um passo. Ela recuou dois.
— Estava me esperando,é? – Disse, com um sorriso sedutor.
Mas era convencido mesmo...
— Não. Eu apenas sou esperta demais, e você burro. Eu sabia que hoje você ia me atacar. Demonstrou isso o dia inteiro.
— Mas se você deixou a porta aberta e ficou no quarto é porque estava me esperando.
— Nem em sonho. Eu só não tenho mais o que fazer.
Ele tentou pegá-la, mas Beth se afastou de novo, indo pra sacada. Eric já estava cansado daqueles joguinhos. Agora era pega-pega? Não. Aquilo já era palhaçada.
— Beth, eu sei que você quer. Pára de graça. – Se aproximou dela mais dois passos.
Ela deu uma olhada para baixo. Os carros passavam velozes naquela avenida da capital da França. Se ele se aproximasse, certamente conseguiria levá-la pra cama e sua brincadeira que mal começara, acabaria.
— Se você se aproximar mais, eu me jogo.
— Você não é capaz disso. – Eric falou nervoso.
— Duvida? – Virou-se, colocando o pé no para-peito e segurando-se com as mãos. Um frio passou em sua espinha quando olhou de novo para baixo.
Ela estava de brincadeira, só podia ser. Eric riu. Ela não faria aquilo. Beth não era louca o bastante pra isso. Aproximou-se mais um passo. Ela colocou o segundo pé e se pôs para o lado de fora do para-peito, se pendurando fora do hotel. Mas que merda Beth estava fazendo?
— Beth, pára de ser retardada. Volta pra dentro. – Todo seu fogo já havia apagado, sendo substituído por medo. Muito medo.
Se aquela louca não voltasse... Sem perceber deu mais um passo. Ouviu um grito.
Beth realmente não sabia o que estava fazendo. Olhou para baixo e viu os carros mais uma vez. Colocou força em suas mãos e nos pés. Encarou Eric, que deu mais um passo. A bota a fez escorregar um pouco. Gritou a plenos pulmões. O que tinha na cabeça? Merda? Só podia ser. Tinha outros meios de fugir daquela situação com Eric. Entregando-se à ele, ou gritando. Mas agora já estava feito. Estava quase caindo. Que legal, Elisabeth, morrer em Paris. Lindo. Sua filha da mãe. Pensou com raiva de si mesma e de suas ações espontâneas.
O peito do loiro subia e descia freneticamente. Não desgrudava os olhos da garota maluca. Tinha que conseguir pegá-la, antes que ela se jogasse. Agora como, não sabia, pois a cada passo que dava ou ela escorregava, ou fingia que ia se soltar.
— Beth, por favor. Sai daí. Eu... Te deixo em paz.– Disse, com a voz entrecortada.
— Promete? – Ela indagou, engolindo em seco.
— Prometo. Agora volta pra dentro. – Tinha certeza que se arrependeria de sua promessa. E muito.
Beth suspirou aliviada. No momento em que ela foi voltar para dentro, seu outro pé escorregou e soltou um grito agudo. Suas mãos escorregaram também, mas ainda conseguia se manter firme na ponta das barras de ferro do para-peito.Estava segurando-se apenas com as mãos agora. O medo tomava conta de todo seu corpo e mente. O vento batia em seu corpo, forte. Os pés balançando sem apoio. Estava ficando aterrorizada. Sua brincadeirinha tinha ido longe demais.
— ERIC! ERIC! ME AJUDA! POR FAVOR! – Berrava a plenos pulmões. – PELO AMOR DE DEUS!
Um segundo depois, sentiu uma mão grande e forte segurar seu braço direito e logo depois, o esquerdo, tentando puxá-la.
— Calma! Pára de se debater! Caralho, você é muito louca garota!
Com muito custo, minutos depois – Que pareceram horas — conseguiu puxá-la. Caiu de costas na varanda e com Beth por cima de seu corpo.Cacete, praguejou em pensamento. Se não fossem as barras do para-peito, aquela maluca tinha caído e virado pastel lá embaixo. Fez uma careta só de imaginar a cena. Respirou fundo várias vezes e sentiu-a fazer a mesma coisa em seu peito, abraçando-o forte. Era o primeiro contato corporal que tinham e Eric tava gostando daquilo.
Puxou o rosto dela, fazendo-a olhar em seus olhos.
— Você... É... Completamente... Maluca. – Umedeceu os lábios secos com a língua.
O rosto de Beth pegava fogo e estava vermelho. Escondeu-o no peito de Eric. O ar lhe faltava nos pulmões. Já tinha feito de tudo em sua vida. Aquela era a primeira vez que ficava para o lado de fora da varanda do décimo segundo andar. E por uma causa idiota.
