Notas iniciais
Olá, pessoal voltei. Me perdoem pela minha eterna demorada. Espero que vocês ainda estejam por aí e tbm não tenham desistido desta história. Vamos ao capítulo!



Algumas Vidas Atrás

O jovem soldado ainda podia saborear o gosto dos seus lábios nos dele, ou o seu cheiro feminino e inebriante se fixar em sua pele. Ele ainda podia sentir o corpo delgado, bonito e macio como cetim se moldando ao seu, numa bela e perfeita sincronia, enquanto navegava lascivamente mais fundo, desvendando cada pequeno detalhe dela, ao mesmo tempo em que se perdia naquelas íris negras como a noite que o fazia se esquecer do mundo lá fora.

"Eu estou com medo. Mas, se não nos reencontrar aqui de novo...", a linda jovem pronunciou lhe olhando com tanta ternura. "Lembre-se que eu te amo e sempre vou amar!"

"Eu também te amo, meu passarinho", o homem imponente lhe disse como um tolo apaixonado, à medida que seus corpos nus molhados de suor e paixão, se moviam mais e mais ardentes até queimarem de puro deleite atingindo o ápice do prazer. "E se esse momento for a nossa despedida, quero que saiba... Não importa quantas vidas terei que viver, mas eu vou te encontrar. Porque a sua alma e a minha sempre estarão juntas."

Os jovens amantes sabiam que seu amor seria eterno e que se estivessem sempre juntos, então, eles suportariam tudo.

De repente as portas de madeira foram abertas abruptamente e homens vestidos em seus trajes de soldados invadiram aquela moradia simples, o lugar secreto onde eles sempre se encontravam às escondidas para se amarem até o sol nascer.

Aqueles homens estavam ali em nome da Igreja Católica, cegos por suas crenças e preconceitos. O objetivo era único e impiedoso: exterminar qualquer um que ostentasse uma postura livre ou divergente, considerada uma heresia punível com a morte.

"Aqui! Ela está aqui!" Eles arrastaram a jovem brutalmente para longe dos braços dele.

"Não. Não toquem nela!", o homem gritava desesperado, se debatendo e lutando com todas as suas forças para chegar até a sua amada. A voz dela ecoava por toda a casa, gritando dolorosamente por ele, pedindo para ser salva.

"Levem a bruxa e queime-a com as outras!", aquela voz ficaria para sempre retumbando a sua mente. "E você como pôde se misturar com uma bruxa imunda?!"

"Eu a amo. E o amor não é um pecado", sua voz retumbou firme. Ele se sentia tão indignado com tamanha covardia e injustiça.

"Seu traidor nojento! Você será julgado perante a Igreja!" Ele não se importava com isso, pois não temia morrer. O seu maior medo era perdê-la.

"Por favor, não! Deixem-na. Ela é inocente, apenas uma menina. Por favor, estou implorando por misericórdia!", mas não importava o quanto ele lhes suplicasse.

Logo, a fogueira estava montada no meio da praça, para todos do vilarejo verem. Além disso, ele foi obrigado a estar ali esperando seu julgamento, vendo-a morrer diante dos seus olhos impotentes, vendo o fogo consumir ferozmente o corpo de sua amada sem que pudesse salvá-la.

Aquele jovem soldado nunca iria esquecer aquela imagem. A imagem de sua amada sendo queimada em praça pública. E ali, com seu coração ferido e sua alma despedaçada, ele deu seu último suspiro, esperando renascer em outra vida, só para poder rever o seu eterno amor...



JACOB

"Olá, bela adormecida. Hora de acordar", dizia Quil me sacudindo insistentemente. "Vamos lá Jake, levanta esse traseiro feio daí."

"Será que dá pra parar!", eu grunhi irado, ainda me sentindo tonto, angustiado e confuso.

Me sentei na cama tentando me orientar, pois ainda estava sofrendo com os efeitos daquele pesadelo. Acabei despertando com uma enxaqueca chata, sentindo até meus músculos doerem de tensão.

"Uau, alguém aqui acordou com o pé esquerdo", Embry disse zombando de mim, mas seu sorriso logo se desfez, dando lugar a uma carranca. "Ou seria porque interrompemos seus sonhos pervertidos?", ele falou com desdém, franzindo o nariz parecendo enojado.

"Mas que droga!", esbravejei tampando a minha inesperada e constrangedora ereção, com meu travesseiro. "Calem a boca e saiam do meu quarto, porra!" Eu me sentia frustrado e envergonhado, sem privacidade em meu próprio quarto.

