Corações Feridos
4 Uma promessa e uma reconciliação.
Notas iniciais
Julie estava deitada em sua cama. Era noite mas não conseguia dormir, seus olhos estavam vermelhos e irritados, chorou a tarde toda. Sentia-se arrependida de ter discutido com Daniel.
Afundou seu rosto no travesseiro antes de olhar para as sacolas de compras pela última vez. Não tinha coragem de tirar o vestido da sacola.
Lembrou de quando chegou no apartamento do namorado, ele veio recebe-lá com beijos, mas com toda a frieza, ela se esquivou e ignorou o carinho. — N-não... — Secava as lágrimas que molhavam o travesseiro.
Pegou o celular, pensou em ligar para a Bia para desabafar, mas assim que ligou o aparelho viu no visor. '' 52 chamadas não atendidas: Daniel ''
Seu coração se partiu ali. Sentiu pena do namorado.
''Porque o tratei dessa maneira? Eu o amo tanto.'' — Com esse pensamento resolveu se levantar, mesmo já sendo quase meia noite, se arrumou, prendeu os cabelos e colocou um casaco. Desceu as escadas. Não queria estragar seu casamento com uma besteira.
Acabou avistando sua mãe sentada no sofá. — Oi mãe, ainda não foi dormir?
– Não. — Disse concentrada, mexendo em alguns documentos, entre os documentos tinha algumas pastas, um contrato, calculadora e dinheiro.
– O que a senhora está fazendo?
– Sabe que eu e o seu pai somos separados desde que você tinha um ano.
– Sei.
– Então, nós assinamos o divórcio. No contrato dizia que ele deveria lhe dar pensão, uma grande quantia em dinheiro, uma vez por ano.
– Que estranho... Nunca recebi esse dinheiro.
– É que até pouco tempo você era de menor. Eu ficava com o dinheiro. — Se levantou e deu para Julie um envelope amarelo. Ela abriu intrigada.
– SETE MIL REAIS? — Estava surpresa. — Mãe, essa é a minha pensão?
– Era, mas agora que já é de maior não vai ganhar mais.
– Nossa, quanto dinheiro a senhora tirou do papai.
Dona Heloísa riu. — Isso não é nada, essa casa seria dele. Mas consegui ela para nós, e a sua guarda.
– Poxa, isso... É maldade. — Se sentou no sofá. — Mãe, porque você e o meu pai se separaram?
– Já falei Julie, f-foi... Tudo muito cedo... Nos casamos... E começou as brigas. Não conseguíamos conviver juntos.
– Mãe, a senhora acha que eu e o Daniel estamos apressados de mais?
– Com o casamento? — Julie assentiu. — Sinceramente, acho vocês novos para casar. Mas... Com vocês a coisa é diferente, vocês andam juntos o tempo todo. Já dormiram juntos... — Pausou, olhando para a filha. Percebeu agora que ela já não era mais aquela garotinha pequena que precisava de cuidados. — Já transaram?
– Mãe... — Juliana repreendeu corando. Até virou o rosto de lado. — Éerr... Que a gente brigou. — Disse olhando para o teto, tentando disfarçar.
– Você e o Daniel?
– É... — Estava chateada.
Foi ai que sua mãe notou que a aliança já não estava no seu dedo. — Mas não é possível... Já desistiu de se casar?
– Acho que... É cedo de mais.
– Não filha... — Segurou seu rosto. — Olha só essa carinha... Está tão triste. Não faça isso, se case com ele.
– Eu quero muito, mas estou com medo de... Acabarmos como você e o meu pai.
– Você o ama?
– Muito. — Abaixou a cabeça.
– Então é isso que importa.
Ela sorriu e abraçou dona Heloísa. — Acho que vou pedir desculpas a ele, ele me ligou mais de cinquenta vezes hoje. — Disse se soltando do abraço da mãe.
– Oh, que pecado. — Dona Heloísa riu. — Peça desculpas sim, se reconciliem. Querida.
