Coração De Tinta

5 Capítulo 5: O fantasma parte 2


Notas iniciais
Galerinha, desculpe-me por não ter respondido a todos os reviews e ter atrasado com este capítulo. Terminei com meu namorado e estou um pouco mal, mas, nada que não se tocando para frente não se resolva... Espero que gostem do capítulo! Mística.

Colégio Karl Johans Gate, 07:22/ Oslo, Noruega.

Aquele impotente timbre... Todo ar seco e gélido... As sombras sobre o chão... Era ele. Não tinha dúvida alguma. No entanto, como ele conseguira ler sua coluna ainda de madrugada? Ele também não havia pegado no sono naquela noite? Lentamente virou-se, pronta. Pronta para mais uma vez... Atolar-se em uma legião de perguntas cujas respostas ele não lhe daria. Mas, faria-se aquelas perguntas. Sua mente não conseguia simplesmente deixá-las serem levadas bela brisa do início de uma nova estação... O Inverno.

_ Como já leu a última postagem da coluna...? – perguntou Sakura, suave, surpresa... As palavras lhe saíam da garganta em tom baixo, analítico. Porém, preso. Estava persa mais uma vez.

Com um sorriso de leve curvar, o Uchiha a encarou, altivo. Havia sido pego em sua própria pergunta, em sua primeira, curiosidade... Ela não lhe dava as respostas como todos costumavam lhe ceder... Naruto... Naquele momento estava a divertir-se com seus cristais de gelo, criando algum objeto oval. Gaara... Há alguns dias não detectava suas ações, certamente, ainda devia haver resquícios de drogas humanas em sua mente. A mais nítida ameaça... O Nara... Nem mesmo seus engenhos poderiam atingi-lo... Entretanto, ela, lhe bloqueava. Tinha de descobrir o porquê, o que se passava por sua mente... Nunca vira alguém como ela. A mais complexa das presas...

_ Quem é o fantasma? – repetiu Sasuke, cético, ignorando-lhe a pergunta feita.

Os olhos esmeralda sob os ônix... O fantasma... O que diria? Ele teria percebido que... Em algumas poucas partes... Se referira a outro alguém além do personagem da obra de Gastoux? Como? Ele parecia ler as pessoas... Seus gestos... Ações... A morbidez em seus olhos...

_ SAKURA!!!!! – a estridente voz de Rock Lee a retirara de seu outro plano.

A flecha... O fogo...

Não, ninguém iria ferir sua presa. Possesso, Sasuke pegou a flecha ainda em movimento. Apertando os dedos contra a madeira inglesa, o Uchiha a apontou para quem lançara, atirando-a com fervura, cólera e extrema precisão.

_ UOU!!! Calma aí Uchiha! O Chouji atirou sem querer! – manifestou-se Rock Lee, perplexo, com os olhos negros arregalados. A flecha, acesa na ponta como de praxe nos jogos de artilharia da escola, estava aprofundada contra um dos muitos armários de metal, há alguns poucos milímetros da cabeça do Ackimichi, que, apavorado, encarava a inexpressividade do novato, de punhos cerrados, impotente.

Imóvel, Sakura podia ver o quanto às sombras no chão se modificavam, agitadas. Aquela raiva... Ele pretendia ter matado Chouji. Olhos assassinos... Novamente, sua mente sentia a acidez daquela notória pergunta: Quem era ele? Tinha parado uma flecha ainda em movimento, aquilo não era possível...

A passos lentos, Sasuke deixara o corredor, mediante aos cochichos dos demais alunos, que observavam a flecha, incrédulos. O ardor de todos os espíritos demoníacos estava com ele... De todos como ele... Poderia ter, muito bem, impedido o lançamento daquele instrumento perigoso. Humanos estavam cercados de perigos e, ironicamente, ele era um deles. Mas não conseguira prever a ação do garoto dotado de grande massa gordurosa. Era ela. Não conseguia invadi-la e, quanto mais se empenhava em desvendá-la, menos ele a decodificava. Distraíra-se... Logo ele... Outra vez, era como se algo pudesse superar-lhe a força máxima... Ela.

