A ambulância entrou as pressas na área de emergência do hospital. Os enfermeiros retiraram a maca da ambulância e começaram a correr pelo corredor.

– Emergência. Saiam da frente. Corpo passando. — Gritava o chefe de enfermeiros, pelo corredor, pra liberar caminho, pra maca passar.

Chegando num certo ponto, um enfermeiro virou pra Jonathan e lhe disse:

– Sinto muito, mas essa área é restrita. Somente a família tem permissão para entrar.

– Mas eu não posso deixar ele sozinho. Ele PRECISA de mim. — Jonathan insistiu.

– Desculpa, mas eu não posso fazer nada pelo senhor. São as normas do hospital. Mas o senhor pode esperar na sala de espera, que logo o médico que cuidará do caso, lhe trara noticias do quadro dele.

– E enquanto isso eu fico sem saber nada? — Lágrimas começaram a sair dos olhos de Jonathan, sua voz falhou e ele começou a tremer de nervoso.

– Eu sinto muito. — Dizendo isso, o enfermeiro se virou e entrou num corredor de acesso restrito.

Jonathan sentou em um dos sofás espalhados pela sala. Quando menos percebeu, ele estava derramado em lágrimas.

Já tinha se passado 2 horas, desde que os médicos entraram pra fazer a cirurgia em Guilherme, e ninguém apareceu pra dar nenhuma noticia pra Jonathan, que estava impaciente.

– Olá, pode me informar se já tem alguma noticia sobre o estado do paciente Guilherme Dos Santos, que entrou pra fazer uma cirurgia? — Jonathan perguntou pra um enfermeiro que passava na hora.

– Não sei de nenhuma novidade não. Parece que ainda estão fazendo a cirurgia nele. Mas logo alguém aparece pra lhe daralguma informação.

– Me disseram isso, já tem mais de 2 horas e até agora nada. — Jonathan disse baixinho.

– Como disse? — O enfermeiro ouviu, mas não entendeu.

– Nada não. — Jonathan tentou disfarçar. — Muito obrigado de qualquer forma.

Jonathan então ligou pra Marcela, e comunicou todo o ocorrido a ela.

Enquanto isso, Igor do lado de fora do hospital, estava armando o próximo passo do seu plano, de acabar com Guilherme.

– Eu preciso limpar minha imagem, caso contrário eles vão achar que fui eu. Eu vou entrar e fingir estar arrependido, de ter brigado com esse troço, e fingir solideridariedade. Quando eu der o sinal vocês fazem a p´roxima parte do plano. Sem erros, por favor. Entendido?

– Sim senhor.

– Ótimo. Os uniformes e crachás pra vocês entrarem, estão na van. Fiquem atentos ao meu sinal.

Igor entrou no hospital procurando Jonathan. Quando encontrou, fingiu estar preocupado e começou a correr em direção a ele. Jonathan já ia expulsar ele, quando Igor começou a falar:

– Você pode até tentar me expulsar daqui, mas eu não saio sem uma noticia. Eu to realmente arrependido de ter dito coisas horriveis a vocês dois. Se vocês querem ficar juntos, eu não posso fazer nada. É um direito seu. É que eu fiquei com muito ciúmes na hora. Mas eu já estou melhor. Me perdoa? — Igor disse tudo de uma vez, sem dar tempo nem pra Jonathan processar tudo.

– É... Hum... Acho que sim. — Jonathan estava confuso com tudo que ouviu. — Mas como você me achou? Como sabia que o Guilherme estava aqui?

– Como eu sabia? — Igor foi pego de surpresa pela pergunta.

– É. Como sabia que estavamos aqui? — Jonathan insistiu na pergunta.

– É... O Cássio me disse. Tipo, eu estava em um kiosque na praia, quando vi o acidente. Não sabia se ia falar com você, dai quando resolvi falar a ambulância já tinha vindo. Dai fui perguntar pro Cássio, se ele sabia pra onde vocês tinham sido encaminhados, e ele me disse. Foi assim que aconteceu.

– Ah sim... — Jonathan disse meio distraido.

Um médico saiu de onde era proibido entrar, e foi em direção a Jonathan. Por um instante, Jonathan ficou pálido.

– E ai doutor? Como ele está? — Igor perguntou, sem esperar.

Jonathan se assustou com a atitude de Igor, e ficou pensando: "Será que ele realmente está preocupado? Será que ele se arrependeu de fato?". Mas seus pensamentos tiveram que ser interropidos, para poder insistir em saber de noticias.

– Fala doutor. Preciso de informações. Não estou me aguentando... — Disse Jonathan aflito.

– Bom... A força desse jovem é indescritivel. Ele está totalmente fora de perigo. — Disse o médico sorrindo. — Demoramos a trazer noticias, porque queriamos ter certeza do quadro dele.

