Notas iniciais
Bem... só espero que gostem desse capitulo! Agora as coisas vão começar a "caminhar"!! Boa leitura, beijos!

Tom entrou com cautela em sua casa e encontrou Anne na sala, vendo televisão, um programa qualquer, deitada no sofá. Vestia apenas uma regata e um shorts, deixando as pernas desnudas. Seu corpo começou a reagir. Queria pegá-la e se afogar no meio das pernas de Anne. Ah, como queria. Mas a dúvida ainda estava em sua mente. Sem fazer alarde, se aproximou dela. Iria seguir o conselho de Eric. Conversaria com Anne. Era o melhor a fazer.

Sentou-se no sofá ao lado e encarou-a. Logo aquelas diamantes negros encontraram seus olhos e se recordou da primeira vez que os vira...

Anne revirou os olhos, nervosa e encarou a televisão novamente.

— Anne... Podemos conversar?

— Agora você está disponível? – Disse, ríspida.

— Eu só quero me acertar com você...

— Se acertar? – Ela se levantou. Seu nervosismo era visível. – Depois que comeu outra, quer vir se ACERTAR COMIGO?

— Depois que o quê? – Tom também se levantou, indignado.

—Comeu a outra! É isso mesmo! Eu a vi entrando no seu carro, Keifer! – Anne explodiu. – Quis pagar na mesma moeda? Sinto lhe informar, mas não conseguiu. Porque eu não transei com o Mike! Porém eu devia ter transado!

Tom tentou manter-se calmo, mas estava difícil.

— Anne, eu não comi ninguém!

— Então quem era ela? Sua irmã? Sua prima? Uma pobre coitada que pediu apenas uma carona, quase enfiando os peitos na sua cara na janela do carro? – Ela berrava.

Keifer passou a mão no rosto, não queria acreditar que estava ouvindo aquilo da boca de Anne.

— Não, ela era minha ex-namorada! – Revelou, por fim.

— Haha! – Riu nervosa. – Ai como eu sou burra! – Colocou as mãos nos cabelos, afastando-os para trás, com força. – Burra por ter vindo aqui te procurar! Devia ter ficado com no meu país! – Olhou-o nos olhos. – Você é um hipócrita Tom Keifer! Não gosta de ser corno, mas adora trair! Engraçado isso, seu IMBECIL!

— E você é uma vadia! – Explodiu também. Não conseguia abaixar a cabeça e ficar quieto, deixando-a falar. Aquelas palavras eram intragáveis. – Vai, volta pra sua França! Aproveita e leva o Mike junto pra ele experimentar a sua cama também!

Tom não esperou resposta. Encarou-a por uma ultima vez com raiva e saiu de perto. Abriu a porta e foi embora, batendo-a com força. Anne se surpreendeu pela pancada não ter derrubado a parede. Keifer estava transtornado, machucado muito mais do que antes. Entrou em seu carro, bateu a porta também e partiu nervoso demais para pensar em clareza.

Anne começou a chorar. Sentou-se no sofá novamente e passou as mãos nos cabelos mais uma vez. Sentia-se mais aliviada, por ter despejado em Tom tudo o que pensara durante o dia inteiro. Mas estava machucada, com seu coração trincado, como um vidro. Deus, porque tudo aquilo estava acontecendo? Era o que mais se perguntava nos últimos dias. Seria melhor voltar para o lugar de onde viera... Deixou-se chorar até não conseguir mais.

***

Tom parou em frente a uma casa e praguejou. O que estava fazendo naquele lugar? Dirigira até ali sem prestar atenção. Devia ser o costume, ou não. Era a casa de Emily. Bateu no volante e xingou quando ela se aproximou. Estava arrumada. Ela encostou-se em sua janela, como fizera pela manhã e ficou a encará-lo com um belo sorriso nos lábios. Praguejou em pensamento.

— Resolveu voltar?

— Eu... Emily não entenda errado por favor.

— Ora, mas eu não disse nada.

—Eu sei... Está de saída? – Indagou, mudando de assunto.

— Sim, eu estava indo à sorveteria. Quer me acompanhar? – Chamou-o, numa voz doce.

Tom pensou por um momento. Sentia que estava traindo Anne, mas sabia que não estava. Ir tomar um sorvete como amigo de Emily não mataria. Não tinha mais nada a perder. Concordou e esperou-a entrar no carro, deu partida e seguiu para a sorveteria, que era próxima à casa dela, aproximadamente três quadras a frente. Sentia-se bem na presença de Emily. Ela estava sendo tão doce, como nunca fora antes. O tempo mudava as pessoas, estava certo disso. Ou apenas pensava que sentia tal coisa porque brigara feio com Anne? E seu instinto o fazia querer dar o troco? Não sabia.