"Relaxa, Jake. Normal isso. Todos nós temos sonhos eróticos. Culpa desses malditos homônimos", Quil dizia rindo junto com um Embry nada amigável.

"E a culpa também da Leah e aquele corpo cheio de curvas perfeitas que...", interrompi Embry saltando da cama e dando um peteleco na sua cabeça.

"Ouch Jake, essa doeu." Embry falou massageando a cabeça. "Qual é o seu problema, cara? Ah, ciúmes da Leah. Por quê?" Ele estava testando a minha paciência. "Ela não é a sua namorada." Eu pensei em dar um soco naquela cara de pau dele,

"Ei caras, vamos com calma!" Quil se pôs entre nós. "E Jake... sugiro pra você... banho Frio!"

Seguindo o conselho de meu primo, decidi ir direto tomar um banho frio para me acalmar. Deixei a água cair sobre mim, enquanto os pensamentos me rodeavam a mente.

As coisas andavam meio tensa entre o bando, porque durante a droga da patrulha, eu cometi um erro. A partir da nossa ligação mental, Embry viu memórias da minha noite inesquecível com Leah, algo que não foi só presenciado por ele, mas também por... Sam. Enfim, o clima pesou entre nós e Lee acabou entrando no meio do confronto direto com o Alfa, o que causou ainda mais alvoroço entre a matilha.

Curiosamente, ela tentou contornar a situação, fazendo Sam e os outros acreditarem que aquilo não era real e sim uma jogada da minha mente transtornada. Isso me fez me lembrar das suas palavras mordazes:

"Black prefere se esconder através da luxúria pela única garota do bando, para não pensar na rejeição de sua amada Bella..." A jovem de gênio forte, havia dito aquilo olhando bem no fundo dos meus olhos. Era uma jogada arriscada, mas que acabou funcionando até certo ponto. Pois, se o resto do bando acreditou na lobinha... Embry e Sam era outra história.

Quando acordei sozinho na beira daquele rio, cheguei a pensar se tudo não havia passado de um doce sonho. Se eu tinha apenas sonhado que Leah Clearwater havia de fato passado aquela noite em meus braços e se entregado para mim. Depois percebi que aquela noite maravilhosa tinha sido real, pois o perfume dela ficou impregnado em minha pele e era como se ainda pudesse sentir seus lábios, seus toques, seu corpo grudado ao meu.

As lembranças daquela noite no "NOSSO RIACHO" ainda estavam tão fortes em minha mente e cravadas no meu corpo e no meu coração. Agora eu não era mais aquele menino Jacob. Mesmo que ela tentasse continuar fingindo que nada mudou, tudo mudou entre nós.

"Agora Jake, você tem que parar de agir como o Sam." Meus devaneios foram interrompidos por meu primo irritante, que continuava a tagarelar.

Saí do banho apressado, vestindo apenas um shorts jeans e retornei para meu quarto.

"O quê? Como assim, eu estou agindo como Sam?!", exclamei olhando descrente para Quil que estava deitado, preguiçosamente, em minha cama. "Não me compare a Sam!"

"Então, pare de agir como se fosse o dono da Leah!", Embry disse entredentes me encarando. "Isso já está ficando meio esquisito, Jake. Daqui a pouco você vai transferir sua obsessão de Bella para Leah." Seu sarcasmo já estava saindo dos limites.

"Afinal, o que tá rolando aqui?" Quil sentia a tensão crescente entre seus dois amigos teimosos. "Por que vocês tão agindo como predadores brigando por território? Credo, somos amigos!" Sua expressão era cômica que foi impossível não nos fazer rir.

"Sim, vocês tem razão... somos amigos... E a Leah também." Os dois reviraram os olhos. "Ela é a nossa irmã da alcateia. Vamos respeitá-la."

Nosso momento de trégua, foi interrompido por Seth chamando lá fora.

"Sam nos convocou para uma patrulha especial. Temos que ir."

Nós seguimos para se juntar com o resto do bando e partimos para mais um novo dia exaustivo de patrulha, deixando La Push aos cuidados de Paul, Leah e os outros lobos mais jovens.