Jonathan começou a comemorar. Abraçou o médico, abraçou Igor, que por sua vez, retribuiu o abraço, com mais força. Quando Jonathan se deu conta, pediu desculpas, e se recompos.

O médico então, continuou:

– Ele só vai precisar ficar em observação durante um tempo, mas vocês vão poder ir visistar ele no quarto.

– Agora? — Jonathan não conseguiu esconder sua animação ao falar.

– Só uns minutinhos... 20 no máximo. Preciso acertar uns papeis, e então vão poder.

– Obrigado doutor.

– De nada. Com licensa.

Marcela e Michael entraram na sala de espera e avistaram Jonathan, e correram em sua direção.

– Como ele está? — Marcela perguntou.

– Está bem. — Jonathan respondeu sorrindo.

– Que bom, hein cara Foi mou susto que a gente levou. — Michael disse.

– Nem fala...

– Mas o que ele está fazendo aqui? — Marcela perguntou baixinho, se referindo a Igor, que estava em um canto da sala, sentado num sofá.

– Bom, ele disse que se redimiu, e não queria realmente o mal do Guilherme. — Jonathan explicou.

– Será mesmo? Olha lá hein... Abre seu olho. — Marcela alertou o amigo.

– Pode deixar amiga.

Os três continuaram a conversar ali, enquanto Igor disfarçadamente pegou seu celular e digitou uma mensagem pros seus capangas.

"Tá na hora. Podem entrar. Tomem cuidado."

Igor guardou seu celular, após excluir a mensagem.

Jonathan já está voltando a ficar nervoso, porque já tinham se passado mais de 20 minutos que o médico tinha falado com ele, e ele ainda não tinha a permissão pra entrar no quarto de Guilherme. De repente o alto falante do hospital, ligou e emitiu uma mensagem, pra todos os médico livres e seguranças:

– "Atenção todos os médicos e seguranças! Paciente do quarto 203 acabou de sumir do seu quarto. Repito, paciente do quarto 203 acabou de sumir. Todos se encaminhem ao quarto imediatamente."

Marcela deu de ombros, e Jonathan franzil o cenho.

– Nossa, que hospital sem segurança. — Igor falou. — Isso é um perigo pra qualquer paciente.

Marcela encarou Igor, e alfinetou:

– Esse hospital tem tão pouca segurança, que certas pessoas entram e ficam numa boa.

– Amor, para! Aqui não é lugar. — Michael deu uma advertencia em Marcela, para que ela parasse de mexer com Igor.

Jonathan que não aguentava mais, se levantou e foi até a recepção:

– Com licensa, a senhora tem informação, se as visitas pro paciente Guilherme dos Santos já foram liberadas? Estou aqui desde cedo e nada ainda.

– Deixa me ver aqui. — A moça começou a digitar no computador, pra ver se tinha alguma novidade. Ela parou de digitar, e olhou pra cara de Jonathan, com um olhar de pena. — Senhor...

Marcela que prestava atenção de longe disse:

– Essa não. Não pode ser. — Terminando de falar ela levantou, e foi até Jonathan.

A moça então continuou.

– O paciente Guilherme dos Santos, estava no quarto 203.

– Ah sim... Então já posso entrar né?! — Jonathan estava todo sorridente. Ele nem se tocou, de que o quarto 203, era o quarto do paciente desaparecido.

– O senhor não entendeu... Ele ESTAVA no quarto 203. Não está mais.

– Ele recebeu alta? Como ninguém me disse antes? Estou indo pra casa agora. — Jonathan virou, mas Marcela o segurou pelo braço. — Mâ, agora não posso. O Gui saiu. — Disse ele todo feliz.

Marcela continuou segurando o amigo, procurando as palavras pra usar nesse momento. Sem encontrar as que ela queria, apenas disse:

– "Paciente do quarto 203 acabou de sumir."

Jonathan arregalou os olhos, e seu olhar parecia a milhas de distancia dali. Michael quando se deu conta, levantou da cadeira, mas permaneceu no seu lugar. Igor chegou pra frente, pra escutar melhor, e fingiu uma cara de preocupação.

– Amigo... Amigo... Jonathan... Jonathan... Jonathan... Olha pra mim amigo... — Ela acabou de dizer isso, e Jonathan despencou em seus braços. — Jonathan? Jonathan acorda. Chama algum médico moça. Rápido. Michael me ajuda aqui.

Michael correu pra ajudar Marcela, que estava segurando o amigo, em seus braços, evitando a queda dele no chão. De repente a sala de espera estava cheia. Não só de familiares das vitimas, mas de médicos e curiosos, que passavam e viam ele ali. Estava cheio de verdade. Todos estavam ali naquele momento. Menos Guilherme. Afinal de contas... Onde ele estava?