– Obrigada. — Se levantou. — Vou dar uma passadinha lá agora.
– Vai ficar por lá mesmo?
– Talvez eu fique. — Disse guardando o envelope com o dinheiro no bolso. — Tchau. — E saiu.
[...]
O apartamento de Daniel não era tão longe da casa de Julie, porém, também não era tão perto. Ela poderia ir a pé, mas não queria se arriscar andando por ai de noite. Julie chamou um moto-táxi, e em dez minutos chegou no apartamento de Daniel. Pegou o elevador, deixando no décimo primeiro andar. Chegou no apartamento 11-3 e pegou as chaves do bolso. Ela tinha uma cópia da chave, o que lhe dava liberdade de entrar e sair da casa de Daniel a hora que quisesse.
Ela abriu a porta lentamente, viu tudo apagado. Andou com cuidado pela sala para não esbarrar ou quebrar algo na escuridão.
Viu a porta do quarto fechada, suspirou: Ele já estava dormindo.
Foi andando até o quarto, abriu lentamente a porta. Ligou a luz e regulou no modo fraco. Para que não o acordasse.
Torceu os lábios quando viu Daniel deitado, dormindo. Se aproximou da cama, tocando nos seus cabelos delicadamente.
Viu sua mão, ele usava as duas alianças no mesmo dedo. — Ai... Amor... — Ela sussurrou sorrindo. Se sentou na quina da cama, tirou seus sapatos e deixou o envelope com o dinheiro dentro da bolsa. Foi subindo de joelhos na cama, até que se deitou ao seu lado.
Com o maior cuidado para não acorda-lo, pegou braço dele e o envolveu nas suas costas, puxou um pouco mais o edredom para se aquecer do ar condicionado.
Dormiram juntos.
Mas Daniel só foi perceber que tinha alguém do seu lado quando amanheceu, sentia as mãos de Julie tocarem nos seus cabelos. Porém, ele pensava que era só um sonho. Ainda estava de olhos fechados. Mas Julie já tinha acordado a dez minutos. — Dani. — Bagunçou os cachos de seus cabelos. Mas ele continuava dormindo. — Daniel... — Tocou delicadamente no seu rosto, e nada. — Dan! — Mordeu seus lábios.
– Huh... huh... — Se virou para o outro lado, puxou mais o edredom e continuou dormindo.
Ela se sentou, deu umas batidas fracas nas suas costas. — Daniel! — Dessa vez gritou.
– O-ooi. — Ele abriu os olhos e sorriu ao vê-lá. — O que faz aqui?
– Nossa, dormi com você e você nem me notou.
– Desculpe, não acordei durante a noite...
– Não precisa se desculpar. — Ela disse. Tocando no seu rosto. — Eu é que tenho que te pedir desculpas. — Pausou, abaixando a cabeça. Daniel ouvia atentamente. — Eu fui uma tola, não devia discutir o tempo todo com você.
– Ah. — Ele colocou uma mexa preta de seu cabelo atrás da orelha. — Nós não discutimos o tempo todo.
– Só durante as vinte e quatro hora do dia... — Sussurrou. — Me perdoa?
– Claro que sim. — Se abraçaram com força, não queriam se soltar dos braços um do outro. E depois do abraço, sorriram um para o outro e se beijaram.
Ela agarrou seu pescoço, ainda sorrindo entre beijos, sentiu a mão do namorado subir do seu joelho para a sua coxa. Aprofundaram o beijo, ambos torcendo para que não sentissem a falta do ar.
Com a outra mão, ele puxou a cintura de Julie e a fez subir em seu colo. Continuaram trocando carinho até que o ar se fez necessário. Daniel desceu os beijos para o pescoço. Juliana alisava o peito definido do namorado quando se beijaram novamente. Se beijaram com vontade, como se fosse o último minuto de suas vidas.
Ela fechou os olhos e quando percebeu já estava sem blusa. Daniel a deitava no colchão, tentando retirar o fecho do seu sutiã. Mas para ele, tirar aquilo era como desvendar o Código da Vinci. Ainda mais porque estava apressado. Julie riu com aquilo, mas no fundo estava nervosa.