— Eu sei... Eu sei... – Se levantou de cima do loiro com um pouco de dificuldade, pois suas pernas estavam moles e seu corpo tremia.
Conseguiu se manter em pé, segurando-se na porta dupla. Nunca mais faria aquilo novamente, prometeu a si mesma. Por pouco não perdera sua vida de bobeira. Eric estava certo, ela era uma completa maluca.
Cambaleou até a cama e deitou-se, ainda respirando fundo, tentando se acalmar.
Eric se ergueu do chão e foi até a cama onde ela repousava. Ah não, não ia conseguir cumprir com a sua promessa. Retirou o tênis com rapidez e fez o mesmo com a regata, aproveitando que ela estava com os olhos fechados. O susto já tinha passado, agora ela estava ali, na cama, totalmente entregue à ele. Todinha. Sorriu.
Moveu-se silenciosamente e se colocou em cima dela, abrindo caminho entre as pernas de Beth com seus joelhos. Ela se assustou e antes que Beth o espancasse com os braços, segurou-os acima da cabeça da garota, ainda sorrindo.
— Eric! Você prometeu! – Ela disse, olhando-o com raiva.
— Eu prometi? O que? Não me lembro de promessa alguma. – Riu baixo.
— Seu cretino! Mentiroso!
Eric sorriu e tentou beijá-la, mas Beth virou o rosto. Tinha que arrumar um jeito de se safar daquela de novo, mas sem tentar se suicidar. Ele libertou-lhe um braço e puxou-a para um beijo. Recusou no inicio, mas acabou cedendo aos lábios macios e úmidos do loiro. Não tinha como resistir aquilo... Não, não tinha...
Tom caminhava lentamente pelas ruas parisienses tentando convencer seu coração e sua mente de que não precisava de Emily. Não precisava de uma garota louca na sua vida. Estava bem sozinho, com o Cinderella começando a fazer sucesso. O que uma mulher significaria na sua vida? Nada. Principalmente aquela.
Absorto em seus pensamentos sobre sua vida amorosa bateu de frente com uma pessoa que deixou cair vários papéis no chão.
— Ah, me desculpe, eu... – Se agachou para ajudar a pegar os papéis, sem olhar em quem tinha esbarrado.
Foi então que ouviu uma voz doce e suave:
— Oh, Pardon... Je n’ai pas vu vous...
— Ahm... Eu não falo Francês. – Disse um pouco sem jeito. – Você fala inglês?
A garota levantou a cabeça e seus cabelos esvoaçaram para trás, pelo vento. Cabelos negros e lisos. No mesmo instante, Tom sentiu seu coração bater mais rápido e o sangue correr em suas veias. Os olhos castanho-escuros fixaram nos seus e ela lhe dirigiu um leve sorriso.
— Sim, eu falo inglês. – Riu e voltou a pegar seus papéis.
— Então... Você pode traduzir o que me disse? – Riu, entregando os papéis para ela.
— Eu disse: Desculpe, não vi você. – Falou, quando ambos se levantaram. – Sou muito desatenta...
— Ah, agora entendi. Eu também não te vi. Qual é o seu nome? – Indagou, observando-a da cabeça aos pés. Era uma linda francesa...
— Anne Danielle DeVeaux. E o seu? – Ela sorriu.
— Me chamo Tom Keifer.
Ela estendeu a mão para ele cumprimentando-o. Tom apertou a mão delicada e ambos sorriram um para o outro.
— Está indo para onde? – Anne perguntou, ajeitando seus livros e papéis nos braços.
— Não sei. Só sai para arejar um pouco a cabeça... Estou sem destino.
— Quer tomar um café comigo? – Ela chamou-o.
Tom deu de ombros, confirmando e ambos seguiram até o café mais próximo. Pouco se falaram no caminho e assim que encontraram um lugar confortável, entraram, sentando-se numa das mesas do canto. Pediram dois cafés apenas.
Tom não conseguia manter seus olhos fora de Anne Danielle. Ela era... Linda. Demais.
Anne estava ficando um pouco incomodada com a intensidade do olhar do rapaz a sua frente. Sentia seu rosto começar a pegar fogo, mas tinha que agir com naturalidade. Mesmo que aqueles lábios grossos a deixasse fascinada. Além dos olhos azuis-piscina... E todo o resto. Tom era todo lindo. Meu Deus, disse para si mesma, ele é lindo demais! Passou a mão nos cabelos curtos, afastando-os para trás.