Sentaram-se numa mesa após ela pegar uma taça de sorvete. Ficou de frente para ela. Sua mente estava à mil por hora. Não sabia pensar em mais nada, além das palavras que Anne dissera. Ela tinha visto Emily entrar em seu carro. Aquilo havia sido um erro. Mas não tinha feito nada com a garota, Anne estava errada.

— Você está bem, Tom?

— Sim, estou. – Mentiu.

— Não parece. Te conheço... O que houve?

Tom suspirou e coçou a cabeça. Devia se abrir com Emily? Ou seria melhor ocultar o que estava passando? Lembrou-se de tudo o que passara com aquela garota. Todas as brigas, as conversas, os escândalos – Não tinha como se esquecer deles -, as carícias e o amor. Se é que podia se chamar assim, o que ela sentia por ele. Tudo o que compartilharam. Emily fora sua amiga, sua companheira por um bom tempo.

— É desconcertante falar pra você...

— Pode dizer o que for. Não vou me incomodar. Mas caso ache que não deva, tudo bem. – Ela deu um pequeno sorriso e tomou um pouco de sorvete.

Keifer pensou por um momento. Desabafar com Eric talvez não tivesse sido suficiente. Aliás, fora sim, mas chegar e ouvir aquelas coisas da boca de Anne o fizera ficar pior do que estava. Mas falar para Emily que estava chateado, nervoso por conta de sua atual namorada era no mínimo estranho.

— Eu... Eu briguei com uma pessoa que eu gosto muito. – Limitou-se à dizer.

Emily guardou um sorriso triunfante. Seu plano com Mike estaria dando certo? Era o que parecia. A primeira parte então saíra como o esperado. Mike devia ter sido magnífico. Pena que não fora com ele e se escondera para ver a encrenca se formar. Tom tinha brigado com a vadiazinha. E estava ali, ao seu lado. Estava ocorrendo tudo como planejara. Reprimiu uma risada insana e fez seu papel: A ex-namorada amiga e boazinha.

— Hum, e essa pessoa seria uma namorada?

Tom apenas meneou a cabeça positivamente e encarou a janela, segurando algumas lágrimas. Não queria que aquilo estivesse acontecendo, mas não podia mudar o passado. De primeira, a levaria em todos os ensaios ou o qualquer lugar que fosse. Isso impediria que aquela cena que presenciara de Mike saindo de sua casa ocorresse. Mas não dava para fazer nada a respeito, e além de tudo tinha brigado feio com ela. Não se surpreenderia caso chegasse em sua casa e não a encontrasse lá. Sentiu uma mão macia e gelada na sua e encarou Emily. Os olhos azuis o olhavam com ternura. Outra coisa estava odiando: Seu coração dividido.

— Ah Tom, sei como é ruim. Passamos por isso muitas vezes, mas você sempre conseguiu reverter a situação... – Ela suspirou, desconsolada. – Seja o que for que tenha acontecido entre vocês talvez ela não tenha feito por mal. Saiba perdoá-la, Tom. Como você me perdoava pelos meus ataques de ciúmes. A perdoe e as coisas vão melhorar entre vocês. – As palavras saíam com um gosto de fel da boca de Emily. Na verdade queria falar para ele largar a vagabunda de uma vez e voltar com ela. Mas não... O terreno estava sendo somente preparado ainda.

Ele concordou com um aceno de cabeça e tocou na mão da garota. Durante alguns minutos, Tom ficou a refletir sobre o que Emily dissera. Ficara surpreso por ela não ter ficado nem um pouco nervosa, ou ter armado um escândalo. A garota estava certa. E muito. Tinha que aprender a perdoar Anne. Fizera isso por tanto tempo com Emily, porque relutava em exercer o mesmo com Anne? Nem sabia se o fato havia ocorrido realmente. Talvez tivesse achado coisa demais onde não tinha. Assim como Anne achava que acontecera entre ele e Emily naquela manhã... Perdoaria ela. Só precisava voltar para sua casa, antes que ela partisse.

Emily terminou o sorvete, numa conversa mais animada com Tom. Depois ele levou-a para casa e foi correndo ao encontro de Anne Danielle, rezando para que ela ainda estivesse lá.