XXX

_ Eu não vou perguntar por que não apareceu na Mansão... Tão pouco como conseguiu essa ferida humana horrorosa no antebraço. Desisto de você Gaara. Agora, tudo que lhe digo é que Tsunade está na sua caça... É melhor aparecer na Mansão e sofrer a punição. Torço para que aguente dessa vez... – escorado à porta do banheiro, Naruto cruzou os braços em represália, segurando seu mais novo presente de gelo. Observando a figura irritadiça do ruivo, que o olhava pelo reflexo do espelho, o loiro analisou sua própria imagem. Talvez ter um reflexo fosse cansativo e inútil, mas, tinha de admitir, sua forma humana era muito agradável. Se fosse humano de fato, seria um belo humano de cabelos dourados...

Rangendo os dentes, Gaara se virou, incomodado. Não suportava mais ouvir os discursos de Naruto e Sasuke, sobretudo, os de Tsunade. Não tivera escolha. Não poderia ter voltado a Mansão. Certamente ela lhe retiraria metade da energia vital e, teria de suportar aquela punição novamente. Não iria aguentar... Metade de sua energia vital sugada outra vez... Cometeria o maior estrago de todo aquele país medíocre se conseguisse se libertar da Mansão. Nunca se importara em matar, realizar sua mais hábil arte. Todavia, não era um espírito recente para ter de ficar sofrendo as punições de Tsunade. Sabia muito bem o que estava fazendo. Ele queria sua droga humana, a heroína e, não ligava para o que Tsunade pudesse lhe fazer. As ruas eram melhores... Não teria de ouvir críticas cortantes, e estava ao lado de sua salvação quanto aquela forma humana desprezível e podre. A heroína o blindava contra os chiliques de Temari e as acusações de Tsunade.

_ Não vai aparecer na Mansão não é? Então se prepare... Ela mandou Sasuke tentar localizá-lo três vezes... Onde estava? Temari também esteve a sua procura. Mesmo que não queira, ela é sua “irmã” como os humanos dizem. – proferiu Naruto, aproximando-se de Gaara. Aquele aroma de sangue... Como ele suportava sentir aquele aroma vindo de si mesmo? Não tinha a mesma doçura do sangue que vinha das presas. Realmente desistia. Gaara não tinha rumo algum. Não sabia como ele ainda não havia sido rebaixado para uma alma penada.

_ Mande Temari preocupar-se com ela mesma. – limitou-se Gaara, ofegante, observando sua imagem no espelho. Ela... Poderia vê-la naquele ínfimo pedaço de vidro. Exibindo toda sua estranha adoração pelo roxo.

_ Onde esteve? Sabe que Sasuke e eu não iríamos te entregar. Mas eu quero saber aonde esteve. Não... Não estava com aquela loirinha não é? Elas são presas prolongadas... Espero que não tenha a matado. – opinou Naruto, analisando também, o aspecto físico de Gaara. Tinha uma ligeira impressão que... O ruivo estava a emagrecer a cada dia.

_ Não a matei. – afirmou Gaara, com os olhos sobre as brancas ataduras traçadas com algodão. Ela fizera parar de arder...

_ Ah!! Então estava por aí com a loira?! Okay, temos que nos aproximar delas e... Apenas saborear... – completou Naruto, caminhando novamente de volta a porta do banheiro. _ ... Mas por favor, dê um jeito nessa sua ferida. Esse cheiro de sangue está insuportável!

Com os olhos arregalados, Gaara acompanhou a saída de Naruto, que aparentara ter falado com seriedade. Aroma de sangue? Ele não estava a sentir... As feridas estavam cobertas pelos curativos e pelas ataduras colocadas por ela. No entanto, Naruto tinha alguma razão. Sempre sentira qualquer sinal de sangue há quilômetros, era um dos poucos espíritos das trevas a ter toques vampíricos, a matar por compulsão. O que estava havendo consigo? Porque não estava detectando próprio sangue? Era tudo culpa daquela forma terrível. Se pudesse... Acabaria com aquela união de carne, ossos e perturbação.

XXX

Colégio Karl Johans Gate, Pátio, 09:18/ Oslo, Noruega.

