— Se essa vadia for, eu não vou! – Emily gritou.

Tom se arrependeu amargamente de ter contado para Emily sobre Beth. Ela estava dando seu ataque de ciúme.

Passou a mão no rosto, tentando ficar calmo, mas era impossível. Se ela não queria ir, melhor ainda.

— Então não vai, caralho! Não vai. Fica aqui, fica na puta que pariu! Fica onde você quiser! Mas a garota vai junto.

— Ótimo. Você a prefere a mim? E espera que eu acredite que ela é uma “amiguinha” do Fred? Eu não sou idiota, Keifer!

Tom riu. Ele de fato merecia esse castigo?

— Ela não tem nada a ver comigo, Emily, pelo amor de Deus! Beth é amiga do Fred e o Eric está interessado nela!

— Grande coisa o Eric estar interessado nela! Em quem ele não fica? E isso não muda o fato de que ela pode estar interessada em VOCÊ! Não vou mudar de opinião. É ela ou eu.

Keifer nem ao menos ajudou colocar as malas de Emily no táxi. Ela que o fizesse sozinha. Estava cansado, mas aliviado de ter terminado ali. Teria um pouco de paz na sua vida. Ao menos durante a turnê pela Europa.

Saiu de perto da porta do hotel e foi se juntar com Eric e Jeff que esperavam apenas pela garota e por Fred. Eric ainda mantinha o olhar perdido da noite anterior e Jeff, quieto.

— O que foi, Eric? – Perguntou, apenas para começar um assunto e esquecer o tormento que era Emily.

O loiro não respondeu. Seus olhos estavam fixos no chão e os dedos acariciavam o queixo.

— Eric? – Chamou de novo.

— Só assim, olha... – Jeff levantou a mão por trás de Keifer e deu um tapa estalado na cabeça de Eric. – Acorda.

— Por que você não bate na bunda da sua mãe desse jeito, Jeff? – Eric reclamou. – Ah esqueci que ela prefere que eu o faça.

— Vai se fuder. O Tom tava falando com você.

— Pode falar.

— O que tá acontecendo com você? Está muito pensativo.

Brittingham revirou os olhos.

— Estou vendo um jeito de pegar aquela garota. Tenho uma turnê inteira pra fazer isso. Uma hora ela vai ceder.

Ah, claro, como não pensara nisso antes? Era óbvio que o baixista iria tentar a todo custo ficar com Elisabeth. Riu baixinho e se encostou num pilar, no momento em que viu os dois descerem. Já estava na hora.

— Tom... – Jeff começou – A Emily foi embora mesmo, cara?

— Não, Jeff. Ela foi de táxi comprar um pouco de pó pra viagem. E levou as malas pra poder colocar a droga dentro. – Eric ironizou.

— Cala a boca...

— Graças a Deus ela foi, Jeff..

— Á Deus nada, graças a Beth.

Tom concordou com a cabeça. No momento desejava que Beth tivesse aparecido à muito tempo atrás. Assim, não teria que ter agüentado Emily por tanto tempo. Ajeitou sua jaqueta e os cinco saíram. Dali para frente, era uma vida nova para Tom – Por um tempo. Sem Emily para lhe importunar, dormiria sozinho e faria seus shows. Seria estranho, mas mesmo assim bom.

E prometeu a si mesmo que não iria ter um relacionamento com alguém tão cedo. Queria ficar sozinho por um longo tempo. Não queria aquela situação novamente.

Dentro do avião, todos estavam muito quietos. Eric se levantou um pouco para ver se alguém estava acordado. Nenhum dos caras do Bon Jovi ou algum do Cinderella estava acordado. Todos dormiam, exceto ele e a garota. Beth estava na fileira de poltronas ao seu lado, lendo um livro grosso. Torceu o nariz. Como ela conseguia ler aquilo tudo? Para ele, ler cem páginas era um sacrifício... Estava num momento bom para conversar com ela.

Se levantou e viu na poltrona da frente, Fred e Jeff agarrados um ao outro, dormindo profundamente. Duas bichas. Riu de ambos, e passou por cima de Tom que também estava desacordado. Conseguiu se sentar ao lado dela sem dificuldade nenhuma. Esparramou-se na poltrona e colocou o tornozelo em cima do joelho.

Notou que ela nem ao menos desviara o olhar do livro e mexeu em seus cabelos, bagunçando-os um pouco mais. Qual era o problema daquela garota? Como ela fingia que nem o percebia? Era grande demais para ela não notá-lo. Impaciente, pois ela não lhe dirigia uma palavra, começou a sacudir o pé, nervoso. Expirou umas cinco vezes e nada. Até que não agüentou mais esperar ela lhe perceber.

— Oi. – Disse, olhando-a.

Beth apenas levantou uma sobrancelha e olhou-o de canto. Queria rir do loiro, mas se manteria séria até o fim. Ele queria de qualquer forma sua atenção.

— Oi. – Respondeu, voltando a sua leitura.

— Será que você... Podia ao menos conversar comigo? – Indagou.

Beth abaixou o livro, fechou-o e o colocou em seu colo. Ou ele estava se fazendo de coitado, ou ela realmente estava o deixando inquieto e nervoso. Gostaria mais da segunda opção.