Estacionou o carro de qualquer jeito e entrou rapidamente na casa. Trancou a porta e seu coração quase parou ao notar tudo silencioso e poucas luzes acesas. Notou uma luz logo a frente, onde ficava a cozinha. Suspirou aliviado. Ela continuava lá. Em passos lentos e silenciosos, se aproximou do cômodo e deteve-se no batente da porta. Anne estava de costas, preparando algo para comer. Ela havia acabado de sair do banho, julgando os cabelos molhados e o cheiro delicioso da pele dela enchia o ar. Anne vestia apenas uma camisa branca. Seu corpo reagiu de imediato à aquela visão.

Como um gato, sem fazer ruídos, Tom se desencostou da porta e se aproximou mais ainda dela, ficando atrás da garota. Com um pouco de receio, pousou suas duas mãos no quadril largo dela, uma de cada lado, firmes. Ela não reagiu, apenas parou de montar o lanche e ficou parada. Inspirou o perfume dos cabelos e da nuca da francesa e deu-lhe beijos no ombro, pescoço e orelha.

Anne já se derretia pelo toque de Keifer. Ainda estava brava, chateada com ele, mas com Tom tocando-a daquela forma ficava um pouco difícil de pensar com clareza. Ele deslizou a mão e introduziu-a para dentro de sua calcinha e passou a tocar seu sexo, fazendo seu corpo se arrepiar e suspirar de desejo por aquele homem. Passara tanto tempo sem ele que já nem se recordava de como era berrar de prazer, quando ele a fazia chegar ao ápice do prazer.

— Anne... – Ele disse, virando-a de frente para ele. – Eu quero pedir desculpas por tudo.

— Colocou a cabeça no lugar? Pensou melhor? – Sussurrou depois de receber um beijo.

— Sim.

Foi a ultima palavra de Tom, antes dele se afogar nos prazeres que Anne lhe proporcionava, ali mesmo, na bancada da cozinha. Chegaram ao ápice juntos, violentamente. Ambos arfavam, quando se dirigiram para o quarto. Tom carregava Anne no colo, beijando-a sem parar. Como era bom estar nos braços dela de novo, pensou, quando iniciaram o ato de amor mais uma vez. Queria aquelas sensações para sempre... Isso. Anne seria sua e de ninguém mais. Só esperaria o dia seguinte...

***

Beth despertou, mas não abriu os olhos. Mais um dia, à toa. Não estava agüentando mais aquela vida, aquela situação. Demorara a pegar no sono, na noite anterior e ficara a pensar em tudo. Decidira-se à voltar para sua casa na Filadélfia e retomar sua profissão. Mas dessa vez no HUP. Com Ryan e... Dean Dawson. Suspirou suave ao lembrar-se do médico. Não ligava muito para ele, mas quando o fazia, ele lhe falava palavras doces. E, Deus, como gostava de ouvi-las! Só não gostava de imaginar Eric dizendo-as. Imaginar alimentava falsas esperanças em seu coração. Odiava isso.

Quando ia se levantar, pois sentira um cheiro delicioso de bolo, alguém beijou-lhe os cabelos e antes que pudesse se virar para ver quem fizera tal ato carinhoso, um corpo grande e forte esmagou o seu, fazendo-a quase perder o fôlego.

— Parabéns, mana linda! – Ouviu a voz abafada de Mike em sua orelha.

Ele rolou para o lado e ela pode ver – Depois de esfregar os olhos – Quem estava dentro de seu quarto. Mike, deitado de lado com a mão apoiando-lhe a cabeça, Seus avós, Loren, Ryan e seus pais! Correu para abraçá-los. Desde que voltara de Nashville para a Filadélfia não os visitara.

— Parabéns, minha pequena... – Richard, seu pai, disse, enquanto a abraçava. Ele não havia envelhecido quase nada, pois não possuía muitos fios brancos nos cabelos pretos. Nem em seu rosto havia tantas marcas da idade. Os olhos azuis de seu pai brilhavam, enquanto a olhava. Beijou-o no rosto. Era mais próxima dele do que de sua mãe.

— Obrigada... – Murmurou.

Beth abraçou sua mãe, Annelise, uma mulher não muito alta, de olhos azuis e cabelos de um loiro claro. Beth havia se esquecido de que completava vinte e cinco anos de idade naquele dia. Estava tão cheia de pensamentos e sem noção de tempo, que mal percebera o final de Abril chegar. Largou sua mãe e cumprimentou o restante dos presentes em seu quarto.

