Corações Indomáveis
13 Cap 13
Notas iniciais
11 de Abril – Terça-feira
Faltam 356 dias
Sasori Akasuna
Exatamente igual a todos os dias, calcei minhas botas, botei meu chapéu na cabeça e saí de casa caminhando pela estradinha rumo a fazenda dos Uchiha. O outono já havia se aprochegado de vez, dava pra sentir que a cada manhãzinha o sol demorava um pouquinho mais pra nascer e o arzinho ficava cada dia mais gelado. Daqui a algumas semanas já teríamos que pegar as jaquetas de couro! O mais engraçado é que nessa região do interior, o frio não é insuportável como é na cidade de onde venho, com tempo úmido e garoa constante. Os dias são incrivelmente ensolarados e ventosos. Dá até gosto de viver por aqui!
Quando chego no rancho, a maioria do pessoal já está reunida só esperando dar a hora do início do expediente. Como uma boa parte dos peões são de cidades vizinhas, durante a semana eles ficam nos quartos do alojamento que fica nos fundos da mansão, junto com os quartos das empregadas domésticas. Então esses são sempre os primeiros a chegarem no rancho. Os demais, que assim como eu, moram perto da fazenda, vão chegando aos poucos
Sasori: Bom dia... bom dia... – vou cumprimentando conforme vou passando pelos peões até chegar no meu grupo de colegas – Bom dia gurizada!!!
Frederico: Dia Sasori! – cumprimentou meu colega de trabalho mais chegado com aquele seu sotaque carregado – Daí... num acordô cum dor nas cadêra pur conta do sotêrro di onti?! KKKKKKK...
O grupo todo e alguns que estavam ao redor caíram na gargalhada. Eu forcei umas risadas também, mesmo não achando graça. Sei que na verdade eles não estavam rindo de mim, mas sim da garota que começou a trabalhar ontem no rancho, a tal filha bastarda que o seu Fugako teve. Ontem a tarde o seu Sasuke – engraçado chamar assim um cara que tem a mesma idade que eu – designou a mais nova irmã dele pra encerar as cordas que estamos usando pra amarrar os fardos de feno e sacas de ração. Só que a menina não passou a cera direito nas cordas e aconteceu de um nó escapar. Justamente o nó que segurava a pilha de feno onde eu estava trabalhando. O resultado foi uma montanha de feno caindo em cima de mim. Ainda bem que não eram as sacas de ração!
Sasori: Que nada... é preciso bem mais que uns fardinhos de feno pra me derrubar!
Zé Ricardo: KKKKKKK... cuidado Sasori... num dêxa a ermã dos patrão ti ouvi fala um troço desses! Capaiz dela arruma ôtro atentado hoji... KKKKKKK!
Luiz Gustavo: É... a bichinha é magrelinha... mais sabi fazê um estrago! KKKKKKKKKK...
E de novo eles caíram na gargalhada! Apesar de eu ter sido o que se ferrou na história, fiquei com pena da garota. Sasuke deu um baita de um xingão nela bem na frente de todo mundo, até ela sair dali chorando ontem. Todo o pessoal riu da coitada, mas eu sinceramente achei aquilo muito desnecessário. Os peões disseram que na verdade ele está fazendo isso pra castigar a moça, por ela ter aparecido num churrasco que teve aqui na fazenda no domingo – que por sinal eu não fui – com um biquíni muito pequeno. Disseram que a festa terminou numa grande distribuição de porradas e que resultou até no pedido de demissão do João. Uma pena a festa ter acabado assim, mas não vejo por que isso seria motivo para Sasuke descontar na garota! Pra mim é mais do que óbvio que ela está se sentindo deslocada aqui na fazenda!
Jadson: Agora uma coisa eu vô tê qui fala... a carinha da minina até qui é bunitinha... mas ow farta di carni pá pega sô... KKKKKKK... pareci mais é uma largatixa...
Santiago: Mais cêis são tudu uns burru mémo! Cêis num sabi qui na cidadi grandi... as muié é tudu assim magrelinha mémo?! Tipo modelo di passalera?!
Luiz Ricardo: Modelo di quê?! KKKKKKKKK
Santiago: Di passalera!!!