— Bom, não vamos conversar? – Ele indagou, cruzando os braços.
— Vamos, sim, claro. – Pigarreou. – Então, você é de onde?
— Filadélfia. Estados Unidos.
Ela se surpreendeu. O que ele fazia ali então? Um garçom chegou e colocou uma xícara de café na frente de cada um antes dela falar.
— E ta fazendo o que aqui? – Indagou, logo depois de agradecer o garçom.
— Estou de passagem. – Tomou um gole do liquido quente. — Fazendo uma turnê com o Bon Jovi... – Disse baixo.
Anne parou com a xícara a caminho da boca. Ele tinha dito Bon Jovi? Turnê? Tinha ouvido direito? Baixou a xícara novamente e encarou-o.
— Fazendo o que? – Perguntou, fazendo-o repetir.
— Fazendo uma turnê junto com o Bon Jovi. – Falou claramente.
Oh não. Aquele cara estava brincando, era óbvio. Tomou um belo gole de café ainda o encarando. Não ia acreditar naquilo. Era um bom mentiroso.
— Ah é?
— Não está acreditando?
— Não. Não mesmo.
Tom riu. Era óbvio que ela não iria acreditar.
— Eu sou o vocalista da banda de abertura dos shows, Cinderella. Pode confiar, estou falando a pura verdade. – Falou sério.
Anne riu-se. Queria provas.
— Me prova então. – Terminou o café.
Tom surpreendeu-se com o pedido da garota. Como iria provar? Não tinha nem um violão para tocar algo pra ela e mesmo que o tivesse, se tocasse e cantasse algo do Cinderella ela não iria conhecer. Como poderia provar para Anne que dizia a verdade? Pensou por alguns momentos e lhe veio uma idéia na cabeça: Podia levá-la ao hotel onde todos estavam e a apresentar ao Bon Jovi. Eles não veriam problema – Achava, ao menos. Sim, teria que ser aquilo mesmo.
— Certo... Eu te levo até o hotel onde estamos hospedados e te apresento aos caras do Bon Jovi, ok?
— Okay. Isso seria uma bela prova.
Tom e Anne ficaram jogando conversa fora durante um bom tempo. Depois que ele descobriu que a garota era veterinária, o assunto ficou mais interessante. Tom sentia algo estranho acontecendo consigo. A cada gesto de Anne, cada palavra, mexia com algo dentro dele. E isso não podia acontecer. Nunca se sentira tão sem jeito e nervoso perto de uma mulher.
Depois de boas risadas, Tom decidiu que era hora de ir.
— Bom, vamos para o hotel?
— Claro. Quero a prova. – Sorriu.
Tom fez questão de pagar a conta e seguiram para o hotel.
Eric já havia conseguido domar Beth. Pausou o longo beijo e olhou-a. A garota agora sorria e os olhos azuis brilhavam. Sabia que ela queria aquilo.
— Está gostando? – Indagou, beijando a curva do pescoço de Beth.
Oh sim, estava. E muito. Riu.
— Estou amando... – Respondeu, soltando um suspiro. – Já pode me soltar...
Brittingham libertou os braços da garota continuando a beijar, morder e lamber a curva do pescoço dela. Beth tinha uma pele tão macia, tão... Nem sabia descrever.
— Eu só... – Começou, acariciando as costas do loiro, descendo até as nádegas. — Posso fazer uma coisa?
Eric levantou o rosto e olhou-a. Seria mais algum truque daquela menina?
— O que?
Beth puxou a nuca do rapaz e deu-lhe mais um beijo.
— Quero fazer algo pra você. Acho que estou muito vestida... – Disse, dando um sorriso que fez o sangue de Eric correr rápido nas veias.
Sem dizer uma palavra, Brittingham saiu de cima dela e ficou deitado de lado na cama, observando-a se levantar. O que ela iria fazer? Um strip? Oh meu Deus, pensou assim que ela ficou de frente para ele sorrindo. É, seria um strip provavelmente.
Os cabelos estavam bagunçados, mas a deixava muito bonita. Beth começou a desabotoar a calça, olhando parar ele, fazendo leves movimentos com os quadris. Logo depois, se livrou da camiseta regata, expondo seu abdômen e os seios cobertos por um sutiã de renda vermelha. Aquela visão estava sendo deliciosa e ao mesmo tempo insuportável para Eric. Queria sair da cama e avançar nela, arrancando-lhe as roupas, mas deixaria como estava. Ao vê-la olhar surpresa para uma parte de seu corpo, arriscou uma olhadela para baixo. O volume em sua calça estava enorme. Seu membro estava rígido e pulsante. Voltou o olhar para Beth e sorriu. Ela voltou a fazer dancinhas sensuais com o corpo, mas não tirava o resto das roupas. Eric estranhou. Já era para ao menos ela estar tirando a calça jeans.
