Coração Lacrado pela Dor

7 Capítulo 6: A Raposa de fogo


Notas iniciais
Finalmente terminei =w=

O garoto estava sentado lá, sem a menor noção que eu estava lá. Ele se recostou numa posição confortável, me observando. Sempre com aquele seu sorriso irônico. E meu queixo quase caiu quando o vi. Eu estava desejando muito vê-ló, e desde que eu tinha vindo para cá e teve acontecido tudo isso, eu precisava de alguém para conversar. Seus cabelos negros estavam arrumados, mas meio bagunçados. Olhei pra ele de novo, e abri um enorme sorriso.

-Trevon!-Disse, e fui até ele. Antes de qualquer coisa, eu já estava em cima dele conversando, perguntando, questionando e tal. Mas o senhor velho estraga prazeres cortou-nos, dizendo:

-Senhor Nickelz. O que faz aqui?

Eu achava que aquela sala era dele. Mas não era, veja só! Então, com quem eu iria ficar? Quem iria me orientar. De repente, na porta, o gato entrou, e pediu educadamente para Trevon sair. Ele se despediu de mim, dizendo que depois iríamos no falar, e ele iria explicar. Ashuri é mesmo irritante, sabe? Seu olhar malicioso e irônico que lança em meus olhos me fazem queimar de raiva. Uma raiva que eu não sentia realmente. Meu rosto frio entrou, e me senti estranha. Me sentia como o nada.

Lembra que eu falei que eu não tenho sentimentos? Pois é, depois daquela estranha voz falando comigo, eu tive por algum tempo, mas eu não sentia, só demonstrava. E foi agora, que Andy veio aqui ao meu lado que sumiu tudo. Meu rosto voltou a ficar sem um sorriso, o olhar vazio de sempre e os pensamentos vieram a tona. Estava estranha, e não conseguia estranhar aquilo. Como se eu quisesse, realmente.

-Ashuri será seu orientador e professor principal. Ou seja, ele estará encarregado de cuidar de você.-Disse o homem, me observando. E saiu da sala, sem dizer mais nada. Eu odeio ele, acho. Mas voltando ao meu devaneio, naquela hora, eu senti que tinha outro alguém dentro de mim.

Ashuri brincou com os cabelos, balançando as orelhas, enquanto me observava calmamente. Desta vez, ele usava um grande robe que cobria a maior parte de suas roupas, e usava uma camisa xadrez vermelha e preta, com uma calça jeans negra. Seu olhar ainda assim pareia intimidador.

-Ora, ora, então eu peguei uma vaga horrível. Deveria ter pego outra pessoa.-Disse, ironicamente.

Não virei o rosto, apenas senti frio. Fiquei ouvindo o silêncio estranho. Às vezes ele é bom, mas muitas vezes parece que quer me torturar. Sem chance, silêncio, eu sou impenetrável. Haha, piadas. Piadas sem graça me fazem rir forçadamente. Percebi que o garoto falara mais alguma coisa, mas certamente eu não iria ouvir. E então, eu perguntei, com a voz mais fria do mundo:

-Onde é a saída?

-O que? Sem chance, você não vai sair, Lawliet-chan! Agora que chegamos, vai ficar aqui.-Este era Andy.

-Ok, primeiro, deixe-me explicar umas coisas.-desta vez era Ashuri.

Ele começou um discurso, falando sobre tudo que eu queria saber. Me deu ás explicações. Eu achei meio engraçado. Ele explicou que, os animais regentes levam a gente para cá, porque a origem deles é aqui. E também disse que quando nós, humanos, vamos para cá, depois de um tempinho, temos uma mutação, uma mutação do organismo, cérebro, magia e tal, não somos mais humanos. Porque humanos tem que ficar na terra, ficar lá e pronto. É o lugar deles, a menos que eles queiram desobedecer as regras e vir pra cá, e não ser mais um humano. Depois disso, ele explicou que existe magia na terra sim, mas seria meio estranho. Então, criaram um escudo que bloqueia a maior parte da magia de lá, por isso é bem difícil realizar algo por lá. E não há muita magia, mas é claro que podemos fazer algo para que tenha. É só quebrar o escudo. Mas quebrando o escudo, isso vai afetar demais a terra. As pessoas vão mudar, tudo vai mudar rápido, vai ter espíritos, monstros, sereias, criaturas mágicas, elementos, tudo em alto escalão. E tendo isso, será possível abrir qualquer portal, e então, o mal também vai chegar lá. Isso foi a explicação de Ashuri, né.

