Corações Indomáveis Reylo

31 Capítulo 31 Uma Sombra de Dúvida


O dia estava começando com inúmeras preocupações no grupo de confiança de Kylo Ren, precisavam manter o foco para cumprir todas as ordens do pirata, em parte aliviados por saber que a ferida não foi mortal. Agora o que os parceiros de Ren queriam era tirar o homem da cadeia.

Estavam receosos com a introdução de mais uma pessoa no projeto. O êxito de tudo era ter o mínimo de pessoas envolvidas, o advogado era muito preciso em todas as orientações, a introdução da esposa poderia pôr a fuga do pirata em perigo.

Todavia Kylo foi muito contundente na questão de colocar a esposa no projeto, eles conheciam o sujeito e sabiam que não teria nada que o fizesse voltar atrás, e tudo que podiam fazer era colocar as instruções em ação.

O advogado corria contra o tempo para encontrar uma maneira legal de tirar o prisioneiro, antes deles colocarem em andamento a fuga. Tinha certeza que o que aconteceu a Kylo Ren foi uma armadilha para o aprisionar de modo injusto, não poderia permitir tamanha injustiça. Arrumava uma pequena mala para viajar à comarca a que o delegado Hux respondia. Suspirou, precisava ser mais rápido que o bando de Ren.

A isso antes de fazer essa viagem achou prudente avisar a Rey sobre o quê estava se passando, ele tinha conhecimento que a esposa já estava se preparando para a fuga, no entanto, havia a necessidade de ser o mais claro possível, a jovem teria que ser muito forte e corajosa, pois os inimigos de seu marido eram muito perigosos. E para que tudo fosse um sucesso ele precisava provar tudo o que sabia ser a verdade, mas, para isso juntaria tudo que fosse importante para provar isso. Pensava em apelar ao bom senso da jovem para não ir com o marido e esperar por toda a resolução do problema em segurança.

(...)

A chaleira começou a soar de modo exagerado e a fumaça anunciava que a água estava fervendo. A isso, a garota com toda desenvoltura despeja o líquido fumegante no coador, um aroma saboroso de café que atingiu as narinas de Joaquim, que por um momento esqueceu todos os problemas que ele estava inserido e todos à sua volta. Nisso Bea o tira de sua introspecção.

— Como vai ser?

— Como? — Tomou um choque.

— Quando você vai falar com a nossa "patroinha" sobre seu envolvimento com a desgraça que aconteceu a ela e o patrão?

O garoto levantou-se inquieto e ficou parado de frente à jovem.

— Tenho receio de me mandarem embora, não fiz por mal. Queria ajudar a minha família. — Estava desolado.

— Você tem que ser corajoso e enfrentar as consequências de seus atos. Se não contar a senhora Organa-Solo, contarei eu.

— Contar o que para mim? — Sentou-se à mesa se servindo do café.

O garoto não sabia para aonde ir o que falar, tinha que expor a verdade, porém era muito difícil. Joaquim tinha consciência que seu feito trouxe muitas complicações e perigos para os casados.

— Senhora, o rapaz que está na sua frente fez algo...

— Sim,... — Falou sem coragem. — Por favor, quero que ouça, mas não me entregue ao grupo de Ren, eles podem me matar.

— Merecia uns bons safanões. — Cruzou o braço com uma carranca.

— Bea, deixe o garoto se explicar. — Olhou a garota com ternura. — Depois terá sua vez de falar. — Bebericou o café.

O rapaz começou a narrar tudo que havia acontecido desde que o delegado havia cruzado o caminho de sua família, a prisão injusta de seu irmão, as visitas que eram comuns e que neste momento não tinha acesso ao rapaz encarcerado, o medo que tinha era que poderiam fazer de ruim para ele.

Rey e Bea ouviam os relatos do garoto amedrontado com toda atenção, a mais jovem sentiu compaixão e uma pontada de culpa por ser tão rápida em julgar, sabia do assunto, mas os detalhes a fez sentir pena dele. A senhora da casa avaliava a história e pesava todas as consequências do que o menino fez, mas o sumiço do irmão mais velho poderia ser algo que deveria ser investigado.

Neste momento o sino da porta da frente toca. A garota dá um pulo, foi até o local para ver quem estava chamando.

Rey respirou fundo enquanto estava tentando controlar suas emoções.

— Então patroa o que vai fazer comigo? Devo ir embora?

