Coração de Gelo (Versão antiga)
12 Tomando as rédeas
Notas iniciais
Bella saiu do apartamento deixando Milla sob os cuidado do pai e a menina o estava enchendo de perguntas. Ele já tinha ligado para uma agência de mudanças que ajudaria a trazer as malas de Milla e as dela da casa que agora seria apenas de Renée.
Edward não gostou muito da ideia de ela estar indo fazer isso sozinha. Seu marido queria ir com ela, pois segundo as próprias palavras dele, ele queria estar com ela não só nos momentos bons, mas nos maus também e não porque era o dever de um marido e sim porque ele queria poder proteger a ela e a filha deles como nunca pôde nesses 13 anos que se passaram.
Essa constatação doeu no coração de Bella porque era a mais pura das verdades, no entanto enfrentar esse momento era algo que devia a si mesma há muitos anos e precisava fazer isso só, além do mais, um encontro entre sua mãe e seu marido nesse momento estava completamente fora de questão, então ela usou a única arma de convencimento que tinha... a filha deles.
–Edward meu amor, por favor, fique aqui, sim?-pediu.
–Bella, eu não tenho medo de sua mãe! Eu quero e vou enfrentá-la. –ele rebateu.
–Meu amor, eu sei que você não tem medo dela, é claro que não tem! E eu sei que uma hora vocês terão de se encontrar, mas nesse momento precisamos pensar em nossa filha, por favor, meu querido. Não é por mim, mas por nossa menina, por favor.
Edward respirou fundo e fechou os olhos antes de voltar sua atenção outra vez para sua mulher.
Algum dia ele seria capaz de dizer não a aqueles olhos achocolatados? Não, é claro que não! Bella sempre seria sua maior fraqueza, assim como Milla já estava se tornando também outro ponto fraco seu.
–Está bem, mas assim que sair de lá me avise e se não me ligar dentro de duas horas eu irei até lá.
Bella assentiu.
Ela era rápida e isso era tempo mais que suficiente para recolher suas coisas e as coisas de Milla.
Enquanto pensava nisso ela parava seu carro na frente da casa de sua mãe, Edward tinha mandado um de seus homens buscar a Ferrari dela pouco depois de contarem a verdade à filha deles.
Renée viu a filha entrar seguida de quatro homens na casa e se dirigir para o andar superior e ela não entendeu nada, até vê-los descer uma hora depois carregados de malas que foram colocadas em uma van.
Então os homens partiram após receber as instruções de Bella e ela ficou, pois ainda tinha algo para resolver e ela só torcia para não se irritar muito.
–Mas para quê todas essas malas Bella? O que significa isso?-ela indagou assim que a filha parou a sua frente.
–Não é óbvio mamãe?-Bella disse do modo mais suave que pôde.
–Não, não é. Onde está minha neta?
–Milla e eu estamos nos mudando daqui mamãe, definitivamente.
Não mesmo! Isso tinha de ser alguma brincadeira de mau gosto.
–Você não pode está falando sério. Isso é alguma brincadeira de mau gosto, não é mesmo?-Renée grunhiu.
–Eu nunca falei tão sério em minha vida. –Bella respondeu.
–Você só pode ter enlouquecido! Aonde jogou o seu juízo, Isabella?!
–Estou completamente lúcida e meu juízo nunca esteve tão bem. Na verdade, eu o joguei fora quando há 13 anos eu lhe dei ouvidos e virei às costas para o meu marido!
Renée não podia acreditar, tudo o que sua filha estava dizendo mais parecia um pesadelo.
–Mas o que deu em você? Para onde vai levar Milla?
Bella suspirou.
Ela já estava começando a perder a paciência.
–Para onde eu nunca deveria ter saído, para o lado do pai dela. –respondeu e então para sua total surpresa Renée gargalhou.
–Quanto tempo você acha que isso vai durar? Acha mesmo que dará certo? Milla o detesta, ela sabe que o pai é um assassino desgraçado que não tem um pingo de vergonha na cara.
–Milla pode ser apenas uma menina, pode ter apenas 12 anos, mas minha filha muitas vezes é mais madura do que as crianças de sua idade. Só para você saber mamãe sua neta foi capaz daquilo que eu não fui, ela não deixou seu veneno a dominar. Ao contrário de mim ela aceitou o pai sem o menor julgamento e se vamos sair dessa casa é porque eu quero o melhor para minha filha e acima de tudo... não vou mais deixar meu marido só no meio desse furacão, a partir de agora eu estarei com ele seja lá para o que for. –a verdade das palavras de Bella fez não só sua mãe, mas a própria estremecer.
–Você vai se arrepender Isabella quando descobrir que eu tenho razão, quando se convencer de uma vez por todas que aquele maldito é um assassino!-o sangue de Renée fervia de raiva, e Bella tentou ignorar a maldade nas palavras da mãe, ela não as deixaria penetrar em seu coração.