De começo, quando ele começou a falar, achei que seria algo besta de privar os humanos de tudo. Mas de fato, a reação de um humano seria de completo pânico e medo ao ver que tudo que lia nos livros, sobre magia, sereias, animais sagrados, deuses, elementos, dragões, grifos, vampiros, lobisomens e etc, seria verdade. Mortes iriam vir, as criaturas riam se aproveitar disso. Por isso seria mais fácil que, os humanos já estivessem acostumados com isso, e não teria pânico. Mas se tentassem acostuma-lós com tudo isso, demoraria muito, por isso, os animais regentes já sabem o que fazer quando aparecem para seus donos. Mandam direto pra cá, ou causaria um alvoroço sobre animais pequeninos que cores exóticas que tem asas e falam. Então eu comecei a entender melhor tudo, e não estranhei muito.

E do nada, ele começou a falar sobre os professores particulares. Os professores particulares tinham um aprendiz, e eu era o dele. Eles tem a função de ensinar apenas ao seu aprendiz, passar seus conhecimentos a ele, treinar e etc. Era como um mentor. E ele ensinava em todas as horas vagas, e podia roubar seu aprendiz da aula, qualquer que seja. De fato, ele tinha todo o poder sobre mim enquanto eu fosse aluna, ou seja, quando ele morresse (coisa que ele disse que não vai), eu não seria mais aluna, porque os professores estão sempre aprendendo coisas novas. Explicou como eram as aulas que ele daria, sobre o castelo de cristais de gelo, sobre o mundo, sobre os animais regentes, tudo. E prestei atenção, porque ele tirou minhas dúvidas.

-Então... Acho que é só isso.-Ashuri pegou uma prancheta e começou a fazer perguntas, sobrenome, idade, o que eu fazia na terra, meus animais preferidos, as matérias que eu tinha, uma descrição de mim e tal. E ás vezes perguntas bobas. Ele terminou de rabiscar na prancheta meus dados, e depois perguntou de Andy. E por fim, deixou-a de lado, pegou outro papel e voltou a rabiscar e antes que eu pudesse me perguntasse o que estava fazendo, ele me entregou um papel com os horários das aulas:

1°Horário: Ensinamento básico sobre artesanato de armas. (Iniciante)

2°Horário: Aula prática sobre armas.

3°Horário: Ensinamento básico de animais. (Iniciante)

4°Horário: Aula prática de Defesa.

Almoço

5°Horário: Aula teórica de Defesa.

6°Horário: História

7°Horário: Produção de textos

8°Horário: Aula prática sobre os guardiões

9°Horário: Ensinamento básico prático e teórico sobre Elementos (Iniciante)

Outras aulas:

Aula teórica de magia

Aula teórica de Ataque e desenvolvimento das capacidades físicas

Conhecimento de Animais Regentes

Ensinamento básico sobre Monstros

Ensinamento básico sobre Elementos

Ensinamento básico de Feitiços

Criação de Amuletos

-Estas são as aulas que vou dar e outras que resolverei dar. E não se preocupe, já tem todo o material por aqui. E agora, este vai ser um dia de folga pra conhecer melhor. Vem.-Explicou e já foi saindo da sala, indo me mostrar tudo. Me mostrou onde era meu quarto, era no sexto andar, número 259B e uma funcionaria atrapalha me entregou a chave. Me mostrou praticamente tudo que eu precisaria saber, a biblioteca, o pátio, a sala de esportes, umas salas onde seriam realizados algumas aulas teóricas (mas não era pra mim, porque todas as minhas seriam feitas junto com Ashuri, pois eu era um caso diferente), o jardim, as salas de treinamento, o refeitório etc. Parecia realmente uma escola de verdade. E Andy estava maravilhado com tudo aquilo. Realmente, era muito, muito lindo!

