Coração de Porcelana
13 Capítulo 13 - Meu primeiro beijo.
Eles precisavam de algo mais tranqüilo. E parece que o DJ tinha me escutado.
A música mais calma começou e pode se ouvir gemidos vindos quase de todos os presentes.
— Só para os apaixonados – Soou a voz do garoto no microfone.
Demorou-se um pouco para a pista encher. Mas encheu.
Alguns casais brincavam com a música, vários riam, outros dançavam com o amor esculpido nos lábios.
A imagem fez Stefan sorrir.
- Quer dançar? – perguntou ele, sussurrando para a garota com os olhos perdidos na mesa.
“Sim.”
Era o que Sophia queria dizer logo de cara. Mas não pôde.
Novamente aquele pensamento.
Maldito pensamento!
Ele continuou lá e ela fez uma careta.
Que raios de pensamento era aquele? Que raios?
- Stefan... – sussurrou – Não. Não posso.
— Não?
Quando ela voltou a falar sua voz tinha crescido uma oitava.
— Eu quero dizer... – ela virou a cabeça quase a encostando em seu ombro para ouvir os passos agitados atrás dela – Tem muita gente, eu não vou conseguir passar. Vou ser esmagada. Mesmo que me ajude. E... Você será também.
As frases dela me soaram estranho.
Céus! Que pensamento era aquele? Porque não conseguia vê-lo?
— Soph, eu realmente acho que...
— Além do mais, eu não conseguiria acompanhar os seus passos. Eu pisaria no seu pé ou... não sei... vai saber o que eu faria! Esqueceu-se que sou cega?
Fiquei tão boquiaberta quanto Stefan. A expressão de Sophia não era nervosa, mas pensativa. Muito pensativa.
Eu estava chocada.
Ele – como se tivesse um dom – se recuperou rápido.
— Tudo bem. Nada disso vai acontecer – prometeu.
— Como sabe? – sussurrou como se voltasse ao normal.
— Eu só sei.
Ela sentiu ele se levantando. Automaticamente ela apertou as mãos onde estava sentada e se espremeu mais contra a cadeira.
Mas, depois, Sophia sentiu algo diferente. Quando percebeu, seus pés não encostavam mais o chão e algo a segurava de forma estranha. Seus cabelos cairam para trás e ela parecia voar.
- Stefan – gaguejou, com medo.
— Assim você passa fácil – sorriu.
Foi quando percebeu que ele a carregava no colo. Sem perceber, Sophia agarrou a gola de sua camisa e começou a rir baixinho contra seu pescoço, tentand nã imaginar a cena.
— Ai meu Deus! Você é louco! – gargalhou.
— Saiam do caminho! Vamos! Saiam! – riu enquanto as pessoas abriam o caminho para o casal. Sophia agradeceu por não ver, novamente iria ter vontade de se enfiar em baixo de qualquer mesa.
Logo chegaram ao meio do salão. Ela ainda estava agarrada a ele e não queria soltar de imediato. Então Stefan soltou os dedos dela de vagar até que conseguiu tirá-los de sua gola e colocá-la no chão.
Sophia passou as mãos pelo cabelo e sorriu.
— E agora, gênio? – brincou.
— Bem...
Stefan a pegou pela cintura e a levantou como se não pesasse nada. Como se fosse uma folha ao vento. Ele era o vento dela e ela era a folha dele.
O garoto a abaixou rapidamente, mas ela não sentiu o chão, sentiu algo diferente em baixo de seus pés. E percebeu que estava muito próxima dele, totalmente próxima. O corpo dela estava contra o dele.
Sophia sentiu o sangue novamente esquentar em suas veias e suspirou para ter certeza que o ar estava entrando e saindo de seu corpo como é seu dever.
- O que... – tentou entender, mas ele deu um passo para o lado e involuntariamente ela deu também. Logo, notou que estava apoiada em cima de seus pés – Ah! – sorriu – Você é realmente louco, não?!
— Eu te disse que você não precisava se preocupar – gargalhou. E aquela risada de sinos posto ao vento, que ela tanto amava, invadiu seus sentidos.
Os dois estavam dançando, ela não precisou se preocupar se estava certa. Sophia estava sendo conduzia – completamente levada – por ele. Os pés dele eram os seus pés.
A garota sentia todo o corpo de Stefan grudado no dela, sabia que estava olhando para seu rosto mais não o enxergava. Ela odiava aquilo.
