Corações Feridos
54 É difícil esquecer mas preciso me esforçar.
Notas iniciais
Amei os comentários de todas, fiquei mt feliz com eles! ^^
‘’ Hm... ‘’ — Daniel não respondeu nada, até porque seu chefe já tinha desligado o telefone, apenas se levantou, deixando seus serviços e dois clientes de lado. A seriedade na voz de Demétrius o deixou levemente curioso. Ele não imaginava que fosse algo que envolveria a Julie, na verdade, achava que Demétrius lhe daria uma bronca por passar quase o dia todo flauteando.
Foi até o elevador, onde chamou o mesmo. Olhou para o seu relógio de pulso, já estava quase na hora de ir para casa.
A porta do elevador se abriu, não tinha muitas pessoas, apenas alguns clientes...
Porém, entre as pessoas no elevador, estava Julie. Ele franziu a testa sem entender o motivo dela estar ali. Juliana apenas segurou o seu braço, o puxando. Sua expressão era de desespero e ele logo notou. — O que houve?
- Ele viu nossas fixas! — Disse, avoada. — Viu que os nossos sobrenomes são iguais e... Eu fiquei nervosa com isso. — Explicava. — Acabou que eu contei à ele que somos casados. — Afundou o seu rosto no peito de Daniel. Controlando suas lágrimas. — Me perdoa Dani.
- Sch, calma... — Ele não aguentava ver Julie chorar, até virou o rosto para o outro lado, apalpando seus cabelos com carinho. — Não precisa se desculpar, eu já estava perdendo mesmo a minha paciência com ele... — O loiro sussurrou mordendo seu maxilar.
Não demorou muito para o elevador parar no sétimo andar.
- E agora, o que vamos fazer? — Juliana perguntou. Os dois pararam no corredor.
- E agora... O jeito é fingir. — Sorriu fracamente, Julie o acompanhou.
Viu que ele levou as mãos ao bolso do seu terno.
Ali mesmo ele retirou uma caixinha de camurça, da cor azul marinha. Os olhos de Juliana brilharam ao ver aquilo. — Ainda... Carrega nossas alianças no bolso? — Não acreditava no que via. Chegou até sentir seu coração saltar de emoção.
Daniel não respondeu, só pegou sua mão. — Se me permite. — Brincou com seus dedos. Ela riu fracamente e assentiu com a cabeça. Daniel encaixou a aliança dourada lentamente no dedo de Julie.
- Agora é minha vez. — Sussurrou. Pegando a outra aliança.
Segurou a mão do rapaz. Colocou a aliança no dedo certo, delicadamente.
Sorriram juntos, uma sensação ‘’estranha’’ passou pelo corpo dos dois como uma corrente elétrica. Lembraram do casamento deles. Visualizaram aquele momento nas suas mentes, Julie sentiu como se estivesse no altar mais uma vez. Até o terno que Daniel usava era parecido... — Acho que não precisamos fazer juras de amor, aqui... Nesse corredor movimentado. — Brincou e ambos riram.
- Vem... — Pegou a mão dela e Julie completou entrelaçando seus dedos.
Caminharam juntos até a porta do escritório de Demétrius. Daniel ia girar a maçaneta mas Juliana encravou suas unhas no ante braço dele. — Estou nervosa. — Ela admitiu. Agora o sorriso de poucos minutos atrás dava lugar a um olhar de insegurança. — Acha que a gente deveria ter planejado uma conversa? — Perguntou, ainda nervosa.
Daniel ignorou aquilo, abriu a porta e os dois entraram.
Logo de cara encontraram Demétrius sentado na cadeira. O mesmo se virou para eles. Girando a cadeira do computador e apoiando seu rosto com os cotovelos. — Sentem-se. — Logo notou suas mãos dadas, mas ainda não acreditava naquilo.
Ainda achava que era uma mentira muito mal contada. — Hm, casados?
Eles se sentaram ao mesmo tempo, soltaram suas mãos e por fim Daniel respondeu. — Sim senhor.
O chefe riu pelo nariz. — Pela carinha dela, isso não parece ser verdade.
O loiro se virou para Julie, viu que sua expressão era uma mistura de desespero e nervosismo.
- Ela é uma mulher um pouco insegura, não é amor? — Daniel sorriu e sussurrou. — Relaxe.