Fui para meu quarto, e podia ficar andando por aí pelo resto do dia. Estava tudo lá, arrumado em caixas, com meus pertences. Era da cor azul céu, e tinha uma janela. Uma cama, um criado mudo, uma escrivaninha com computador e uma sem nada. dois armários, prateleiras, e etc... O quarto era grande! E uma porta, com banheiro. Era trabalho de mais para mim.

-Lawliet-chan, eu vou ajudar!-Disse Andy a mim, e começou a abrir uma caixa de papelão com minhas roupas, todas dobradinhas. Estava distraída, mas não deixei de sorrir por sua gentileza. Arrumamos tudo e ficou perfeito dentro de duas horas. Estava tudo lá, meus livros, minhas roupas, minhas pelúcias, e alguns deles eram presentes de boas-vindas. E também, uma foto de mim, Charlie e Trevon, que deixei no criado-mudo.

-E agora?-Perguntei a Andy, que estava bem cansado.

-Estou exausto! Quero dormir.-Choramingou, fingindo uma voz de choro.

-Pois eu quero um banho.

E foi isso que fiz. Tomei um bom banho, para refrescar a cabeça. Um bom banho quente, e o melhor era que tinha uma grande banheira com espumas! Ah, eu poderia colocar a cabeça na água e me afogar, para acalmar meus músculos. Fiquei lá, relaxando, não sei por quanto tempo, e não quero saber. Se eu pudesse ficava mais. Primeiro, eu estava com fome, segundo, não queria ir embora, terceiro, devido a acordar mais cedo que o normal e estar num ambiente esquisito, vou demorar para me acostumar com isso. Tudo isso vai ser difícil se acostumar.

Depois que sai, notei outros dois papeizinhos, e uma outra enorme caixa. Um dos papeis era um bilhete dizendo que a caixa estava meu novo material. E o outro os horários que o refeitório fica aberto, mais uma palavra de Ashuri, avisando que eu almoçaria junto com os alunos normais. E já estava perto do almoço do meio dia.

Sai andando com Andy enquanto pensava e notava cada lugar que via. Desci as escadas até o segundo andar e passei por um corredor, que no final tinha uma porta onde era a “Escola”. Essa escola era ligada junto com o castelo, e ficava ao seu lado, mas não podia ser vista. Era como um internato no meio do nada.

Havia muitas crianças e adolescentes de 12 a 19 anos, e crianças de 4 a 11. Enquanto eu passava, eles me olhavam sério, alguns faziam comentários sobre mim e outros falavam que eu era recém chegada. E além disso, a maioria deles tinham animais regentes. E estranham um pouco Andy, por ser de cores mistas. Eles cochichavam muitas coisas, e todas as pessoas de lá eram meio pálidas, ou melhor os brancos –não tenho preconceito algum, ok?- eram meio pálidos. E as garotas, usavam um colete preto, uma camisa com o brasão e nome da escola, toda branca, vermelha ou azul clara, com uma saia, algumas combinavam, com legue por baixo, sapatos diferentes e etc. Os garotos usavam shorts, com o mesmo colete, e uma gravata da cor azul escuro ou branco. Se a camisa fosse branca, a gravata era azul escura, e se a camisa fosse azul, a gravata era um tom mais escuro. E todos eles eram mais bonitos, muito mais bonitos, chegavam a ser sexy.

Observei a maioria, e todos me observavam. De repente, uma garota que aparentava ter a minha idade surgiu e perguntou:

-Você faz parte da Academia ou tem um professor particular?

-Hum.-Claramente ela era uma das garotas que arrancavam fofocas dos novos alunos para passar pros outros. E então, expliquei pra ela o que Ashuri me explicou:-Tenho meu professor particular, não sou da tal “Academia”. Meu caso é como o de outros, que ficam no castelo. Eu só venho aqui ara ir ao refeitório.

