Coração de Porcelana

4 Capítulo 4 - Que sentimentos são esses?


- É estranho... – ele continuou como se não quisesse sair de lá – Nunca te vi pela escola antes, não é a toa que falam que é realmente grande – riu — Levando em consideração, claro, que entrei aqui só este ano, não pude me acostumar ainda com todas as pessoas ainda, nem mesmo me acostumei com todas de minha sala...

Stefan parou, encarou o chão e sorriu.

- Desculpe, eu falo de mais.
— Não me importo – Sophia disse com a maior certeza do mundo. Como ela não podia vê-lo, pelo menos queria ouvi-lo – Você está no terceiro colegial também?
— Estou. Classe dois.
— Classe um.
— Ótimo... Saberei onde te encontrar depois do sinal – disse com uma voz doce que fez Sophia quase ter um ataque de tontura.

Respirou fundo, tentando acalmar o sangue que corria rápido pelas veias de seu corpo. Era estranho o que sentia. Perder o ar não era lá uma coisa tão boa, era como se ela não tivesse um pulmão.
Mas, ele também sentia isso? Ou era da cabeça dela? Era mais uma brincadeira em que teria que enfrentar?
Eu queria dizer a ela que não.

- Bom – ele pegou a mão da garota de novo e sacudiu carinhosamente – Foi ótimo conversar com você, espero poder te ver nos intervalos novamente.
— O prazer foi meu – as palavras saíram em um rojão desajeitado.

Stefan riu, se virou e deu um chute fraco na pobre da lata de lixo, colocando-a em seu lugar. Sorriu, mesmo sabendo que ela não podia ver os seus olhos brilhantes para ela.
O garoto aprofundou o olhar nos olhos da garota – que estavam perdidos e paralisados – e jurou que dentro deles ele podia ver a alma dela. Uma bela alma. Belos olhos.

Já Sophia, pode o ouvir caminhando para longe dela, o calor e a presença de outra pessoa ao seu lado desapareceram. Ela não gostou nem um pouco da mudança. Era como se sua respiração voltasse ao normal, e mesmo isso sendo bom, tinha um lado ruim.
Sophia sentiu como se a escuridão de seus olhos ficassem piores a medida que ela não ouvia mais nada que poderia vim do garoto. Foi como se ela entendesse a diferença. Uma grande diferença. Ela não podia enxergar, mas podia sair de seu breu quando estava perto dele.
Sentiu falta de Stefan.
Muita falta.
Falta do garoto que acabara de conhecer, que não tinha trocado muitas palavras.
“O que está acontecendo com você Sophia? Está louca?” – perguntou pra si mesma.

“Louca não... Apaixonada” – quis por um momento que ela pudesse me escutar.