Ela assentiu respirando fundo. Tentou melhorar sua expressão. — Bem, vamos ver se são espertos o suficiente. Até dei um tempinho para vocês se encontrarem e sei lá, arrumarem uma boa história para me convencer desse tal casamento. — Ele disse cruzando os braços. — Como é que se conheceram?
Eles sorriram em pensamento, até que seria fácil. — Éramos do mesmo colégio. — Julie começou.
- Mas nos conhecemos mesmo no ponto de ônibus. — Daniel completou e Julie concordou sorrindo com a cabeça.
- Foi em uma noite de terça feira. Até escrevi isso na minha agenda. — Ela mordeu os lábios. — Nós começamos a conversar...
- E ai nos apaixonamos.
Julie olhou para Daniel, sentia suas bochechas corarem e disse. — Foi antes.
Daniel sorriu torto. — Foi antes... — Sussurrou, ainda se olhando. — Então na noite seguinte fui na casa dela, de moto e a gente saiu...
- Não preciso de tantos detalhes. — Ele os cortou. — Até porque não me interessa ouvir histórias do passado... De vocês dois. — Pausou. — Se conheceram de verdade no ponto de ônibus, mas se apaixonaram antes... Já entendi. — Respondeu, entediado. — As perguntas vão ficar piores.
- Manda. — O loiro se ajeitou na cadeira.
- É, tá divertido. — Julie sorriu.
- Tá, se são casados, quando noivaram?
- Uma semana depois da nossa formatura. — Daniel respondeu
- E em que data se casaram?
- No dia 12 de maio, do ano passado. — Julie respondeu.
- É, e se for analisar, foi no mesmo dia do aniversário dela.
- Verdade. — Julie sorriu, pegando na mão de Daniel e entrelaçando seus dedos.
- Hm, Lua-de-Mel?
- Califórnia. — Responderam juntos.
- Um de cada vez. — Demétrius ficava mais nervoso com a facilidade que eles tinham para responder. ‘’ Esses dois não podem ter combinado tudo isso em só dez minutos... Vou desmascarar eles...‘’ — Se são casados mesmo, porque o Daniel vai ao trabalho de moto e você de carro?
Juliana engoliu em seco, parece que não tinham pensado nisso. — É que trabalhamos em horários diferentes. — Daniel decidiu quebrar o silêncio. — Eu venho mais cedo e ela vem mais tarde.
- Hm. — Ele assentiu, era verdade...
- Posso voltar para o meu trabalho? — Daniel se levantou.
- O que foi hein, Daniel? Está querendo fugir das perguntas?
- Não senhor, só que tenho muitas tarefas...
- Pois é. — Ele concordou, balançando a cabeça. — Tem muitas tarefas... Mas não pensou nelas enquanto estava flauteando por ai, certo? Perdi as contas de quantas vezes entrou na minha sala hoje. Porque hein?
- Quer a verdade? — Mordeu seus dentes. — Nenhum homem gosta de ver outro cara dando em cima da mulher que ele ama!
- Calma amor. — Julie alisou suas costas e o fez sentar de novo. — Fica tranquilo. — Sorriu, segurando sua mão. — Se quer saber senhor, a gente pode ficar aqui respondendo suas perguntas o dia todo!
- Preciso admitir que vocês dois são ótimos atores.
- Não estamos mentindo, senhor! — Daniel já estava perdendo sua paciência. — Concordo com a Julie, quer fazer mais perguntas?! Pode fazer! Só vai perder o seu tempo porque tudo o que respondemos é verdade! Mas vai em frente, o que mais quer saber?!
O chefe revirou os olhos. — Filhos?
Os dois se entreolharam. — Só um. — Julie respondeu.
- Era um bebê, se chamava Diego e o nome foi escolhido por ela e as três primeiras letras são a mistura dos nossos nomes. — Daniel cruzou os braços. — Era moreno claro, cabelo preto e cacheado, bochechudo... E quando ela estava grávida o cordão umbilical se agarrou no pescoço dele... — Julie balançava a cabeça sorrindo. — Isso complicou um pouco as coisas, ela precisou tomar remédios para o bebê não mexer muito e não se enforcar.
- Oh, me recordo disso. Chegou a me falar que o filho de vocês sofreu um acidente e...
- Morreu. — Julie abaixou a cabeça.