Aquela rosa feita com gelo... Toda vez que colocava os olhos sob aquela intrigante “escultura” em miniatura, era inevitável. Inevitável que sua mente não estabelecesse uma súbita conexão à figura dele. Aqueles movimentos na aula de Educação Física... Estava a pensar nele na noite passada, quando aquele brilhante e singelo “presente” surgiu repentinamente em sua janela. Deveria estar mesmo bem afetada com suas últimas pesquisas, mas, tinha algo de incompreensível nele. Podia sentir.

Algo tão motivador, tão tentador que... Nem mesmo seus pensamentos eram capazes de escapar. Iria descobrir. Tinha de descobrir. Ele não era normal... Havia algo nele que a chamava.

_ Não sei porque faz tanta questão de passar o intervalo sozinha...

Afoita, Hinata virou-se, constatando-o atrás de si. Há quanto tempo ele estava ali? Como não tinha notado sua presença? E... Como havia subido naquele galho tão alto?

_ Não estou só... Tenho meus livros. – argumentou a Hyuuga, respirando fundo e tratando de se recompor.

Com um sorriso iluminado por diversas travessuras, Naruto pulou da grande árvore, sem dificuldades. Pelo que via... Ela havia mesmo apreciado a rosa que fizera... Ela jamais poderia pegá-lo. Não havia nada melhor que brincar com a mente dos limitados humanos.

Ajeitando a fita lilás que prendia-lhe os cabelos, Hinata olhou-o, séria. O sorriso dele poderia enganar há muitos... Mas... havia algo de obscuro naquele ato.

_ Livros são chatos. Não gosta de esportes? – perguntou o loiro, sentando-se frente à ela.

_ Como você? Certamente não. – assentiu Hinata, analítica, porém, era como se toda e qualquer análise que tentasse fazer... Se esvaísse... Aqueles olhos azuis... Eram de uma beleza descomunal. Até mesmo para ela.

Com um curto riso de canto, Naruto deitou-se sobre a grama, tomando certo cuidado para não congelá-la com o desejo que vinha-lhe por dentro. Toda aquela luz... Era a presa perfeita.

_ Como conseguiu fazer todos aqueles pontos? Quem você é?! – interrogou Hinata, direta, recuperando sua sensatez. Ele não lhe escaparia.

_ Eu? Sou Uzumaki Naruto... Prazer... – ironizou o loiro, erguendo-se com uma pequena pirueta. Ela era mais atenta do que pensava... Mas... Ainda não era capaz de alcançá-lo.

Erguendo-se do chão, deixando que a grama que lhe grudasse nas meias brancas, Hinata colocou-se de frente para ele. Iria fazê-lo falar como conseguia fazer todas aquelas acrobacias.

Olhos azuis... Olhos perolados...

Era tarde demais. Tudo que pretendia dizer evaporara-se de sua mente, como um simples sopro de inverno que carregava o orvalho. A pele dele era de um bronzeado praticamente real... Sua postura assemelhava-se à de um astuto guerreiro grego... Seus olhos eram impermeáveis, não dotados de reflexo algum. Eles não refletiam a luz... Como os espíritos das trevas pelo qual estava a pesquisar com Shikamaru por aquela semana.

Não seria possível...

_ Bem... Acho que vou nessa. – findou logo o Uzumaki, dando as costas e, pela primeira vez, saindo apressado de um local.

Alguns choques lhe percorriam o corpo como um aviso. Entretanto, também como uma insuportável ansiedade de prosseguir. Ela tentara lhe invadir, seus olhos como a lua haviam o desarmado por alguns meros segundos e, não sabia como deveria sentir-se sem proteção. Todavia, a criara justamente para aquilo: não seria afetado por humano algum. Eles eram medíocres e cruéis consigo mesmos... Mereciam o mesmo. Faria com que cada um daquela espécie abrasadora pagasse. Pagasse por sua curta estadia dentre eles.

XXX

Colégio Karl Johans Gate, Pátio, 09:30/ Oslo, Noruega.

Será que ele estaria mesmo bem? Durante os primeiros horários ele nem a olhara, não aparentava estar bem. Havia um vazio muito grande em seus olhos... Havia morte... Aqueles olhos verdes estavam mortos.