Eles continuaram caçoando e rindo da menina como se aquilo fosse a coisa mais engraçada do mundo. Confesso que ainda não pude observar direito a jovem de perto. Durante a semana passada ela ficou na Fazendinha com os filhos dos peões, só ontem que ela estava trabalhando no rancho, mas mesmo assim, na correria não tive tempo pra ver direito a figura. Só via de vez em quando uma garota passando pra lá e pra cá aos tropeços por causa das sandálias de salto alto.
A conversa cessou quando Sasuke chegou no rancho cumprimentando todo mundo, toda a peãozada se levantou e ficou de prontidão esperando que ele distribuísse as tarefas
Sasuke: Bom dia... bom dia... bom dia! Espero que todo mundo esteja com força total hoje... precisamos dar uma agilizada nesses serviços pendentes essa semana hein!
Agora que praticamente metade do pessoal tinha sido dispensado, as coisas estavam bem puxadas na fazenda. Não estava sendo fácil!
Sasuke: Tião... você vai ficar encarregado da enfardadeira de novo! Junta um grupo de uns quinze ou vinte homens aí e façam uma força tarefa lá naquele feno! Pra ontem!!! – ele disse daquele jeito enérgico dele – Moisés... você vai ficar a cargo de estocar a ração suplementar que chegou ontem... escolhe mais uns vinte pra botar um gás e guardar tudo no celeiro o mais rápido possível! Maneca... Ramalho... Chico... Zé Pedro e Teodoro... preciso de vocês no estábulo dos cavalos...
Enquanto Sasuke ia distribuindo o serviço, o pessoal ia se agilizando e se dispersando. Como eu já sabia que iria ficar com a parte de estocar o feno igual ontem, só cruzei os braços e esperei
Sasuke: Barreto... escolhe uns dez peões e vão todos para o lote doze... precisamos refazer a cerca daquele lote... mas eu já vou lá instruir vocês de como é pra fazer! Vem cá... alguém viu aquele pau-de-virar-tripa da Sakura?!
Sakura: Eu estou aqui!
Todos, sem exceção, se espantaram ao perceber que ela já havia chegado e estava entre nós esse tempo todo. Até Sasuke fitou a garota meio atônito por um segundo por não ter notado a aproximação dela. O motivo era óbvio! Ao invés das habituais roupas de grife e das sandálias de salto alto, Sakura hoje estava vestindo calça jeans, camisa xadrez, botas e chapéu. Se ela não tivesse falado, eu diria que aquele corpo pequeno e mirradinho que estava a só dois metros de distância de mim era um rapazote aprendiz recém contratado
Sasuke: Hump... chegou na hora hoje! – ele falou adotando uma postura mais rígida e autoritária – E estou vendo que resolveu usar o bom senso... deixou as roupinhas de marca em casa e resolveu pegar as roupas da falecida esposa do meu pai! Só é uma pena que cabem mais umas duas iguais a você aí nessas calças não é?!
Alguns peões perto de mim seguraram as gargalhadas e não sei por que, mas tive vontade de dar um murro em cada um deles. De fato, as roupas estavam um pouquinho largas, mas não a ponto de caber mais duas dentro das calças. Se Sakura fosse só um pouquinho mais cheinha as roupas ficariam perfeitas!
Sakura: Hump... parece que eu ouvi você falando que precisava agilizar os serviços pendentes! Vai me dar alguma coisa pra fazer ou vamos ficar falando sobre as roupas da falecida?!
Pein! Tive que me segurar muito pra continuar sério. Aposto que por essa Sasuke não esperava!
Sasuke: Cuidado com a língua irmãzinha... não se esqueça que o Itachi não está por perto pra te proteger nos próximos dias!
Sakura não respondeu, mas deu pra notar pela fechada de punho dela que se ela pudesse, estrangularia o Sasuke com o poder da mente. Ainda não entendi muito bem qual é o grau de conflito entre aqueles irmãos, mas algo me diz que o buraco ali é mais em baixo. Apesar de o clima ter ficado meio tenso, logo aquele gelo se dissipou e Sasuke se voltou para o grupo de peões
Sasuke: Quero de novo a mesma equipe que estava trabalhando na estocagem do feno ontem a todo vapor! Isso inclui você Sakura! As cordas estão lá atrás... só esperando pra serem enceradas!
Sakura: Vai me mandar fazer isso de novo?! – ela indagou incrédula – Eu já falei pra você que não sei fazer isso! Não viu o que aconteceu ontem?!
