Jonathan estava em casa fazendo comida, e pensando se ele já ligava pra delegacia, pra saber se já tinham alguma noticia nova do caso, desde a última hora em que ele ligou. Ficou andando de um lado para o outro, até que a sua campainha tocou. Deu uma olhada pelo olho mágico, e viu Marcela parada do lado de fora. Fazia uns dias, que ele não falava com Marcela. Ele abriu a porta do apartamento, e Marcela entrou gritando:

– Como você teve coragem de fazer isso com ele? — Marcela gritava de tanta raiva.

– Olá, pra você também. — Jonathan falou num tom sárcastico. — Tem dormido bem?

– Não venha com essas suas piadinhas Jonathan. Isso que você fez, foi cachorrada.

– O que foi que eu fiz? Gostaria de saber, antes de ser acusado e declarado culpado.

Marcela esticou a mão, entregando um jornal a Jonathan.

– Isso... Já está em todos os lugares possiveis.

Jonathan pegou o jornal e olhou a manchete. Ela dizia:

"Extra, Extra! Conheça todos os detalhes da vida de Guilherme Dos Santos. Ele não era tão puro quanto aparenta ser."

– Ai meu Deus... — Jonathan sentou no sofá e abriu o jornal, para começar a ler.

"Uma fonte anonima, que prefere ser chamada de -A, nos confidenciou detalhes da vida de Guilherme Dos Santos, sumido mistériosamente do hospital onde estava se recuperando de um acidente. O jovem que aparenta ser uma boa pessoa, só aparenta mesmo. Segundo -A, Guilherme tinha problemas com bebidas, furtava CD's de lojas, utilizava drogas, e não falava com a sua família, por ser homossexual. -A ainda disse, que ele já se prostituiu, para conseguir dinheiro, e que pra conseguir seu último emprego, ele teve que dormir com o seu patrão. -A tem suas dúvidas, de que Guilherme tenha sido sequestrado. Pra -A, Guilherme queria apenas sumir, pra recomeçar em outro lugar. Será que uma pessoa dessas, é tão legal quanto aparenta ser? Será que não foi um alívio o sumiço dele? Preparamos em nosso site, uma enquete sobre o assunto. Entre lá e de a sua opinião."

Jonathan ainda muito furioso com o que acabou de ler, fechou o jornal.

– E ai... Como você teve coragem? — Marcela insistiu.

– Não fui eu! — Jonathan explodiu. — Por que, eu iria fazer uma coisa dessas com ele? Eu amo o Guilherme. Nunca faria uma coisa dessas. — Jonathan começou a chorar.

– Então quem foi? — Marcela se aproximou de Jonathan, sentou no chão e botou sua mão, sobre as pernas dele. — Precisamos descobrir.

– Eu não sei.

– Nós vamos descobrir, e tirar essa história a limpo. — Marcela passou a mão no cabelo de Jonathan. — Espera...

– O que?

– Foi o Igor.

– Ai não Marcela... Isso não é hora pra sua implicância com ele.

– Não é implicância. Pensa... Ele odiava o Guilherme. Capaz de qualquer coisa, pra denegrir a imagem dele. Jon, você não é burro.

– Chega Marcela! É implicância sim. Afinal de contas, foi ele que ficou comigo todos esses dias. Você estava aonde? Hein? Ele tem sido muito mais amigo, do que você.

Marcela se afastou quando ouviu aquilo. Lágrimas começaram a aparecer nos olhos de Marcela, que só conseguiu dizer algumas palavras:

– Você... Você tá sendo muito injusto comigo. — Marcela estava chorando muito já. — É melhor... É melhor... Eu ir embora. — Marcela saiu correndo.

Jonathan chutou o banco, e deu um grito:

– Marcela! Marcela espera. — Jonathan saiu correndo, mas o elevador já tinha se fechado. — As escadas. Anda, anda. — Jonathan desceu as escadas, pulando um monte de degraus. — Que droga. Pra que, eu fui morar na cobertura?

Chegando lá embaixo, Jonathan correu pra portária do prédio.

– Ferdinando, a Marcela já passou por aqui? — Perguntou ao porteiro.

– Ela acabou de passar correndo. E estava chorando muito.

– Obrigado. — Jonathan disse, correndo pro lado de fora. Olhou pros dois lados, mas não viu nem sinal do carro de Marcela. — Droga. Droga, droga, droga, droga, droga.

Jonathan chutou uma garrafa que estava na calçada e entrou. Ele tinha que tentar falar com Marcela de qualquer jeito.