Ela agradeceu, e saiu, para um grupo de amigas que começaram a ficar histéricas e me olhavam com certa admiração misturado com inveja. Não sei bem se isso existe, mas era assim o olhar. Parecia que eu era popular por ali. Voltei a andar até o refeitório, onde mais olhares e cochichos surgiram. Parecia que os funcionários já sabiam que eu não fazia parte de lá. Quem servia era uma mulher bem gordinha, já velha, que usava óculos e vestia um avental com uma touca branca. Ela usava luvas, melhor, pois eu me importava com a higiene. Tinha muitas coisas por lá, e era só pedir. Pedi um iorgute e um prato de comida rápido, com pudim de sobremesa.

Sentei por aí, num cantinho vazio perto da parede e pude ver todo mundo. Ouvia risadas, gozações, conversas, gritinhos histéricos, lamentações, choros, tudo. E muitos olhares, maliciosos, inocentes, felizes, melancólicos, invejosos, admirados, e reprovadores. Do meu cantinho, era fácil ver a maioria e ser passada despercebida por alguns. Se não me engano, acho que vi Trevon vestido no uniforme andando por aí com uma roda de amigos, e seu animal regente parecia ser uma espécie de cavalo, que andava a pé, mas parecia ter asas. Ele não me notou, e nem queria que notasse.

Enquanto eu observava e comia, ele passou andando com sua roda de amigos, e me viu. Eu não queria a companhia dele, embora fosse meu melhor amigo. E com sua roda de amigos, veio falar comigo:

-Lawliet! Você vai estudar na Academia? Cadê seu uniforme? Como chama seu animal regente? Tem um professor particular? Como vão as coisas? Quer conhecer a minha roda de amigos?-Ele estava fazendo perguntas demais, típico dele. Apenas observei-o com um sorriso irônico pregado em mim.

-Ah, meu caso é diferente. Eu só venho pra cá para ir no refeitório. Tenho um professor particular. E, Este é o Andy, e... Ah, me perdi nas suas perguntas. Como se agüenta, hein?

-Oi!-Disse Andy, meio de boca cheia, e com um sorriso.

-Ah, é uma pena. Mas ao menos, você poderá conhecer um pouco do povo daqui.-Respondeu. Seus amigos ficaram meio assustados comigo, e os olhos arregalavam-se. Acho que era minha voz, fria, e Trevon, falando comigo com toda a intimidade do mundo.

-Não dou pra essas coisas. Prefiro ficar no meu quarto. Apropósito, como você... –Ele me interrompeu, e sussurrou que depois explicaria. E ficamos a conversar, e com seus amigos também. Todos se instalaram perto de mim, fazendo e perguntas, e botávamos o papo em dia. Todos gostaram de mim, só estranharam no fato de eu ser fria. E quando bateu o sinal, tive de me fingir triste. Sai, e todos voltaram a olhar para mim. Os funcionários me olhavam feio, e eu nem Andy ligávamos. Voltamos rápido para o quarto, e pensamos no que fazer. O resto do dia foi de conversas passando bem lento.

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No dia seguinte, fui acordada no mesmo horário de antes por gritos de Ashuri sobre mim. Ele berrava para que eu acordasse, e acabava acordando os outros. Ouvi murmúrios e outros gritos de pessoas pedindo pra ele parar. Como eu não queria levantar, enlaçou sua cauda em meu braço, nele me puxou com tudo para seus braços, me tirou de lá rápido e me sacudiu. Sonolenta, eu queria ficar mais na cama. Meu rosto estava bem sonolento. O garoto acabou me obrigando a ir direto lavar meu rosto e vestir uma roupa que dê para se mexer.

