Coração de Gelo (Versão antiga)
21 Em Teus Braços
Notas iniciais
Já era quase seis da tarde quando Bella chegou em casa e encontrou sua menina amuada no sofá da sala.
—Hei princesa, o que aconteceu?-questionou sentando-se ao lado da filha.
—Estou triste. –Milla respondeu.
—Por que meu amor?-Bella quis saber e seu coração se partiu ao ouvir aquilo.
—O papai está lá no escritório e eu o vi chorando. Mamãe quem magoou o meu pai?
—Uma pessoa muito ruim. –Eu. Bella pensou.
—E o papai vai ficar assim por muito tempo?-sua filha quis saber.
—Eu não sei meu bem, mas eu prometo que vou falar com ele. A Sue ainda está ai?
—Sim.
—Então vou pedir para que ela te leve a soverteria. Ok?
Milla assentiu e Bella foi até a cozinha falar com a emprega e quando as duas saíram ela tomou coragem para entrar no escritório, mas antes decidiu tomar um banho.
O general tinha nas mãos uma antiga foto dele e da esposa quando ninguém menos que ela entrou no escritório. Isabella estava tão diferente, não usava suas saias lápis com aquelas blusas sociais, nem alguma calça e jaqueta de couro. Ela estava com um vestido branco de algodão solto com mangas curtas e uma sapatilha vermelha nos pés, seus cabelos que estavam jogados de lado em uma trança meio solta e nas mãos Bella trazia um livro que Edward reconheceu imediatamente “No Paraíso dos Teus Braços”, o livro favorito dela.
—O que faz aqui?-ele indagou tentando parecer indiferente, mas estava difícil, o cheiro, a presença dela o inebriavam.
—Certa vez você me perguntou por que este é meu livro favorito e eu nunca te respondi, bem porque talvez na época eu não tivesse uma resposta exata, mas agora eu tenho.
—O problema é seu. Nada sobre você me interessa mais, a não ser algo que tenha a ver com nossa filha. –ele murmurou lhe dando as costas.
—Tudo bem, direi mesmo assim. –ela falou calma.
—Claro. Porque como sempre você é uma egoísta e somente suas necessidades te importam.
Ele a ouviu suspirar.
—O livro sempre me encantou porque no inicio o mocinho parece não valer nada e parece alguém realmente duro e egoísta, mas no fim a mocinha acaba descobrindo que não é nada disso, que na realidade tudo não passou de uma série de enganos que os manteve separados por muitos anos e então eles voltam a se encontrar, mas depois outra série de mal entendidos os separou novamente, mas a vida trata de juntá-los outra vez e ela acaba descobrindo que o julgou muito mal e ele assume que também errou, pois poderia ter buscado outro modo de agir com ela, mas o medo e orgulho não o deixaram fazer isso.
-E por que está me contando algo tão piegas agora Isabella? Acaso está buscando uma nova forma de torturar?-o general tentou parecer entediado para esconder sua dor.
—Não. É só que a história deles de certo modo me lembra a nossa. Uma série de coisas nos separou e anos depois voltamos a nos encontrar, mas agora outro mal-entendido estragou tudo e o medo e o orgulho não nos permitem nos aproximamos de verdade outra vez. Mas chega uma hora que tudo isso cansa e eu estou cansada desse orgulho idiota, desse medo absurdo, de fingir ser quem não sou.
—Deixe de rodeios Isabella. –Edward disse impaciente.
—Não estou fazendo rodeios, estou apenas dizendo o que sinto. –ele quis interrompê-la, mas por algum estranho motivo a deixou continuar. –Aquela Isabella fria, arrogante e até mesmo cruel não sou eu de verdade, aquela é apenas uma máscara que uso para me defender. A verdadeira Isabella é aquela menina doce, meiga, frágil e um tanto confusa as vezes que um dia você conheceu e se apaixonou.
—Acontece que aquela menina já não existe mais, você fez questão de matá-la! -Edward gritou exasperado. –levantando-se da cadeira, porém permanecendo de costas para ela.
—Isso é o que eu sem querer te fiz pensar, mas não é a realidade. –Isabella rebateu.
—E qual é a realidade afinal? -questionou finalmente a encarando.
—A realidade é que para sobreviver eu aprendi a escondê-la de todos e agora não sei como mostrá-la a você. Não sei como te mostrar que eu te amo e que está me matando te ver acreditar em uma cena mal interpretada. –confessou.
—Você estava beijando outro! -acusou.
—Ou será que ele estava me beijando? Eu não quero desistir de você meu amor, então, por favor, não me obrigue a fazer isso, não me machuque mais mesmo que eu mereça, pois já fui muito cruel com você. Eu te suplico Edward não faz isso, não comete o mesmo erro que eu, não deixa que envenenem tua alma como um dia eu deixei minha mãe envenenar a minha contra você, pois eu te garanto que ao ferimos a quem amamos ferimos muito mais a nós mesmo do que a quem queremos ferir.
—Está querendo dizer que ao me machucar você se machucou muito mais?-Edward perguntou lutando contra a vontade de abraçá-la.
—Pode ter certeza que a cada vez que te machuquei sua expressão de dor ficou marcada em minha mente me torturando dia e noite e me machuquei mais ainda porque você é a pessoa que mais amo e mais ferir nessa vida. –ela disse e saiu do escritório subindo correndo as escadas para o segundo andar.