–Talvez isso aconteça mesmo, mas quer saber? Eu não estou nem ai, ao menos se eu me ferrar foi por minhas próprias escolhas e não porque deixei me influenciar por alguém. –sua voz foi tão gélida que Renée decidiu recuar ao menos um pouco.
–Minha filha, por favor, não aja por impulso. Você não sabe o que está fazendo, você...
–Chega mamãe! Eu já estou cansada de você se meter na minha vida, de você tentar me controlar como se eu fosse uma marionete, mas eu não sou e a partir de hoje quem cuida da minha vida sou eu, não você, portanto farei o que bem entender com ela. –Bella disse e se dirigiu até a porta pronta para sair, não queria mais ter que ouvir e tão pouco falar algo mais.
–Se você sair por esta porta, Isabella esqueça que tem mãe, porque eu esquecerei que tenho filha. –por uma fração de segundos as palavras da mãe fizeram Bella parar, entretanto logo depois ela voltou a caminhar.
–Ligue-me se precisar de algo, adeus mamãe. –Bella murmurou antes de abrir a porta e sair.
[***]
–Rosalie, Edward acabou de ligar. –Emmett informou para a loira.
–Você disse a ele que eu estou aqui? -ela perguntou.
–Não. Foi Giana quem atendeu, ele disse a ela que não volta mais hoje.
–Mas que maravilha! O que deu nele? Edward nunca foi de faltar ao trabalho, ele praticamente mora nessa droga de base. –Rose resmungou.
–Fala a verdade MacCarty, aquele infeliz se meteu em uma missão em plena recuperação, não é mesmo?
–Mas que droga mulher! E eu que achava que ninguém conseguia ser mais mala que seu irmão quando quer. Eu já disse, ele não está em uma missão e tão pouco sei onde ele está. Por que ao invés de ficar me torrando o saco você não liga para o celular dele e pergunta onde ele está?
–Porque ele não está atendendo é óbvio!
Definitivamente esses dois não se engoliam, porém, volta e meia Rosie se pegava imaginando como seria estar enroscada naquele corpo vigoroso e cada vez mais ela se recriminava por isso.
O homem a detestava e ela ali imaginando como seria estar nos braços dele.
–Talvez ele esteja fazendo isso porque conhece a irmã que tem. –Rosalie entendeu muito bem a insinuação.
–Além de chata Emmett sou persistente e se preciso for eu dormirei aqui, mas Edward não vai me escapar.
Emmett trincou os dentes, por quanto tempo mais teria de suportar a mala? Arg!!!
[***]
Bella chegou ao apartamento e estranhou o fato de tudo está tão silencioso, onde Milla e Edward tinham se metido?
Ela foi até a cozinha e nada, olhou na varanda e eles não estavam por ali nem na biblioteca, então ela foi até o corredor que levava para os quartos só para se deparar com uma das mais belas cenas de sua vida.
Sua filha dormia na cama do quarto dele abraçada ao pai, enquanto Edward acariciava seus cabelos de olhos fechados, mas assim que ele sentiu sua presença abriu os olhos.
Ela não fez barulho algum, mas o aroma de seu perfume suave bastava para alertá-lo de sua presença.
–Faz muito tempo que ela dormiu?-sua mulher perguntou baixinho para ele.
–Não, só alguns minutos. –ele cochichou de volta.
Com todo cuidado do mundo Edward se desvencilhou dos braços da filha, levantando da cama e caminhando até sua mulher ainda parada na porta.
O general aproveitou para pressionar o corpo dela contra a parede e seu próprio corpo, enquanto atacava os lábios dela em um beijo lascivo.
Ela entreabriu os lábios capturando a língua dele e se agarrou a ele se entregando por completo a caricia.
[***]
–Onde estão as malas?-Bella perguntou, lembrando-se de não tê-las visto em lugar algum do apartamento.
–Na nossa casa. –seu marido respondeu sorrindo, enquanto sentava no sofá da sala e puxava Bella para o seu colo.
–O que quer dizer com nossa casa?-perguntou.
Ela realmente não havia entendido o que Edward quis dizer com “nossa casa”.
–Algumas semanas antes de tudo acontecer eu queria te fazer uma surpresa, eu queria que nós tivéssemos um lugar maior para criar nosso bebê, então comprei uma casa... Hei neném não chore. –o general disse interrompendo o que falava e enxugava as lágrimas que sem perceber sua Bella havia começado derramar. –Eu disse alguma coisa errada?-ele perguntou, preocupado de ter falado alguma besteira sem querer.
–Não, é só que cada vez mais eu percebo o quanto fui idiota ao me deixar levar pela minha mãe naquela época. –sua mulher falou, tentando se recompor.
