Corações Rendidos
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Mike chegou em casa, mas antes de sair do carro notou uma garota na porta. Devia ser a tal de Emily.Respirou fundo. Durante os três dias que se seguiram desde o primeiro encontro de ambos, ela não ligara e nem aparecera. E ele muito menos. Não gostava de Emily nem um pouco. Até tinha agradecido por ela não tê-lo procurado.
Desceu do veículo e foi em direção à ela em passos lentos. Estava sem pressa alguma. Emily estava com os braços cruzados, demonstrando impaciência. Encarou o olhar frio e raivoso dela.
— Aonde você estava? Já vim aqui três vezes hoje! – Ela disparou.
— Eu faço alguma coisa da vida, garota. Tenho que trabalhar, sou médico. Te dei meu telefone, você podia muito bem ter ligado antes. – Cruzou os braços.
Emily bufou e revirou os olhos. Sim, podia ter ligado antes, mas não pensou nisso. Arquitetar um plano tomara conta de sua mente e não conseguia pensar em outras coisas com clareza.
— O que você quer?
— Quero começar a agir. E rápido.
— E já sabe o que fazer?
— Mais ou menos. – Ela colocou o indicador no queixo, pensativa – Eu preferia conversar lá dentro, caso não se importe.
Mike quase respondeu que se importava sim, mas segurou a língua. Abriu a porta e acendeu as luzes. Nem precisou chamá-la, pois Emily entrara por conta própria como se fosse dona da casa. Mais uma coisa que odiou na garota. Fechou a porta e escutou latidos. Um minuto mais tarde, Thor e Loki estavam ao seu redor.
— Que bela casa, a sua. – Emily disse, olhando tudo.
— Obrigado. – Murmurou com raiva no tom de voz.
— Mora aqui sozinho? – Sentou-se no sofá, cruzando as pernas.
— Não, moro com a minha irmã. – Ele serviu uma taça de vinho a ela e pegou uma para ele. — Mas ela está viajando.
— Ah, assim é bem melhor. – Ela bebericou o vinho, com um sorrisinho na boca.
Mike se sentou no outro sofá, de frente para ela, largado. Estava muito cansado. Ocupou quase todo o sofá de dois lugares. Loki se deitou aos seus pés, enquanto Thor voltou para o quarto de Beth. O cão sentia muita falta de sua dona e ela também sentia, pois odiara não poder levar Thor junto com ela.
— O que você sabe sobre essa garota? – Ela indagou – Vi vocês conversando antes do Keifer chegar.
Precisava saber qualquer mínimo detalhe da conversa que os dois tiveram no pub, para fazer tudo certo. E ter Keifer de volta em suas mãos sem nenhum erro.
— Sei que ela é francesa... – Ele pensou mais um pouco. Não se recordava de muitas coisas, aliás, nem puderam conversar direito. – E é veterinária. – Tomou um gole de vinho, com o olhar fixo na mesa de centro.
Eram poucas informações, mas Emily analisou atentamente cada uma. No instante seguinte já sabia o que fazer. Aliás, somente por onde começar. Sorriu para Mike, que mantinha o olhar fixo na mesa, aparentemente pensativo.
— Acho que não são informações boas, mas são as únicas que tenho. Não tive tempo de conversar com ela direito. Aquele filho da puta apareceu... – Voltou seu olhar para ela.
— São boas sim. São ótimas e eu já sei por onde começar.
— O que você está pensando? – Ele indagou, curioso. Emily faria o quê com tão poucas informações?
Ela descruzou as pernas e tomou mais um gole de vinho, antes de começar à contar seu plano à ele. Era um ótimo plano em sua opinião. Riu baixo.
Depois de relatar tudo em mínimos detalhes, notou que Mike estava nervoso. O Cenho franzido e a carranca denunciavam isso. Tinha que concordar... Mesmo com aquela cara de poucos amigos, Michael conseguia ficar ainda mais bonito. Assim que contara a melhor parte, já imaginou que ele ficaria daquela forma, mas não mudaria seus planos por causa dele. Seria aquilo e ponto final. Se levantou e em passos lentos foi em direção à ele. Sabia como acalmar um homem. Rodeou o sofá e ficou atrás de Mike. Se inclinou um pouco e aproximou seu rosto do pescoço do moreno, com a ponta dos dedos afastou os cabelos negros,lisos e compridos dele e inspirou o cheiro másculo, ficando inebriada. Se não quisesse tanto Keifer, o trocaria muito fácil por Michael. Aquela tal Anne não resistiria a ele e muito menos àquele cheiro excitante de Mountbatten. Beijou levemente o pescoço dele e passou a ponta da língua, fazendo-o estremecer. Sorriu ante isso. Homens eram todos iguais mesmo.