***/ /***


Sam havia juntado o bando para patrulharmos fora dos limites de La Push, indo na direção da reserva Makah, onde ouvimos casos de ataques de vampiros e desaparecimentos de jovens e crianças. Na forma de lobo corremos organizados e entramos no calor da batalha, confrontando um grupo de nômades. Tudo parecia sob controle, até que ouvi o uivo agoniante. Corri freneticamente até chegar à clareira onde o ALFA enfrentava alguma força invisível.

"Sam, o que está acontecendo?" O lobo preto estava se contorcendo de dor no chão.

"Jake, não se aproxime!", podia ouvir Sam murmurando fraco em minha mente. "Você tem que salvar Emily e meu bebê. Eles vão matá-la!", ignorei a súplica do Alfa e continuei me aproximando, até ver uma vampira de costas para mim, olhando para a imensidão verde da floresta, com seu cabelo castanho mogno esvoaçante.

Mesmo sem ver seu rosto, eu podia ouvir seu sorriso mórbido, zombando de nós e, ao fundo, podiam-se ouvir sons de crianças chorando e aquilo me causou calafrios.

"Sam, seja o que você estiver sentindo, não é real. Eu vou atrás dela, mas preciso que você se concentre e ajude os outros", afirmei, batendo meu focinho na lateral do corpo do lobo negro que ainda estava caído no chão. "Vamos lá, você é o Alfa! Precisamos de você aqui firme."

Comecei a repassar imagens atuais de Emily em La Push para provar que ela estava segura. Os olhos de Sam se abriram agora parecendo enfurecidos.

"Tudo bem. Vamos pegá-los!" O lobo negro se levantou majestosamente, trocamos um olhar silencioso antes de retornarmos à batalha.

Ela flutuava por entre as árvores, querendo me arrastar para uma armadilha. Eu corri mais veloz e consegui saltar pairando em sua frente, ficando cara a cara com a vampira que de repente tinha o mesmo rosto de Bella.

Naquela hora, minhas patas empacaram e eu me senti tonto e enojado.

Ali diante de mim, vi Bella como uma vampira assassina, fazendo cada célula de meu corpo estremecer em agonia. Agora seus olhos eram vermelhos escarlates, seus lábios estavam sujos de sangue e em suas mãos ela segurava uma vida inocente, era uma criança morta cruelmente.

"Ela estava tão apetitosa!" Bella sorriu friamente para mim, jogando o corpo morto da criança no chão sem remorso.

"Não, você não é real." Eu desviei os olhos dela.

Aquela não podia ser a minha Bella. Não, ela não era um monstro!

Fechei os meus olhos, tentando controlar meu corpo, cheguei a trancar minha respiração para não sentir o cheiro fétido de morte irradiando dela. Meu coração batia dolorosamente, só de vê-la assim como um predador monstruoso.

"Jake, ela não é real." Eu ouvi a voz de Leah ao longe invadir a minha mente. "Você tem que matá-la... Agora!", sua voz retumbava bravamente pelo bosque.

"Eu não posso!", murmurei, ainda de olhos fechados, sentindo meu corpo tremer de aflição e raiva. Nesse instante, senti a sanguessuga me derrubar violentamente sobre o chão bruto, causando uma dor horrível em minha pata traseira.

"Jacob, ela não é... Bella. Abra os olhos e confie em mim!" Decidi me concentrar apenas na voz calma da pequena loba cinza. Quando reabri meus olhos, me deparei com a verdadeira face da vampira. "Ela apenas estava jogando com a sua mente. Faça-a pagar!" Incentivado pelas palavras de Leah, me levantei ignorando a dor latejante na pata e saltei sobre o corpo de mármore daquela vampira manipuladora a derrubando no chão. Logo, consegui estraçalhar furiosamente aquela sanguessuga, fazendo justiça às vidas inocentes, mortas por suas mãos imundas.

Não demorou muito para a matilha se reunir na clareira, onde montamos uma fogueira para queimar os restos daqueles vampiros.

"Desgraçados!", Sam dizia ainda parecendo perturbado pelas memórias horríveis que a sanguessuga havia implantado em sua mente. "Parecia tão real", continuou murmurando aborrecido. "Se ela tivesse tocado em Emily..."

"Mas, não foi real. Emily está segura em La Push com a Leah", retruquei parando a seu lado, olhando para fogo que queimava aqueles corpos podres.

"Ela tentou manipular você também, não é?" Sam me olhava nervoso. "Eu vi Bella lá, naquela maldita ilusão, usando-a para controlar você."

Então, a matilha também havia presenciado meu pesadelo?!

