Notas iniciais
Conheçam Beatriz dos Prazeres Menezes:
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“Vem cuidar de mim
Vamos ver um filme ter dois filhos
Ir ao parque
Discutir Caetano
Planejar bobagens
E morrer de rir”

Vagalumes Cegos – Cícero

–Nós precisamos levar a Beatriz para o berçário. –A pediatra disse quebrando o encanto.

–Mas já? –Fatinha perguntou insegura. Ela não queria se separar da filha tão cedo.

–É só enquanto você se acomoda no quarto. Eu vou fazer alguns exames nesse meio tempo, e logo ela estará com vocês. –A médica explicou compreendendo a relutância.

–Eu posso acompanhar vocês? –Bruno perguntou. –Se você não se importar, é claro, amor.

–Pode sim, mas você vai ter que ficar do lado de fora do berçário. –A médica disse.

–Sem problemas.

–Moreno, fica de olho na nossa Bia. Não quero que a troquem por uma recém-nascida com cara de joelho. –Fatinha pediu conferindo a identificação na pulseirinha, que dizia “Beatriz dos Prazeres Menezes”.

–Pode deixar minha loira, não vou tirar o olho dela. –Bruno garantiu dando um selinho na amada.

Logo a pediatra saiu com Bia no colo, sendo seguida por Bruno e uma enfermeira. Raquel ficou com Fatinha passando algumas informações rotineiras enquanto ela era acomodada no quarto.

–Agora eu sugiro que você durma um pouco. –A doutora aconselhou. –Daqui a pouco trarão a Beatriz para ser amamentada, além das visitas, então é bom que você descanse enquanto pode.

–Tudo bem. –Fatinha concordou resignada. Ela não queria dormir, ela queria estar com a filha.

Raquel deixou o quarto e foi para a sala de espera. Ela já imaginava que Bruno não se lembraria de dar a boa notícia aos que aguardavam.

–Como está a minha neta? –Marta perguntou assim que viu a médica.

–E a minha filha? Posso vê-la? –Questionou Vilma.

–Já posso visitar a minha afilhada? –Ju.

As perguntas foram feitas simultaneamente, por isso a doutora pediu calma a todos.

–O parto correu como o previsto, sem grandes surpresas. Mãe e filha passam muito bem. –Raquel disse. –A Fatinha está no quarto descansando, e a Bia está no berçário com Bruno.

–Onde é o berçário? –Nélio perguntou.

–Vanessa, leve-os ao berçário, por favor? –A médica pediu a uma enfermeira que a acompanhava.

O número de pessoas diminuiu consideravelmente assim que a enfermeira saiu, restando apenas Vilma e Adolfo.

–Raquel, nós podemos visitar a nossa filha? –A senhora pediu.

–É claro, mas devo avisá-los que ela está descansando. –A médica disse. –Venham comigo.

Os dois acompanharam Raquel ao quarto, onde encontraram a filha dormindo. Apesar de parecer exausta, Fatinha tinha um semblante feliz.

Adolfo se sentou no sofá e Vilma se posicionou ao lado da cama, fazendo cafuné na loira.

–Vocês devem ter muito orgulho da filha que têm, estou certa? –Raquel perguntou. –Ela já passou por tanta coisa e em tão pouco tempo, e ainda assim continua irradiando alegria por onde passa. Uma verdadeira vitoriosa.

–Nós fomos abençoados com dois filhos maravilhosos. Tenho certeza que nesse instante o Francisco está aqui conosco, cuidando da irmã, como ele sempre fez. –Vilma disse sem desviar o olhar de Fatinha.

–Passei tanto tempo fechado nos meus preconceitos, que demorei a perceber a dádiva que eu recebi. –Adolfo desabafou suspirando. –Eu tenho muitos motivos para me orgulhar da Maria, como filha, como irmã, como pessoa, e agora como mãe.

A doutora sorriu e depois deixou o quarto para dar privacidade a família.

Já no berçário, Bruno observava tudo encantado. A pediatra havia feito alguns exames, como o teste da orelhinha e o do coração. Logo depois ela colocou Bia em um dos vários berços e informou ao papai dos resultados, parabenizando-o pela filha.

–Cadê ela? –Ju perguntou afobada. –Não! Não fala, quero adivinhar!

Bruno riu, mas não conseguiu desviar o olhar da filha. Ele estava encantado.

–É ela, não é? –A it-girl perguntou apontando justamente para Bia.