— Cuidado, Beth. Está ficando velha, minha querida. E sozinha. – Paulina disse e recebeu um cutucão de Konrad e uma exclamação de sua filha, Annelise.

— Fique tranqüila quanto a isso, Paulina. – Loren olhou-a com malícia. – Tenho algo para você, Beth.

A ruiva saiu e logo todos ficaram curiosos, menos Ryan, que mantinha um sorriso no rosto enquanto a olhava e passava a ponta dos dedos no queixo.

Beth aguardou Loren e quando observou a porta, suas pernas amoleceram. Não era para ter acontecido aquilo, mas o sorriso que ele tinha no rosto era desconcertante. Paulina, fez uma observação calorosa sobre o rapaz e Beth nem ao menos prestou atenção. Apenas pensava em que hora, como e onde mataria Loren e Ryan. Ele se aproximou, com uma caixa e um ramalhete de lírios brancos. Dean Dawson lhe causava extremo constrangimento naquele instante. Queria enfiar sua cabeça num buraco e nunca mais tirá-la de lá.

O silêncio tomou conta do quarto. Ele entregou-lhe o buquê de flores e Beth murmurou um agradecimento. Dean continuou a segurar a caixa, que aparentava ser um pouco pesada, a julgar pelo tamanho dela.

— Bem, nós esperamos lá embaixo. – Richard falou, arrancando todos do cômodo com a ajuda do filho mais velho.

Mike relutou em sair, pois não queria deixar Beth sozinha com Dean dentro de um quarto, mas Ryan arrancou-o de cima da cama e ele saiu praguejando. Tudo o que Ryan queria era fazer sua irmã feliz e sabia que Dean faria muito bem esse serviço.

— Feliz aniversário, Elisabeth. – Ele disse assim que todos se saíram.

— Obrigada, Dean. De verdade. – Beth sorriu. – Pode se sentar ai mesmo. – Apontou para a cama. – Desculpe a bagunça, é que acabei de acor...

Beth congelou. Não tinha escovado os dentes, arrumado o cabelo ou colocado uma roupa decente! Inferno, ela praguejou. Deixou o buquê em cima de uma cômoda e se dirigiu ao banheiro que tinha no quarto.

— Só um momento! – Ela disse antes de bater a porta.

Dean riu. Aquela garota era encantadora. Apesar dos problemas que tivera de resolver na Escócia, pois era o filho mais velho dos Dawson’s, não se esquecera dela nem um momento. Até Tormand, seu irmão mais novo, dissera que Beth devia ser muito bonita, a julgar pela linda voz dela no telefone. Deu-lhe um tapa na cabeça e ambos riram. Sim, ela era linda. Gostava quando ela ligava, era bom. Esquecia um pouco da tristeza que o consumia pela perda do pai.

Minutos mais tarde a porta do banheiro foi aberta e ela saiu, mais linda do que quando entrara. Os cabelos negros longos e penteados. Uma leve maquiagem lhe dava mais perfeição à face. Beth também havia substituído o pijama por um short jeans e uma regata azul, combinando com seus olhos. Merda, praguejou em pensamento sorrindo para ela. Estava muito apaixonado por aquela garota. Levantou-se.

Beth afastou uma mecha do cabelo para trás e olhou para Dean. Ele poderia parar de sorrir, isso seria ótimo. Apesar de achar bonito aquele sorriso.

— Pronto, agora estou mais apresentável.

— Você está apresentável e linda sempre. Até quando acaba de acordar. – Ele disse, fazendo as bochechas de Beth ficar vermelhas.

— Sei que é mentira, mas tudo bem. Então... – Colocou as mãos no bolso de trás da saia jeans – Como você está?

— Um pouco melhor. Não passou muito tempo, mas estou bem. – Dean passou a mão nos cabelos. Não, ainda sentia falta do pai. Não estava totalmente bem.

Ela se aproximou e abraçou-o. A diferença de altura era grande, mas Beth conseguiu envolvê-lo num abraço. Ele retribuiu o gesto e beijou-lhe o topo da cabeça.

— Sinto muito, Dean.

— Obrigado. – Soltou-a. – Bem... Eu tenho mais um presente para você.

— Ah! O buquê... Quando descermos eu o colocarei na água... – Ficou sem jeito quando ele lhe estendeu a caixa grande, vermelha e com um laço em cima. – Dean, eu...

