Notas iniciais
Desculpem por ter passado do prazo habitual que posto, com o início das aulas fica difícil arranjar tempo pra escrever. Um agradecimento para as lindas Ana Carol e Guil Stark, que me acompanham desde o início (falando assim parece que até tem 200 capítulos); sem o comentário de vocês duas eu não teria chegado até aqui. E um beijo especial para a Ninguém, uma pessoa legal e introvertida que tenho suspeitas de que anda lendo às escondidas.

Durante as últimas semanas Jon se sentiu enclausurado em uma caixa. Sua cabeça vivia tilintando de enxaqueca tamanha eram suas preocupações; a travessia dos selvagens (que havia lhe trago tantos problemas, sendo visto por muitos irmãos como um traidor), a ameaça de Ramsay, a busca de Mance por sua irmãzinha, e questões mais pessoais, cravadas com um maçarico em seu coração: sua sexualidade. E como se não bastasse, também havia aquilo... Não, não vou me permitir pensar numa coisa estúpida dessa, esses boatos foram criados apenas para manchar minha imagem e me desqualificar nas votações para Comandante. Fantasma é apenas meu companheiro.

Durante as últimas semanas andava bebendo muito, coisa que nunca fora de seu feitio. Precisava tentar amortecer sua mente de tantas inquietações que insistiam em persegui-lo. Mas naquela noite na muralha, logo após terminar a passagem do povo livre através da Muralha, quando teve aquela conversa com Cetim, ficou impossível negar para si mesmo sua condição. Contar seu maior segredo para alguém fora a melhor coisa que já tinha feito na vida; a sensação de tirar um peso das costas foi imensa. Acabou por selar sua aceitação beijando o garoto. Ainda não sabia bem como seria a relação dos dois dali pra frente, mas estava disposto a viver uma nova vida com Cetim.

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– Ora, ora, ora... – A pessoa saiu da sombra, revelando seu rosto. – Veja se não é o putinho de Vilavelha e o Senhor Comandante. Agora vejo por que o escolheu como seu Intendente.

– Garth. – Disseram Jon e Cetim em uníssono.

– Conhece esse homem, Cetim? – Snow ficara surpreso pelo garoto conhecer um patrulheiro, era muito novo na Patrulha e ainda conhecia pouca gente.

– Ah, mas é claro que ele me conhece. Somos da mesma cidade, ambos nascemos em Vilavelha. É difícil alguém que não conhece a história desse prostituto por aquelas bandas. – Garth tinha uma voz sarcástica e proferia as palavras como um bêbado, em questão de segundos sua voz passara de respeitosa com seu Comandante para desdenhosa.

– Ele não é mais um prostituto, a partir do momento que prestou seus votos como membro da Patrulha da Noite seu passado não importa mais. – Cetim se matinha calado e sério.

– Sim, claro. Agora somos todos irmãos. – O homem os rodeava como um animal acoitando sua presa. Jon se lembrou de que Garth era um dos patrulheiros que estava a favor de Janos Slynt para ser eleito o novo Comandante. Snow pôs uma das mãos em Garralonga instintivamente. – Já que somos todos irmãos aqui, porque não conta como veio parar aqui, Cetim?

– Deixe-me em paz. – O garoto abaixou o rosto de modo que suas madeixas ocultaram seu rosto.

– Eu não quero saber. Vá embora, Garth. – Jon postou-se de frente de Cetim em uma posição protetora.

– Vou contar mesmo assim, é uma das histórias de que mais gosto. Seria um ótimo tema para uma canção. O Prostituto e o Fidalgo. – O homem sorriu maliciosamente e continuou. – Era uma vez um garoto que nasceu em um bordel e que nunca conheceu o pai. Ainda criança fora apelidado de Cetim pelas rameiras do prostibulo, por sua pele macia e sedosa. O jovem menino cresceu conhecedor do pior do mundo; rapidamente entendeu que nunca poderia se tornar um cavalheiro ou se casar com alguma moça nobre – não que ele realmente quisesse se casar com uma mulher, se é que me entende. Decidiu se tornar o mais novo putinho do bordel e logo sua fama se espalhou pela cidade. Sua bunda e curvas femininas eram muito apreciadas pelos homens que visitavam o lugar.

– CALE A BOCA! CALE, CALE, CALE! – Berrou Cetim , se ajoelhando e tampando os ouvidos.

– Vá embora, Garth ou eu juro que te jogo dessa Muralha! – Jon puxou para fora da bainha sua espada bastarda, apontando-a para o irmão negro.

– Acalmem-se, ainda não chegou à melhor parte. – Tossiu teatralmente para retomar o tom de sua voz. – Sua fama era tamanha que chamou a atenção de uma nobre rosa de cabelos dourados.

– Loras... – Sussurrou Cetim.

– Então o tal homem decidiu averiguar se a habilidade desse famoso puto era mesmo verdade. A rosa gostou do que experimentou e voltou mais vezes. Porém o pobre garoto era muito ingênuo e acabou se apaixonando pela rosa. Ele se esqueceu de que a primeira regra para si bem suceder na prostituição é nunca se afeiçoar aos clientes. O nobre homem iludiu os ouvidos do menino inocente e lhe prometeu seu coração, jurou que o levaria para longe daquele bordel e juntos viveriam felizes para sempre.