Estava sendo irritante agüenta-ló, e Andy apenas riu de mim. Não gosto de receber ordens. Não mesmo! Ninguém me dá ordens, eu as quebros, sigo se quiser, ou não. Sou uma garota rebelde, não acha? Mas enfim, mais sonolenta do que nunca fiquei antes, me arrumei, e isso tirou um pouco do sono. Ele foi comigo até o refeitório, onde já estava todo mundo de novo. Ouvi cochichos dizendo que não é normal o tutor vir com o aprendiz. Mas de qualquer forma, ele ficou comigo sem dizer uma palavra com os outros alunos, só me irritando. Uma hora, eu perguntei:

-Quanto tempo duram as suas aulas?

-Duas horas e meia, pirralha.

Ele tinha essa maldita mania de me chamar de pirralha. Era irritante. E as pessoas me olhavam cada vez mais estranho. E Trevon não estava comigo hoje, por ordem de Ashuri, e ele teria de obedecer. Mas tirando isso, esses horários de aulas são piores que um internato.

-Mas o que? Pra que tudo isso?

-Porque sou eu quem decido, pirralha.

E ficamos quietos. Notei que ele tirou do bolso (que bolso?) um cubo mágico, e começou a brincar com ele. Esse garoto é estranho, mas de qualquer forma, por culpa dele, eu posso ficar com má fama.

De volta, saímos e ele ainda continuou no cubo mágico, tentando descobrir a combinação certa, e com uma careta por não conseguir. Num certo tempo, eu quase disse algo só pra provocar, mas deixei pra depois. Não gostaria de ouvir uma bronca, meu tio tudo bem, mas de uma pessoa mais irritante do que eu é pior. Creio que iríamos ficar discutindo até ele dizer que eu estou certa. Não tente discutir comigo, eu sempre estarei certa, porque eu vou insistir.

Estávamos a caminho daquela sala escura dele, e quando entramos, eu perguntei:

-Ei, porque essa sala é tão... Escura e abafada?

-É perfeito pra mim. Mas eu queria que fosse mais escuro, como uma noite ao ar livre. Eu gosto, mas meus alunos nunca gostaram.

Um ambiente escuro? Não é tão bom assim. Pelo menos, eu acho.

-Escuro, Ash-kun? Ora, deixe tudo brilhando, assim é mais divertido!-Andy interveio.

-É que... Bem, chega disso, primeira Aula: Ensinamento básico sobre artesanato de armas. O que sabem sobre isso?-Ela estava pegando umas coisas enquanto falava, e virou a cabeça na última frase.

-Nada.-Respondi em um tom sarcástico.

-Bem, pelo que eu saiba, as pessoas faziam arma com ferro, metal, ou qualquer espécie de metal que se possa derreter, e moldavam antes, numas bases e tal. E elas ficavam prontas quando secava, acho.-respondeu Andy. Não me surpreendeu aquilo, ele já podia ficar bem maior e tinha asas, era um animal estranho e confuso, e não me admira que ele saiba.

-Acertou mais ou menos. Mas, como se fazem? Mas antes, sempre primeiro, o que precisa ter para cria-lás além de mão de obra?-Ele puxou uma cadeira e sentou, pensativo, enquanto nos observava.

-Uh... Uma idéia?-Ariscou Andy.

-Uma idéia de que?

-De como cria-lás. Como o enredo de uma história, você precisa planejar antes que vai fazer, ou fica sem sentido. E com as armas, fica sem forma. -Disse.

Era fato. Eu escrevia histórias, e estou pensando em fazer um diário. Mas isso não é assunto por agora.

-Está certo. É isso que precisamos, uma arma sem forma, não é uma arma. Mas primeiro pequeno Andy, que arma gostaria de ter?

-Um arco e flecha!-Respondeu enquanto imitava o gesto que faziam para maneja-lós, como se puxasse a ponta da flecha contra a grande linha, um elástico talvez, mirando, soltou a linha do arco imaginário, imitando um som como “paf”.

-E você, pirralha?

-Uma foice, ou talvez uma grande Espada.

