Corações Feridos
21 O almoço.
Notas iniciais
Dois dias depois de Julie ganhar alta no hospital. Sua mãe decidiu chamar Julie, Daniel e seu primeiro netinho para almoçar e passar a tarde toda lá. Como Daniel estava de folga no dia, eles toparam.
- O que foi, meu amor? — Julie perguntou quando viu Daniel sentado no sofá, estava com cara de poucos amigos.
- Não sei se é uma boa ideia nós irmos almoçar com a sua mãe. — Admitiu.
- O que? — Se sentou ao seu lado, deitando o neném em suas coxas e colocando o par de meias. — Quer fazer essa desfeita com a minha mãe?
- Eu gosto da sua mãe. Só que... Toda vez que você passa mais tempo com ela você fica ainda mais paranoica. — Suspirou. — E você prometeu que mudaria, pelo menos um pouco.
- Eu prometi e vou cumprir. — Sorriu. — Não precisa ficar assim, tá bom? Minha mãe até chamou a sua mãe e a Bia... Vai ser bom, é como se fosse uma confraternização.
- É. — Acabou concordando. Se levantou, um pouco mais animado. — Vou me arrumar então.
- Tá. — Julie se levantou também. — E eu vou arrumar a bolsa do nosso neném... — Disse beijando o rostinho de Diego. — Preciso de fraudas, roupinhas, talco, Hipoglós, escova, hidratante.
- Amor. — Daniel segurou seu ombro. — Nós vamos almoçar na casa da sua mãe, não vamos viajar! Não precisa levar tudo isso!
Juliana se mordeu de raiva por dentro. Mas fechou os olhos e forçou um sorriso. — Tem razão. — Lembrou que deveria mudar, e para isso também precisava concordar com ele. Pelo menos em algumas coisas. — Só vou levar três fraudas e talvez um casaquinho...
[...]
Daniel dirigia. Por causa de um acidente, estava enfrentando um trânsito na estrada. A casa de Heloísa não era tão perto. Os dois já estavam estressados com o calor, já que o ar condicionado do carro estava quebrado.
Daniel não tirava os olhos das motos, que passavam com facilidade pelos carros e se livravam do trânsito. — Se tivéssemos uma moto seria tudo mais fácil. Olha como chegaríamos rápido! — Sorriu. Seu olhar brilhava para as motos que corriam.
- Quer parar de olhar para essas motos idiotas?! — Julie revirou os olhos. — O neném não para de chorar! Porque ele está chorando tanto?! — Julie tentava nina-lo no seu colo.
- Sei lá! Talvez esteja assustado com as buzinas desses carros! — Daniel abriu o vidro do carro, e começou a buzinar também. — ENGULAM A BUZINA SEUS ANIMAIS! — Gritou enfurecido, mas parou ao ver sua esposa estressada e seu filho chorando. — Mas que droga! Pelo menos com a moto a gente não ia passar esse sufoco todo. — Dizia, enquanto Julie o ignorava.
Ela sempre soube que Daniel era apaixonado por motos, mas Julie era diferente, tinha medo, pavor, fobia por motos. Nunca gostou, mas nunca explicou o por que para Daniel.
Ele continuou a falar, na esperança de convencer sua esposa. Citava os motivos para ter uma moto. — Primeiro não iriamos precisar de ar condicionado, iriamos sentir o vento bater nos nossos rostos... Não morreríamos sufocados como estamos agora, dentro desse forno! Deve ser por isso que o meu filho está chorando! — Pausou. Viu que Julie olhou para ele, sorriu em pensamentos, imaginando que tenha conseguido pelo menos a atenção da morena. — Mas faz sentido, não faz? Ele é um neném de... Semanas!
- É isso meu neném? É por isso que não para de chorar? — Levantou a blusinha dele, foi tirando aos poucos. — Olha, olha como ele está vermelho! — Disse alisando sua barriga. — Ai amor, ele é tão branquinho, a pele dele é muito sensível... Eu deveria ter levado o hidratante... Sabe? — Daniel sentiu a indireta da esposa.
Lembrou que ele era o culpado pelo hidratante. — Huh... A questão não é essa. — Mudou de assunto. — A questão é que se tivéssemos uma moto já estaríamos lá faz tempo...
- Eu juro que se ouvir de novo a palavra ''moto'' de novo eu te jogo pela janela do carro. Tá bom? — Ela sorriu e o ameaçou com ''delicadeza''.
- Nossa... — Virou o rosto para o outro lado. — Tá toda nervosa só por causa da moto...
- JÁ CHEGA! O QUE VOCÊ QUER DE MIM DANIEL?!
- Uma moto!
- TÁ! PEGA O SEU SALÁRIO E ENFIA NA MOTO! COMPRA!
- É sério? — Sorriu. — Ah meu amor... — Aproximou do seu rosto para beija-lá, mas ela desviou. Retirou o restante da roupinha do bebê, o deixando só de frauda. — O que foi?
- Nada.
Ele riu pelo nariz. — Nada? Eu nunca acreditei nos seus ''nadas''
Ela revirou os olhos. — O-olha! O transito está melhorando! Vai! Dirige!
Daniel começou a dirigir, conseguiu passar pelo congestionamento. E em vinte minutos chegaram na casa de Heloísa. A mãe e a irmã de Daniel já estavam lá, ajudavam com o almoço. Julie até se ofereceu para ajudar, mas sua mãe não aceitou, disse que o almoço era justamente para ela e que não deveria ter o trabalho de fazer as coisas na cozinha.