Só depois de vê-la rir, percebeu que Beth se encontrava perto da porta. Merda! Ela lhe mostrou a chave e piscou o olho, mandando um beijo logo depois de abrir a porta. Que inferno! Ela tinha conseguido pegar a chave de seu bolso! Levantou-se e saiu correndo atrás da garota. Beth não iria fugir novamente.
Correu até o elevador e apertou o botão para descer várias vezes. Eric agora vinha caminhando. Ele estava perto. Colocou a regata na frente dos seios e continuou observando-o. Aquela porra de elevador não vinha!
Faltando apenas poucos metros para Eric conseguir pegá-la a porta do elevador foi aberta e ela entrou rapidamente sem olhar quem estava dentro. Apertou o botão do Térreo e quando a porta ia fechando e Eric vindo correndo ao encontro dela, sorriu, dando um “tchau” com os dedos para o loiro. Quando a porta por fim se fechou soltou uma gargalhada quase dando pulinhos de alegria. Tinha conseguido mais uma vez.
Ouviu uma risada atrás de si. Uma conhecida. Olhou para trás e seus olhos encontraram os de Tom e ao lado dele, uma moça muito... Bonita. Devia ser alguma hóspede.
— Ele não conseguiu... Sabia. – Disse o moreno, balançando a cabeça.
— Por pouco. – Beth suspirou aliviada.
— Percebi. – Tom apontou discretamente para um seio descoberto pela regata, logo depois coçando a narina esquerda com a ponta do indicador, sem jeito.
Ela soltou um gritinho e tratou de ajeitar a camiseta como se fosse um top, cobrindo somente ambos os seios.
— Essa é Anne Danielle, Beth. Uma garota que acabei de conhecer. – Tom as apresentou. – E essa é Beth, uma amiga nossa.
Ambas se cumprimentaram com um beijo no rosto e trocaram sorrisos.
— Quem tentou te atacar? — Anne perguntou para a garota, antes de chegarem no andar numero 10, onde estavam os quartos dos caras do Bon Jovi.
— Uma calopsita. É. – Riu. – Isso... Uma calopsita. Um gavião... Um... Adonis... – Começou a falar, sem perceber tudo o que Eric era pra ela. — Um Deus grego, loiro e olhos azuis perfeitos... Um – Suspirou – Ordinário, Cretino, Salafrário, filho da mãe...
Balançou a cabeça negativamente e nem percebeu Tom e Anne descerem rindo dela. Encostou-se no fundo do elevador e esperou chegar ao térreo. Oh sim, Eric era um deus grego definitivamente, concluiu.
— Ela tava falando do loiro sem camisa que tava no corredor? – Anne indagou para Tom, parando de rir.
— Isso. É o Eric Brittingham, baixista da minha banda. Os dois são um caso sério... – Passou a mão no rosto.
— São namorados ou coisa do tipo?
— Não. Ele só quer... Um pouco de diversão com Beth.
Anne calou-se. Então a garota estava certa ao chamá-lo de “Ordinário”. Parou junto com o moreno de frente para uma das portas do longo corredor. Ele bateu quatro vezes e aguardou. Ok, ele devia estar falando a verdade, mas queria ver para poder crer.
Segundos depois a porta foi aberta e um loiro sorridente apareceu na porta, com um enorme sorriso. Anne ficou estática. Aquele... Aquele era... Jon Bon Jovi. Não podia crer. Tom não estava mentindo!
— Hey cara, aconteceu alguma coisa? – Ouviu a voz dele, a mesma que cantava You give Love a bad name...
— Não. É que a moça queria conhecer você. – Se afastou e encarou Anne Danielle. – Pronto. Jon essa é Anne Danielle. – Apresentou-os.
Jon se adiantou e pegou na mão livre da garota, pois a outra carregava dois livros e as papeladas, e deu-lhe um beijo no rosto.
— Oi. Tudo bem? – Ele indagou.
Ela apenas meneou a cabeça, ainda surpresa. Estava realmente... Conhecendo Jon? Pessoalmente? De pertinho? Oh meu Deus...
Jon deu uma sonora risada e encostou-se no batente da porta, cruzando os braços.
— Anne? – Tom chamou-a.
— Ahm... Quê? – Respondeu, passando a mão no rosto e nos cabelos. – É... Você não estava mentindo. – Falou num fio de voz.