Sasuke: Vi... ah se vi! E ai de você se aquilo acontecer de novo! – ele rebateu rude mas depois se voltou para o grupo de novo ignorando completamente a jovem – Mariano... Leonardo... Júlio Cesar e Daniel... a Mey precisa tirar amostras de sangue das vacas prenhas pra fazer alguns exames... vocês vão dar uma mão pra ela!
Sakura: Sasuke... eu não consigo passar cera naquelas cordas direito! Não tem outra coisa que eu possa fazer?!
Sasuke: Quintino e Bento... quero que vocês reúnam um grupo de trinta homens cada um... – ele falou ignorando ela de novo – Vão para o estábulo um... hoje vamos começar a checar a pesagem do gado pra fazer a distribuição da ração suplementar.
Sei que eu não deveria, mas estava começando a me sentir incomodado pela forma como Sasuke estava tratando aquela garota. Caramba, custava parar pra atender ela?!
Sakura: Uchiha... me dá outra tarefa logo... já disse que cera naquelas cordas eu não consigo passar!
Sasuke: Juvenal... quero que você monte um grupo de doze e vão até as plantações de cevada pra começarmos a colheita antes que o grão passe do ponto!
Sakura: Sasuke... você vai ou não vai me dar outra coisa pra fazer?!
Sasuke: Clécio... vou deixar você encarregado de...
Sakura: PARA DE ME IGNORAR!!!
Pela segunda vez em menos de meia hora todos olham espantados para Sakura, principalmente Sasuke. A raiva daquela menina era quase palpável.
Sakura: Será que você pode me responder agora?!
Sasuke: O que você ainda faz parada aí menina?! – ele rebateu fingindo que só estava notando ela agora – Eu já não te dei um serviço?!
Sakura: E eu já não falei que não sei fazer aquilo?! Me dá outra tarefa Uchiha... não sei passar cera nas cordas!
Sasuke: E você quer fazer o que então?! Quer enfardar feno junto com o Tião de novo igual ontem?! Pode ir se quiser!
Sakura: Idiota!!! Sabe que essa função não é apropriada para o meu porte físico!
Sasuke: Então vai passar cera nas cordas! Essa é a única função nessa fazenda apropriada para o seu... – ele mede ela com os olhos de cima abaixo – porte físico!
Vejo Sakura respirar fundo como se estivesse tentando conter a raiva. Não adianta, por mais que ela não quisesse aceitar, Sasuke estava certo. Não tinha nada na fazenda que uma garota pequena e delicada como ela pudesse fazer, exceto passar a cera aderente nas cordas que usamos pra amarrar os fardos.
Sakura: Então... me mostre o jeito certo de fazer aquilo! – ela pede levantando o queixo de um jeito muito autoritário e arrogante. Alguém deveria avisar pra essa moça que não é assim que se consegue as coisas!
Sasuke: Acontece... irmãzinha... – ele começou com um sorriso debochado na cara – que ontem... quando eu me propus a mostrar pra você o jeito certo de fazer a tarefa... você praticamente me escorraçou de lá! Como foi que você disse mesmo... ah lembrei... “vai demonstrar pra sua avó Uchiha”... – caçoou tentando imitar a voz dela o que fez os peões soltaram gargalhadas de novo
Sakura: Tsc... acontece... irmãozinho... que eu achei que aquela tarefa era fácil de se fazer!
Sasuke: Ah mas você não achou errado não! Aquilo é fácil... desde que você faça do jeito certo!
De novo os outros peões deram risadinhas debochadas e eu tive que me segurar pra não mandar todo mundo calar a boca. De fato, passar cera nas cordas só não era mais fácil do que andar pra frente, mas o jeito certo de fazer a tarefa precisava pelo menos de uma explicação.
Sasuke: O que você está esperando?! Vai lá fazer o que eu te mandei!
Sakura: Você não vai me mostrar o jeito certo de fazer o negócio então?!
Sasuke: Tudo que você precisa já está lá! Se vira!!!
Soltando uma bufada de ódio, ela dá meia volta e sai em direção aos fundos do rancho pisando duro no chão. Não conheço essa menina, mas pelo que estou vendo, ela não parece ser lá uma criaturinha das mais fáceis de lidar. Mesmo assim acho que Sasuke poderia ser mais tolerante e mostrar pra ela o jeito certo de executar o trabalho. Nem que fosse pra evitar que outra pilha de feno caia em cima de alguém! Mas espera! Sasuke não é o único que sabe o jeito certo de passar cera nas cordas!!!