–Ela é linda. –Bruno confirmou orgulhoso.

–Perfeita. –Ju concordou com os olhos cheios de lágrimas.

Os outros visitantes não tardaram a aparecer, todos curiosos para conhecer Beatriz. O moreno apresentou a filha com um sorriso bobo nos lábios.

–Ela é a sua cara, filho. –Olavo comentou espantado. –Lembra um pouco a Ju quando bebê.

–É verdade. –Marta concordou com a voz falha. –Ela não parece em nada com a Fatinha, exceto a pele.

–E os olhos também. –Bruno disse. –Os olhos da Bia são como os da minha loira, mas mais esverdeados.

–É brother, vejo que teremos muito trabalho com os rapazes. –Nélio comentou batendo no ombro do compadre.

–Vamos deixar a maternidade para procurar um colégio de freiras. –O moreno disse brincalhão.

–Awn, como ela é fofa! –Marcela disse. –E essas bochechas, que delicia. Dá vontade de apertar.

–Parabéns Bruno, você e a Fatinha capricharam. –Gil disse.

O moreno agradeceu todos os elogios, e ficou babando na filha junto com os outros.

–Eu tenho a afilhada mais fofa do universo! –Ju deu um gritinho, sendo logo repreendida.

A garota deu os ombros e tirou várias fotos de Bia, que não ficaram tão boas devido à distância.

–Bom, com tantos olhares sobre a minha filha, eu posso voltar para a minha loira despreocupado. –Disse Bruno.

–Vai lá meu filho, nós estamos de olho. –Olavo disse.

O moreno deu uma última olhada na filha antes de ir para o quarto. Chegando lá, ele encontrou os sogros velando o sono da namorada.

–Oi. –Ele os cumprimentou. –Faz quanto tempo que ela está dormindo?

–Uns quarenta minutos creio eu. –Adolfo respondeu.

–Por que vocês não vão ao berçário conhecer a Bia? –Ele sugeriu. –Eu vou ficar aqui com a Fatinha.

–Como ela é? –Vilma perguntou curiosa.

–Perfeita. –Disse Bruno novamente com um sorriso bobo nos lábios.

–Vamos Vilma? Estou louco para conhecer a nossa neta, e tenho certeza que o Bruno vai cuidar bem da Maria. –Adolfo disse.

–Tudo bem. –Ela cedeu. –Eu confio em você.

Os pais da loira saíram do quarto, e Bruno se sentou na beirada da cama. Fatinha se mexeu um pouco, mas não acordou. Assim, Bruno ficou observando-a, agradecendo o momento em que conheceu Maria de Fátima dos Prazeres.


Trinta minutos depois, Fatinha acordou.


–Bom dia moreno. –Ela se espreguiçou sorrindo. –Tive um sonho tão real.

–E qual foi o seu sonho, minha loira? –Ele perguntou passando os dedos pelos cabelos dela.

–Eu sonhei que a Bia estava nascendo e... –Ela se interrompeu. –Meu Deus! Ela nasceu mesmo!

Bruno riu da namorada.

–Sim, a Bia nasceu. –Ele confirmou.

–Eu quero vê-la. –A loira disse. –Ela é tão miudinha, tão linda.

–A pediatra disse que logo a traria aqui, mas vou perguntar a uma enfermeira se já podem trazê-la. –Bruno disse.

Ele deu um beijo na testa da loira e deixou o quarto, para voltar minutos depois.

–Já vão trazê-la. –Ele anunciou sorrindo.

Alguns minutos depois, uma enfermeira trouxe Bia e a entregou para o pai.

–Oi Bia. –Ele disse com um sorriso torto nos lábios.

Fatinha observou a cena maravilhada. Foram quase nove meses imaginando Bruno como pai, e a realidade provou ser mais encantadora do que ela esperava.

A loira se sentou na cama, dando espaço para Bruno, que logo já estava ao lado dela.

–Oi mamãe. –O moreno disse balançando a mãozinha da recém-nascida.

–Oi filha. –Ela respondeu fazendo carinho na menina. –Você é muito linda, sabia disso?

–É claro que eu sabia, puxei o papai. –Disse Bruno com uma voz infantil.

–Bobo. –Fatinha riu do namorado.

Os dois ficaram ali, babando na filha que parecia prestar atenção em todos os detalhes.

–Eu já disse que eu te amo? –Bruno perguntou olhando para a loira.