–Não fale assim meu amor. Naquela época você era apenas uma jovem, que em nada lembra esta mulher forte e determinada que hoje você é! –Bella assentiu sem muita convicção já que era isso que sempre dizia a si mesma.
–Pode ser. –ela murmurou.
–E por falar na minha “querida sogrinha” como foi sua conversa com ela?-questionou curioso e preocupado ao mesmo tempo, ele bem que gostaria de ter ido com sua neném, mas sabia muito bem que não seria o melhor a ser feito naquele momento.
–Poderia ter sido pior, ela poderia ter feito toda uma cena digna dos maiores melodramas do mundo, mas só disse o habitual, antes de ter dito que não tem mais filha. –Bella sentiu o corpo de seu marido imediatamente ficar tenso. –Eddie... –ela começou, mas parou ao ver a expressão dele.
–Como uma mãe pode dizer um absurdo tão grande desses a uma filha, a alguém que por nove meses se formou dentro dela, que ela carregou por tanto tempo?! Eu sabia que sua mãe tinha mudado, mas não pensei que ela houvesse se tornado tão cruel, se eu imaginasse algo assim jamais teria deixado você ir sozinha até lá!
Bella suspirou.
Ela sabia que não, como também sabia que Edward e Renée no mesmo lugar não seria nada saudável e a faria ficar dividida, por isso, insistiu tanto para que ele ficasse.
–Não fique pensando querido, minha relação com minha mãe já não é a mesma faz tempo. Ela estava acostumada a me ver fazer todas as suas vontades e agora que não é assim nós sempre batemos de frente, ela sempre diz coisas do tipo só para voltar atrás depois.
Ele a envolveu com seus braços e a levou para perto de seu peito como se assim pudesse protegê-la dos males do mundo e de certa forma Bella sentia que ele podia, pois nos braços dele ela se sentia flutuar.
Ela beijou o peito dele, depois seu pescoço, seu queixo, as bochechas e por último o canto de seus lábios.
–Não me provoque neném. –ele disse com voz rouca.
–Eu quero você. –sua mulher sussurrou.
[***]
–Quem é?-Rosalie perguntou quando bateram na porta do dormitório de seu irmão, onde ela dormiria aquela noite.
–Sou eu. –Emmett respondeu do outro lado.
–Eu quem?-ela perguntou por pura implicância, pois reconheceu muito bem a voz inconfundível do melhor amigo de seu irmão.
–Emmett.
–O que você quer? Será que não pode me deixar um minuto em paz que seja? -perguntou grosseiramente.
–O problema é seu então, o jantar vai ser servido, depois não reclame dizendo que eu não avisei e muito menos acuse-me de deixá-la passar fome sua mal agradecida. –Emmett murmurou entre dentes.
Estava farto de suportar suas grosserias.
–Não se preocupe, eu não estou com fome e nem quero correr o risco de ser envenenada por você.
Rosalie sabia que estava sendo infantil, mas sair daquele dormitório para qualquer coisa que fosse estava fora de cogitação. Ela já tinha pensado besteiras demais naquele dia e não queria acabar cometendo uma estupidez da qual se arrependeria depois.
–Então é melhor trancar esta porta muito bem por toda a noite, pode ser que eu não resista à tentação de matá-la asfixiada.
A loira arfou, ultrajada com a audácia dele.
[***]
Bella estava deitada no sofá, enquanto seu marido preparava o jantar, ela bem que tentou ajudar, mas ele disse que não queria correr o risco de ela colocar fogo na cozinha do apartamento como havia feito certa vez.
Ela até pensou em contar que aprendeu a cozinhar, mas deixaria para surpreendê-lo outro dia.
Bella agora estava relaxada, Edward e ela haviam feito amor por quase duas horas e depois tomado um banho antes de Milla acordar.
Felizmente ele tinha sido sensato em tirar algumas roupas dela e de Milla das malas antes de mandá-las para a casa deles, casa essa que ela estava louca para conhecer.
–Terra chamando mamãe. –sua filha estalou os dedos na frente do seu rosto.
–Oi querida, o que foi?-ela perguntou, voltando sua atenção para a menina que sem sombra de dúvidas junto a seu marido era a luz de sua vida.
–Eu estava aqui pensando mamãe, agora que você e o meu pai estão juntos outra vez eu vou poder ter o nome dele na minha certidão de nascimento?
–É...
–Vai sim princesa. Amanhã mesmo nós vamos cuidar disso, mas agora que tal as duas mulheres da minha vida virem jantar?
Bella sorriu para Edward, que respondeu a pergunta em seu lugar e saltou do sofá beijando o rosto de Milla antes de passar por ele e lhe beijar de leve nos lábios como forma de agradecimento por seu marido ser simplesmente ele.
Continua...
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