Enquanto o pessoal estava ocupado com a distribuição das tarefas, me afasto do grupo bem de fininho e sigo até os fundos do rancho. Quando chego lá, preciso usar todo o meu autocontrole pra não cair na gargalhada também. Deus, eu sei que é errado rir da desgraça dos outros, mas a cena que eu encontrei era hilária! Sakura estava sentada toda torta num toquinho de madeira muito pequeno até para ela enquanto tentava passar cera em um pedaço de corda. O problema é que de todas as maneiras que poderiam existir pra se fazer isso, aquela deveria ser a pior de todas. Enquanto ela prendia uma ponta da corda com um pé e esticava a outra ponta com o braço, ela passava cera com o pincel, que grudava nas fibras o tempo inteiro. Eu não dou duas horas pra essa menina estar morrendo de câimbras ficando nessa posição! Agora está explicado porque a cera estava tão mal espalhada ontem. Sem poder mais me segurar, me aproximo de mansinho
Sasori: Er... com licença... – falei parando na frente dela – Oi... tudo bem?!
Quando ela levantou o rosto e me fitou, quase sai da órbita. Santa Mãe de Deus, como essa menina é bonita! Que olhos são esses?! De um verde tão intenso que eu nunca vi na minha vida! E essa pele branca que parece feita de porcelana! Ainda sem tirar os olhos dos meus, Sakura se levantou, tirando o chapéu da cabeça e uma onda de cabelos rosados caiu e se espalhou como um longo manto de seda sobre os ombros dela. Céus, essa menina parece um anjo em forma de mulher!
Sakura: Não... está tudo péssimo! – ela rebateu carrancuda e me fez voltar a realidade – E você... quem é?!
Sasori: Ah... desculpe... eu nem me apresentei! Você é a Sakura certo?! Meu nome é Sasori!
Sakura: Hump... certo... e você quer o que aqui Sasori?! O idiota do seu patrão não te deu serviço não?!
Corrigindo o que falei antes, essa menina parece um anjo em forma de soldado do B.O.P.E.! Cada frase que sai daquela boca parece uma rajada de tiros!
Sasori: Er... deu sim... mas eu só queria avisar... que você está fazendo isso do jeito errado!
Sakura: E o que é que você tem a ver com isso?! Não é você que vai levar esporro mesmo!
Sasori: Bom... não sou eu que vou levar esporro... mas também não quero ser soterrado por uma montanha de feno de novo!
Pelo jeito como ela arregalou os olhos, acho que ela não tinha percebido que o cara que ela quase matou ontem era eu! Bom, pelo menos agora eu tinha a atenção dela!
Sasori: Sabe Sakura... existe um jeito mais simples de passar cera nas cordas!
Sakura: Affs... eu sei que existe! – ela respondeu soltando uma bufada de desânimo e voltou a se sentar no toco de madeira pegando de novo a corda e o pincel – Só que eu não conheço esse jeito... e esse foi o único que me veio a cabeça pra fazer essa maldita tarefa!
Sasori: Bom... se você me permite... eu posso te mostrar o jeito simples!
Sakura: Ótimo! Permissão concedida! – ela me ofereceu a corda e o pincel para que eu demonstrasse o jeito certo, mas eu não peguei
Sasori: Primeiro... está faltando uma coisa!
Sem falar nada, fui até uma prateleira, tirei de lá um caixote de madeira e levei até ela. De dentro do caixote, tirei um aparato de ferro e madeira que eu já conhecia muito bem. Em menos de dez segundos, montei o aparato e posicionei na frente dela.
Sasori: Pronto senhorita... a esticadeira de corda está a sua disposição!