Os dois foram recebidos com beijos e abraços, dona Heloísa tinha chegado a pouco tempo da viagem, e essa seria a primeira vez que veria seu netinho. — É lindo de mais! — Disse ela, alisando o rostinho do bebê que arregalava os olhos. — É tão esperto, olha como ele observa tudo. Deve estar se perguntando ''Quem é essa doida?''
Julie riu. — Que isso mãe.
Heloísa sorria, emocionada com seu primeiro neto. — Ele é a mistura de vocês dois. — Pausou. — M-mas ele é serio, não é?
- Uhum. Ele mau ri pro próprio pai... — Julie comentou.
- O Daniel que costumava ser assim. — A sogra de Julie interrompeu. — Quando era pequeno costumava ser sério, muito sério, até hoje ele é. — Olhou para as duas. — O almoço já está pronto. Não vão se sentar?
- Claro, cadê o Dan? — Julie perguntou o caçando.
- Está na cozinha. — Respondeu dona Marta. — Disse que ia beber um pouco de vinho.
- Vinho?! Você vai dirigir! — Juliana foi até a cozinha. — Pai? — Ficou paralisada ao vê-lo ali. Sentiu suas pernas bambas. Até esqueceu de pegar o neném, que estava com a sua mãe.
- Oi filha! — Ele veio a abraçando, Julie mau retribuiu. Ainda em transe. — Está linda!
- O q-que faz aqui?
- Sua mãe me convidou. — Sorriu. — E eu também queria ver o meu neto. — Riu.
- Mamãe te convidou? — Estranhou aquilo. Os dois eram como cães e gatos.
- Julie! Amor da minha vida! — Daniel gritou da sala, ela estava tão hipnotizada com seu pai que mau viu Daniel passar por ela e sair da cozinha. — Fiz o seu prato!
Ela se virou, voltou para a sala. — A-ah, fez?
- Fiz, vem! Senta! — Estava animado, bebeu mais um gole de vinho.
- Não quero que fique se embebedando! Você vai dirigir amor!
- Julie, deixe o seu marido comemorar um pouco. — Sua mãe pediu. — Ele só está feliz com o nascimento do filho, a união da nossa família. — Sorriu.
- Acho que ele está comemorando a moto que vai comprar... — Julie sussurrou.
- O que? — Bia arregalou os olhos. — A Julie finalmente deixou você comprar a moto?
- É, milagres acontecem... — Daniel se sentou. — Agora eu preciso bajula-lá para ela não mudar de ideia... — Ele comentou em sussurro com sua irmã.
- Eu ouvi hein! — Se sentou ao lado do marido. Sua mãe ficou com o neném para que Julie aproveitasse mais o almoço.
Eles almoçaram normalmente. A comida que Beatriz ajudou a preparar estava ótima e a mesma estava toda orgulhosa por isso. Recebeu até elogios do Daniel, ele não gostava muito da sua comida.
Todos estavam felizes com a união da família, não eram muito de se unirem para conversarem ou coisa parecida, Julie ainda estava surpresa com a presença de seu pai, e estava ainda mais surpreendida com o jeito como sua mãe o tratava. Estavam ''normais'', não estavam discutindo ou gritando um com o outro. A família da Julie e do Daniel raramente jantavam juntos. A primeira vez que fizeram isso foi quando Daniel pediu os pais da Julie a permissão para namorarem. Essa tinha sido a primeira vez e única.
Terminaram o jantar e foram assistir um filme na sala. — Eu ajudo com os pratos, mãe! — Disse Juliana, já se levantando e entregando o filho para Daniel.
- Nada disso moça! Você é a minha convidada! Vai ficar sentadinha ai e vai assistir o filme com o seu marido.
- Hum. — Julie sorriu e pegou o neném novamente. — Já que é assim, eu aceito. — Se deitou no peito de Daniel, ele a abraçou, alisando sua cintura.
[...]
Já era três horas da tarde. A Bia e a mãe de Daniel já tinham ido para casa, Julie estava no seu antigo quarto, amamentando no neném. — Nossa, mas que saudades daqui... — Ela dizia reparando o lugar.
- É. Bons tempos aqui... Nessa cama... — Alisou o colchão e sorriu para Julie.
- Para Daniel. — Corou. — Não acontecia nada de mais entre a gente aqui na cama...
- Isso porque você não deixava. Mas se fosse por mim...
Ela alisou o rosto do neném e mudou de assunto. — Você quer mesmo comprar aquela moto?
- Ah Julie, você deixou.
- Tá, eu deixei mas... Sei lá... — Suspirou, olhando para o bebê. Viu que ele dormiu. — Amor, estou cansada, vou me deitar um pouco. — Daniel assentiu. — Toma. — Lhe entregou o neném. — Dá para a minha mãe, ela disse que queria cuidar dele.
- Ok. — Daniel deu um beijo no seu rosto e desceu as escadas, foi para a sala, mas não encontrou Heloísa.
Ele andava lentamente, segurando seu filho que dormia tranquilamente em seus braços. Daniel também estava um pouco cansado e com uma leve dor de cabeça, se não fosse por isso ficaria com o seu filho.
Foi para o quintal. E nada de encontrar a sogra, voltou para a sala, olhou para os lados e viu a cozinha. Entrou e se arrependeu.
Encontrou os pais de Julie trocando beijos na cozinha.
Notas finais
Comentem. Por favor, beijos. ^^
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