Sakura também estava estranha. Não compreendia os motivos daquela súbita reunião na casa dela na manhã seguinte, algo muito importante deveria ter acontecido e aquela rosada ingrata não tinha piedade alguma para com sua curiosidade gigantesca. Notara que Hinata também estava tão ausente daquela proposta quanto ela e, o Uchiha... Todos estavam a falar algo sobre ele que ela ainda não conseguira entender bem o que era. Teria haver com ele? Ela não tirara os olhos dele até o sinal do intervalo e, agora, tinha deixado-a a deriva naquele gramado. Mas cobraria as devidas explicações daquela testuda cor de rosa!!! Quem ela pensava que era para não lanchar com ela no intervalo e ainda esquivar-se de suas perguntas?! Aquele dia certamente era o mais confuso de todos... Sentia-se deslocada, pela primeira vez.

Mas, todos seus pensamentos sempre se voltavam à ele... Ainda não conseguia crer que ele de fato tinha quebrado seu espelho. Tão pouco que havia passado a noite em seu quarto, sentado sob o tapete, como insistira. Nunca levara garoto algum ao seu quarto, apesar de ter namorado muitos... Nenhum havia adentrado seu espaço particular daquela maneira tão abrupta. Ele subira até sua janela... Aquilo não era normal. As paredes de sua casa eram lisas, no típico estilo de sua família... Não entendia como ele havia feito aquilo.

_ Gaara!!! – gritou Ino assim que o avistou, caminhando lentamente, passando por ela como se não a visse.

Correndo, a loira abandonou sua caixinha de suco e seu sanduíche, rumando até o ruivo, que virara-se inexpressivo. Sorrindo, Ino colocou as mãos sobre os joelhos, ofegante. Dando um passo para trás, Gaara se assustou. A pele do colo dela, de suas coxas, era aprisionante...

Erguendo-se naturalmente, a Yamanaka manteve o sorriso, contente em ver que não havia sangue manchando as ataduras que fizera no antebraço dele. A ferida estava começando a se cicatrizar. Além disso, todos os demais cortes provenientes do incidente no banheiro também já não se abriam.

_ Está vendo? A ferida não sangrou novamente! Não lhe disse? – manifestou-se a loira, tocando o antebraço de Gaara, cuidadosa.

Retirando o braço com irritação, o ruivo fechou o cenho. Não era porque ela fizera sua ferida parar de arder que detinha o direito de se vingar, fazendo com que todo ele ardesse.

_ Agradeço pelo que fez, mas não somos amigos. Saia da minha frente. – ordenou Gaara, rude.

_ O quê?! Porque tem de ser tão rude?! – indignou-se Ino, perplexa com a mudança rápida dele. Há algumas poucas horas atrás estava a sofrer como um garoto perdido e, agora, comportava-se como um ocidental mal-educado.

_ Não lhe devo explicações. – afirmou Gaara, deixando-a imóvel no lugar em que estava.

Precisava de sua salvação, urgente. Não deixaria que a vingança dela tomasse conta de si, iria sair daquela realidade humana.

XXX

Colégio Karl Johans Gate, 12:40/ Oslo, Noruega.

_ Hey! – exclamou Sakura, parando-o com uma das mãos. _ Como fez aquilo?!

Ele estava a esquivar-se dela por toda a aula... Não esqueceria o que ele havia feito. Tinha certeza. Ele parara aquela flecha mais rápido que o próprio ar... Ainda em movimento.

Inexpressivo, Sasuke encarou a determinação presente nos olhos que faziam o mesmo, o encaravam, com seriedade. Ela tinha de esquecer aquilo... Era o mais saudável para ela.

_ Do que está falando? – perguntou o Uchiha, fazendo-se de desentendido.

_ Daquela flecha! Você a parou com uma só mão! Em movimento! Como fez isso...? – interrogou a rosada, os olhos intensos.

_ Não sei... Deve ter sido um surto de adrenalina. – mentiu Sasuke, tentando avançar, no entanto, Sakura o impedira.

_ Não tem como... – ia rebatendo a rosada.

Olhos ônix... Olhos esmeralda...

_ Esqueça isso. – ordenou Sasuke, sério, o tom de voz grave... Marcante.