— Farei o seguinte. Levantou com a xícara na mão colocando ela na pia. — Você continua aqui, não fale nada com ninguém, falarei com o senhor Geoffrey e como é um bom homem indicará o melhor para essa situação.

A garota entra na cozinha agitada.

— Senhora, o advogado amigo do patrão quer lhe ver, disse que tem algo importante.

— Obrigada, Bea vou atendê-lo e nos leve um café bem forte o doutor gosta assim. — Sorriu e se dirigiu para a sala.

— Bom dia senhor Chewbacca, tem notícias do meu esposo. — Sorriu amavelmente. — Queira se sentar.

O homem atendeu ao pedido da jovem.

— O que preciso lhe deixar a par são coisas muito importantes que em hipótese alguma poderá contar a ninguém.

Rey sentiu toda a seriedade do homem e se ajeitou na poltrona em que estava, a garganta ficou seca, mal conseguia engolir a saliva. Uma apreensão tomou conta de seu coração.

— Por favor, conte senhor Geoffrey o que devo saber?

— Irei para a capital, juntar provas que incriminam o delegado e quem estiver envolvido nessa trama miserável. Os culpados não poderão ficar impunes. Assim minha filha. — Sorriu paternalmente. — Posso te chamar assim? — A jovem anuiu. Então ele prosseguiu. — Também terei que procurar a identidade do homem morto encontrado no armazém de Ren. O mais importante de tudo é que seu esposo irá fugir porque sua vida corre perigo. Precisa sair dali quanto antes. — Fez uma pausa olhando longamente nos olhos da mulher. Suspirou. — Preferia que não fosse com Kylo, ficasse aqui até as coisas se acertarem, tudo isso é muito perigoso.

Rey Solo se levantou inconformada com o último pedido do advogado, não iria deixar que mesmo com boas intenções a separasse de seu marido.

— Não me separarei de Kylo, pouco importa se correrei riscos ou desconfortos. — Olhou para o senhor que a analisava com muita calma. — Nesta terra ninguém vai me dissuadir do contrário.

— Muito bem! Rey, esperava uma reação assim em relação a não se separar de seu marido, então colocarei a senhora a par dos detalhes do plano de fuga de seu marido. Lembrando que tem que estar segura que não contará nada do que conversarmos, até mesmo a sua sombra.

A jovem concordou com os termos do advogado ouvindo com atenção todos os pormenores do projeto que tiraria o pirata do cárcere. Sabia ter muito perigo e precisava mostrar calma e coragem.

Ao findar suas colocações de tudo que Ren havia montado sobre a sua escapada, o senhor se levantou, pegou seu chapéu e quando ia se despedindo, Rey se lembrou de Joaquim.

— Doutor Chewbacca, antes de ir, preciso que me oriente num assunto. — A jovem sorriu. — Poderia se sentar novamente.

O homem seguiu para a poltrona deixando o casaco e objetos na mesa. Se ajeitou e num tom afável a convidou para iniciar o tema.

— Diga-me, qual questão a senhora quer a minha opinião?

— Um assunto muito delicado, o rapaz que nós contratamos para ajudar com os serviços mais pesados. Apoiar Bea para fazer compras entre outras coisas. — Temperou a garganta e passou a narrar segundo o que o rapaz relatou. Não deixava passar nenhum detalhe. O mais velho ouvia tudo com muita atenção a cada detalhe, até o ponto de um parente encarcerado, fez um sinal para que Rey parasse.

— Quer dizer que Joaquim tem um irmão preso?

— Sim, e um pouco antes de Kylo ser preso, não pode mais visitá-lo. — Encarou o mais velho. — Ele está aflito sem saber sobre o seu parente. Fez tudo para ajudar a sua família.

O advogado se levantou e caminhou pela sala. Esfregou a sua barba ruiva espessa avaliando essas informações. Se voltou para Rey.

— Tem mais pessoas sabendo desse fato?

— Apenas eu e Bea. — Ficou preocupada. — Algum problema, isso de algum modo afeta o meu marido?

— De certa forma. — Observou o semblante da jovem que denunciava toda a sua tristeza e cansaço. — O delegado corrupto, forjou provas que incriminam Kylo Ren, com armas roubadas, mercadorias contrabandeadas... — Olhou à sua volta e baixou a voz. — Também havia um cadáver de homem no seu galpão como a senhora já sabe.

A jovem pôs a mão na boca com tamanha crueldade, avaliando o perigo que o pirata corria, a medida que o tempo passasse pior seria para ele.