"Sim, parecia real", resmunguei, tentando limpar a minha mente daquela imagem horrível.

"É, foi horrível ver a Bella diferente da humana frágil que nós conhecemos", dizia Jared se juntando a nós. "Mas Black, você sabe que isso irá acontecer, não é?! Cedo ou tarde, Bella irá morrer para se tornar uma vampira." Suas palavras me causaram um alvoroço terrível por dentro.

"Talvez, nesse exato momento, Edward já tenha transformado ela."

Jared e Sam continuavam murmurando entre si como se eu nem estivesse ali. Resolvi me afastar do bando e ficar sozinho.

Enquanto tentava retornar para La Push, acabei cruzando os meus pensamentos com os de uma "Loba" muita brava. Corri com uma determinação incessante, decidido a confrontá-la, pois essa poderia ser a minha chance. E, curiosamente, acabamos naquele riacho ao norte.

Voltei à forma humana, desamarrei o shorts do meu tornozelo e já devidamente vestido, segui atrás de Leah, a encontrando na beirada do riacho também em sua forma humana e vestida com uma regata azul e seu shorts jeans desbotado.

"Droga! Vai embora!", ela dizia sem me olhar na cara. "Aqui já é o MEU lugar... E eu quero ficar sozinha", enfatizou cruzando os braços. Eu a olhei me divertindo com o seu mau humor.

"O MEU Lugar?!", ironizei, tentando imitar a sua voz. "Correção: é o Nosso lugar... que virou o nosso ninho de amor." Achei que ela fosse rir do meu comentário.

"Que bobagem é essa?", Leah suspirou frustrada, franziu a testa como se tivesse refletindo sobre algo e depois tentou se afastar de mim.

"Ei, espera!" Segurei seu pulso e a puxei mais próximo de mim, fazendo-a me encarar. "Eu senti a sua falta."

"Eu já disse que quero ficar sozinha!" Ela puxou bruscamente seu braço da minha mão, tentando se manter distante. "E pare de ser pegajoso!"

"Então, pare de ser uma Harpia amargurada!", retruquei só para irritá-la. Sua raiva era meu divertimento. "Eu não vim aqui pra brigar." Tentei me aproximar, mas suas mãos timidamente tocam meu peito nu e seus olhos negros pareciam brilhar com uma pequena faísca de desejo. "Lee, nós precisamos conversar."

"Afinal, o que você quer?!" Ela mordia os lábios nervosamente, enquanto se afasta de mim e olhava para o céu alaranjado do fim de tarde.

"Quero que você pare de fugir de mim, como se eu fosse uma praga!"

Desde aquela noite em que a tive entregue sem pudor por completo em meus braços, nós não tivemos a chance de conversarmos. O que mais me frustrava era que essa loba teimosa parecia querer fugir o tempo todo.

"O quê? Eu não tô fugindo!"

"Sério?! Por que não é o que parece. O que está acontecendo, Leah?"

"Eu odeio essa vida aqui em La Push." Então, eu senti o primeiro golpe bem no meu peito. Sem vacilar ela fechou os punhos e começou a me atacar, descontando sua fúria. "Eu odeio Emily, Sam e a vidinha perfeita que eles vão construir juntos. Eu odeio essa droga de matilha!" Cada soco era forte, doloroso, mas não o suficiente para me derrubar. "E eu odeio você!"

"Pare com isso!" Sentia meu abdômen latejar, mesmo assim, segurei seus braços com firmeza para impedir outro golpe. "É por causa do casamento do Sam com a Emily que você está assim?" Nossos olhos faiscavam e nossa respiração ofegava pesada. "Você ainda o ama?" Eu me senti inseguro, com raiva e com muito ciúmes.

"É claro que não! Sam está me punindo. Você sabia disso?", ela murmurou trêmula, sempre mantendo seu olhar distante do meu. "Ele sabe o que aconteceu entre nós... naquela noite... E ele se sentiu traído... e quer me ferir..."

Parando para pensar, Sam estava abusando do seu poder, ao tirá-la das patrulhas e forçá-la a ficar em La Push para ajudar Emily nos preparativos do seu casamento. E agora vendo a Leah aqui diante mim, parecendo tão esgotada e brava, me fazia entender as coisas sobre uma nova perspectiva. Além disso, o Alfa também estava tentando me manter o mais longe possível da lobinha.

