Notas iniciais
Divulgando uma fanfic que eu estou adorando: http://fanfiction.com.br/historia/398054/No_Limite_Do_Desejo/

"Ain't got no place to lay your head,
Somebody came and took your bed.
Don't worry, be happy.
The landlord say your rent is late,
He may have to litigate.
Don't worry, (ha-ha ha-ha ha-ha) be happy.
Look at me, I'm happy.”

Don't Worry, Be Happy — Bobby McFerrin

A semana que se seguiu foi atarefada. Tanto o chá de bebê quanto o quarto da Bia foram deixados de lado para dar lugar aos estudos. O ENEM foi no fim de semana seguinte, e por isso todos haviam se dedicado muito para conseguirem ingressar a faculdade que queriam.

Bruno havia sido efetivado na empresa em que estagiava, mas nem pode comemorar por causa do TCC que estava tomando muito do seu tempo.

Felizmente, a data do ENEM chegou. Na segunda-feira todos chegaram cedo ao colégio para conferir o gabarito. Ainda não era o oficial, mas eles pelos menos poderiam ter uma noção do que tinham feito. A loira ficou muito satisfeita com o seu resultado, se as suas contas batessem com o resultado final, a vaga dela na UNIRIO estaria garantida. No final das contas Fatinha tinha optado pelo curso de Turismo, o que Michel adorou.

Passada a confusão ENEM, o chá de bebê pode ser organizado. A primeira coisa que foi decidida é que seria um evento misto. Os homens estavam tão envolvidos na gestação quanto às mulheres, seria injusto excluí-los. A Ju montou uma lista de presentes e o Gil fez os convites. Eles decidiram fazer um brunch no domingo, e o local escolhido para o evento foi o Misturama. Tanto o horário quanto o dia, facilitava para todos, principalmente os que viriam de Carambolas para a festa.

–Não estou acreditando nisso! Temos uma reencarnação de Rembrandt na nossa frente amor! –Fatinha disse extasiada com o que via.

Gil não só havia feito a pintura da árvore que ela queria, como também tinha acrescentado alguns detalhes, como uma casinha de pássaros e borboletas de madeira.

–Então você gostou? –O artista perguntou inseguro quanto a sua obra. –Assim, eu não sou acostumado a fazer esse tipo de trabalho, principalmente a parte da madeira, mas eu achei que valeria a pena tentar.

–Se eu gostei? Eu amei! –A loira disse se jogando em cima do rapaz para um abraço apertado. –Só não te dou um beijo na boca porque o moreno é muito ciumento, e a Ju também.

Gil riu da empolgação da garota. Uma vez Fatinha, sempre Fatinha.

–Realmente, tanto o moreno aqui, quanto a irmã dele são ciumentos. –Bruno disse fingindo irritação. –Tirando o comentário fora de propósito da minha namorada — quase esposa — cunhado, você é um verdadeiro artista.

O grafiteiro ficou encabulado com tantos elogios e tentou disfarçar.

–A tinta é de secagem rápida, e inodora, então se vocês quiserem podemos começar a montar os móveis agora. –Ele disse.

–Ai, eu quero! –Fatinha disse tentando dar uns pulinhos.

No final das contas o quarto demorou três dias para ficar totalmente montado, mas ficou perfeito.

A parede do berço tinha a arte feita pelo Gil, e o resto do quarto era branco. O casal havia usado as cores nos detalhes, deixando o ambiente bem clean. Todos os móveis eram brancos, inclusive o próprio berço, mas o jogo de berço era todo rosa queimado, assim como a almofada de amamentação, o abajur e até mesmo a banheira.

As roupas da Bia já estavam sendo lavadas, e o estoque de fraldas já começava a ganhar forma, a cada dia que passava a presença do bebê que estava para nascer aparecia em vários detalhes do apartamento.

Na sexta-feira Fatinha foi chamada na sala do diretor.

–Oi Mathias, me chamou? –Ela perguntou preocupada.

–Chamei sim Fatinha, sente-se, por favor. –Ele pediu a levando até a cadeira.

–Algum problema? –A loira estava nervosa.

–Na verdade, nós temos um problema sim. Tive uma conversa séria com os seus professores nos últimos dias e chegamos a uma conclusão. –O diretor disse, sério como sempre.

–Ai Mathias, eu fiz algo errado? Por favor, não me expulse da escola. Eu preciso terminar o ano para entrar na faculdade. –Ela pediu desesperada sentindo os olhos lacrimejarem.

–Ei, quem falou de expulsão? Maria de Fátima, um dos principais motivos para que eu te chamasse aqui é para te parabenizar. Você conseguiu se tornar uma aluna exemplar, em um ano tão conturbado quanto este, e isso é impressionante. Sempre soube que você tinha um potencial enorme, mas sabia também que caberia a você saber o aproveitar as oportunidades que a vida te daria. Estou orgulhoso de ter uma participação, mesmo que mínima, na sua formação.

Fatinha se levantou da cadeira, com lágrimas de alegria correndo pelo rosto, ela foi até o diretor e o abraçou.