— Acredita que o corpo encontrado possa ser do irmão mais velho de Joaquim?

— Não posso afirmar, contudo, há grandes possibilidades de o ser. — Estava triste com essa suspeita. — Mantenha o garoto aqui, e continuem com a rotina doméstica, assim Hux não irá suspeitar de nada. Se o delegado solicitar a presença do rapaz, deixe-o ir, mas certifique-se que ele está do nosso lado.

— Tenho certeza que Joaquim irá nos ajudar! — Ela o ouviu e percebeu toda a sinceridade e arrependimento que vinha de sua alma.

— Ótimo! — Sorriu de modo paternal. — Há mais alguma coisa a acrescentar? — A jovem balançou a cabeça em negação. O homem se levantou pegando os seus pertences e falou. — Viajarei esta tarde, voltarei o mais breve possível. E vou investigar os relatos do garoto. Fique atenta, não confie em ninguém.

Então o advogado saiu da residência de Kylo e Rey.

(...)

— Que estrada horrível, estou toda doída. — alisava a nuca e os braços.

— Devia ter ficado na fazenda e vindo com minha mãe amanhã. — Riu para a esposa fazendo massagem em seus ombros. — Agora que está aqui precisa descansar.

— Descanso depois. — Se apartou do marido. — Precisamos ir à delegacia ver Kylo, saber como está!

— Calma minha vida. — Sorriu indulgente. — Fique tranquila, irei me inteirar dos fatos e contarei a você tudo. E em seguida visitaremos Rey.

Desirée não tinha o menor interesse em ver sua irmã. Tudo que pensava era em Kylo Ren e saber como ele estava. Estava quase perdendo o juízo por tentar dissimular o quão angustiada estava por causa de seu amor.

— Sim, de fato, seria mais conveniente. — Sorriu. — Vou descansar, quando chegar já estarei melhor e poderemos ir aonde quiser. — Selou seus lábios suavemente nos do esposo. O rapaz tentou abraçá-la, no entanto, ela se separou dele tomando distância. — Vá logo a delegacia não me deixe aqui muito tempo, sozinha. — Não conseguia mais ficar muito tempo na presença dele, tudo era muito cansativo e a enjoava, só de pensar nos modos gentis do homem. O achava demasiado irritante, sempre lhe cobrando carinho ou atenção.

Ben Solo sorriu para a mulher que era a luz de sua vida, se sentia o ser humano mais sortudo, por ter uma mulher tão linda e graciosa.

— Vou até a delegacia, falar com o delegado, saber como posso ajudar meu irmão a sair da prisão.

— Vá, e me traga notícias. — Sorriu e se dirigiu para o quarto. Olhou para sua dama de companhia. — Lireth, traga as minhas coisas, preciso tomar um banho.

O marido se despediu e foi a rua, queria ser útil, poder libertar o pirata e tirar toda culpa do grupo, com certeza aquilo era um mal-entendido.

As alamedas arborizadas traziam um frescor para uma tarde úmida de calor. Ben Solo dava passos largos até a delegacia, a cada morador da Vila que cruzava seu caminho ele as cumprimentava com um toque em seu chapéu.

Cruzou a praça e alcançou um prédio decrépito, a impressão de quem via o edifício era de que não havia ninguém ali. O rapaz adentrou no ambiente decadente, avistando um sujeito arrogante largado em sua poltrona, ao avistar quem estava na sua presença se ajeitou rapidamente, arrumando os cabelos ruivos que faltava o sebo para deixar as madeixas alinhadas e abotoou desajeitado a camisa do uniforme, a sala era muito quente e a umidade intensificava a sensação térmica de calor.

— Bom dia! — Sorriu dissimulado. — A que devo a honra de uma visita tão ilustre na minha humilde delegacia?

— Estou aqui para buscar informações sobre meu irmão Kylo Organa-Solo! — Seu tom foi polido, com nuances de autoridade. — Busco vê-lo, e saber se está sendo bem tratado.

— Ora, ora... — Se levantou caminhando até um jarro com água e se serviu. — Assim o senhor Ben Solo me ofende. — Bebeu o líquido com vontade, secando os cantos do lábio com o braço esquerdo. — Aqui todos os encarcerados são tratados na lei. Contudo, sente vamos conversar.

O jovem aceitou o convite e se acomodou numa cadeira desgastada.

— Exijo, que liberte meu irmão!