"Lee, não podemos deixar Sam mandar em nossas vidas. Ele não tem esse direito", rosnei enfurecido. "Nós não precisamos ficar longe um do outro. Eu..."

"Ele não precisa me manter longe de você." Porém, suas próximas palavras me paralisaram. "Você já faz isso sem esforço." Ela segurou o meu rosto entre suas mãos e fixou seu olhar no meu.

"O quê? Mas, eu não quero te manter longe." A agarrei pela cintura, prendendo mais o seu corpo ao meu. "Eu quero lhe manter aqui comigo, presa em meus braços", sussurrei, roçando nossos narizes e desejando tanto beijá-la. "Lee, eu não vou ferir você. "

"Você ainda é tão ingênuo!" A garota geniosa acariciava meu rosto com ternura, mas permanecia com suas palavras duras me deixando tão inseguro quanto furioso. "Sam estava lá na clareira, empurrando você a pensar em Bella." Em seguida, ela me empurrou bruscamente, colocando outra vez aquele muro invisível entre nós. "Você ainda não esqueceu da sonsa!"

"Não fale assim dela!", resmunguei fazendo-a me olhar com raiva.

"Viu, Bella é seu ponto fraco!", a loba esbravejava com desdém.

"Nossa, como você é ciumenta!", a provoquei outra vez e ganhei um olhar atravessado dela.

"Eu não vim aqui pra falar sobre Sam, ou Bella... ou sobre a matilha. Eu estou aqui por nós," desabafei, cansado de brigar e querendo apenas um momento de paz com a Leah. "Estou aqui por causa daquela noite. A noite mais perfeita e incrível da minha vida." Isso parecia ter mexido com ela, porque ouvi seu coração acelerar.

"O problema é que... por mais perfeita que possa ter sido estar em seus braços..." Ela carregava uma expressão sombria, quando desviou seu olhar dos meus. "Eu acordei pra me deparar com a realidade. E ela não é assim bonita ou perfeita. Ela é cruel."

"Leah, olha pra mim! Não faça isso com a gente!" Segurei seu rosto entre minhas mãos, gostando da sensação de tocar a sua pele bronzeada e macia, seus olhos se prenderam intensos nos meus. "Estar com você é tão bom e excitante", sussurrei rouco em seu ouvido, antes de apertar minhas mãos em sua cintura, roçando os nossos corpos. Imediatamente, senti ela reagir ao meu toque, exalando seu cheiro feminino de pura excitação me deixando louco. "Caramba, você é tão linda."

Então, um segundo depois, eu lhe dei um beijo de tirar o fôlego, saboreando cada canto de sua boca carnuda, sentindo seu gosto, enquanto minhas mãos se dividiam entre sua cintura e sua nuca, a encurralando em meus braços. Suas mãos se fixaram fortes em meus cabelos e seus lábios me correspondiam famintos. Quando o ar se tornou escasso, nos separamos ofegantes e encostamos as nossas testas.

"Você também sentiu a minha falta, não é?" Nós rimos entre beijos e carícias.

"Você é tão presunçoso." Leah tentou se libertar dos meus braços, porém eu era mais forte. Decidi pegá-la no meu colo, ignorando suas reclamações. "Jake, não!" Corri saltando dentro do riacho, mergulhando fundo e levando ela comigo.

"Você precisava esfriar a sua cabeça, Clearwater." Eu gargalhava, vendo a cara dela de emburrada, após voltar a superfície, recuperando o ar. "Você fica tão sexy assim." A regata havia grudado em seu corpo expondo seus belos seios firmes, pedindo para serem tocados e de seus cabelos curtos caíam gotículas de água que deslizavam por sua pele acobreada, fazendo-a ainda mais sensual e selvagem.

"Jacob você está querendo é ferrar a minha vida e..." E, novamente, eu a calei com um beijo avassalador. Um beijo para fazê-la esquecer de tudo que estava atormentando a sua mente e o seu coração. Porque no fim o que importava era estarmos juntos, assim, nos braços um do outro.

"Vamos aproveitar e gozar do momento... E dane-se o resto!", murmurei com malícia entre beijos. Abri a boca sentindo sua língua acariciar a minha e, assim, nossos lábios se moviam sincronizados.

Deixando a razão de lado ela enlaçou suas pernas em minha cintura roçando nossas intimidades, me fazendo gemer o seu nome. Suas mãos se emaranharam furiosas em meu cabelo, enquanto minhas mãos deslizavam livres por cada pedaço de sua carne quente, macia e cheirosa. Continuamos nos beijando lentamente, apreciando o gosto um do outro, saboreando o sabor do desejo e amor que pulsava vorazmente entre nós.