— Não gostou do meu plano? – Ela perguntou, rodeando o sofá de novo e sentando-se no colo dele, de frente e de pernas abertas.
— Não.
Mike estava incomodado pelo fato de seu corpo responder as caricias daquela mulher. Não queria nada com ela. O plano o deixara nervoso, sim, mas não recusou por mais que quisesse. Ela lhe causava algum tipo de sensação estranha, incomodava-o. A simples presença dela já o deixava irritado. De súbito, quando percebeu que ela ia lhe beijar, segurou-a pelos braços e se levantou, deixando-a no chão.
— Vai recusar o que eu quero te dar? – Ela indagou ao vê-lo ir em direção à porta.
— Vou. Eu estou cansado, garota. Amanhã trabalho cedo e quero dormir.
— Isso não é o que a sua calça diz. – Emily sorriu maliciosa, se aproximando de Mike.
Mike praguejou. Não precisou olhar para baixo, sabia que estava excitado, mas não queria se aliviar com ela. Poderia ser com qualquer uma, menos com ela.
Emily se aproximou dele e antes que pudesse tocá-lo, ele pegou-a pelas mãos e segurou-a firme. Não queria o toque daquela mulher ou qualquer outro tipo de contato vindo dela.
—Hum, você gosta de bancar o macho difícil?
— Não, eu apenas não quero foder você, simples. – Olhou-a fixamente – O combinado é eu ajudar você a separar os dois. Você consegue o Tom e eu a Anne. Fim de papo.
— Eu só quero experimentar o que ela vai ganhar com isso tudo!
— Pois vai ficar querendo. – Soltou-a e empurrou-a – Agora entendo o porque ele te largou. – Sorriu de canto. – Você devia trair o coitado com Deus e o mundo.
Emily se enfureceu com as palavras de Mike. Sua respiração começou a ficar pesada. O que ele tinha a ver com seu relacionamento antigo com Keifer? Aquele imbecil não tinha nada o que se meter em sua vida. O que fizera, ou deixara de fazer era problema dela. Se aquele idiota pensava que podia tratá-la daquela forma estava muito enganado. Totalmente enganado.
— Você pensa que é quem pra me tratar assim? – Falou, tentando controlar a fúria na voz.
— Eu penso... – Cruzou os braços e fitou-a – Que sou o único cara que pode te ajudar a ter o seu queridinho de volta. E tenho certeza que sem mim, você não vai conseguir separar aqueles dois.
Emily demorou alguns segundos para engolir a raiva que sentia. Respirou fundo e desviou o olhar dele. Assim que conseguiu ter um pouco de controle sobre a ira avassaladora que possuía por Mike, se dirigiu à saída, em passos duros. O idiota falava a verdade. Sem ele, nada conseguiria fazer. Precisava daquele infeliz, mas ele não perdia por esperar. Mike que continuasse à tratá-la daquela forma...
Antes de sair de vez, olhou para ele e encarou os olhos azuis cheios de ódio.
— Toma cuidado, Michael. Toma muito cuidado.
— Digo o mesmo, Emily. Você não sabe nada sobre mim. – “O que eu sei curar, eu sei quebrar” acrescentou em seu íntimo.
Ela saiu e Mike trancou a porta. Respirou fundo e passou a mão nos cabelos e no rosto. Não gostara nem um pouco do plano daquela mulher. Sentou-se no sofá de novo e acariciou Loki. No fundo ainda sabia que não devia ter aceito a proposta dela no Double Dutch e muito menos ficar quieto ante um plano como aquele. Era totalmente contra, mas iria observar até onde ela iria com aquilo tudo. Quando achasse melhor, pararia.
Se levantou e foi tomar um banho, sentia-se exausto, tenso.Depois de sair debaixo da boa água quente e confortante, secou-se, colocou apenas uma cueca, fez a higiene bucal e deitou-se. Queria muito relaxar, mas as palavras dela não lhe saíam da mente. Naqueles olhos azuis conseguia ver claramente uma coisa: Loucura.
