Corações Em Chamas
12 Adeus!
Já tinham se passado 3 meses, desde que Guilherme desapareceu, Marcela e Jonathan brigaram, e Igor concluiu sua vingança. Todos achavam que com o tempo, Jonathan iria se sentir um pouco melhor, mas todos estavam errados. Com o passar dos meses, ele só foi piorando. Ele se sentia sozinho, só andava triste, quase não ia trabalhar, e se não fosse Cássio tomar conta do restaurante, ele provavelmente teria perdido o negocio.
Jonathan estava em casa, pensando no que Cássio lhe falou no dia anterior:
– Patrão, você está precisando tirar umas férias. Com todos esses acontecimentos dos últimos meses, isso seria o melhor pra você.
– Eu não posso Cássio. Eu ainda tenho que cuidar do restaurante. Isso é tudo que me restou.
– Não se preocupe. Eu e Bernardo, podemos cuidar de tudo. E você pode entrar em contato com a gente a todo tempo, pra saber como está indo tudo. Você precisa disso patrão.
– É... Talvez eu esteja precisando mesmo.
Jonathan pegou o telefone, e ligou pra Bernardo, e depois pra Cássio. Os dois ficariam de gerente do restaurante. Cássio ficaria de Segunda, Quarta e Sexta, e Bernardo ficaria de Terça, Quinta e Sábado. De Domingo sempre ficava muito cheio, então os dois ficariam como gerente. Jonathan explicou tudo que precisava, tudo que eles teriam que fazer, e ligou pra casa de Marcela. Ele não queria ir embora, antes de falar com ela. Já faziam 3 meses que eles não se falavam.
– Alô? — Michael atendeu.
Jonathan pensou em desligar, porque até Michael tinha se afastado, mas achou melhor não.
– Alô? Alô? Tem alguém na linha?
– Michael?
– Quem é?
– Sou eu Jonathan.
Um breve silêncio ficou no ar, e então Michael disse:
– Ah sim...
– Michael, a Marcela tá ai?
– Não. Ela foi pra loja.
– Ah puxa... A loja dela já inaugurou então?
– Sim. Semana passada. Está o maior sucesso.
– Que bom pra ela. — Mas um pouco de silêncio, e então Jonathan continuou. — Han... Não diz nada que eu liguei não. Eu... Eu... Tão tocando a campainha, eu vou atender. Então é...
Michael interrompeu Jonathan, e perguntou:
– Cara, o que está acontecendo?
– Hum... Nada, nada. Liguei porque... É... Vi o número no telefone, e fui conferir de quem era. Só isso.
– Cara, eu te conheço. Fala o que é.
– Eu sinto saudades de vocês. — Jonathan ficou quieto e Michael se calou também. — Mas tá claro, que vocês seguiram com a vida de vocês. Tudo certo. É... Melhor eu desligar. Bye.
– Mas Jonathan...
E Jonathan desligou. Ele queria se matar, por ter feito aquela ligação.
Uma hora mais tarde, Jonathan já tinha feito a reserva do hotel que ele ficaria, e agora só precisava comprar uma mala nova. Ele estava com o vôo marcado pras 23:00 hrs. Jonathan pegou sua chave do carro, e foi até o shopping mais próximo. Comprou a mala, e uma comida japonesa pra ele comer antes de ir viajar. Jogou tudo no banco de trás, e ligou o carro. Tudo que ele queria, era sair do shopping logo. Jonathan é o tipo de pessoa, que não suporta ficar em shopping. Prefere muito mais passear no parque, do que andar no shopping. Jonathan pra ir embora, tinha que passar pela rua da loja de Marcela. Quando ele estava passando, parrou o carro do outro lado da rua, e olhou pra dentro da loja. Viu a antiga amiga mostrando umas roupas pra uma cliente. Com certeza, era uma das roupas que ela mesma criou. Marcela virou pro lado de fora, e viu o carro de Jonathan parado do lado de fora.
– Jonathan... — Marcela sussurrou.
– O que disse? — A senhora que Marcela perguntou, sem entender.
Marcela virou para a cliente, e disse:
– Hãn... Nada. Dulce, atende ela pra mim? Obrigada. — E Marcela virou pra ver Jonathan, mas ele já havia ido embora.
Marcela foi até a rua, e viu o carro virando na esquina. Entrou na loja correndo, subiu e pegou sua chave. Foi até a Dulce, que estava em fase de testes para se tornar a gerente da loja, e disse:
– Cuida de tudo ai. Vou ter que dar uma saida.
Marcela entrou correndo no carro, e foi atrás de Jonathan.
Jonathan entrou e fechou a porta. Pegou sua mala nova, e começou a arrumar as roupas, que já estavam separadas. Terminou de arrumar, e botou a mala na sala. Pegou seu jantar, e estava botando na mesa, quando a campainha tocou.