Sakura: A o que?! – ela perguntou se levantando admirada
Aquilo que chamei de “esticadeira de corda”, nada mais é do que uma geringonça criada na base do improviso, com coisas que estavam largadas no rancho sem utilidade. A esticadeira, que chegava na altura dos ombros da Sakura, consistia em um tripé de madeira, adaptado com dois braços dobráveis, cada um com uma roldana na ponta, sendo que uma delas tinha uma manivela para girar. Sakura olhava para o aparato com os olhos arregalados, não sei se de medo ou de fascínio
Sasori: Esticadeira de corda... é como chamamos essa maquininha! Eu vou te mostrar como usar! – peguei a corda da mão dela – Primeiro inserimos uma ponta da corda na roldana que não tem a manivela e depois colocamos essa mesma ponta na roldana que tem a manivela... assim... – fiz exatamente os procedimentos que falei – Está vendo como a corda está bem esticadinha?! Agora... com o pincel... – tirei o pince da mão dela e mergulhei na cera – É só passarmos a cera... bem passadinha... na extensão da corda que está esticada! – passei a cera com o pincel sem nenhum problema com o grude das fibras – Depois que essa parte já está bem encerada... é só girarmos a manivela... a roldana puxa a corda pra frente... e agora é só continuar passando a cera no resto! – assim fiz – Viu?! Simples... rápido... e sem sujeira!
Sakura: Wonderful!!! – ela exclamou fascinada – Caramba... esse negócio é incrível! Foi você que inventou?!
Pelo semblante maravilhado dela, aposto que se eu dissesse que sim ela me daria um beijo. Mas eu não podia mentir
Sasori: Er... não! Quem inventou foi o seu irmão... o Sasuke!
Sakura: Affs... sério?! – e lá seu foi o semblante maravilhado dela – Como um caipira sem instrução como ele conseguiu inventar uma bugiganga incrível dessas?!
Sasori: Olha... na verdade Sasuke não é um caipira sem instrução... – uma parte de mim estava detestando contrariar ela, mas a verdade tinha que ser dita – Ele é formado pela federal de Minas Gerais em Engenharia Agronômica! E foi um dos condecorados por honra ao mérito ainda por cima! Seu irmão é o bicho!!!
Sakura: Hump... grande coisa! – ela retorquiu com cara de descaso – E Sasuke não é meu irmão!
Sasori: Ué... mas você não é a filha recém descoberta do falecido Fugako?! – agora eu não entendi
Sakura: Sou!!! Só que eu sou filha biológica do Fugako! – ela respondeu frisando bem a palavra “biológica” – Sasuke é só adotado! Ou seja... não somos irmãos de verdade!
Sasori: Mas não é a mesma coisa?!
Sakura: Não... não é! – ela se irritou e eu me arrependi de ter tocado no assunto – E vamos encerrar esse assunto... que eu não gosto de falar nisso!
Definitivamente algum atrito muito estranho acontecia entre aqueles dois, mas isso também não me dizia respeito!
Sasori: Você está certa... assunto encerrado! – finalizei e ela pareceu esboçar um sorrisinho de contentamento – Bom... agora que você já sabe o jeito certo de passar cera nas cordas... acho que eu posso ir...
Devolvi o pincel pra ela que pegou com um ar de desânimo. Quando dei meia volta e já estava pronto pra sair, sinto a mão dela tocando de leve o meu braço
Sakura: Ah.... er... Sasori né?! Eu quero... huuum... agradecer! – ela falou meio sem jeito, como alguém que não é acostumada a agradecer por alguma coisa – Ham... obrigada... por me apresentar a esticadeira de corda! Acho que agora eu estou te devendo uma!
Sasori: É claro que não... imagina! – essa garota nunca ouviu a frase “gentileza gera gentileza”?!
Sakura: Não sério... você me quebrou um galho sabe! – ela insistiu e fixou aqueles olhos verdes que mais parecem duas pepitas de esmeralda nos meus – Diferente de todo mundo... você foi muito gentil comigo! Se tiver alguma coisa que possa fazer por você... algum favor...
Ok! Não sei se é impressão minha, mas parece que o ambiente ficou mais quente! E eu também não tinha percebido que a distância entre mim e Sakura estava tão pequena. Ou será que a distância estava diminuindo aos poucos?! Certo, alguma coisa me dizia que esse era o momento perfeito pra meter o pé dali e ir fazer o meu serviço. Mas alguma coisa – que eu não sabia o que era – não me deixava arredar o pé de onde eu estava. Será que era aquela pele branca como a neve dela que tinha congelado meus pés no chão?! Ou aqueles fios de cabelo rosados que tinham amarrado minhas duas pernas sem eu perceber?! Ou ainda, aqueles olhos verdes que só podiam conter algum tipo de magia que me paralisaram no lugar. Só sei que por mais que eu quisesse, não conseguia tirar meus olhos do rosto dela
???: Eu posso saber o que está acontecendo aqui?!
Fale com o autor