–Ai Mathias, você não faz ideia do tanto que você, e todos os professores e funcionários desse colégio influenciaram na minha vida. Eu nunca conseguiria passar por esse ano sem o apoio que eu recebi de todos aqui. –Ela disse.

–É bom saber que nós fomos de alguma utilidade. –Mathias disse feliz. –E é exatamente por isso que eu te chamei aqui. Maria de Fátima dos Prazeres, você está oficialmente formada.

–Oi?

–É isso mesmo, eu entrei em contato com um advogado amigo meu para resolver a sua situação. Você está de licença maternidade do colégio, e a única coisa que precisará fazer é um trabalho para cada professor e já estará formada. Nós sabemos muito bem que nesse ponto da gestação, todo esforço é exaustivo, e como você está praticamente dentro da faculdade, nós decidimos que você precisa de uma folga do ambiente escolar.

–Você está falando sério? –Ela perguntou feliz.

Por mais que a loira gostasse de ir ao colégio, da companhia dos amigos e professores, a chegada da Bia estava cada vez mais próxima, e ela tinha várias coisas a organizar.

–Estou. Parabéns Fatinha. –Ele disse.

–Ai Mathias, você é um anjo! –Ela deu um beijo na careca do diretor. –E eu preciso apresentar algum documento? Qual o tema dos trabalhos? Eu tenho que entregar até que dia?

–Ei, calma menina. A única coisa que eu preciso é de um atestado médico, coisa que eu mesmo pego com a Raquel. E sobre o trabalho você vai ter que conversar com cada professor, e tem que entregar até o último dia de aula.

–Ok, eu juro que vou fazer tudo direitinho. –Ela prometeu empolgada.

–Agora vamos para a sala? Afinal, hoje é o seu último dia de aula no Quadrante. –O diretor sugeriu.

–Claro! Não sei como eu vou fazer sem ver vocês todos os dias. –Ela comentou.

Os dois foram caminhando lentamente até a sala do terceiro ano, Fatinha falava sobre os preparativos do chá de bebê, e reafirmava o convite feito ao diretor. Quando eles entraram na sala, a confusão começou.

–SURPRESA!!! –A galera gritava.

Havia alguns balões espalhados pela sala, e o quadro estava com o escrito “VAI FATINHA!” rodeado por mensagens de todos os alunos.

A loira ficou emocionada com tamanho carinho, e não conseguiu resistir às lágrimas.

–Que injustiça! Todo mundo sabia que hoje era o meu último dia de aula, menos eu. –Ela resmungou limpando as lágrimas teimosas. –Eu devia ter sido avisada para pelo menos preparar o meu emocional.

–E perder toda a graça da surpresa?! Nem pensar! –Orelha disse com o celular focado na loira.

–Não estou acreditando que vou ter que terminar o ano sem a minha musa inspiradora. –Pilha reclamou.

–Ô de menor, pode parar com essa azaração pra cima da minha mulher. –Disse Bruno.

–Oh moreno, você sabia e não me contou? –Ela reclamou ao ver o namorado.

–Não seria eu a estragar a surpresa minha loira. –Ele respondeu abraçando a garota pelas costas.

–É Fatinha, até o Severino estava sabendo dessa, não sei como isso não chegou até você. –Lia brincou.

–Que absurdo! –A loira disse indignada.

–Sabe o que é um absurdo? –Ju disse interrompendo os resmungos. –Você ficar reclamando ao invés de curtir a surpresa que nós preparamos pra você.

–Abraço coletivo! –Fera gritou do fundo da sala.

Os alunos se reuniram eu uma grande confusão, que não parecia nem um pouco com um abraço, e começaram a pular e gritar o nome da loira. Quando o “abraço” chegou ao fim, Fatinha pediu ajuda a Bruno e subiu em uma cadeira.

–Então galera, –Ela começou, chamando a atenção de todos. –eu sei que vocês vão morrer de saudade da minha presença iluminando os dias de vocês, mas não é preciso lágrimas! Como diria Clarice Lispector: "Nossa amizade era tão insolúvel como a soma de dois números: inútil querer desenvolver para mais de um momento a certeza de que dois são cinco".

–Nossa Fatinha, falou bonito. De quem é essa frase? –Gil perguntou.

–Clarice Lispector meu bem. Não é Isabella? –Fatinha disse procurando a professora pela sala.

–Pela primeira vez, a Fatinha acabou de fazer uma citação correta da Clarice. –A professora disse.

O resto da manhã foi regado a muita festa. Todos os professores fizeram questão de se despedir da aluna, e ficou combinado que a Ju levaria os temas dos trabalhos para ela na segunda à tarde, e se caso ela tivesse alguma dúvida, era só ir até o colégio.

Em meio a tanta felicidade, o domingo chegou. Ju havia sido a grande responsável pelo evento, desde comida até a decoração.

–Moreno, o que você acha?–Fatinha perguntou insegura.

A loira estava com uma saia colada estampada, com uma camiseta de seda no mesmo tom. Nos pés ela usava uma sapatilha dourada, e os cabelos estavam presos em uma trança escama de peixe lateral.

