Coração de Guerra
1 Capítulo 1 - O Começo
Notas iniciais
De início, este era apenas um trabalho de inglês, mas que muitos amigos pediram a continuação e então, resolvi postar e tentar conseguir alguns leitores.
Peço desculpas a quaisquer erros.
Boa leitura!
Peço desculpas a quaisquer erros.
Boa leitura!
Era agosto, em pleno verão, me sentia frio, como sempre me senti. Também tinha a sensação de que nada ia dar certo, nunca. Como sempre.
Prometi a mim mesmo que, quando as aulas se iniciassem, eu tentaria ser diferente, ser mais extrovertido, mais caloroso com as pessoas e toda aquela baboseira de tentar mudar. E no minuto seguinte, caí na real: Estou no último ano da escola, não preciso de uma mudança de última hora. Por que eu, um garoto com dezessete anos de idade, olhos escuros como piche e cabelo cor de cobre, iria mudar? Justo agora? Os acontecimentos recentes me atingiram como uma rocha jogada sobre mim com máxima força. Minha mãe morreu há duas semanas em um acidente de carro em Seattle, quando voltava do trabalho. Me sinto como se estivesse em um estado catártico, nada ao meu redor me afeta, não mais. Meu pai nos abandonou quando eu tinha apenas dois anos de idade, minha mãe me dizia que ele era um militar de alta patente e havia nos deixado por conta de uma missão, e então, nunca mais voltou. Mal me lembro de seu rosto, muito menos de sua voz. Tudo oque resta dele em mim, é raiva, mesmo que talvez tenha morrido. Nunca recebemos nenhuma mensagem de morte em combate, nenhum oficial em nossa porta da frente. Meu nome é Jacob Torstein, e essa é minha história. É agosto, e tudo está para mudar. A rotina mal voltou ao normal e eu já estou cheio, a escola não mudou nada e as pessoas também não. Vejo apenas alguns rostos novos e é isso. Sou esperto, às vezes até demais, e um pouco... Digamos que convencido. Ser egoísta e egocêntrico é o meio de proteção mais eficaz quando não se tem ninguém ao seu lado, mesmo que as pessoas te odeiem por isso. Experiência própria. — Com uma aula dessas, não é atoa que as pessoas usam drogas. – Joe me surpreende sentando ao meu lado. Joe é meu melhor amigo desde a terceira série, é o tipo de cara em que se você não pode com ele, tem que se juntar a ele. Ele tem o papel de bonitão da escola, um cara boa pinta. Cabelos loiros, olhos azuis e corpo atlético fazem parte do seu arsenal. Ainda me pergunto porque ele anda comigo. É aula de química com a Srta. Bennerton, que se aprender a voar, pode ser classificada como um morcego. Ninguém faz ideia de quantos anos ela tem, já ouvi palpites de cento e quatro anos de “pura maldade”. — É verdade, temos sorte que ela ainda não caiu dura no chão da sala. Ela deve estar o quê? Na quarta vida? – Joe ri baixinho ao meu lado fazendo sinal de negação pela piada ruim. — Certo. Escolham suas duplas e façam a tarefa, ela valerá 20% da nota final de vocês. – Sua voz está mais rouca e ela está mais amarela do que no último ano. Ela continua falando, mas já não ouço mais nada quando Docker escorrega e se estatela no chão do laboratório. Apesar de ter pena dele, não consigo segurar a risada, toda a turma gargalha da falha de cálculo dele. — Sr. Docker, tudo bem? – Srta. Bennerton chacoalha sua juba grisalha em sinal de reprovação à turma e se abaixa para ajudar Docker. — Tudo certo, Srta. Bennerton, estou bem. – Ele se levanta apressado e quase se esconde dentro da mochila, totalmente envergonhado. Quando a sineta do final da aula toca, meu celular vibra no bolso de trás da calça, estranho, porque agora, não tem mais ninguém pra ligar pra mim. É engraçado e triste ao mesmo tempo. Entro em uma sala vazia, está frio. — Alô? — Sr. Torstein? Jacob Torstein? – Uma voz feminina fala comigo, é fria e confiante. Essa mulher é bem velha. — Sim, quem está falando? — Sou uma agente do governo e você foi selecionado para um programa militar durante seis meses. – Nesse momento meu cérebro vira gelatina e a única coisa em que consigo pensar é na vaga lembrança do meu pai saindo pela