- É, mas o nosso amor foi mais forte do que isso e superamos. Não é Julie? — O loiro a cutucou, Juliana levantou o seu rosto, sem esconder a expressão abatida.
Só torceu seus lábios. — Isso mesmo... — Sussurrou. — É claro que não vamos esquecer isso nunca, mas... Esse acidente me fez ver que não controlamos nossas vidas... Que as coisas não são como nós queremos... E me fez ver também que... Juntos nós podemos superar muitas coisas.
- Que tocante. — Os dois sentiram um ar de irônia no tom de voz de Demétrius.
- Ainda não acredita? — Daniel perguntou mordendo os dentes. — Quer mais provas? Então aqui está. — Ele levantou a manga do seu terno.
Mostrou algo que realmente o surpreendeu. Era uma tatuagem com o nome dela. — Quer nos fazer mais perguntas? — Julie perguntou.
- Não. Não será mais necessário. Estou convencido. — Revirou os olhos. Os dois sorriram fracamente. — Só não entendo uma coisa. Se são casados, porque você deu o cargo para ela trabalhar para mim?
- B-bom... — Daniel suspirou. — Sinceramente senhor, eu nem estava prestando muito a atenção. Não pensei que seria sua secretária. Eu estava meio que de ressaca naquele dia e por isso não estava muito atento.
- Tudo bem então. — Pausou. — Vamos fazer uma troca. A partir de amanhã, Thalita trabalhará para mim. E a Julie será sua nova secretária.
- Isso é ótimo! — Julie se animou. Finalmente estava livre do seu chefe, que ainda lhe causava medo.
Daniel também estava animado com a noticia... Literalmente, trocou a Thalita pela Julie. — Assim a gente passa mais tempo juntos, amor!
- Isso é perfeito! — Ela se levantou e ele a imitou.
Julie puxou sua nuca e o abraçou forte, Daniel retribuiu aquele abraço e ouviu Juliana sussurrar rente ao seu ouvido. — Obrigada. — Ainda se abraçavam, no fundo, não queriam se soltar, mas Julie lembrou naquele momento que tudo aquilo e todo o carinho que recebeu não passava de uma simples atuação. — Já dá pra você fazer novelas... É um ótimo ator. — Se sentiu triste e sussurrou isso em um fio de voz, ele quase não ouviu.
- É? Só falta a cena final... — Disse ele, também em sussurro, puxou o rosto de Julie e a beijou. Sutilmente, ela levou sua mão ao queixo dele. Enquanto movimentavam os seus lábios.
[...]
No dia seguinte, as coisas já tomaram um novo rumo. Julie acordou cedo, pela primeira vez naquela semana se sentia feliz e disposta para ir ao trabalho. Graças ao Daniel, ela não ia mais ter que aguentar o tarado do seu chefe.
Se sentia como se estivesse no primeiro dia do trabalho.
Ela já estava no seu escritório, chegou antecipada. Passou o cartão chave pela porta e a abriu. Viu sua sala, era um pouco menor do que a outra mas não fazia diferença nenhuma para Julie. Ela reparou cada detalhe do seu novo escritório, que na verdade era apenas uma sala de esperas para os clientes do Daniel.
Só não gostava da decoração daquela sala. Tinha um telefone peludo e cor de rosa sobre a mesa. ‘’ Bem a cara da Thalita... ‘’ — Ela pensou, desconectando aquele telefone e substituindo por algo mais... Comum. Um simples telefone sem fio.
Reparou que na mesa tinha um retrato do Daniel e da loira juntos na praia, na época do colégio. — Hm. — Percebeu o corpo maravilhoso dele, lembrou das vezes que teve aquele corpo só para ela... Ficou olhando para aquela foto por alguns minutos. Olhava só para o Daniel.
Perdeu até a noção do tempo ali.
- Oi.
Ela saltou com o susto, se virou e viu Daniel. Tentou esconder a foto. — Já? C-chegou cedo. — Deu um sorrisinho amarelo.
- É, achei que você ia precisar de uma ajuda... O que está escondendo ai?
- Ah, só uma foto que a Thalita deixou aqui. — ‘’ Aposto que foi de propósito... ‘’ Julie pensou, entregando a foto para ele.
Daniel só deu uma olhadinha rápida. — Não sei onde ela consegue tantas fotos nossas juntos... Sempre reclamei com ela sobre isso. — Levou a foto até o retalhador. Não sentiu nem um pouco de pena antes de fazer picadinho daquela foto. — Sinto muito sobre ontem, não imaginei que o Demétrius te daria um sermão por causa daquele beijo.