E então tudo começou e eu entendi porque das aulas durarem tanto tempo assim. Antes de começar a próxima, tínhamos de ter nossas armas prontas. O que me surpreendeu foi que, ele tinha todos os materiais para fazer as armas, e me ensinou tudo direitinho, e o tempo não deu, de fato. Mas tivemos que esperar para as próximas aulas, e ele disse que tomaria todo o meu tempo, se precisasse.

Até que me surgiu uma pergunta idiota.

Não resisti, e perguntei.

-Ei, existem essas coisas de... Vampiros, lobisomens, duendes, fradas, essas coisas, existem?

-Sim, mas essa história é totalmente diferente da que os humanos inventaram.

-Como assim?

Ele me olhou, dando uma piscadela.

-Os vampiros, por exemplo. Sol nunca os transformaria em pó, ele só incomoda um pouco, eles são bem pálidos, geralmente com olhos claros, e são extremamente lindos para qualquer um. Água benta, cruz, estaca de madeira, virar vampiro só por ter sido mordido, e outras coisas? Não. Definitivamente, o que acertaram é que vampiros bebem o sangue humano. Eles podem viver com sangue animal, sim. Ah, e eles perambulam pela terra.

-E os lobisomens?

-Não se transformam apenas em luas cheias, em qualquer hora da noite quando perdem o controle. Estes sim podem ser transformados assim que outro lobisomem o morde, o que os mata? Se mata-o normalmente, como você mataria um humano, ma sé muito difícil.

-E os outros?-Este foi Andy.

Este foi o que achamos para poder passar um pouco o tempo. Porque iria demorar demais, umas três horas, talvez? Não sei ao certo. Fiquei completamente assustada sabendo que tudo aquilo existia. Seria muito perigoso para mim, mas eu não ligo. Ashuri me explicou que no caso dos vampiros, eles tem uma espécie de veneno em suas presas que quando perfuram a pele humana, manda seu veneno, que o deixa meio estranho. Pode variar entre alterações de humor, te deixar doente, curar uma doença, te deixar melhor, ou não, e para transformar você num vampiro, é preciso trocar sangue com ele. Isso é estranho. Me informou que vai me falar um pouco mais disso depois.

No fim, acabamos deixando para ver as armas depois. E seguimos com as outras aulas, menos as duas últimas, porque Ashuri disse que outra pessoa iria me ajudar com isso, ou seja, eu teria dois professores particulares. Dois. E então seguiu o outro dia. As armas estavam prontas, mas não iríamos usa-lás. Substituímos com exercícios físicos. Depois que as aulas passaram, bem rápido, chegou as duas últimas. Pela sala dele, entrou quem eu estava querendo matar.

Alyss.

Ela estava com as mesmas vestimentas, me encarando com um olhar feio. Sentou numa cadeira e perguntou a Ashuri, com uma voz gentil, e diferente, na qual me assustou;

-Então, eu tenho que ensinar essa aí?

O gato apenas assentiu, num sorriso. Ela fez uma careta, me encarando num olhar intimidador. Seus olhares são tão significativos. Ela bufou, e murmurou:

-Não pode ser outra não?

-Não. Vamos Alyss, seja boazinha comigo. Aliás, me deve um favor, e será este.

-Mas esse favor é muito grande!

-Mas é claro.

Finalmente, depois de uma discussão que eu nem prestei atenção, ela cedeu. Num tom frio, ela veio e começou a me falar dela:

-Sou Alyss, pareço ter 14 anos, mas tenho uns 19, sou uma imortal novata. Eu geralmente ensino aos outros sobre elementos, sou dos ensinamentos de forma ofensiva e autocontrole. Então se você tiver bipolaridade, me diga. Não se engane por minha aparência, pirralha. E não acredite que eu serei tão boazinha com você, pois não serei. Vai ter que se adaptar aos meus métodos de ensino, não sou lenta, nem nada. Vou ser rigorosa e má com você pelo simples fato de que eu não fui com tua cara.

Apenas a observei, observando suas expressões, e suas feições. Dei um sorriso irônico e desafiei:

-Então será divertido brincar com você.