O ruivo se largou no seu assento. Sabia ter todas as cartas na mão, tudo muito bem amarrado, o golpe contra o pirata foi muito bem arquitetado. Não haveria nenhuma forma de o soltar. Riu irônico.

— Poderá ver seu irmão. — Sua voz saiu desdenhosa. — Devo adiantar que a liberdade do prisioneiro é impossível! Quanto aos outros do bando do pirata serão soltos à tarde. Pode avisar o grupo. — Chamou o cabo que estava próximo. — Leve o cavalheiro até o sujeito preso.

O rapaz de modo educado acompanhou o rapaz até as celas. Ben sentiu uma raiva crescer dentro do seu estômago, precisou reunir toda a calma para não socar aquele delegado que tinha um semblante malévolo. Algo nele não inspirava confiança, mas escolheu o controle para conseguir ter acesso ao seu irmão e seguiu o policial.

O lugar era medonho, parecia um pesadelo, os lamentos e gemidos de dor congelavam o sangue do homem, então se aproximou da grade onde seu irmão estava.

— Kylo! — O chamou um tanto inseguro. — Está aí?

Nesse momento apareceu uma figura com o semblante abatido e uma atadura na cabeça. Apoiou as mãos na grade.

— O que você está fazendo aqui? — Sua voz saiu baixa, mas com uma carga de raiva e ressentimento.

— Vim para saber como está. — Era sincero. — Também, encontrar uma maneira de tirar daqui.

— Estou sinceramente agradecido. — Sorriu irônico. — Não vejo como conseguir fazer isso.

— Porque tanta falta de fé em minhas palavras. — Tentou ser amistoso. — Além do mais, o delegado acabou de falar que seus amigos serão soltos!

Uma voz na escuridão soou sombria. Ben tentou ver quem estava falando, no entanto, estava escuro.

— O delegado já está movimentando suas peças. — Se aproximou de Ren. — Agora está deixando sem proteção. Aqui está mais vulnerável.

— O delegado Hux, não seria capaz disso. — Riu pelo nariz. — É um representante da lei! — Ben Solo estava perplexo com as insinuações do velho misterioso. Todavia estava cego as corrupções e problemas que Coruscant enfrentava. Vivia em seu mundo de privilégios alheio a realidade a sua volta.

— Claro que é capaz! — Sua voz era ácida. — Não somente de me prender sem nada de real para me acusar, como também de me matar quando for conveniente.

— Você não tem muito tempo, precisa sair o mais rápido possível.

— Kylo, não ouça esse senhor, está caduco. — Tentou ponderar a situação. — Vou tirar você daqui. Não faça nada imprudente, poderá complicar a sua situação perante a lei.

O pirata ouviu seu irmão com atenção, não o repreendeu e muito menos deu alguma pista do que iria fazer, seu silêncio estava deixando todos apreensivos. Tinha que ter cautela em todas as decisões e sagacidade, pois o perigo rondava por todos os lados, até mesmo seu irmão poderia o prejudicar devido a sua ingenuidade.

— Todos precisam manter a calma. — Olhou para trás, focou em seus companheiros e marujos, e voltou a fixar suas, orbes castanhas e analíticas sobre seu irmão. — Não tem porque se preocupar, irei sempre escolher o que for melhor para mim e minha esposa.

— Isso mesmo, pense em Rey, em como pode prejudicar ela com as suas ações!

— Pode levar sua preocupação e suas boas intenções embora. — Olhou para o cabo, num tom autoritário prosseguiu. — A visita já terminou, pode levar o homem daqui.

— Tudo bem, estou de saída. — Estava magoado com a atitude orgulhosa do pirata. Se aprumou. — Vou continuar ajudando Rey, ela é minha prima. Mesmo que para isso continue auxiliando você. — O rapaz saiu do calabouço ferido em seu orgulho.

De volta ao escritório do delegado observou que o homem tinha um bilhete em sua mão. A curiosidade cresceu ao notar que a letra era muito semelhante a de sua esposa. Tentou ler, ter certeza que era de Desirée, no entanto, o ruivo dobrou o papel colocando em uma gaveta.

— Então, como foi a sua visita, Kylo Ren foi amável? — Sua voz tinha ironia com humor maldoso.

Ben Solo notou a zombaria, e preferiu não dar motivos para continuar aquela conversa sem sentido.