Ela corou. — É. M-mas... Porque me beijou?
- Achei que ia convencer ele de vez...
- Claro. — Julie sorriu. — E... Foi só um beijo técnico, estávamos atuando. Né?
Ele balançou a cabeça, concordando. — Tirou as palavras da minha boca, Juliana.
- Juliana? — Riu fracamente.
- É. Acontece que agora que trabalhamos juntos... Não sei se posso te chamar de Julie. — Pausou. — E também, você não foi a única que levou sermão sobre o beijo. Eu e a minha namorada quase terminamos por causa disso.
- Nossa. M-mas... Você conta tudo para ela... — Sorriu, um pouco sem graça. — Não esconde nada... — Sussurrou.
- Preciso ser sincero, sempre.
- Tá certo.
Se olharam, mas cortaram o olhar quase imediatamente.
- Bom, eu tenho uns papéis aqui, eu preciso que passe para o e-mail e imprima, sei que você digita rápido. Vai ser fácil.. — Foi andando até um armário, a gaveta estava um pouco emperrada, mas conseguiu abrir fazendo um certo esforço.
Ele lhe entregou o papel.
Enquanto Julie estava um pouco aérea com seus pensamentos ‘’ Quem será essa namorada dele? Ele quase não fala sobre ela e quando fala já muda logo de assunto... ‘’ — Suas paranóias estavam atacando. ‘’ Eu não sei... Aí tem coisa, nem a irmã dele sabe quem ela é... Que eu me lembre, eles estão juntos desde o dia da noticia sobre a gravidez da Bia, isso já foi há um tempo... Como ninguém da família dele conhece ela direito? Isso é tão estranho... Me lembro que ele me apresentou aos pais deles em menos de uma semana... ‘’
- Juliana, me ouviu? — Daniel a cutucou.
Ela acordou daqueles pensamentos, balançando levemente a cabeça. — Ah-am. — Gaguejou um pouco, viu que ele estava tão sério, ia até pedir para ele repetir tudo pois não prestou muito a atenção, porém, achou ele sério de mais para isso... — Passar pro e-mail e imprimir. — Relembrava o que Daniel dizia.
- Estou na minha sala, qualquer coisa é só chamar... — Julie assentiu.
Ligou o computador.
Não demorou nem quinze minutos para terminar de fazer sua tarefa, re-leu para ver se tinha algum erro de digitação, mas estava tudo perfeitinho, até os espaços entre as letras. Tudo no jeitinho dela.
Se levantou, toda satisfeita com o seu trabalho. ‘’Agora só falta imprimir’’. — Percebeu naquele momento que tinha duas impressoras.
‘’ Qual das duas devo usar? ‘’ — Viu que ambas estavam conectadas na tomada. ‘’ Não gosto de números pares... Então vou usar a primeira. ‘’
E assim que ligou... Ouviu um estouro, foi um estouro agudo e quando se deu conta as luzes da sala se apagaram e a tomada estava em chamas.
Daniel lia mais uma vez a carta que recebeu de Débora. Lia sorrindo, mas dentro de si não estava muito feliz. A letra de Débora era redondinha, até fazia lembrar a época em que ele e Juliana trocavam cartas.
‘’ Débora é igual a Julie, só que ao mesmo tempo são completamente diferentes. ‘’ — Era assim que ele pensava.
Até que a porta se abriu, Daniel se levantou imediatamente com o susto, afinal... Estava tudo tão tranquilo.
Julie veio correndo e o abraçou, ele mau retribuiu aquele abraço, não entendia nada. — Sou uma azarada, azarada! A partir de hoje eu vou mudar! — Gritava. Ainda o abraçando. — Não gosto mais dos impares!
- Do que está falando? — Se soltou.
- Eu fiz besteira! Fiz besteira lá na sala! — Daniel passou por ela. — Não vai lá! Eu acho que queimei tudo! — Segurou o braço dele. — E tá pegando fogo! Nós vamos morrer, vamos nos queimar e ninguém vai conseguir reconhecer os nossos corpos! Se for pra morrer, eu quero morrer agarrada em você!
Ele a puxou. — Vem... — Os dois foram até a sala.