–Já, mas eu adoro ouvir. –Ela respondeu manhosa.

–Eu te amo minha loira. –Ele disse beijando o pescoço dela, ainda com a filha no colo. –Sou completamente apaixonado por você. Obrigada por tudo, principalmente por ter me dado uma filha tão linda.

–Eu também te amo moreno. Você é a minha vida, sabia? –Ela respondeu encostando a cabeça no ombro dele.

Eles ficaram assim, apenas curtindo o momento e sentindo a alegria que estar em família.

–Awn, que momento perfeito! –Disse Ju invadindo o quarto. –Felizmente eu o registrei. Cara, sou um paparazzi excelente.

–Entra Ju, sinta-se a vontade. –Bruno disse irônico.

–Obrigada, maninho. Você é muito gentil. –Ela respondeu cínica.

Com ela entravam Marta e Olavo, Adolfo e Vilma.

–Os dois, por favor, parem de implicância. –O advogado pediu.

Marta se aproximou da cama lentamente, com os olhos fixos no pequeno embrulho que o filho carregava.

–Eu posso? –Ela perguntou estendendo os braços para Beatriz.

Fatinha sorriu assentindo. Bruno se levantou, e lentamente passou a filha para o colo da mãe.

–Como ela é linda. –A mulher disse emocionada. –Olavo, olha como ela é a cara do Bruno.

O homem se aproximou da esposa para ver melhor a neta.

–É Fatinha, você carrega nove meses e ela é cara do Bruno. Um pouco frustrante? –Ju brincou, enquanto tirava várias fotos.

–Nossa, estou quase indo ao PROCON, fui apenas uma chocadeira e não estava sabendo. –A loira entrou na brincadeira fingindo-se de indignada.

–Não fala isso filha! –Vilma a repreendeu.

–É só uma brincadeira mãe. –Ela se justificou. –A Bia é perfeita sendo cara do meu moreno. Não consigo nem imaginar como seria melhor.

Bruno voltou a se sentar na cama, abraçando a namorada.

–Perfeita. –Olavo repetiu acariciando a neta.

Vilma esperou pacientemente o máximo que pode. Estava ansiosa para segurar a neta nos braços.

–Será que eu posso? –Ela perguntou insegura para Marta.

A mulher sorriu e passou a criança para o colo de Vilma.

–Olha que neta maravilhosa que os nossos filhos nos deram. –Marta disse para a outra.

A mãe de Fatinha estava sem palavras. Ela conseguia apenas olhar para Beatriz e sorrir, com os olhos turvos.

Bia, que parecia sentir estar sendo observada, acordou da sua soneca, abrindo os olhos.

–Meu Deus! –Vilma exclamou com lágrimas escorrendo pelo rosto. –Os olhos dela!

Adolfo estava tão emocionado quanto à esposa. A neta era tudo o que eles desejavam e um pouco mais.

–São como os olhos do Franz. –A loira concordou, sorrindo em meio às lágrimas. –O melhor presente que eu podia ter recebido.

Ninguém disse nada, por não querer atrapalhar o momento família. Por mais nostálgico que fosse encarar os olhos verdes de Beatriz, o sentimento era de uma imensa felicidade. Era quase como se o irmão estivesse ali também.

–Gente, eu juro que eu me segurei o máximo que pude. Dona Vilma, eu posso segurar a minha afilhada? –Ju pediu o que fez todos rirem.

–Cuidado com a minha filha, Juliana! –Fatinha brincou, vendo a sua mãe passar a filha para o colo da madrinha babona.

–Não atrapalha o momento Fatinha. –A it-girl pediu, mostrando a língua para a cunhada.

Com a ajuda de Vilma, a morena acomodou a afilhada do colo, sorrindo como boba.

–Oi princesa. –Ju disse para Bia, que analisava tudo atentamente. –Já consigo imaginar o sucesso que você vai fazer no “Dicas da Ju”.

Todos riram menos Beatriz que começou a chorar.

–Beliscou a minha filha, Juliana? –Bruno perguntou, indo até a irmã.

–Ih, nem tive tempo. –A it-girl mostrou a língua, passando a afilhada para o irmão.

Uma enfermeira, que parecia estar esperando na porta, entrou assim que ouviu o choro.

–Acho que alguém está com fome. –Ela disse. –Preparada para amamentar a Beatriz, mamãe?

(...)

Notas finais
Vou tentar postar a continuação o mais rápido possível.
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