[***]
Por três semanas seguidas Edward agiu como um fantasma em sua própria casa, Bella não o via chegar nem sair. Ele já nem dormia nos mesmo quarto que ela e Bella acreditou de verdade que o tivesse perdido de verdade e foi ai que ela atingiu seu limite e bateu de frente com Daniel na frente de vários agentes sem se importar com as consequências.
—Querida, eu sei que está irritada comigo pelo modo que terminei com você, mas, por favor, vamos conversar, eu posso explicar porque agir daquele modo. –Daniel disse dando dois passos em sua direção, mas parou ante seu olhar ameaçador.
—Poupe saliva, Daniel. Pouco me importa as suas explicações a esse respeito. O que eu quero saber é que merda você tem na cabeça para voltar depois de tantos anos, me beijar como se ainda tivéssemos algo e detonar meu casamento seu filho da puta! -Bella grunhiu.
—Eu te amo.
—Mas eu não te amo, na verdade eu só estava com você porque você praticamente inteiro me lembrava Edward! Quando eu olhava nos seus olhos era a lembrança do brilho dos olhos dele que me fazia sorrir, era o gosto do beijo dele que eu recordava ao te beijar, mesmo que Edward seja mil vezes melhor que você e seja praticamente um insulto comparar alguém tão pouca coisa como você ao meu marido.
—Quem você pensar que é para me dizer essas coisas, hã?-Daniel perguntou tremendo de raiva por ter sido tão humilhado e agora sentir seu orgulho ferido.
—A mulher que vai acabar com a tua raça se você não se mandar daqui o mais rápido possível!-ela grunhiu.
—E tudo por causa daquele idiota que se acha?
Daniel lhe encarava com magoa.
—Lave a boca para falar do meu marido. Ele é o homem que eu amo e você não chega nem aos pés dele. –ela lhe cutucou o peito com o dedo indicador.
—Você está cega, iludida. Eu sei que o que vivemos foi verdadeiro e eu vou te provar isso. –ele disse fazendo menção de agarrá-la.
—Toque em mim e ai sim de verdade eu vou atirar por querer em você. –a morena ameaçou.
—Se quisesse realmente fazer isso tenho certeza de que já teria feito.
—Se quiser seguir vivendo é melhor não me desafiar seu verme.
[***]
—Filha já não era para você estar na cama? -Edward perguntou ao chegar em casa.
—Era pai, mas eu queria muito te ver, eu quero falar com você.
—Fala então meu amor. –o general disse carinhoso, sentando-se ao lado da filha.
Milla se esgueirou para o colo dele e o encarou nos olhos.
—Eu vejo o senhor e a mamãe chorando pelos cantos quando pensam que eu não estou vendo quase todos os dias. O que está acontecendo papai?
—Coisas de adulto meu amor, mas em breve tudo vai se resolver, eu te dou minha palavra. Ok?
—Ok. Mas não esquece papai, eu te amo muito.
—Também te amo filha. Agora trate de subir para o seu quarto e ir dormir.
—Sim, senhor. Boa noite, papai. –Luna disse lhe dando um beijo na bochecha.
—Boa noite, princesa. –o general falou e retribuiu o carinho da filha que logo foi para o quarto dela e meia hora depois ele também subiu em buscar de sua esposa.
Ele a encontrou deitada na cama deles abraçada ao travesseiro dele e vestindo uma das camisas dele.
No passado, antes de Charlie ser assassinado ela fazia isso sempre que sentia falta dele e ele não podia estar por perto.
—Nós precisamos conversar. –o general disse entrando no quarto.
—Sobre o quê?-a pergunta de Bella foi apenas um sussurro.
—Sobre o nosso casamento. Durante essas semanas que se passaram eu busquei formas de me divorciar de você sem perder o contato com Milla, mas com o processo que pesa sobre mim nenhum juiz me daria a guarda dela, então decidir que a melhor saída é continuamos casados, mas somente no papel e na frente de Milla devemos fingir que tudo está bem, pois nossa filha está sofrendo com essa situação.
—Eu não vou viver um casamento de mentira, Edward. Não quando eu não tenho culpa do que aconteceu. É verdade que eu menti para você quando disse que só tive casos de uma noite, mas foi por medo da sua reação, pois eu sei bem como você fica quando está com ciúmes. Daniel e eu já não temos mais nada há anos, eu realmente não sabia da transferência dele, quem a autorizou foi Jasper. –Bella disse ficando de pé.
—Eu quero acreditar em você, mas é muito difícil, a imagem de você nos braços daquele homem não me sai da cabeça. –Edward confessou,
—Foi ele quem me beijou e no fundo você sabe que essa é verdade porque sabe quando eu estou mentindo, então por que tanta resistência?-questionou chorosa.
—Porque eu estou cansado de lutar contra a fria coração de gelo, eu quero a minha Bella de volta.
—E eu estou cansada de ser a fria coração de gelo para você. Me ajude Edward, me ajude a ser a sua Bella. –Bella suplicou e o abraçou.
Edward relutou, mas acabou a abraçando de volta, pois por mais magoado que o general estivesse ele amava e desistir dela, desistir desse amor seria desistir de si mesmo.
Continua...
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