– O que foi. Hein? — Ele perguntou ao vê-lá rindo.
– Isso é tão difícil de tirar? — Até ergueu um pouco seu corpo para facilitar. Mas ele resolveu puxar pela alça mesmo.
Até que o telefone tocou. Os dois pararam, olhando para a cara um do outro. — Vai lá atender! — Julie pediu.
– Eu não tô acreditando! — O telefone ainda tocava. — Se for aquela mulher do cartão de crédito de novo eu juro que mando ela tomar no...
– Daniel!
– Tá, tá... — Se levantou.
Chegou na sala e pegou o telefone que ainda tocava, pegou com raiva e atendeu do mesmo jeito. — Alô !
– Bom dia Dani!
Ele revirou os olhos. — Ai Bia... Porque está me ligando? São oito horas da manhã.
– Eu preciso de um favor seu.
– O que é?
– Eu tenho que sair, e o Félix está trabalhando... Pode ficar com a Nandinha pra mim?
– Huh, que horas?
– Agora. Estou indo ai. — Desligou.
– M-mas... Que mulher apressada! — Correu para o quarto. Vestiu uma roupa pois costumava dormir apenas de cueca.
– O que houve? — Julie perguntou.
– A Bia me pediu para ficar com a Fernanda. — Disse se arrumando.
– Ah, que lindo. Ela é um amor. — Julie sorriu.
– Então vai me ajudar não é?
– O QUE? Não! Não vou ficar com essa peste! — Se levantou.
– Julie, por favor! Ela é quietinha.
– Acha que eu esqueci o dia em que ela quase quebrou meu celular?!
– Ela só tinha dois anos!
– É, mas agora tem quatro. A maldade e a bagunça dela vai dobrar!
– Tá. — Ele cedeu. — Se não quer me ajudar... Não vou te obrigar. — Suspirou.
Julie abaixou a cabeça: Ela sabia que agora que são noivos deveriam compartilhar os favores. — Tá, eu ajudo. — Ela sorriu, ele sorriu de volta, ela pegou sua blusa, vestiu, e calçou a sandália. Escutou a campainha tocar, sabia que Bia morava a um andar de Daniel. — Deve ser ela. Vou atender. — Se levantou enquanto o namorado penteava o cabelo. Abriu a porta e atendeu. Era apenas a menina. — Oi, entra.
Nandinha deu um leve sorriso, pegou a mão de Julie e entrou. — Quer alguma coisa?
Ela apenas negou com a cabeça. — Vamos brincar?
– Q-quero assistir desenho. — Disse baixo, ainda tímida.
– Ah, claro. — Ela ligou a tv enquanto a menina subia no sofá, jogou seus chinelos no chão e se deitou no sofá.
Daniel chegou na sala. — Nandinha! Tudo bem? Vem dar um abraço no tio! — Pediu, mas a menina continuou olhando para a Tv. — Hum.
– Ela parece ser bem reservada. — Julie comentou.
– Ela até é... Mas nem tanto... — Olhou para a sobrinha. — Quer tomar um chocolate?
– Uhum, quero tio.
– Viu, ela só está timida... Por causa de você. — Julie fez uma careta.
– Eu?
– É. — Daniel puxou seu braço. — Nanda, essa é a Julie. Sua... Tia.
A menina sorriu. — Oi tia. — Ela disse enquanto Daniel foi para a cozinha preparar o chocolate.
Esquentava a água no fogo, até que Julie apareceu. — Você tem razão, ela é um anjinho. Tão quietinha.
– Viu. — Ele sorriu. — É por isso que eu quero uma menina, para não dar muito trabalho. O Félix teve sorte, a primeira filha é uma menina...
– Eu prefiro meninos. — Pausou. — A maioria das mulheres sonham em ter um filho menino primeiro.
