Corações Feridos

11 Boas noticias.


- Fala! — Julie pediu, completamente ansiosa. Ela cruzou os dedos e Daniel a imitou. Julie queria menino, Daniel queria menina. O médico percebeu o clima de ansiedade entre os dois e sorriu. Os deixando mais ansiosos ainda, pois não dava a resposta. — Anda doutor. Fala!

Ele olhou para os dois. Ainda sorrindo, doutor Miguel era um brincalhão e gostava de fazer suspense para os pais. — Quem você quer? — Perguntou para Julie.

- Menino! — Ela respondeu de imediato e com euforia.

- E você? — Olhou para Daniel.

- Menina. Lógico.

- Hmm...

Os dois estavam quase roendo as unhas com tanto desespero. — Atenção papais, porque só vou dizer uma vez. — Sorriu. Daniel e Julie olhavam para o médico, o olhar de ambos brilhavam ao saber que em poucos segundos descobririam. — É... — Julie fechou os olhos e mordeu os lábios. — Menino.

Julie gritou com a resposta do médico enquanto Daniel só deu um sorriso leve e sem graça. Ele queria muito que seu primogênito fosse menina.

Ela ainda gritava, esse era o momento mais feliz de toda a sua vida. Seu coração batia acelerado, Julie não conseguia fazer mais nada a não ser gritar e dizer o quanto estava feliz com aquela noticia.

Ela pulou da cama e foi abraçar seu marido, Daniel retribuiu o abraço. A alegria de Julie era contagiante, o que fez Daniel comemorar também. Eles trocaram vários beijos e aos poucos Juliana foi se acalmando. — Viu, eu estava sentindo o tempo todo que era menino! — Disse a morena, pegando a mão de seu marido e o fazendo alisar a barriga.

- Muito bom. — Daniel soltou sua mão. — Vamos logo. Estou com fome, quero almoçar. — Ela desfez o sorriso e obedeceu, se trocou e agradeceu ao médico que entregou o resultado do ultrassom.

Eles voltaram para casa, Daniel se jogou no sofá, estava pensativo. — Você não está feliz com o neném? — Julie perguntou se aproximando e cruzando os braços.

- Estou.

- Mas não parece. O que foi hein? Só porque não era menina você vai deixar de ama-lo? É o seu filho!

- Julie. — Ele se sentou, abrindo mais as pernas. — É claro que não. Eu nunca vou deixar de ama-lo. Só... — Passou a mão por seus cabelos. — Você me fez dirigir de madrugada lá para o centro da cidade, pra tirar o ultrassom. Estou cansado, só isso. E estou com fome, mau tomei meu café.

- Tá bom. — Ela sorriu, estava tão feliz que nada iria tirar sua felicidade, nem mesmo o mau humor de Daniel. — Vou preparar algumas panquecas pra você enquanto faço o arroz, tá ?

Ele sorriu. — Panquecas, que delicia.

Julie foi até a cozinha. Ligou o fogão e pegou uma frigideira enquanto Daniel se esticava para pegar o controle remoto da televisão. Que estava sobre a mesinha. Apertou o botão de ligar. Mas não funcionou. Deu umas batidinhas com o controle na palma da sua mão. Tentou ligar novamente, sem sucesso. — Porcaria de controle. — Virou-o para ajeitar as pilhas, mas acabou encontrando o problema. — Julie! Posso saber porque o controle está quebrado e enfaixado com durez?!

- Isso acontece nas melhores famílias, amor! — Ela gritou da cozinha.

- Mas... — Daniel se levantou, indo até ela. Ainda estranhava aquilo. — Eu comprei essa TV a menos de um mês e o controle já está quebrado?

- É, eu tipo... Que deixei ele cair no chão para quebrar e enfaixar com durez. — Daniel a encarou sério. — Mas ele funciona se apertar o botão com força.

- Você quebrou o controle por causa dessas superstições bobas?!

- Tá, eu também não acreditava... Não dessa do controle. Mas é verdade.

- Como tem tanta certeza? Isso é só mito... Um mito bobo.