Julie ainda abraçava o Daniel, o mesmo foi se aproximando da impressora. — Mas o que é isso?! — Viu que realmente estava pegando fogo.
Mas agiu com mais tranquilidade. Pegou o extintor e acabou com as chamas, as mesmas já estavam se espalhando, deixou até uma parte da parede preta.
Julie respirou fundo e se afastou. Passou a mão pelo seu rosto, estava suando frio. — Você não prestou a atenção no que eu disse, certo? — Daniel cruzou os braços. — ME RESPONDE!
- N-nã-o grita, por favor.
Ele suspirou. Se olharam e Daniel notou que os olhos lindos e amendoados de Julie estavam marejados. — Fica calma. — Pediu. — Acho que você... Se esqueceu que eu disse que não deveria ligar essa impressora porque estava em curto.
- Eu sou uma desastrada. — Abaixou a cabeça.
- O que foi? Acha isso só porque escolheu a impressora errada?
- E quase incendiei a sala inteira... Só por isso. — Resmungou.
- Essas coisas que são incríveis em você... Você é... Imprevisivel. Quando eu penso que você está digitando um contrato, você me surpreende e... Coloca a sala inteira em curto.
Ela riu fracamente, aquele papo tinha lhe deixado um pouco mais... Contente. — E essa sala está segura? — Suas paranóias recomeçaram. — E se tocarmos em algo eletrocutado a gente morre! Vamos sair daqui Dan.
- Pare de besteiras. — Pausou, agora puxando o seu braço. Relembrou o que ela tinha dito a alguns minutos atrás, quando estava completamente apavorada com o acidente que causou. — Mas já que tocou nesse assunto. — Sorriu de lado. — Então quer dizer que você queria morrer agarrada a mim? — Levantou uma sobrancelha.
- Não... É que... — ‘’ Dizem que o amor é o único que dura até a morte. ‘’ — Foi na hora do susto. — Soltou um suspiro fraco, Daniel não percebeu. — Eu ainda estou um pouco nervosa, posso descer para beber água?
- Claro. — Ele assentiu.
[...]
- E depois eu pedi pra ela me trazer um pouco de café. — Daniel dizia, se recostando no sofá.
- Não acredito que a Julie fez o favor de queimar o computador do escritório. — Bia gargalhou. — Ela nem prestou a atenção quando você avisou para ela que só uma impressora estava funcionando.
- Com certeza. — Ele balançou a cabeça, rindo também. — Mas o resto do dia foi normal. — Pausou, agora olhando para os lados. — Cadê o Félix?
- Ele já vem... — Bia anunciou. — Filha, não come o biscoito do chão! Tá sujo! — Suspirou. — Aliais, onde vocês dois vão?
- Só beber um pouco... — Viu que Bia o encarou torto. — Conversar...
- Sobre?
- Ah, papo de homem. Nada de mais.
- Se não é nada de mais me conta. — Sorriu. Mas desfez o sorriso em poucos segundos. — Ele não está com mulher, está?
- Claro que não. Acha que eu ia deixar ele trair a minha irmã grávida?! — Lembrou de uma coisa importante, uma coisa que deveria ter feito a muito tempo, mas Bia começou a puxar assunto e o fez esquecer. — Preciso ligar pra minha namorada... Vou dizer à ela que vou sair com o Félix.
Bia cruzou os braços. — Vai pedir a permissão dela pra sair com o seu cunhado?
- Não mesmo. — Bufou. — Você tem cada ideia... — Discou os números. Torcendo mentalmente para Débora deixa-lo ir.
Não demorou muito para a mesma atender. Daniel sorriu. — Oi amor, boa noite. — Ela disse.
- Oi. Boa noite. — Sentiu sua voz falhar, na verdade ele não queria dar tanta satisfação pra namorada, não perto da irmã. — Querida eu vou no bar com o Félix hoje. A gente deixa pra sair no sábado, tudo bem pra você?
- Huh. Claro... Eu estou um pouco resfriada, não vai dar para sair hoje a noite mesmo... — Acabou concordando. Foi fácil de mais...
- Obrigado linda, beijos e melhoras. — Ele desligou, olhou para Bia sorrindo e disse. — Tá tudo certo, agora só falta o Félix...
- FÉLIX! — Bia berrou. — SAI LOGO DESSA QUARTO, TÁ MORRENDO AI HOMEM?!
Daniel apenas riu. — Deixa ele... Não tem problema.