– Hum. — Passou por ela e foi para a sala, Julie o seguiu. Daniel deu o chocolate para a menina, que se sentou no sofá para toma-lo.
– Tio. — Disse antes de beber. — Cadê a minha mamãe?
– Ela teve que sair.
– Quando ela volta?
– Não se preocupa bebê, ela volta daqui a pouco.
– Eu quero minha mamãe! — Gritou.
– Cuidado para não derrubar o chocolate...
– MAMÃAAAAAAAAAE!
– Sch, c-calma Nanda. — Ele estava nervoso, nunca cuidou de crianças. — Quer brincar de alguma coisa?
– Uhum. — Respondeu mais calma. — Quero brincar de bonecas.
– Éeer... N-não tenho bonecas... — Ele disse. — M-mas eu... tenho um ursinho, quer?
Ela assentiu sorrindo. Daniel pegou seu chaveiro de Julie e deu para a menina, o ursinho era pequeno, do tamanho da sua mão.
– Não quero esse ursinho! — Jogou no chão. — MAMÃAAAAAAAAAAAE!
– É... — Julie chegou por trás do noivo. — Meninas dão bem menos trabalho, não é?
– Não acredito que deixei de namorar você para cuidar da Nanda. — Respondeu chateado e arrependido.
– Olha Nanda. — Julie a pegou no colo. — Vamos pro quarto... — Foi andando até o quarto. — E Daniel... Não entre.
[...]
Estava tudo tão silencioso, Daniel estava sentado no sofá, tomando o chocolate que fez pra menina. Ainda não entendia como não escutava mais os gritos de Nanda.
Ele sabia que não deveria entrar no quarto, mas sua curiosidade era mais forte do que si mesmo. Foi andando, até que abriu a porta do seu quarto. Sorriu: Julie estava deitada na cama, e no seu colo, estava Nandinha. Ela dormia calmamente nos braços de Juliana enquanto a mesma a balançava.
Daniel foi se aproximando sorrindo, não acreditava que a menininha que a poucos minutos gritava pela mãe estava dormindo profundamente. — Como fez isso? — Ele sussurrou.
– Esqueceu que já cuidei dos meus priminhos? — Ela riu. — Sch...
Daniel apenas riu, se deitando ao lado das duas. Eles sorriram e trocaram um selinho. — Amor. — Daniel sussurrou no seu ouvido. — Deixa a Nanda ai, vamos conversar na cozinha.
Julie assentiu, deixando a menina delicadamente no colchão. Ela se remexeu um pouco, mas continuou dormindo. Os dois saíram com cuidado, fecharam a porta delicadamente para não desperta-lá
– O que foi? — Julie perguntou quando chegaram na cozinha.
Daniel tirou a segunda aliança que estava no seu dedo. — Você ainda quer se casar comigo, não é?
– Claro. — Ela estendeu a mão sorrindo, Daniel colocou a aliança e beijou sua mão com carinho. — Precisamos...Prometer uma coisa: Que não vamos brigar sem motivo.
Ele a respondeu com um abraço, Julie retribuiu, passando sua mão pelos cachos dourados dele. — Já posso marcar uma data definitiva? Pode ser mês que vem? — Julie perguntou
'' Quanto mais perto, melhor... '' — Pensava a morena.
– Amor, quero me casar o mais rápido possível... Mas... Não sei se vamos conseguir nos casar no mês que vem.
– Por que? — Ela perguntou chateada. Julie era muito organizada e controladora. — Queria que o casamento fosse no mesmo dia em que nos conhecemos. Ou então no dia do meu aniversário, que é mês que vem também...
– Tudo bem mas... Ainda não tenho dinheiro suficiente, eu sei que prometi casar com você no mês que vem, mas eu contava com o meu pagamento, só que ainda não fui chamado para trabalhar.
– De quanto você precisa para terminar os preparativos?
– Uns... Cinco mil. — Respondeu. — Porque?
Juliana sorriu. — Eu posso dar um jeito. — Lembrou do dinheiro que recebeu do seu pai.
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