Seu coração pulou de novo, ameaçando rasgar seu peito. Ela apertou as mãos – que estavam em torno do pescoço dele – como se aquilo tivesse doido. Mas não doeu. Só era estranho, ela não conseguia – de novo – respirar, nem mesmo saber o que estava acontecendo. O bafo dele em seu rosto era de vários sabores misturados – chocolate, menta, morango, leite condensado e até refrigerante – e, mesmo sendo engraçado, isso a deixava desconcertada. Como uma droga.
Sua mente gritava pelos lábios dele, e ele gritava pelos lábios dela. Mas nenhum dos dois agiu.
Novamente, seu coração ameaçou sair do peito e ela agarrou a gola dele.
- Tudo bem? – perguntou preocupado, apertando as mãos que estavam em sua cintura.
Ela não conseguiu responder.
Sophia respirou ofegante como se tentasse desesperadamente viver.
Cada vez mais foi se tornando sufocante.
Stefan esqueceu sua respiração e colocou uma mão no rosto dela. Roçou suas bochechas rosadas com o dedão.
Logo começou a formigar no lugar onde ele tocava.
Nenhum dos dois agüentava mais resistir ao corpo do outro. Um pertencia ao outro. Os dois tinham sede do outro.
Então Stefan sorriu e Sophia pode perceber. Mesmo querendo sorrir em troca, não teve forças.
O garoto deslizou a mão que estava na cintura dela até suas costas e sua outra mão segurou mais firme o seu rosto, entre o queixo e a orelha. Depois, a puxou para si.
Pude ver os pensamentos de Sophia...
“Como não via, foi bem mais desesperador não sentir os lábios dele nos meus. Eu precisava daquilo, eu precisava dele.
Percebi quando ele me puxou para si e, mesmo sem precisar, fechei meus olhos. Senti-lo totalmente era meu desejo. Queria esquecer o que ouvia, queria só sentir.
Uma onda de eletricidade passou por meu corpo. Nunca tinha imaginado aquilo.
Os lábios dele eram macios e cálidos. Ele pressionou sobre os meus delicadamente, mas isso só no começo. Depois foi se tornando um pouco mais rápido e eu podia sentir ele separando aos poucos meus lábios com os dele. Sua língua invadiu, brincando com a minha. Tentei segui-lo. Mas estava tonta de mais para pensar em algo realmente coerente.
Paramos de nos movimentar e eu agarrei seus cabelos, puxando-o para mim.
Quando ficamos — realmente — sem fôlego, ele separou um pouco os lábios dos meus e sorri, somente com a sensação de tê-lo me segurando. Mas algo, como um pássaro preso dentro de mim, queria desesperadamente poder vê-lo.
- Eu te amo – sussurrou contra meus lábios.
— Eu te amo – quando movi meus lábios para falar ele moveu os dele junto. E logo começou a ficar mais quente e mais rápido. Nós não dançávamos mais.
Eu podia sentir a mão dele me apertar contra o seu peito, como se fossemos um só. Tudo naquele momento formigava, meu corpo inteiro. E achei engraçado. O meu sangue parecia queimar e meu coração batia como um tambor.
Não sabia o que estava acontecendo. Era tão confuso pra mim. Mas era bom. E era com ele! Por isso, eu não podia – e nem queria – me importar com mais nada.
Passei minhas mãos por sua nuca. Então me senti perdida, mas ao mesmo tempo achada. Meu pulmão começou a arder e eu não sabia exatamente o que tinha que fazer. Havia um medo gigante dentro de meu estômago e por um minuto achei que me comeria viva. O que eu faria? Stefan?
Tentei gritar seu nome em minha mente, mas ele não escutaria, logicamente. Aquele medo... Deus, estava me dilacerando! Precisava calá-lo!
E acho que conseguiria se me perdesse novamente nele. Apertertei seus cabelos, os fios presos entre meus dedos trêmulos, e foi então que empurrei sua cabeça para mais perto da minha. Sem perceber eu soltei um gemido enquanto tentava respirar.
Senti Stefan sorrir sobre os meus lábios. Era o fim? Não! Eu tinha que ter agüentado mais! Que estúpida! Pulmões estúpidos!
Ele prendeu meu lábio inferior aos dele e puxou gentilmente. Depois ouve um selinho.
Havia acabado.
E , dentro de mim, aquilo começou a acordar de novo.
O medo.
Mas, desta vez, as imagens que eu formulava na cabeça para tentar imaginar o que era ver o que aconteceu agora, faziam com que ele ficasse fraco.
E logo, o medo se fora novamente, mas eu nem mesmo sabia do que tinha me levado a ele e da onde veio.
Ignorei.
Minha respiração saiu em um bafo e fiquei ofegante novamente. Mas sorri.
Meu Deus! Como eu o amava!”
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