- Eu tenho certeza porque na casa da minha mãe e do meu pai... O controle não era enfaixado com durez. — Ela abaixou a cabeça.

Daniel olhou para o controle com durex, sentiu que aquilo tinha mais a ver com a separação do pai e da mãe de Julie. Ele suspirou, olhou para a esposa e sorriu fracamente, percebeu que ela não queria que nada de ruim acontecesse com o casamento deles dois. — Tá bom amor. — Ela levantou o rosto e sorriu. — Quando eu voltar do trabalho eu compro um controle novo, e vamos deixar esse aqui. — Beijou a testa de sua esposa e voltou para a sala, revirando os olhos e se sentando no sofá.

[...]

Ele assistia um filme quando Julie chegou com o prato. — Aqui. — Colocou as panquecas em cima da mesinha.

- Hum, o cheiro está muito bom. — Daniel espetou uma delas com o garfo.

- Pode comer todas. — Julie se sentou ao seu lado, deitando a cabeça no seu ombro. — Estou muito feliz para comer... — Estava nas nuvens, lembrando da noticia sobre o bebê. — Ah, e o que combinamos?

- Huh, n-não s-sei. — Disse mastigando.

- Que você pintaria o quarto de azul! — Pegou o notebook. — Vou comprar as latas de tinta pela internet! — Julie abriu o notebook, animada. — Já que você vai ter mais dois dias de folga, pode pintar o quarto amanhã mesmo, não é?

- É sim. Eu posso.

- Ai que bom! — Daniel se sentia bem com a felicidade e animação da esposa. Lembrava que no início da gravidez ela não aceitava muito bem, já que não planejava ter um filho cedo. — Eu já estava começando a ficar com raiva do seu trabalho. — Julie admitiu. — Você quase não ficava em casa, só trabalhava... Trabalhava... Trabalhava! E poxa, você só ganha dois dias de folga por semana. Acho tão pouco... — Comentou enquanto Daniel comia as panquecas. — Pronto, comprei. Pelo cartão, tá?

- Uhum.

Enquanto isso, Thalita conversava com uma pessoa importante. Importante para ela, e claro, importante para o seu plano. — Vai, por favor, trabalhamos quase no mesmo ramo, e o seu tio é o meu chefe e o chefe do Daniel. — Ela tentava convencer o amigo.

- Não sei se é uma boa ideia viu, interferir no amor dos dois.

- A Julie não merece o Daniel! — Ela se justificava.

- O que? É o Daniel que não merece a Julie. Ela é tão brincalhona e divertida. E ele? Tão sério...

- Sério que acha a Julie divertida?

- Ela é super auto astral, Thalita!

- Tá, tá. — Cedeu. — Tanto faz. — Respondeu sem paciência. — O que eu quero é separar os dois. E sei que você também quer isso, então você precisa convencer o seu chefe.

Ele a olhou com reprovação, não gostava daquele plano e não queria se envolver nos jogos de Thalita. — Vai Nicolas, por favor! Por mim! E... O Daniel pode deixar o caminho livre para você.

- Do que está falando? Eu e a Julie somos só amigos, aliais, eu não quero perder minha amizade com ela.

- Tudo bem. — Pausou. — Mas na época do colégio você era o nerd, ainda é um pouco... Nunca teve um relacionamento sério. E a Julie... Se separando do Daniel vai querer o primeiro homem que encontrar.

- Não sei se aceito isso como um elogio...

Thalita riu. — Vai, repete o seu plano. — Nicolas pediu.

- Tudo bem. — Enrolou as pontas loiras de seus cabelos com o dedo. — Você chama o seu tio, que é chefe do Daniel. — Nicolas balançava a cabeça. — Pede para ele... Dar... Uma promoção, um aumento... Sei lá.... Qualquer coisa para o Daniel, contanto que ele venha trabalhar dobrado!

- Não sei se isso vai funcionar.

- Agora que a Julie está grávida e o Daniel é o único que tem um emprego. Ele vai precisar de dinheiro, não vai? — Nicolas assentiu. — Então! Ele vai aceitar!

- Tá, e daí?

- E daí que ele passa menos tempo com a esposa... E mais tempo comigo... — Ela deu um sorriso vingativo.