–Eu acho que você está deslumbrante! –Ele garantiu.

Bruno também havia se arrumado de acordo com a ocasião. O moreno estava com uma calça bege e uma camiseta azul.

–Nossa moreno, você está um tesão. –Ela disse fazendo o rapaz rir.

–Então minha loira gostosa, será que nós podemos ir? Os nossos convidados já devem estar chegando.

–Vamos sim moreno, só preciso retocar o batom.

Eles precisaram de mais dez minutos para sair de casa, mas finalmente chegaram ao Misturama. Olavo, Marta, Ju, Gil, Nando e Tizinha já estavam no local.

–E os papais chegaram! –Nando anunciou quando os viu.

–Cunhadinha, caprichou no look, hein?! –Ju elogiou a loira.

–Obrigada amiga. E você caprichou em tudo! Look, decoração, comida...

–Gostou? –A it-girl perguntou olhando o ambiente.

–Eu amei. Obrigada Ju, de verdade. –Fat agradeceu.

–Então vamos começar essa festa? –Nando perguntou subindo no palco.

Gil acompanhou o mentor, e juntos eles começaram o show.

Aos poucos os outros convidados foram chegando. Os presentes estavam sendo colocados em um chiqueirinho que a Ju havia arrumado.

Eriberto também foi à festa, levando consigo a namorada Clarice. A psicóloga e a loira conversaram por vários minutos, em um momento nostálgico.

–Eu queria a atenção de vocês. –Orelha pediu no palco, em um momento da festa. –Eu, com a ajuda da dona Juliana, preparamos uma surpresinha para os papais do ano.

O nerd colocou a TV Orelha no telão, mas dessa vez com um tema diferente. As primeiras imagens eram vídeos caseiros, tanto do Bruno quanto da Fat pequenos. Fotos e vídeos mostravam o crescimento do casal, o que todos estavam adorando. Logo depois apareceram as cenas que o próprio Orelha tinha filmado do casal BruTinha: os dois conversando na social da Ju, ficando na festa à fantasia do Quadrante, na praça, na sorveteria. Os dois ficaram espantados com a eficiência do paparazzo. Por fim, vieram as fotos e filmagens recentes. Desde o inicio da gravidez, a amizade e o namoro do casal. E por fim, Orelha, usando do photoshop, fez a junção de uma foto do Bruno e da Fatinha, ambos bebês, e o resultado foi legendado como: Beatriz dos Prazeres Menezes.

Todos aplaudiram muito o trabalho do rapaz. Fatinha, como já era de se esperar, estava chorando. Limpando as lágrimas ela foi até o palco com Bruno.

–Vocês vivem me fazendo chorar. –Ela resmungou. –Bom, eu, o meu moreno e a Bia gostaríamos de agradecer pela presença de todos vocês.

–Sério mesmo gente, obrigado! –Bruno disse.

–E nós temos um anuncio a fazer. –Ela disse.

–Que dia vai ser o casório? –Nélio gritou.

–Não, o anuncio não é sobre casamentos. –Fatinha negou.

–Vocês não estão nem um pouco curiosos para conhecerem os padrinhos da nossa pequena? –Bruno perguntou e todos se manifestaram.

–O padrinho foi uma escolha do moreno.

–Nélio, parceiro, estou contando com a sua ajuda para espantar os gaviões que rondarão a minha filha. Aceita essa responsabilidade? –O moreno perguntou.

–Eu? Jura? –O rapaz estava surpreso. –É claro que eu aceito!

Nélio abraçou o casal e agradeceu a confiança.

–A madrinha foi uma escolha minha. –Fatinha disse. –Marcela, aceita ser além de minha professora, amiga e quase mãe, minha comadre?

A professora adorou a noticia, e aceitou se hesitar. Ju tentou disfarçar, mas ficou decepcionada por não ter sido escolhida.

–Bom, o padrinho já foi anunciado, e a madrinha de consagração também. Falta só mais um detalhe. Eu e a minha loira escolhemos a irmã/cunhada mais chata do universo para ser a madrinha de batismo da nossa filha. E aí Juliana, vai aceitar?

A it-girl não estava acreditando no que havia escutado, mas a ficha logo caiu.

–EU SABIA! –Ela começou a saltitar até chegar ao palco.

Ju comemorou, agradeceu, fez discurso e foi então que ela disse:

–Eu, como madrinha de batismo da Bia, declaro que é hora das brincadeiras!

–E esse foi inicio de uma algazarra sem tamanho.

Notas finais
Galera linda, custei mas postei. Ta tarde pra caralho, eu tenho aula amanhã, mas eu realmente precisava postar.
Tive uma surpresa muito aagradável de ver a minha fanfic ser comentada no melhor tumblr judrigo ever. Me senti a poderosa, kkkkkkkk. Fiquei muito feliz com os elogios que recebi.
Sobre o anexo, fico feliz que a ideia tenha agradado. Beijos!
Ps: arrumei o problema com os travessões fujões.