Ajeitando sua mochila sobre as costas, o Uchiha a contornou, caminhando até as escadas. Ela não esqueceria aquilo... Não esqueceria... Mas devia esquecer. Era o melhor para ela. O melhor para ela? Parando sobre os degraus, Sasuke entreabriu os lábios, revendo os próprios pensamentos. Ele havia protegido-a. Uma enorme necessidade de protegê-la... Talvez Naruto estivesse mesmo correto, elas eram as mais preciosas presas que já haviam topado.

XXX

Rua Harket, 12:10/ Oslo, Noruega.

Tantas pessoas... Tantas luzes... Inúteis. Nada daquilo fazia qualquer humano deixar de sentir-se sozinho. Sua forma humana lhe dizia aquilo... Sua ânsia pela heroína lhe dizia aquilo. Teria de encontrar algum outro bairro para conseguir sua salvação. O que havia buscado ontem era muito próximo da rota onde, pegavam o caminho até a Mansão. Temari poderia estar de vigília por lá, ou até mesmo Tsunade em pessoa. Não ouviria mais discursos, todos eles naquela “casa” também eram igualmente inúteis. Sua única sorte era que, naquele país, havia mais heroína do em toda Dinamarca. Não seria difícil encontrá-la.

Estava a vagar por aquelas calçadas há um tempo já indeterminado em sua mente. Talvez mais horas do que estava a contar...

Erguendo os olhos, o ruivo encarou todas as casas que se formavam a sua volta. Estava adentrando um bairro afastado, residencial, repleto de grandes casas antigas... Porém, tinha a impressão de já ter estado ali. A imagem dela lhe veio a mente... A casa dela... Era logo aquela, no fim da rua.

Involuntariamente, olhou suas ataduras. Havia algo dela em si e... Aquilo queimava como fogo, brasa. Rangendo os dentes, Gaara apressou-se e, logo se colocou sobre a janela do topo da residência de Ino.

Ela estava a dormir... Imersa naquela espaçosa cama. Aquele quarto... Passara toda a noite passada ali, a observá-la, em uma vã tentativa de compreender o por que de cada ação dela. Com os olhos sob sua figura, ele arfou, descontrolado. Ela estava a vingar-se mais uma vez de si, porque todos faziam questão de castigá-lo? Pensara que ela fosse diferente. Enraivecido, o ruivo pulou da janela, erguendo-a da cama pelos cabelos e prensando-a contra uma das paredes do quarto. Segurando-a pelas pernas, ele a encarou, em completa cólera.

_ PORQUE VOCÊ TAMBÉM?!?!?! – gritou Gaara, encarando o espanto contido nos olhos azuis.

Com a respiração contida, Ino não conseguia proferir palavra alguma. Como ele entrara ali novamente? O que estava querendo dizer? Muitas perguntas e pergunta alguma lhe passavam pela cabeça. Sentindo as mãos dele lhe apertarem as pernas como repressão pela demora da resposta, a loira deu-se conta de como estava.

Deixando-a cair ao chão, Gaara rosnou, sentindo nós em sua garganta. Não a queria por perto, porém, o fato de constatar que ela também queria o punir lhe incomodava. Era sua presa, deveria estar atraída por ele e não repelindo-o. Ela também detestava sua forma, certamente.

Aborrecido, o ruivo viu-se assustado. Ela havia se levantado e, ainda um pouco tonta pela queda, o encarava com confusão. Aquele tecido roxo usado por ela... Era o tecido... Não ela.

Nervoso, o ruivo avançou, colocando-a contra a parede outra vez.

_ Tire isso!!! – ordenou Gaara, sacudindo-a.

_ Me larga!!! Gaara!! Está me machucando!!! – gritou Ino, puxada à realidade, sem alternativas.

“Me machucando...” repetindo as palavras dela em sua cabeça, o ruivo afrouxou seus braços, chocado. Sasuke e Naruto estavam certos: ele só sabia ferir.

XXX

Livre para ir a qualquer lugar... Preso para não ser reconhecido... Escondido com um rato... O fantasma: era ele.

Saltando da janela dela, Sasuke a encarou, tão imóvel... Tão perto da morte... Mas, tão viva... Ele poderia matá-la se quisesse. Entretanto, o que ela acharia da morte? O que acharia do... Seu mundo?

Notas finais
Gostaram?? Beeeeeeijos, Mística ;))
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.