— Quer ver os outros? – Tom olhou para Jon, que encarava a garota dos pés a cabeça. Não gostou da intensidade do olhar do vocalista.
— Não, acho que só o Jon está bom. Não... Preciso ver os outros... Não.
— Então acho que é isso, Jon. Valeu e desculpe se incomodei você.
— Ah, relaxa. O Richie que tava me enchendo o saco, mas acabou de dormir. – Sorriu.
Tom apenas sorriu e puxou Anne para longe da porta do quarto de Jon, que antes de fechar, piscou para ela. A garota parecia uma estátua.
Ela concordou em subir para o quarto de Tom para conversarem mais um pouco antes dela seguir para casa.
Beth andou pelas pessoas que estavam no hall do hotel com os cabelos lhe cobrindo o rosto e os braços juntos do corpo, segurando a roupa. Tinha certeza que todos a olhavam e seu rosto estava vermelho. Eric conseguiria pegá-la de uma forma ou de outra. Existia mais de um elevador naquele hotel, ele devia ter pego o outro.
Caminhou em direção ao bar, mas deu de frente com algo firme. Merda, era só o que faltava. Ter batido de frente com um pilar. Mas onde estavam as risadas dos hóspedes?
— Cuidado, Beth. – Ouviu a voz de Fred.
Suspirou aliviada. Tinha encontrado Fred. Levantou a cabeça,fitando-o. Não sabia o porque, mas queria chorar naquele instante. Só podia ser de vergonha, pois não tinha outro. Conseguira se livrar mais uma vez de Eric e era para estar feliz por isso. No momento, só queria voltar ao seu quarto, se trancar e apenas sair dali para o avião.
— O que houve? – Ele perguntou, preocupado. Por que ela estava daquele jeito?
— Problemas com seu amigo. Me leva de volta pro quarto por favor, Fred?
Fred assentiu e acompanhou-a para o quarto. Não encontraram Eric durante o caminho, mas o loiro os vira juntos próximo ao elevador quando enfim conseguira chegar ao térreo por meio das escadas. Praguejou e voltou para o seu quarto pelas escadas novamente. Agora, o único sentimento que sentia por Beth era de ódio. Aquela garota era uma filha da puta, isso sim. A raiva consumia todo o corpo e mente de Eric que ele nem conseguia pensar direito.
Ao chegar no quarto, bateu a porta fazendo um estrondo enorme. Não iria mais procurar por Beth, não ia tentar mais nada, queria que ela se danasse. Odiava aquela garota e muito. Jogou-se na cama, mantendo a cabeça vazia. Tamanha era sua raiva, que se sentia horrível por dentro. Queria matar Elisabeth. Cortá-la em pedaços, acabar com aquele rosto lindo que ela tinha.
Pegou um cigarro e acendeu-o.
— Não quer que eu te leve pra casa? – Tom perguntou para Anne enquanto aguardavam o taxi chegar.
— Não, eu vou sozinha... Não tem problema.
Tom estava inquieto. Não queria que Anne fosse embora sozinha. Devia ser perigoso e já estava muito tarde, mas já que ela não queria que a acompanhasse, nada podia obrigá-la. O táxi que ele havia chamado chegara em menos de quinze minutos. Tom abriu a porta para ela, que entrou e ambos trocaram apenas um sorriso. Ele fechou a porta, sentindo um aperto no coração. Queria mais tempo com Anne, gostara dela. Suspirou decepcionado. Ela não devia ter gostado da conversa.
Afastou-se do automóvel e esperou ele partir, o que não aconteceu. Intrigou-se.
Dois minutos depois, Anne abaixou o vidro e sorriu para ele com as bochechas vermelhas, entregando um papel. Ficou com receio, mas se aproximou.
— Pega.
Keifer pegou e no mesmo instante que abriu, sorriu. Era o telefone de Anne Danielle.
— Quando quiser... Pode me ligar.
— Ok.
Ela deu um tchau tímido e mandou o motorista partir para o endereço que dera. Muitas perguntas rondavam a cabeça da francesa. Ele ligaria para ela? Tom havia gostado de sua companhia? Não tiveram tanto assunto, mas mesmo assim gostara da conversa. Tinha gostado da voz grossa de Tom e de quando ele cantara e tocara para ela Lucky Man e Free Bird do Lynyrd Skynyrd e outras tantas que ela gostava tanto. Era um homem perfeito... E lindo.
Encostou a cabeça na janela do táxi e passou a lembrar de todos os poucos momentos que ficara com Tom Keifer. Com certeza ficaria para sempre em sua memória.
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