- E o que você ganha com isso? Um peso nas costas de atrapalhar o relacionamento dos dois, e até separar os pais daquele neném!

- Tá, eu admito que só quero separa-los por vingança. Quem o Daniel pensa que é para terminar comigo e ficar com ela? Isso... Isso foi uma humilhação para mim, fui falada pelo colégio inteiro, por quase um bimestre! E... Agora eu quero que o Daniel veja o erro que cometeu me dando o fora. E que a Julie... Perceba que o Daniel na verdade... Nunca foi dela. — Olhou para Nicolas. — E ai, vai fazer esse favor para sua velha amiga? — Sorriu.

Nicolas não gostava muito da ideia, mas ele sempre quis ter uma garota como a Julie de namorada, e mesmo não indo muito com a cara de Daniel ele não queria atrapalhar no casamento dos dois, ainda mais sabendo que Juliana esperava um neném. E se eles se separarem? Como vai ser a vida desse neném? Nicolas se perguntava.

Mas ao mesmo tempo sabia que o amor de ambos eram tão forte um pelo outro que nada destruiria o casamento. — Tá. — Aceitou, pensando que todo o plano de Thalita seria em vão.

Ela sorriu e o abraçou.

Mais tarde naquele dia, Julie recebeu a encomenda que fez pela internet, comprou quatro latas de tinta. Daniel as levava para o quarto enquanto Julie pagava o frete. — Olha amor, esse quartinho! — Julie olhava encantada para o lugar, as paredes só estavam moldadas com geso. — Ai, esse azul clarinho vai ficar tão perfeito. — Seus olhos brilharam e Daniel sorriu, também animado.

[...]

A tarde virou noite, Julie e Daniel passaram um dia feliz. Foi um dos melhores dias da vida de ambos. Mesmo ele querendo uma menina, Daniel estava feliz com a noticia de que seu primeiro filho seria um menino. Agora os dois discutiam sobre outra coisa. '' Ele vai ser mais parecido comigo, vai ser a cara do pai. '' — Daniel dizia, as vezes para irritar Juliana. — '' O nosso neném vai ter minhas covinhas, você vai ver. '' — Ela respondia de volta.

Julie estava na cozinha, fazia macarrão enquanto falava ao telefone com a irmã de Daniel. — Aham, é um menininho. No resultado do ultrassom dá até para ver melhor. — Conversava com Bia, quando Daniel chegou e a abraçou por trás. Alisando a barriga. — Bia, o que você me diz, o bebê vai ser mais parecido comigo ou com o Daniel? — Juliana perguntou propositalmente para seu marido ouvir, ele encostou o ouvido no telefone e ouviu Beatriz responder:

- Ih Julie, acho que vai ser um mini Daniel. — Ele sorriu com a resposta e Julie fez uma careta para ele. — A Nandinha é a minha cara, porque é menina... Geralmente os meninos puxam mais os pais. — Pausou. — Mas... Pode ser que seja parecido com os dois, não é?

- Pode ser também. — Julie respondeu. — Amiga, já está tarde. E amanhã preciso acordar cedo. Vou dormir, boa noite. — Desligou. — Daniel, você vem dormir?

- Mais tarde. — Disse indo para sala. — Vou ver um pouco de tv.

- Tá bom. — Passou pela sala, se sentou no sofá, tocando delicadamente no rosto de Daniel. Lhe deu alguns beijos — Boa noite, amor.

Ele deu mais um beijo nos seus lábios. — Boa noite. — Beijou a barriga de Julie. Ela sorriu e subiu para o quarto, fechou a porta para que o som da tv não atrapalhasse seu sono.

Estava no meio do filme quando o telefone tocou, Daniel atendeu rapidamente para que Julie não acordasse com o barulho, pensou até que fosse Beatriz. — Alô?

- Olá Daniel, boa noite.

Ele estranhou aquela voz, mas sabia quem ligava. — Oi patrão, boa noite.

- Eu sei que está tarde, você... Não estava dormindo, não é?

- Não.

- Ótimo. Pode dar um pulinho no meu escritório?

Notas finais
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