Corações Feridos
30 O que eu sou sem você?
Notas iniciais
O coração de Daniel se partiu ali. Ele não conseguia acreditar nas palavras de Julie, a mulher que ele tanto amou não o ama mais. Era como se nada mais fizesse sentido para ele. Continuou parado no portão da frente por alguns minutos, sua irmã e Juliana não tinha o visto ali, pois na varanda tinha várias plantas e flores que dificultavam a visão das duas para o portão da frente.
Daniel não sabia o que fazer, queria entrar, ir até a varanda, gritar com todas as forças que a amava e que jamais desistiria dela.
Mas ao em vez disso, ele só abaixou a cabeça e atravessou a rua.
Foi caminhando até a praça. Onde se sentou em um banquinho molhado pela garoa de ontem a noite. Ficou ali por longos minutos, não conseguia pensar em mais nada a não ser nas palavras de Julie. No fundo, ele sentia que sua esposa ainda o amava... Era apenas uma fase ruim da vida dela.
Enquanto isso, Beatriz e Julie ainda conversavam. — Tem certeza que é isso que sente?
- Eu não sei. — Juliana fez uma careta. — Estou tão confusa. — Suspirou. — O Daniel me fez muito feliz, mas ultimamente...
- Julie, acorda! — Bia interrompeu. — Você está infeliz por causa do que aconteceu! Não é por causa do meu irmão!
- ...
- Você ainda ama muito ele. — Beatriz balançou a cabeça.
- As vezes eu penso isso, mas estou cada vez mais convencida que não amo mais. — Disse, triste. — Ele... Ele... Tadinho, é tão carinhoso comigo. E eu fico triste em não ser assim com ele também. Eu simplesmente não consigo mais...
- Ah, Julie. Fala sério. Isso é só uma crise no relacionamento. Você tem essa mania de fazer uma tempestade no copo d'água! Eu já passei por isso também, todo mundo passa por isso.
- É, mas parece que comigo é de família, minha mãe se separou do meu pai... Minha vó se separou do meu avô...
- Não é por causa disso que você vai se separa dele né. — Revirou os olhos.
- Ai Bia, eu não sei de mais nada viu...
- Mas eu sei. Eu sei o que você tem que fazer. — Sorriu.
Julie tinha medo desse sorriso de Beatriz, sabia que alguma ideia louca nascia na sua mente. — Porque está olhando assim para mim?
- Julie, para você descobrir se ama ele ou não você precisa... — Fez uma pausa e gesticulou com as mãos para que Juliana respondesse.
- Eu preciso?
- Aff, dê mais uma chance para o amor, Julie!
- O QUE? V-você que-r que eu...
- Claro ué. Vocês não são casados?
- Não! Eu não vou fazer amor com ele! N-não consigo!
- É o único jeito de descobrir se ainda ama ele ou não.
Julie ia abrir a boca para protestar, mas um som vindo da sala a fez parar e olhar para o lado. Era o telefone. Se levantou, Bia sorriu torto, imaginando alguma forma de convencer Juliana de desistir do divórcio.
A morena se levantou, caminhou até a sala. Pegou o telefone e atendeu.
Era Daniel. Já estava cansado de ficar na praça, queria voltar para casa. — Oi Juliana. — Seu tom de voz era triste, Julie logo estranhou seu jeito seco também. Ele quase nunca a chamava de Juliana, normalmente seus apelidos eram Julie, Juh ou amor.
- Oi, tudo bem?
- Estou na praça, posso voltar para casa?
- A-ah cla-ro.
- Obrigado. — Julie ainda estranhava seu modo seco de falar. — Beijos.
Daniel desligou sem esperar a resposta da esposa. Julie apenas encaixou o telefone no gancho, ainda calada. Bia percebeu e perguntou. — Quem era?
- O Daniel. — Respondeu pensativa. — Ele estava um pouco... Estranho... Será que aconteceu alguma coisa? Eu perguntei se estava tudo bem, e ele só disse que estava na praça... N-nem me respondeu. — Sussurrou.
- Ai Julie... — Bia suspirou, se levantando e colocando a bolsa no ombro. — Viu como é toda preocupada com ele. Você ainda o ama muitíssimo. — Sorriu. — Eu já vou indo... — Abraçou a cunhada. — Olha, Juh. Você é minha melhor amiga. M-mas... Ele é meu irmão. Não quero que ele sofra. Por favor...
A morena só assentiu com a cabeça, mau retribuia o abraço de Beatriz. Ainda estava pensativa sobre tudo, sobre a conversa com Bia, o jeito do Daniel, e até sobre seus sentimentos pelo mesmo.
Ficou parada na varanda, de braços cruzados. Sentindo o frio da tarde batendo na sua pele. Mas continuava ali, só pensava no Daniel...
