O sol nascia e Alanna também. A menina levantou e foi tomar um banho. Ajeitou os cabelos morenos levemente cacheados, tomou o seu “café da manhã”, pegou uma trouxa de roupas e torceu para que aquele dia terminasse logo.

No caminho para a casa do Youtan, Alanna pensava. Algo fez com que a garota percebesse que ela detestava o seu nome. Ela preferia ser chamada de Lan. Lan era um apelido que seus irmãos concederam-na. Mas Elize também gostava de chamá-la assim.

Lan acordou de seus devaneios ao perceber que alguém gritava seu nome. Como esperado, a voz que gritava “Lan” loucamente vinha de Elize! Elize, ou El para os íntimos, era a melhor amiga de Alanna. Era de estatura mediana e tinha os cabelos lisos, louros, na altura dos ombros. Gostava de prender sua franja com uma presilha rosa de flor e usava sempre um perfume adocicado de canela e baunilha, que Lan nunca se cansava!

–Olá, Lan! – disse Elize com um sorriso que ia de orelha a orelha.

–Olá, El. – respondeu Lan com uma expressão séria.

–Você trouxe as roupas, ótimo! Hoje vou te ajudar na residência dos Youtan.

–El, não precisa, consigo dar conta sozinha.

–Por favor, Alanna, eu quero ajudá-la.

–Ok, ok! – respondeu Lan, fazendo

Alanna e Elize seguiram seu caminho. Foi uma viagem silenciosa. Nenhuma das duas meninas atreviam-se a falar. El quebrou o clima silencioso, dizendo:

–Eu não entendo... Tantas coisas ótimas hoje em dia, e nós aqui, lavando roupa. A gente poderia estar fazendo qualquer coisa menos lavar as roupinhas sujas dos idiotas ricos que não conseguem colocar a mão na água para limpar as próprias vestes!

Aquilo doeu em Alanna. Ela sabia que não era culpa da amiga, afinal, Elize não sabia do segredo de Lan. Mas mesmo assim isso a magoou. Ao mesmo tempo, a morena ficou surpresa. Não era todo dia que se ouvia uma reclamação de Elize! Ao que Lan sabia, El era extremamente alegre todo dia, toda hora, ao lado de qualquer pessoa.

–Alanna? – perguntou El, fazendo com que Alanna acordasse dos seus pensamentos.

–Ah, oi...

–Você está bem? Está tão estranha hoje, Lan. – Elize perguntou, franzindo a testa.

–El... Se eu te contar um segredo, você me promete que não contará para absolutamente ninguém?

–Não. Nem que você tivesse assassinado Wely Youtan, eu não faria isso, pois não tenho nenhuma amiga além de ti, querida.

–Não é nenhum crime! Está louca, Elize?

–Não.

–Bom, eu meio que...

–Diga logo, Alanna, estou curiosa! Pare de fazer suspense!

–Eu sei ler e escrever! – disparou Lan.

El entrou em estado de choque. Os olhos acinzentados da garota foram tomados por desespero e surpresa e ficaram arregalados. Elize ficou pálida e suas mãos dispararam em tremores. A loira abriu a boca para falar algo, mas o som pareceu não sair.

–Desculpe-me, El. Eu deveria ter te dito antes! Que burra e idiota sou eu! – disse Alanna já com lágrimas nos olhos.

–L-ler? E-escrever? – balbuciou El.

–Sim! Todas as noites, quando papai e os garotos dormem, eu acendo uma vela e estudo. Eu aprendi a ler e escrever sozinha, não sei como. Por favor, Elize, desculpe-me...

Um silêncio reinou entre as duas amigas. Alanna chorava como uma louca, e Elize ficou pensativa. De repente, El desviou o olhar de Lan. Apenas virou-se e começou a andar.

–Aonde você vai, El? Diga algo, não me deixe aqui!

–Vamos logo, ou a família Youtan vai querer pagar menos que o normal, que geralmente já é bem pouco. Você não acha? – respondeu Elize sem ao menos olhar para trás.

Alanna correu tropeçando para alcançar Elize. O resto do trajeto foi todo em silêncio. Às vezes, Lan olhava para El pelo cato do olho, mas voltava seu olhar para o chão de terra rapidamente. Enquanto isso, a loira estava pensativa.

Lan não sabia exatamente o que fazer. Ficaria calada ou quebraria o gelo entre ela e a amiga? Optou pelo clima silencioso. A morena ficou mais nervosa ainda. Sentia-se culpada por toda a tristeza de El. Havia perdido há alguns minutos sua única e, portanto, melhor amiga! Elize era dois anos de idade mais velha que Alanna, não foi fácil ganhar sua amizade. E agora, Lan sentia que havia perdido isso facilmente.

Lan precisava do perdão de El, precisava da amiga maluca e sorridente de sempre. Mas ela não tinha nenhuma noção de como conseguiria esse bem precioso de volta...

Notas finais
Gostaram? Comentem! Se não curtiram, façam o mesmo. Preciso de ajudaaa! Por favor! Bjokas :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.