A combinação entre a água fria e nossa pele febril era tão maravilhosa, meu corpo todo estava ardendo entusiasmado por tê-la junto a mim.

Infelizmente, nosso momento de alegria foi rompido por uma Leah, completamente fragilizada. Ela escondeu seu rosto em meu pescoço e começou a chorar, silenciosamente.

"Lee, o que tá acontecendo?" Me senti tenso.

"Eu odeio o meu destino, sabendo que meu futuro já está todo traçado." Ela me abraçou apertado, como se tivesse com tanto medo.

"Por que você está falando isso?" Acariciei suas costas por baixo da água, tentando acalmá-la.

"Eu vi o meu passado. Um passado que condena o meu futuro." Ela parecia tão transtornada. "A pior parte é que... não posso fugir dele. E não importa se estou com você aqui, cedo ou tarde... o destino irá te puxar brutalmente para longe de mim." A escuridão do seu olhar e a sua voz transmitiam tanta melancolia. "Eu estou destinada a sofrer como Chiara" E, assim, a garota fugiu dos meus braços e saiu da água perdida em seus próprios pensamentos conturbados.

"Quem é Chiara?" De repente aquele nome aguçou a minha curiosidade e senti uma dor inexplicável em meu peito.

"Não importa. Esquece o que eu disse."

"Lee, eu estou aqui. E eu não quero estar em nenhum outro lugar, que não seja ao seu lado", enfatizei, saindo da água e seguindo logo atrás dela.

"São belas palavras vindas de um garoto que, até dias atrás, estava disposto a fazer o possível e até o impossível, pra estar com a Bella."

"Eu já não sou mais um garoto!", gritei cerrando os punhos. "Que merda! Por que você tem que complicar as coisas?!"

"Porque você é só um adolescente rebelde, cheio de hormônios e muita energia precisando ser liberada. E por trás disso tudo, ainda há um garoto que teve que ser forçado a amadurecer, daí você se apega a qualquer coisa pra suprir a sua solidão."

"Solidão?! Ótimo, continua! Você pode acrescentar o amargurado aí também... Combina com você."

"A questão é... você é muito impulsivo e se apaixona muito facilmente. E ainda é um lobo que pode, a qualquer momento... sofrer um imprinting." Ela continuou, impetuosamente, se esforçando para me magoar. "No final, você vai acabar me machucando, mais do que o Sam. Então, vamos parar por aqui. Eu preciso proteger o meu coração... de você, Jake."

Tentei rejeitar os seus argumentos e quando a toquei tentando acalmá-la, foi então, que nossos olhos se prenderam e, por um minuto eu entrei em transe, sendo arrastado inesperadamente, para dentro do cenário daquele meu sonho estranho, que agora mais parecia um flashback:

"Lembre-se que eu te amo e sempre vou amar!"

"Eu também te amo, meu passarinho. E se esse momento for a nossa despedida, quero que saiba... Não importa quantas vidas terei que viver, mas eu vou te encontrar. Porque a sua alma e a minha sempre estarão juntas."

Num piscar de olhos, bruscamente retornei para a realidade, onde Leah está parada na minha frente com uma expressão assustada.

"O que foi isso?" Olhei para Leah em busca de alguma resposta.

"Isso o quê?" Leah ficou agitada.

De repente fomos interrompidos por uma ventania forte e gélida, o vento soprava furioso sobre nós, balançando severamente as folhas das árvores e alvoroçando os pássaros.

"Temos que voltar." Então, Leah explodiu em sua lobo cinza e correu fugindo covardemente, tirando qualquer chance entre nós e causando um turbilhão de confusão dentro de mim.

Contudo, uma certeza eu tinha: Não dava mais para convivermos apenas como irmãos de bando, ou como Leah e Jake de antes, como se nada tivesse acontecido entre a gente. Nós atravessamos a linha da amizade e fomos além. De uma forma ou de outra, nossa relação irá mudar.

E, acima de tudo, eu sabia no fundo da minha alma, que não importa o quanto Leah fugisse, seu coração ainda vai guiá-la de volta para mim. E eu vou estar a esperando.



Notas finais
Por enquanto é isso, mas o próxima cap deve sair logo se a net me ajudar pq ele já tá praticamente prontinho. Bjus!!!