— Claro, porque não? – Disse, sorrindo.

Eric sorriu ante a expressão da garota. Ela tinha aceitado conversar. Já era um começo. Dali a levaria pro banheiro do avião e experimentaria tudo aquilo que ela tinha pra lhe oferecer. Depois quando chegassem no hotel... Mordeu o lábio inferior só de pensar...

— Só peço uma coisa, não morda essa sua boca e me olhe como se fosse me devorar. Eu não sou comida. – Sorriu. – Isso é o que me faz não querer conversar com você.

Eric parou de morder o lábio no mesmo instante. Aquilo era loucura, só podia ser. Mas não desistiria. Faria de tudo pra ir pra cama com aquela garota, nem que ela o deixasse apenas de cueca em cima do palco.

— Tudo bem.

O silêncio pairou durante praticamente dez minutos. Eric não tinha o que falar e ela apenas esperava, com aquele ar inocente e cínico, olhando-o nos olhos.

Beth gostava dos olhos de Brittingham. Eram bonitos. Além daquela cara de anjo que ele tinha – Sabia muito bem que era só a cara. Aquele ali deve enganar muitos e... Muitas também, pensou. Só não enganava ela. Nem um pouquinho.

— Você não vai falar nada? – Ela perguntou, voltando a pegar o livro e desviar os olhos dele.

— Eu não tenho o que falar, na verdade. – Eric sentia o suor frio escorrer-lhe pela testa. Estava perdendo a única chance que tinha e isso não podia acontecer.

— Ah claro... Seus assuntos normalmente são... – Ela começou a imitar gemidos baixos e riu logo depois, quando viu o sorrisinho pervertido no rosto dele.

Estava achando uma boa idéia brincar com Eric. Brincar com a mente dele, até deixá-lo louco.

— Garota, se você não me quer, não faz esses gemidos, por favor. – Ele disse com a voz rouca.

— E quem disse que eu não te quero? – Ela colocou o livro de lado e se aproximou do loiro. Ria internamente.

Roçou o nariz na curva do pescoço de Eric e mordiscou-o de leve. Quando viu que ele ficara arrepiado e gemera, quase riu, mas não o fez. Manteve sua feição de sedutora. Aproximou seus lábios da boca de Eric, que estava imóvel naquele momento.

— Hein? Quem disse que eu não te quero? – Ela indagou mais uma vez.

— Eu... Eu... – Eric tinha perdido as palavras. Não tinha mais nem noção do mundo. Seu tesão estava quase lhe estourando a calça.

— Então você está errado. – Ela deu uma leve mordida no queixo dele e se afastou um pouco.

Quando percebeu que Eric iria pegá-la para dar-lhe um beijo, Beth pulou para a poltrona da frente, fazendo um estrondo, acordando a todos. Eric se levantou, segurando-se na poltrona da frente, os olhos embevecidos de prazer. Queria aquela garota e ela facilitara muito as coisas, agora não fazia sentido ela fugir.

— Beth vem aqui. – Chamou-a.

Ela se levantou e caminhou até ficar a cinco poltronas de distancia dele. Sorriu de leve ao ver a cara vermelha dele e notar o volume na calça. Não pensou duas vezes antes de se sentar numa poltrona vazia e colocar o cinto.

— Não vou não. Me deixa em paz, por favor. – Ela pediu.

Deu cinco minutos para ele se manifestar, mas apenas ouviu a porta de trás bater. Riu baixinho e olhou para seu lado. Quem estava ali era David Bryan, dormindo profundamente. Se o avião caísse, provavelmente David não acordaria. Nunca mais.

Havia se passado meia hora desde que Eric fora para a parte de trás. Beth retirou o cinto e foi atrás dele, sorrateiramente, olhando para todas as poltronas. De uma forma ou de outra ele a pegaria a qualquer momento por conta da brecha que dera. Não estava nem aí. Sabia como se safar de um homem quando queria. Já tivera que se safar de muitos em sua vida, pois nenhum a deixava em paz.

Alguém lhe segurou o pulso e sua respiração parou por alguns segundos, até ouvir a voz de Fred.

— O que foi, Beth? – Ele coçou o olho esquerdo, bocejando em seguida.

— Nada, eu vou só... No banheiro.

Fred concordou e voltou a dormir. Ela passou para a parte de trás e ouviu gemidos vindo do banheiro. Como não imaginara? Eric devia estar comendo uma das aeromoças. Era fato. Se aproximou do banheiro e viu que a porta estava apenas encostada. Empurrou-a devagar até ver completamente a cena: A aeromoça estava apoiada na pia com a saia levantada e Eric atrás dela, ofegante, segurando os quadris da moça firme.

— Wow... – Ela ficou boquiaberta.

Eric a olhou e por um momento pareceu assustado. Dez segundos depois fechou a cara.

— Já que você não quis, ela quis. Agora sai daqui.

— Sem problemas, amigo. – Beth fechou a porta e riu baixo.

Aquele cara não valia um centavo furado. Não mesmo.

Sentou-se junto com Fred e Jeff e continuou a imaginar tudo o que Eric devia estar falando dela em pensamento. Aos olhos dela, aquilo era engraçado.