Ela apenas me encarou feio. Minha tentativa de intimida não deu nada certo. Então eu teria de me contentar em ser sua rival. Ela pedia por isso. Querem se meter comigo? Pois vamos lá então.

-Bem, como deve ter visto naquele incidente há um tempo, seu guardião é uma raposa do elemento fogo obscuro. O meu é uma tigresa, embora meu animal regente seja outro, depois o verá. O guardião é basicamente um animal dentro de você, criado pelos seus sentimentos guardados, ele representa todos eles. È chamado de guardião porque vai aparecer sempre que você estiver em perigo, e quando aprender a controla-ló, poderá chama-ló quando bem entender, mas ele vai continuar a aparecer quando estiver em perigo. Então, primeiro, vou te ensinar a se comunicar com ele. O que é fácil.

-Tá, mas como ele vai aparecer?

-Você não ouviu o que eu disse? É quando você estiver em perigo!

-Mas eu não estou em perigo.

Num brilho acinzentado que apareceu em suas mãos abertas, surgiu aquela foice. Ela colocou-a nas costas por um tempo. Checou-a, e sorriu maliciosamente para mim. Posicionou-se em um modo de ataque, e segurou-a em frente ao corpo.

-Ah, não?-Disse, e partiu pra cima de mim. Gritei e não consegui fechar os olhos.

Foi rápido.

Uma aura negra veio de mim, e de dentro do meu peito, saiu a raposa, num salto, bloqueando o ataque de Alyss e jogando-a contra a parede do salão, mas seus pés a impediram-na de tocar. Ashuri resmungou algo numa língua que parecia ser italiano, e falou num tom alto e rígido:

-Vamos levar isso para lá fora, ok? Não quero minha sala dani8ficada por vocês duas.

Fomos lá pra uma sala que tinha teto solar, e representava um enorme campo de batalha. Não sei de que tamanho era, mas era incrível! O mato e as arvores eram de uma floresta que tinha ali perto, formando um grande campo, com umas três ou quatro arvores. Enormes, que davam para se pendurar lá e se esconder em suas folhagens. Elas tinham muitas pétalas rosa claro. E ventava, não sei como, mas ventava. Novamente, Alyss fez a mesma coisa para a raposa ressurgir, e ela a tocou com a mão em seu peito, fez um símbolo de fogo com os dedos numa agilidade incrível, e voltou ao seu lugar. A raposa a encarou, e virou-se para mim, tentando entrar de volta em mim. Mas quando tocou em mim, bateu e num salto gracioso, voltou para seu lugar, confusa.

-Isso aí é um selo, impede de você voltar para sua dona a menos que eu o quebre. Você nem tem muita força para quebra-ló, então...-Ela se virou para mim, e disse:-Ele pode falar com seu animal regente, mas ele tem que falar com você, não Andrew. O primeiro passo, é falar com ele normalmente. Mande-o falar com você pela mente.

-Ok.-Olhei para ela, e lembrei de seu nome. Ela estava sentada, encarando Alyss.-Enry.-Chamei. Sem resposta.-Enry. Enry olhe para mim.

Ele virou o rosto lentamente para mim. Repeti, com mais autoridade, e ele se virou totalmente.

-Fale comigo.

Não obteve reação, apenas me observou.

-Fale comigo, Enry. É uma ordem.

Ele bufou, com um pouco mais de pressão, fechou os olhos. Sua voz soou em minha mente: O que foi, Lawliet?

Sua voz era bonita, leve e suave. Com meus pensamentos, respondi: Tem um jeito de falar comigo além pela mente?

Eu disse que não falaria mais com você. Não é preciso. Respondeu, calmo.

Mas eu preciso. Fale comigo.

Quer isso, Lawliet?

Quero.

Ele interrompeu os pensamentos, me observando, sem mexer a boca, disse:

-Bom, aqui estou eu.

Alyss me encarou. E Enry se voltou para mim, dizendo pela mente novamente: Proponho uma batalha. Se eu ganhar, nunca mais falo com você e não apareço. Separo-me de você e vou embora. Se você ganhar, serei seu servo para a eternidade. A batalha é, sua amiga irá desfazer o selo, e fará um feitiço para que você possa me tocar, e então, eu tentarei voltar para dentro de você e irá me impedir.