— Shiu. Apenas abra.

Beth pegou e notou que a caixa não era tão pesada quanto aparentava. O que estaria ali dentro? Nada lhe passava pela cabeça. Sentou-se na cama e ele a acompanhou. Desatou o laço e deteve-se ao abrir. Dean esfregava uma mão na outra sem parar. Ele e Ryan haviam preparado alguma armadilha pra ela? Pois Ryan era expert nisso.

— Espera... Isso não é uma brincadeira do Ryan, é?

— Não! – Dean riu. – Abre logo antes que eu fique mais nervoso do que já estou.

Beth riu e abriu a caixa e retirou um plástico que cobria o presente. Parou no mesmo instante em que observou o que havia ali dentro. Seu coração pulava de felicidade. Nunca havia recebido presente como aquele! Meu Deus! Aparentava ser lindo! Puxou primeiramente a parte de cima e teve de se levantar para tirá-lo da caixa. Era um vestido. Um dos mais lindos que já vira na vida! O espartilho tomara- que- caia era todo em um xadrez um pouco diferente do comum. O pano vermelho possuía linhas pretas e brancas, num desenho lindo. A parte de baixo era da mesma forma que o espartilho, mas um pouco cheia. Colocou em sua frente e logo percebeu que ficaria perfeito em seu corpo. Quem havia lhe dado seus centímetros? Pergunta boba de se fazer. Lógico que fora Loren.

— O que achou?

— Magnífico, Dean! É maravilhoso! Lindo! – Seus olhos brilhavam, ao olhar para ele.

Ele se levantou e puxou de dentro da caixa mais uma roupa. Mas dessa vez não era um vestido. Era da mesma cor que o vestido, mas parecia ser um xale, ou algo do tipo.

— Isso faz conjunto. – Ele colocou nas costas dela e Beth sentiu a maciez do pano e como ele era grosso. – Você ficou bonita. Minha irmã tinha razão...

— Sua irmã?

— Sim, eu pedi ajuda para ela, pra comprar algo. Não sabia o que te dar, ao certo. Kristen disse que um vestido fazia toda mulher feliz. E se fosse feito como os de lá da Escócia seria melhor ainda. Ou algo do tipo, não me lembro das palavras dela. – Estudou-a. Sim, Beth ficaria perfeita com aquele vestido.

— Ah, não sabia que você tinha irmã. – Beth observava cada detalhe da roupa. Era tão bem feito!

— Tenho apenas uma. É a caçula. – Notou que ela estudava o pano. – Esse pano se chama Tartan. É disso que são feitos os Kilts de cada família. Uma tradição antiga dos escoceses. E essas cores... Bem, são as cores da minha família.

— Então, sua mãe e sua irmã vestem roupas com essas cores? E você usa “saias” com essas cores? – Ela indagou, com um sorriso no rosto.

— Sim, é desse jeito. – Ele riu. – Mas uso as “saias” apenas na Escócia. Não ria! – Ele disse, segurando uma risada, quando ela desatou a gargalhar. – Enfim, fico muito feliz e mais calmo por saber que você gostou. Ryan me avisou quase em cima da hora de que era seu aniversário hoje. Tive que vir correndo pra cá e...

Beth largou o vestido em cima da cama e abraçou-o mais uma vez, murmurando diversos agradecimentos. Era raro receber aquele tipo de presente. Aliás, nem se lembrava de quando ganhara um presente. Soltou-o. Tinha certeza que seu rosto estava vermelho, mas não se importou. Há muito não se sentia daquela forma, feliz.

— Elisabeth, fora isso... Quero conversar com você.

Beth diminuiu o sorriso.

— Sobre?

— Sente-se.

Ele afastou a caixa com o presente e sentou-se junto com ela, na cama. Demorara muito para concretizar o que estava querendo. Não era apenas namorar Beth. Ou tentar fazer isso, já que sabia o sentimento que ela tinha por Eric. Decidira no instante em que sua mãe dissera que já estava na hora de um de seus filhos ter uma esposa e que seu pai falecera sem ao menos ver isso. E ele era o mais velho de todos. E só queria, no momento, desposar uma mulher. Elisabeth.

— Anda, Dean. Fala. Sobre o que é?

— Beth, eu, queria saber... Se você ainda ama aquele cara. O Eric.

— Sim... – Abaixou a cabeça. – Amo cada dia mais, e já vi que é impossível esquecer esse filho da mãe.