porta da frente há quinze anos atrás. Não quero de maneira alguma ter a mesma vida que ele, ter o mesmo fim que talvez ele tenha tido. – Sr. Torstein, ainda está na linha? — Ahn, desculpe, mas deve haver algum engano, eu não me inscrevi em nenhum programa militar do governo. – Dúvidas brotam na minha cabeça em uma velocidade que não pode ser freada. — Selecionamos somente jovens com real potencial, olhamos cada ficha de cada jovem americano, os melhores são chamados para uma pré-avaliação. Você foi liberado da escola pelo resto do dia, encontre-me em sua casa. – E a ligação cai. — Ótimo! Era tudo que eu precisava, uma mãe morta, um pai que nunca existiu e agora sou recrutado pra um maldito programa militar! – Quando percebo, estou falando sozinho e socando o quadro da sala, os nós dos dedos todos vermelhos. — Ei cara, se acalma! O que aconteceu? – Joe está ao meu lado com a expressão confusa, não está acostumado a me ver assim. O garoto alto e calmo de todos os dias morreu junto com a minha mãe. A raiva me domina a cada segundo do dia. — Eu não sei Joe, acabei de receber uma ligação e tenho que ir pra casa. – Saio apressado da sala, deixando Joe sem uma resposta decente. No caminho pra casa, noto certa agitação nas ruas, mais do que o normal. Passo pelo Parque Central, que por algum motivo está lotado de sacos de areia e arames, há também algumas pessoas com uniforme militar – que ironia – que estão por ali também. O que está acontecendo? Quando chego em casa, instantaneamente o ar se torna pesado, fica difícil de respirar. Ouço vozes no quintal, só me faltava ter um esquadrão no meio do jardim. Respiro fundo no que parece ser meu último minuto de paz. Respiro fundo mais uma vez e abro a porta dos fundos.
Ao sair, me deparo com duas pessoas, uma mulher e um homem. Ela tem estatura média, a pele queimada de sol, corpo atlético, longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, olhos tão verdes quanto esmeraldas, mas tão quentes que poderiam derreter a maior geleira existente no planeta, acredito que ela ferve de raiva por dentro. Ela é muito bonita, e surpreendentemente jovem, se foi ela que falou comigo no telefone, eu estava terrivelmente enganado em achá-la velha só pela sua voz, ela parece ter a minha idade e mesmo assim, não demonstra fraqueza nenhuma, vestida com camiseta e calças pretas e um coturno sujo de barro. O homem que está plantado ao seu lado tem o dobro da sua altura, cabelos castanho-escuros, olhos cor de mel. Parece um super-herói que saiu de uma história em quadrinhos pronto para comandar um exército, afinal eles está mesmo vestido pra isso, seu uniforme azul-marinho sustenta quinze medalhas de ouro, prata e cobre dispostas de uma extremidade à outra de seu peito. Pelo menos o coturno dele está impecável, ao contrário do dela, o seu é cor creme. Ainda tem uma parte de um soldado jovem em si, deve amar o coturno para usá-lo num uniforme formal como esse. E sem dúvida nenhuma, ele não tem nenhum senso de estilo. Ele sustenta um olhar frio e impenetrável. Ele é impenetrável, como uma pedra. O mais estranho, é que tenho a sensação de já tê-lo visto. — Olá Jacob, é um prazer conhecê-lo. Sou Helena Markham, nos falamos ao telefone. – Ela me olha com ar de desdém, como se eu fosse uma criança malcriada. Se ela pensa que sou uma criança, vou agir como uma. — Ótimo, pode me dizer o que está acontecendo aqui? – Quando estou quase conseguindo colocar toda minha raiva pra fora, o poste humano me corta. — Você tem os olhos da sua mãe, Jacob. É ótimo vê-lo depois de tanto tempo. – Um arrepio gelado corre pela minha espinha e uma mistura de raiva e tristeza brota no meu estômago. Eu não tinha reparado no nome em seu uniforme. General Torstein. No momento em que olho seu rosto duro e marcado pelo sol, percebo quem ele é. As palavras saltam da minha boca em um sussurro inaudível antes que eu possa pará-las: — Pai.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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