– Já vai. — Jonathan disse, dando a volta na mesa.
Jonathan abre a porta, e Marcela está diante dele. Meio que sem reação, Jonathan diz:
– O-oi.
– Oi. — Marcela sorriu. — Posso entrar?
– Claro...
Marcela olhou em volta, e viu a mala e perguntou:
– Indo ou chegando?
– Como assim?
– A mala. — Marcela apontou pra mala no canto da sala.
– Ah sim... Estou indo.
– A que bom. Viajar é sempre bom. — Marcela lançou um sorriso pra Jonathan que retribuiu. — E pra onde você vai?
– Pra Londres.
– Nossa, que legal. Você vai hoje?
– Sim. — Jonathan sorriu.
– E você vai ficar quanto tempo?
– Não tenho um tempo determinado. Ficarei quanto tempo eu puder.
– Fico feliz por você.
– Obrigado.
Uns minutos de silêncio se passaram, e Marcela falou:
– Bom, eu vim aqui, porque o Michael me contou que você ligou lá pra casa, e eu te vi parado do outro lado da rua da minha loja. Tentei te chamar, mas você correu com o carro.
– Desculpa. Não ouvi.
– Bom... Eu tenho todos os motivos pra nunca mais olhar na sua cara, pelo que você fez comigo. Porém, não aguento mais ficar brigada com você. — Marcela olhou pra Jonathan, que olhou pra ela sorrindo. — Poxa... Eu te amo. Você é meu melhor amigo. Apesar de você não ter me dado um voto de confiança, eu te adoro.
Jonathan puxou Marcela e deu um abraço nela.
– Me desculpa. Eu errei muito naquele dia, mas eu não queria saber de nada. Estava doendo muito, assim como ainda doí. Mas te perder durante esse tempo, doeu muito mais. E não poder estar lá na inauguração da sua loja... Nossa, fiquei tão triste quando o Michael me falou que ela tinha inaugurado já e eu não tinha sido convidado, mas ao mesmo tempo, fiquei muito feliz por você.
Marcela olhou sem entender nada pra Jonathan e falou:
– Mas você foi convidado sim. Eu mesma deixei o convite na recepção do prédio, pra eles te entregarem.
Jonathan não entendeu nada.
– Mas eu não recebi nada.
– Eu deixei sim. Deixei com o Ferdinando. Nas mãos dele.
– Calma ai... — Jonathan pegou o interfone e deu um toque pra portária do prédio. — Vou ligar pra ele agora.
– Portária. — Ferdinando respondeu.
– Ferdinando, a Marcela deixou um convite pra mim né?!
– Sim seu Jonathan. Mas ele já foi entrege tem um tempo.
– Como? Ele nunca chegou nas minhas mãos Ferdinando.
– Não seu Jonathan... Eu mesmo entreguei ele pro senhor Igor.
– O que? Você tem certeza disso?
– O que foi Jonathan? — Marcela perguntou.
– Absoluta. Eu dei isso, mais as contas do senhor pra ele, no dia que ele passou aqui pra se despedir.
– Ai meu Deus... Obrigado Ferdinando.
Jonathan desligou o interfone, e sentou no sofá. Marcela se aproximou dele e perguntou:
– O que foi?
– Foi o Igor. Ele pegou o convite e não me deu.
– Como assim? O Igor estava frequentando seu apartamento, Jonathan? Ele pegava suas correspondências?
– Ele veio se despedir... Ele estava indo pra Itália. Dai quando passou aqui pra se despedir, ele trouxe as correspondências pra mim. Foi só isso.
– Mas ele frequentava seu apartamento?
– Sim. — Jonathan disse, e Marcela fez cara de quem não acreditava no que acabou de ouvir. — Ele me dava o maior apoio, em relação a tudo. Ele tem sido um grande amigo.
– Um grande amigo? Um grande amigo, Jonathan? Ele não te entregou o seu convite. Isso é coisa que "um grande amigo" faz?
– Ele com certeza tem um bom motivo pra ter feito isso.
– Bom motivo? — Marcela não acreditava, que Jonathan defendia Igor, depois de tudo. — Quer saber... Te procurar foi um erro. Quando você acordar pra vida, me procura. Boa viagem.
– Não Marcela... Eu não quero ir brigado com você.
– Você escolheu assim Jonathan. Então, assim será.
Marcela saiu do apartamento e entrou no elevador. Jonathan viu a porta fechar, e pensou: "Perdi minha amiga. De novo."
Jonathan ouviu chamarem pro seu vôo, e foi pro ponto de embarque. Não demorou nem 15 minutos e ele estava dentro do avião. Próxima parada, Londres.
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