Enquanto isso, Daniel caminhava pela calçada, chutava uma amêndoa que encontrou no chão. Estava desolado. Não sabia o que fazer quando chegar em casa. Ainda não acreditava nas palavras de Julie. — Já estou sem o meu filho... Mau consigo viver sem ele... — Sussurrava, ainda chutando a fruta. — E sem você Julie? O que eu sou sem você? — Se perguntava.
E lembrou do jeito como falou com ela no telefone. Seu jeito seco. Ele sabia que não conseguiria trata-lá assim, seria pior, afinal, ele precisava demonstrar amor e carinho por ela. Seria sua única chance de salvar o casamento dos dois.
[...]
Julie ouviu a porta da sala se abrir, logo se levantou do sofá e olhou ansiosa para a entrada da sala. Viu Daniel. — Nossa, você demorou! Eu estava ficando preocup-- Calou-se, sem reação. — O que é isso?
- Isso é para você. — Entregou o buquê de flores, eram copos de leite. — Sei que são suas flores favoritas. Gostou?
- A-adorei. — Sorriu, sentindo o cheiro delicado do ramo de flores. — Obrigada.
Ele sorriu fracamente, só assentiu. — E como foi a conversa com a Bia?
- Ah, no-rmal.
- Hum. Falaram sobre mim?
- Falamos sobre muitas coisas...
Ele mordeu seus dentes, olhava triste para Julie. A resposta dela o fez despertar. '' É, eu não estava tendo um pesadelo... Ela realmente disse para a Bia que não me amava mais. ''
- Tudo bem? — Julie o acordou dos pensamentos. A mesma percebeu seu olhar triste.
- Tudo. — Pausou. Queria fugir do assunto. — Onde eu durmo hoje?
- A-ah. Se-i lá.
- Julie, por favor... — Ele se aproximou, pegou a mão de sua esposa, beijou dedo por dedo. — Quero dormir com você, te abraçar durante a noite...
Tocou delicadamente no seu rosto, Juliana ficou hipnotizada. Os dois se olhavam. Até que ela se soltou. — Pare de besteira... Eu vou para o quarto.
- Espere, m-mas... E o almoço?
- N-não estou com muita fome.
- É, mas eu estou. Você ficou aqui, bebendo chá com a Bia. Eu fiquei na rua a manhã inteira.
Suspirou. — Ai Daniel, vai fala! O que quer que eu faça?
- Ué, n-não sei... F-az o almoço, pelo menos faz umas batatas fritas. Eu preciso me alimentar.
- Porque não faz você?
- E-eu não sei cozinhar...
- São só batatas! — Revidou com raiva, passou a mão por seus cabelos e respirou fundo. — Virei sua esposa agora é? — Daniel a olhava incrédulo. — Eu estou no quarto. — Disse subindo as escadas.
Daniel se sentou no sofá, sentia um misto de raiva e tristeza ao mesmo tempo. Suspirou, virou seu rosto e encontrou um retrato dos três. Dele, dela e do bebê. Pegou a foto, alisando o rosto do filho e da esposa. Estavam todos tão felizes...
O dia se transformou em noite, era nove horas da noite. Julie ainda estava no quarto, ela se isolava totalmente de tudo e todos. Daniel estava fraco, nem se preocupava mais.
Nove horas. Foi a hora que ele se deitou no sofá. Fechou os olhos e tentou dormir. A tristeza de Julie já estava começando a passar para ele, ainda mais depois que ele ouviu a frase da esposa. Que ela não o amava mais.
Seu mundo inteiro se desmoronou. Daniel era apaixonado por Julie desde o primeiro dia que a viu, desde que seus olhos se encontraram pela primeira vez.
Continuava deitado no sofá, já era a quarta vez naquela semana que ele dormia no sofá da sala.
Estava com fome, frio, cansado... E ainda desconfortável, já que não tinha um travesseiro e um edredom quente ali. Apenas aquele sofá duro.
'' Não posso ficar parado, preciso reconquista-lá. '' — Com esse pensamento se levantou.
Abriu a porta do quarto, viu que Julie dormia. Foi se aproximando, aos poucos retirou o edredom dela, a vendo apenas com uma camisola de seda. Sorriu com isso e tirou sua camisa, sua calça...
Se sentou na pontinha da cama, ainda vendo Julie dormir. Pegou a mão dela e a passou pelo seu tórax. — Hm. — Julie abriu os olhos, sonolenta. — Que isso? — Se soltou, estava assustada. — D-D-aniel, veste uma roupa! — Disse puxando o edredom e escondendo seu corpo com ele.
Daniel só sorriu de lado, puxou seu rosto e a beijou. Ela retribuiu um pouco, mas seus pensamentos confusos invadiram sua mente. Quando se deu por si viu que ele já estava sobre ela.
- Eu quero você. — Ele sussurrou no ouvido de Julie.
Notas finais
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