— A visita foi muito produtiva, em breve voltarei aqui com advogados para libertar meu irmão. — Colocou o chapéu no topo da cabeça e fez uma leve inclinação de cabeça. — Tenham um bom dia. — Saiu da delegacia com muitas incertezas, suas dúvidas o angustiavam. Quem escreveu aquele bilhete, sua esposa? Qual seria o conteúdo? Por que mandaria uma carta para a delegacia? O pior foi a indelicadeza de seu irmão, mostrando descaso a sua preocupação e sua boa disposição em ajudar. Continuou imerso em seus pensamentos não se dando conta que havia chegado em casa. Preferiu não confrontar a mulher, ao menos não naquele momento.

(...)

Leia organizava os últimos preparativos para a sua ida até a vila, sentia uma grande angústia em sua alma precisava ajudar seu irmão Luke e sua filha, Rey.

O quarto estava todo arrumado, sentada próximo ao baú com seus pertences. Leia pensava nas crises e destempero de sua nora, sua obsessão por seu cunhado tudo era muito exagerado e parecia ser paixão, meneou a cabeça para eliminar esses pensamentos de sua mente era prejudicial alimentar tal ideia sobre Desirée.

A tarde ia caindo, neste momento sua dama de companhia entrou acendendo as velas e pouco a pouco um banho dourado iluminou o ambiente, nesse momento a mulher se deu conta que tinha companhia.

— A senhora, deseja uma xícara chá?

— Obrigada!

— Senhora, antes de buscar sua bebida. — Estava relutante em falar. — Gostaria de contar algo, que me deixou muito preocupada.

— Fale criança o que lhe aflige tanto!

— Dona Leia, -respirou fundo, para ganhar coragem. — no dia após o casamento de seu filho, a dama de companhia da senhora Organa-Solo, enterrou algo no jardim afastado da casa. — Hesitou em continuar. A mulher de modo amistoso colocou a mão nos ombros da jovem para ela continuar o seu relato. — Fui até o local depois que Lireth se afastou, e desenterrei uma pequena caixa.

— Não entendo o que tem de errado da garota enterrar um pequeno baú.

A jovem se endireitou tentando criar coragem.

— Não a caixa, mas o que tinha dentro, uma pequena navalha, tecidos sujos de sangue e um vidro com uma erva que serve para derrubar um boi.

— Como você sabe que a erva serve para isso. — Estava tentando entender o que a moça estava dizendo. — Conhece as hortaliças?

— Meus conhecimentos são precários, mas minha vó entende muito e reconheceu para que essa erva servia.

A mais velha se levantou de sua cama e caminhou pelo cômodo amplo ajeitando sua longa saia. O que ouvia era cruel demais se isso fosse real, era provável que Desirée havia enganado seu amado filho e, também a todos a sua volta, teria que avaliar tudo com muita cautela e sabedoria, respirou para manter o controle, voltando a sua atenção a garota que lhe servia.

— Mariá, tem essa caixa na sua posse?

— Guardei em minha casa. — Sentiu alívio de compartilhar aquilo tão sufocante e pesado. — Trarei para a senhora.

— Agradeço, minha jovem, -se aproximou da garota. — traga-me e não comente com mais ninguém sobre esses objetos. A mocinha concordou e antes de sair.

— Vou trazer o chá para que relaxe um pouco.

— Sim, por favor, vai me fazer muito bem uma bebida calmante. — Sorriu de modo amoroso para a menina.

Sozinha em seu quarto pensava em todos os detalhes de como a sua nora agia com ela, com as pessoas e principalmente com o seu marido. Ben Solo era o mais afetado.

Leia sentia um grande nó se formando em sua garganta e pensava se Luke Skywalker tinha conhecimento das prováveis maldade que sua filha causava. Meneou a cabeça inconformada, mas sabia que seu irmão não esconderia algo tão grave dela.

Caminhou até a varanda, o pôr do sol estava lindo, sentiu a brisa suave acariciar a sua face, pensou num modo de confrontar Desirée, mas poderia colocar tudo a perder, ela poderia ser escorregadia e, por seu filho contra ela. A preocupação a deixava paralisada, precisava organizar as ideias.

O principal de tudo era conversar com o seu irmão, eles talvez encontrassem uma saída, agora algo que não saia de seus pensamentos, por quem Desirée estaria apaixonada? Certamente não era seu filho. Uma lágrima se precipitou ao cair.

Quem sabe conversar com a jovem, entender o que se passa no coração da nora, poderia demover a obstinação de sua alma caso ainda estivesse enamorada de outro. Agora precisava encontrar forças para enfrentar as dificuldades.




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