- Não quero você bebendo muito. — Bia apontou o dedo para o irmão. E disse isso com a voz firme. Mas Daniel não respondeu. Ela resolveu mudar de assunto. — Poxa, sua namorada não fez muita questão.
- É. — Ele concordou. — Ela disse que eu to liberado para sair com os meus amigos, não tem nada de mais.
- A Julie não deixava. — Bia deu um sorrisinho.
Daniel suspirou assim que ouviu o nome dela. — Ela deixava, claro. Principalmente quando eu saia com o Félix ou com o Martim, mas a diferença é que ela ficava morrendo de ciúmes na volta. — Olhou para cima, as cenas rodavam na sua mente. — Ela pegava a minha roupa, fiscalizava para ver se tinha alguma marca de batom, ou um cheiro de perfume feminino. — Balançou a cabeça. — Sempre gostei dos ciúmes dela. Acho que ela fica mais bonita ainda.
- Mas me conta. — Beatriz se recostou. — Como foi o lance com o chefe?
Ele lembrou que ainda não tinha contado isso para a irmã. — Ah. Ele nos fez muitas perguntas. Acho que não acreditava nas coisas que a gente dizia.
- Porque? Vocês estavam mentindo?
- Não. Falamos a verdade o tempo todo. Já que fomos casados mesmo, mentir só complicaria mais as coisas. — Pausou, agora olhando para o chão. — Essas perguntas dele me fizeram pensar no meu casamento com a Juh o tempo todo essa semana. Sem dúvida foram os melhores momentos da minha vida. — Suspirou. — Agora como você sabe, ela é minha secretária.
- Ainda bem que você se livrou da Thalita. — Bia resmungou e ele concordou.
Daniel pegou seu celular ao ouvi-lo vibrar... Era uma mensagem qualquer de bônus na operadora. Mas isso o fez lembrar da Débora. — Vai ser dificil Bia, me esquecer completamente da Julie. Mas... Ela não me quer. O jeito é partir para outra. Apesar de continuar sofrendo de amor por ela...
- E vai ser pior porque agora você vai ver ela todos os dias no trabalho, vai ter que falar com ela...
- Obrigado pelo apoio.
Bia deu um sorrisinho amarelo e Daniel continuou, tirou do bolso duas alianças. — Eram as suas alianças de casamento? — Beatriz logo perguntou arregalando os olhos.
- Não. — Disse encarando as alianças douradas. — As nossas alianças eu rifei. — Na verdade, estavam guardadas na gaveta das suas meias. — Essas aqui são para a minha namorada. — Respondeu retirando uma aliança da caixinha de camurça. — Olha, pode pegar.
Bia pegou. Era diferente da aliança de casamento da Julie, era bem mais simples... Mas era bonita. Só ai Beatriz caiu na real. — Vai pedir a sua namorada em...
- Noivado. — Ele completou pegando a aliança.
- Mas eu nem conheço ela ainda, me diz o nome! Por favor! — Bia se mordia de curiosidade.
Daniel ia responder, mas viu Félix descendo as escadas. — Poxa Daniel, desculpe a demora ai. — Disse batendo nas suas costas. — Vamos...
- Não... Espera... — Sua irmã se desesperou ao ver Daniel se levantar do sofá com um sorriso torto. — Dan, me responde! — Ela recebeu um selinho do marido, mas nem ligou muito. Segurou o braço do irmão. — Você não sai daqui antes de me responder.
- Me larga Bia, eu não vou contar. — Se soltou. — Ela tá pensando que eu sou uma das amiguinhas dela pra ficar de fofoca... — Resmungou e Félix balançou a cabeça.
Enquanto isso, Julie estava sentada no sofá de casa. Depois de assistir um filme idiota de drama. Não tinha mais nada para fazer, e sua rotina ficou assim depois que se separou, parece que Daniel lhe deixou um grande vazio.
Quem a olhasse assim. Iria pensar que ela entrou em depressão. — Que chatisse... — Pegou o notebook, a única coisa que lhe restava era mexer no Facebook.
E foi o que fez, estava navegando na internet quando ouviu o som do chat. Voltou para a janela do Facebook.
O encarou de olhos arregalados. ‘’ Como assim?! Ela voltou? ‘’
- Oi prima linda! — Era Débora.
Notas finais
Vish... E esse final ai hein????
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