Sem hesitar, aceitei, e repeti o que ele disse para Alyss. Calmamente, ela desfez o selo fazendo a posição inversa da forma de fogo e dando um leve toque no meio. Sem demorar, fez o feitiço, formando uma forma que não pude identificar pela agilidade que usou em meus braços e pernas. Com isso, poderíamos começar a tal “batalha” que Enry disse. Ashuri, Alyss e Andy foram para um canto, onde pudessem ver e não se machucarem. E Enry se posicionou a uma distância razoável de mim. Fiquei no lugar.

Eu estava planejando uma estratégia. Então fiquei parada olhando para a raposa negra pegando fogo levemente. Ficamos assim por alguns minutos, sem nenhuma ação dos dois, até o silêncio. E os olhares fixos em nós, esperando alguma reação. Até que, quem tomou a iniciativa foi Enry: Seu fogo aumentou de tamanho, e rápido demais para mim, impulsionou seu corpo para frente para me “atacar”.

Ele saltou quando chegou perto de mim, mas coloquei meus braços a frente dele, bloqueando-o e joguei-o para trás. Disso, ele não parou mais e voltou a tentar. Dessa vez era mais rápido, mas eu consegui bloquea-ló diversas vezes. E mudou de estratégia. Quando foi jogado por meus braços, se segurou neles e com meu impulso saltou para cima, acima de mim e veio atrás de mim, saltando direto para dentro de mim. Eu, sem reação, abaixei-me, e para minha surpresa, me desviei dele. Mas assim que Enry estava com os pés no chão outra vez, saltou para mim mais voraz, mas dessa vez era para me machucar ou me cansar.

Ficou assim por um tempinho, eu dava diversos jeitos de me desviar de seus ataques e tentativas de voltar para mim. Brava, coloquei em pratica meu plano. Esperei com que ele tentasse novamente saltar para meu peito, e quando fez isso, parei-o com os braços, segurei suas patas e peguei pela longa cauda que parecia um manto. Enry me olhou voraz, se debatendo para sair. Segurando pela sua cauda, fiz como aprendi na aula de educação física para arremesso de peso. Girei a raposa duas vezes junto com meu corpo e a joguei em direção a parede. Enry bateu nela em cheio, e sem mais forças, permaneceu debruçado no chão. Chocada com minha própria força, recuei um passo. Agora eram olhares surpreendidos fixos em mim, e esperavam a reação da raposa.

Com muita dificuldade, Enry se levantou ofegando, disposto a continuar. Mas não iria. Eu sabia que não. Ele veio até mim em passos mancos e sua voz ecoou em minha mente:

Você ganhou.

Imediatamente, ele se transformou numa pequena chama negra que brilhava e foi para dentro de mim novamente. Mais uma vez, sua voz ecoou:

Quando precisar de mim, apenas chame meu nome em sua mente.

Agora quem ofegava era eu. Fiquei imóvel, olhando para minhas mãos que suavam e estavam sujas, e meus braços arranhados, mas não saia sangue algum ou doía. Só estavam doloridos por agüentar o peso do animal. E minhas pernas pelo esforço. Andy saiu voando até mim e me abraçou, dizendo:

-Você conseguiu Lawliet-chan! Conseguiu! Você venceu, você venceu!

Sorri para ele, e me acalmei. Ele já estava comemorando junto comigo, e só dava alguns sorrisos. Mas acabou que ele me contagiou e comemorei com ele.

-Temos um novo amigo para nós!

Logo depois de um breve descanso e um pouco d’água, fomos para outra aula. Era sobre os animais regentes, Conhecimento de Animais regentes.

Mas, estava faltando uma coisa.

Notas finais
Espero que tenham gostado.

Próximo:

-Sumiço de um dos personagens
-Confusão
-Um sonho estranho

O próximo será narrado em 3° pessoa
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.