‘’Se passaram meses até que a rosa voltasse. O pequeno garoto perguntou o que se sucedera com os planos que tinham e porque nunca voltara para buscá-lo. A rosa apenas rira na sua cara, dizendo: ‘’Eu sou um nobre, acha mesmo que abandonaria minha honra e mancharia a dignidade da minha Casa fugindo com um puto?’’ O que o garoto fez? Tirou uma faca por debaixo do travesseiro e atravessara a coxa da rosa, por pouco não acertando seu membro viril.

‘’É claro que o dono do prostibulo expulsou e o denunciou para um julgamento real. Fora condenado à morte, porém a pedido da rosa, que se compadeceu com a situação do putinho, pediu que fosse poupada sua vida e que o mandassem para a Muralha. Fim. Linda história, não acha? Pelo que vejo ela torna a se repetir, porém desta vez o menino embarca em uma aventura com um Senhor Comandante. Você sempre mira alto demais, garoto. ‘’

O rosto de Jon guardava uma expressão séria e fria, enquanto Cetim continuava agachado de cócoras no chão. Garth voltou a falar.

– Bem, vou ir dormir agora, senhores. Um aviso; cuide bem do seu pau Jon, ou ele o arrancará quando menos espera. – Virou-se para ir embora assobiando pelo caminho. – Se ele não o fizer, o resto dos irmãos o fará quando descobrirem que anda fodendo o Intendente puto.

Por muitos minutos nenhum deles falou nada, ficaram apenas observando o homem até que sua silhueta desaparecesse nas sombras das ameias.

– Jon, eu devia ter te contado...

– Não, Cetim. Você não precisava ter me contado nada. Seu passado não me interessa. – Interrompera o garoto colocando um dedo em seus lábios. Puxou-o para seu peito, sentindo que chorava sobre a couraça negra que vestia. Beijou-lhe na testa. – Está tudo bem, Cetim. Não precisa chorar.

– Como está tudo bem? Esse homem vai nos denunciar! – Sentiu que Cetim se desvencilhava de seus braços, então o soltou. – Sua reputação não é das melhores ultimamente. Tenho medo do que faram com você, senhor.

Jon notou que em nenhum momento Cetim demonstrava medo com o que fariam com ele. Pegou em sua mão e tirou as luvas, beijando sua palma macia e vermelha de frio. Ele tem medo do que faram comigo.

– Não se preocupe, daremos um jeito. Por hora, o melhor que fazemos é descansar. Passe amanhã de manhã no meu quarto e decidiremos o que fazer.

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Sua boca pingava saliva e o coração batia disparado no peito. Deu uma fungada no ar e sentiu os cheiros de toda aquela floresta fria e obscura, também podia notar a presença de vários outros seres ocultos que o observavam neste exato momento. Mas sua atenção estava focada em um único corpo e não tinha intenção de perder a concentração. Estava faminto e durante as últimas semanas não encontrara nada para comer. Era notável em seu corpo magro que não se alimentava há dias.

Podia sentir sua irmã, mesmo estando muito distante dela. Estava mais forte do que nunca e a comida era abundante no lugar onde vivia. Sentiu vontade de encontrá-la e viver junto de sua nova família, mas não podia abandonar aquele lugar. Não agora, pois percebia o perigo a espreita.

Caminhou a passos largos e silenciosos pelas raízes das árvores, o humano não sabia que estava prestes a cair numa emboscada. Grunhiu de modo imperceptível; suas presas caninas estavam expostas como agulhas que brilhavam sob o luar. Pisara em um agulho partindo-o no meio com um crack baixo.

– Quem está aí?

Não esperou mais. Saltou sobre o humano e em um único golpe dilacerou sua garganta; o líquido escorreu negro por suas mandíbulas ainda quente e viscoso. O homem não berrou mais e seus olhos empalideceram com a cor da morte.

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Vestia suas calças quando alguém batera a sua porta. Apesar das preocupações, Jon não dormia tão bem há dias. Infelizmente mais um daqueles sonhos de lobo o importunaram a noite inteira.

– Entre.

Cetim entrou com uma bandeja de pão e queijo duro com uma jarra de vinho ao lado. Corou quando viu Jon desnudo da cintura pra cima.

– Não se acanhe, verá muito mais do que meu tórax, Cetim. – Sorriu maliciosamente e o garoto ficou tão vermelho que quase derrubou a bandeja. – Sente-se. Temos uma longa conversa pela frente.

– Não será necessário senhor. Garth está morto.

Notas finais
Eu iria colocar o Edd Doloroso, mas fiquei com dó de matar ele, gosto muito desse personagem. KKKK Então escolhi o Garth de Vilavelha, (que na verdade morreu no terceiro livro, mas como tenho uma tal licença poética posso fazer o que quiser. bj) que como já diz o próprio nome, é de Vilavelha e se encaixou perfeitamente. Enfim, espero que tenham gostado e comentem! Serve como Redbul e me dá asas para escrever novas coisas. Obrigado por ler.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.