— Mulher maluca. – Murmurou antes de pegar no sono.
***
Tom fechou a porta e suspirou aliviado. Há três dias trabalhava feito um maluco, junto com Eric. Já tinham praticamente todas as musicas do disco pronta, a única que faltava havia acabado de concluí-la junto com o loiro. Não sabia da onde havia tirado tanta inspiração para compor naqueles três dias, justo quando se sentia angustiado e via que Eric também estava. Ambos daquela forma por mulheres. Enquanto andava em direção ao quarto, percebeu que tinha esquecido alguém durante aqueles dias em que trabalhara demais e se fechara com sua própria raiva. Anne Danielle.
Entrou no cômodo e encontrou-a em cima da cama, lendo alguns livros sobre animais. Resolveu não incomodá-la e seguiu ao banheiro a fim de tomar um banho, mas foi impedido pela doce voz dela assim que chegou ao batente da porta.
— Tom?
Virou-se e fitou-a.
—Está tudo bem? Eric foi embora?
— Sim, acabou de sair. Eu... Vou tomar um banho. – Entrou no banheiro sem esperar ela responder.
Anne esfregou os olhos, que ardiam de tanto ler e passou a mão no rosto, suspirando. Tinha vontade de gritar, de chorar de voltar ao seu país. As coisas entre ambos tinham esfriado desde o dia em que foram àquele pub. No momento desejava nunca ter ido naquele lugar, mas nada podia mudar o passado. Sentia-se impaciente, incomodada, pois não sabia o que acontecia com aquele homem. Não se amaram uma única vez desde aquela noite. E algo dizia à ela que continuariam assim por tempo indeterminado. Não conseguia ver os sentimentos de Keifer, não sabia o que estava acontecendo com ele. Era uma incógnita. Tom Keifer era muito fechado e isso só a deixava mais impaciente ainda. Suspirou mais uma vez e balançou a cabeça, voltando aos seus estudos antes que explodisse e atacasse Tom, como estava louca para fazer. Ficar sem ele nu em cima dela era um tormento e pior ainda era notar a frieza com que ele a vinha tratando.
Keifer saiu do banho com apenas um short e os cabelos ainda molhados. Não se importava em enxugar-se direito. Aliás, não se importava consigo mesmo. Ficou parado na porta do quarto, observando Anne ler. Queria mostrar para ela o que tinha feito. A melodia que tocara com ela em cima do piano virara uma bela música.
— Anne.
Ela apenas olhou-o.
— Vem aqui... Quero te mostrar uma coisa. – Ele chamou-a.
Ela deu de ombros, fechou cada um dos livros e empilhou-os na mesa de cabeceira. Seguiu Tom até o piano e ficou ao lado, enquanto ele se sentava. Aquele piano de cauda lhe lembrava de coisas muito boas. O corpo ainda um pouco molhado daquele homem a deixava maluca. Por que ele a recusava e não se mostrava tão fogoso como era antes do dia no Double? Gostaria de entender o que fizera à ele. Mas era impossível, Tom morria, mas não falava sobre o assunto.
Afastou os pensamentos assim que ele começou a tocar as primeiras notas, olhando em seus olhos. Aquele azul-piscina fascinava-a tanto... Deu-se conta de que era a mesma melodia que ele tocara dias atrás.
— “I can’t tell ya baby, what went wrong… I can’t make you feel what you felt…”
Tom começou a cantar e Anne se perdeu na voz dele. Era tão linda, tinha um timbre tão perfeito. Será que tudo o que aquele homem tinha, qualquer coisa que ele fazia, deixava-a mais apaixonada ainda? Fazia seu coração bater de forma que quisesse sair do peito? Ela o amava cada vez mais, cada dia com mais intensidade, mas tinha um mau pressentimento. Balançou levemente a cabeça. Não queria pensar naquilo.
Assim que ele terminou a música, Anne se deu conta do quanto linda era a letra e a melodia, mas também era triste. Não queria se imaginar sem Keifer. Não conseguia. Doía só de pensar em perdê-lo e dar-se conta mais tarde.
Ele se levantou e a abraçou, ficando ambos encostados no piano de cauda. Tom se sentia necessitado daquela mulher. Perguntava-se como havia conseguido ficar sem ela durante aquelas noites. Mau conseguia conter sua excitação ao tocá-la.