— Impossível não é. E eu... Não sei enrolar muito. – Passou a mão no rosto. Como falar aquilo pra ela?

— Não estou entendendo. – Voltou à observá-lo.

— Eu não sei como, nem quando, mas me apaixonei perdidamente por você, Beth. E cansei de esperar que você esqueça esse cara. Posso te ajudar a esquecê-lo. Quero te fazer feliz, quero dar carinho pra você. Amor, Beth.

Ela engoliu em seco. Não queria entender o que ele estava dizendo.

— Eu quero... Me casar com você. – Disse de uma vez. Aquilo estava entalado em sua garganta e dizer o fizera se sentir melhor, mas já se preparava para receber um não e ver Beth ficar brava. – Você aceita se casar comigo?

***

Eric se distanciou de Jeff e Tom, que estava com Anne ao seu lado e feliz. A felicidade daqueles dois o incomodava. Mesmo ele tendo falado para Tom voltar com a garota e esquecer tudo aquilo, sentia um pouco de inveja do vocalista. Precisava de uma mulher! Céus, como precisava de Elisabeth. Não agüentava mais aquela situação, mas onde achar aquela garota? Ela sumiu e não iria perguntar para Fred, pois aí ele já desconfiaria demais. Uma hora ela teria que voltar para a casa dela. Sim, teria e ficaria de olhos abertos e a abordaria na primeira vez que a visse.

Fred se juntou ao seu lado e Eric apagou seu cigarro.

— Por que você tá tão quieto, Eric? – O baterista indagou, colocando as mãos nos bolsos da frente da jaqueta.

— Porque eu não sou palhaço pra ficar fazendo brincadeira toda hora. Acho melhor ficar quieto na minha, simples.

— Não precisa ser arrogante. Mas enfim, por quê pediu o telefone da Beth pra mim? Ligou pra ela?

— Ahh, você pergunta muito Fred! Que inferno!

— Se não ligou, acho que deveria fazer isso hoje. É aniversário dela. – Ele disse, ignorando a resposta anterior do baixista.

— Não liguei e não vou ligar nunca. Nem sei porque pedi o telefone dela pra você. Acho que eu tava drogado naquela hora.

— Você estava muito são. E pediu com todas as letras: “Fred, você tem o telefone da Beth? Passa pra mim?”. Sou besta, mas nem tanto, Eric.

— Fred vai pro inferno, ok? Me deixa em paz.

Eric saiu praguejando. Entrou em seu carro sem se despedir dos outros colegas de banda e seguiu para sua casa. Queria ficar um pouco longe de tudo aquilo. Ao menos por um tempo... Não contaria para Fred que ligou para Beth se passando por ele. Mas caso o baterista ligasse para ela, saberia de qualquer forma. Droga. Estava fazendo tudo errado. Tinha que sair um pouco dali. Tomar um ar. Sair de perto do Cinderella e da Filadélfia um pouco. Fazer o que Tom fizera, quando chegaram de turnê. Sumir. O álbum já estava praticamente pronto, seria lançado dali a alguns dias, só faltavam alguns ajustes. Uma viagem de poucos dias não implicaria em muita coisa. Eram apenas quatro dias fora. Mas para onde ir? Estava indeciso.

Ao chegar a sua casa e estacionar o carro, decidiu para onde iria. Viera como uma luz em sua mente. Por que não voltar à Salisbury? O lugar onde vivera tanto tempo? De onde tinha tantas recordações? Era para lá mesmo que iria. Partiria naquele mesmo instante.

Entrou em seu quarto, pegou uma pequena mala e jogou algumas peças de roupas dentro, de qualquer jeito. Seu contrabaixo já estava no carro. Saiu, trancou a casa, jogou a mala no banco de trás e deu partida. Iria de carro mesmo e que se danasse tudo. Queria um tempo para sua cabeça. Queria um tempo sozinho.

Seu próximo destino seria... Salisbury, Maryland.

Notas finais
Hummm, e aí? Qual será a resposta da Beth? Ela já está tão decidida a tomar outro rumo na vida, não é mesmo? Esse Dean... *abana*
Mas... o Eric? Ele vai logo pra Salisbury! O que vocês acham que vai acontecer??
Pra quem quiser ver como o vestido é realmente, aqui está o link: http://www.lochcarron.com/pages/images/highland_dress.jpg
Tinha que ter algo escocês na fic, claro... senão, não ia ser fic da Juuh_Capet! HAHAHAHAHA
aguardo reviews, meninas! Beijos!