Começou a beijar a nunca de Anne com delicadeza, pressionando seu quadril contra o dela, indo para o pescoço, subindo pelo delicado queixo até chegar aos lábios macios dela. A beijou urgente e apaixonadamente.
Não fazia sentido ficar bravo por algo que ela não havia feito. Ficar nervoso daquela forma só por ter imaginado ela o traindo com o irmão de Beth. Sentia as mãos dela apertando seus ombros, puxando-o para ela, querendo-o mais próximo possível. Pegou-a no colo e a levou para o quarto, deitando-a de costas na cama assim que chegaram. Ambos estavam famintos pelo corpo um do outro, pelas caricias, pelo toque. Anne se livrou da curta camisola de cetim que vestia, com rapidez e Tom fez o mesmo com suas poucas peças de roupa. Deitou-se sobre Anne e deu-lhe mais um beijo, depois descendo para o vale entre os seios com a ponta da língua, provocando arrepios na garota e depois deleitando-se nos mamilos rosados e túrgidos dela.
Enquanto sua língua brincava com um mamilo, uma de suas mãos massageava o outro seio e a outra, explorava a feminilidade dela, penetrando-a com os dedos. Os gemidos de prazer dela eram altos e os apertos em seus ombros eram fortes.
Ficou provocando-a durante um tempo, até que ela chegou ao ápice. Desceu uma trilha de beijos até chegar ao pedaço que mais queria naquele corpo. Estava ensopado de prazer. Sorriu. Aquele cheiro delicioso e inebriante adentrou às narinas de Tom, que passou a língua por todo o contorno, depois brincando com o clitóris de Anne, fazendo-a gemer e se arquear, implorando para Tom penetrá-la. Ele não estava com muita pressa. Continuou as carícias, até sentir as unhas dela rasgando-o nos ombros, e ouviu-a gritar implorando para penetrá-la mais uma vez. Em menos de dois minutos, Tom encontrou e colocou uma camisinha e abriu as pernas dela, penetrando-a de uma vez só. Ela fechou as pernas ao redor de seu quadril e Tom começou a se movimentar, de inicio lento e depois rapidamente. Trocaram diversas vezes de posição e não demorou muito para que Keifer não agüentasse mais se segurar e chegar ao prazer antes dela. Abaixou-se um pouco e compensou-a com os lábios e a língua. Pouco tempo depois, as paredes do sexo de Anne se contraíram e ela mergulhou no mais violento orgasmo, chamando pelo nome de Tom. Segundos depois, ele deitou-se ao lado dela e a aconchegou junto à seu corpo. Anne ainda estava trêmula e gemia baixinho.
***
Acendeu mais um cigarro e tragou. Segurou a fumaça por alguns segundos e soltou-a logo depois. Eric não conseguia parar de pensar em Beth e no ultimo encontro de ambos. Estava se entregando demais a aquela garota e isso não era certo. Beth deixara muito claro que não gostava nem um pouco de sua presença e muito menos de seu beijo. Só não conseguia entender o motivo disso tudo. Por que ela fugia? O que fizera de tão ruim pra aquela garota? Não dava pra compreendê-la. Tomou um gole de whisky balançando a cabeça negativamente. Ela tinha que sair de sua mente, tinha que esquecê-la. E logo. Era difícil não lembrar do ultimo beijo, das ultimas palavras. Do ultimo olhar de Beth e do gosto dos lábios dela. O que aquela garota estava fazendo com Eric Brittingham? Perguntava-se. Estava mudando, sabia disso. E a culpada era ela.
Tentara encontrá-la durante os dias seguintes, mas foi inútil em sua procura. Não a encontrara na casa dela, Fred não tinha noticia alguma e acabara por desistir. Beth não podia ter sumido de uma hora para outra. Balançou a cabeça. Tinha que afastá-la de sua cabeça! De qualquer modo. Mas todos os seus pensamentos pareciam chegar ao nome dela de alguma forma. Era incrível e ao mesmo tempo irritante.
Respirou fundo e deu mais uma tragada. A única coisa que o fazia se esquecer dela por alguns momentos, depois da cocaína, era a banda. Sim, faria isso. Dedicaria todo o seu tempo para a produção e lançamento do álbum seguinte.
Abriu um pacotinho que estava em cima da mesa de centro, puxou-a para mais perto e fez duas carreiras. Começaria a esquecê-la a partir daquela noite.
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