Coração De Tinta

4 Capítulo 4: O fantasma parte 1


Notas iniciais
Olá!!! Aqui é a Nita, a Mística está um pouco doente então eu quem vim postar este cap e amanhã responderei aos reviews do cap anterior. Boa leitura, espero que gostem.
Colégio Karl Johans Gate, 15:36/ Oslo, Noruega

A passos vagarosos, Sakura caminhava por entre as largas calçadas das ruas Gamst e Halvik. Os grandes pinheiros eram seus principais aliados naquela pequena emboscada que, seu subconsciente havia convencido-a a realizar. As palavras que ele lhe dissera mais cedo estavam coladas em sua mente... Incapazes de se descolarem ou desaparecerem. Ele não fazia nenhuma pergunta, não colocava nada em discussão ou apresentava qualquer dúvida, ele afirmava. Afirmava com precisão, como se tivesse anos de experiência nas costas... Como um nobre sábio. A escuridão... A morte... Tudo que exalava de seus olhos continha um mistério tentador e altamente perigoso. No entanto, ela estava a correr este perigo. Estava a primeira vez, tomar uma impensada atitude.

Ele caminhava como qualquer outro garoto norueguês de dezessete anos, entretanto, a imponência em sua postura não era nada familiar a um adolescente. Seu casaco de couro se destacava por dentre os estudantes que como ela, usavam de leves cores para irem ao colégio. Para onde ele estaria indo? Ele seguia rumo ao Sul, ultrapassando os moradores locais, que levavam seus filhos pequenos para a mesma escola em que haviam acabado de sair. O Sul... Sua hipótese estava totalmente descartada. Ele não estava se rumando aos montes frios da Finlândia, mas, nada lhe fazia desacreditar que ele não nascera em um local cinza, extremamente frio. Ele parecia tentar repelir a luz... Mas, ela conseguia ver uma fraca chama de luminosidade naquela inatingível figura. Uma chama que estava há anos prestes a se apagar a qualquer sinal de movimento. Concentrada, a rosada não retirava seus olhos do intrigante novato dos cabelos ébano, ele não lhe escaparia, descobriria para onde ele estava indo. Seus olhos verdes poderiam não ser tão focados quanto os dele... Ônix... Que não desviaram-se dela um único segundo enquanto estavam a discutir sobre as músicas que ela anotava na sala. Mas, seus olhos não iriam perder o foco daquela vez...

_ Hey garota! Olhe por onde anda! – tarde demais. Havia esbarrado em uma senhora.

_ Me desculpe! – exclamou Sakura, atordoada.

Deixando-a para trás, a senhora seguiu seu caminho, carregando uma cesta de frutas. Afoita, Sakura rapidamente se virou na direção onde ele estava a ir, mas, ele havia desaparecido. Desaparecido como se tivesse atravessado por entre as árvores que passava.

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Casa dos Yamanaka, 23:52/ Oslo, Noruega.

Deitada em sua cama, Ino observava o movimentar de suas cortinas, agitadas, lutando contra o forte vendo que adentrava sua janela. Sozinhas... Elas jamais iriam encontrar um repouso... A menos que alguém fechasse a janela. Exatamente como ele, sozinho... Talvez jamais fosse parar de ferir a si mesmo, talvez jamais fosse deixar aquelas malditas promessas ilusórias: as drogas. Não compreendia os possíveis motivos que ele teria para afundar-se no próprio definhar. Por mais que tivesse mil problemas, nenhum deles seriam resolvidos com o efeito daquelas coisas, certamente. Era inútil encontrar um exílio, era inútil fugir daquilo que o afligia, ele deveria tentar se recuperar, tentar lutar contra seus dilemas e não se abater daquela forma. Jamais vira cena tão desesperadora antes... Ele havia cortado a si mesmo... Havia entrado em prantos... Como se não passasse de um garoto. Um garoto perdido em si. Simplesmente não poderia apagar aquelas cenas de sua mente, o sangue dele estava em suas sapatilhas, estava por entre sua blusa, agora com um grande rasgo na barra. Tinha feito um improvisado curativo naquelas feridas, apenas o que estava ao seu alcance para conter aquele grave sangramento. Os cortes estavam profundos, e ele aparentava não ter lidado com a dor antes. Enquanto limpava os machucados, ele se debatera mais, havia ofendido-lhe diversas vezes e ela fora capaz de notar lágrimas contidas em seus olhos. Ele não sabia o que estava fazendo... Estava nítido.

Onde ele estaria neste momento? Será que tinha voltado a sua casa? Quem eram seus pais? A que família pertencia? Não era norueguês... Ele agia feito um estrangeiro, um estrangeiro americano, acostumado a fazer das madrugadas seu refúgio e seus parceiros de gangue os únicos a compartilharem de suas palavras.

Desviando seus olhos azuis até a janela, a loira saltou da cama, exasperada, exibindo a camisola púrpura de seda. O que ele estava fazendo em sua janela? Estaria delirando?

_ O que está fazendo aqui?! – indagou Ino, assustada, constatando que o ruivo estava de fato sentado em seu parapeito.

Imóvel, Gaara permaneceu a olhá-la, inexpressivo. Estava ali há algumas horas, mas, cometera o gutural erro de distrair-se, de passar a questionar toda ação que ela desferia, enfraquecendo assim suas sombras, deixando sua forma humana em evidência. Sua detestável forma humana, que estava a refletir-se no grande espelho do quarto dela, aumentando sua ânsia de quebrá-lo com socos. Não queria se ver.

_ Como subiu até aqui?!?! – interrogou Ino, aproximando-se correndo e demonstrando em sua face a mais incrédula expressão. A casa tinha dois grandes andares de paredes lisas, sem qualquer meio de alguém escalar.

_ Não foi difícil... – respondeu Gaara, sincero, o tom de voz rouco, os olhos concentrados nela.

_ Como não foi difícil?! Não tem como alguém escalar essas paredes!!! – argumentou Ino, analisando-o. Ele ainda tinha suas improvisadas ataduras, e elas estavam manchadas de sangue. O ferimento não se cicatrizara. _ Porque não foi para casa? Temos aula amanhã...

Deixando o parapeito, Gaara colocou-se no chão, de frente para ela.

_ Digamos que... Eu não poderia chegar em casa depois de usar uma boa dose de heroína. – respondeu o ruivo, despreocupado.

_ Está drogado?! – questionou Ino, aflita.

_ Não mais... Fique tranquila... Não vou lhe atacar... – afirmou Gaara, caminhando lentamente pelo quarto. Nunca vira tantos objetos roxos reunidos em um mesmo ambiente. Não sabia porque deixara as calçadas para tomar o caminho da casa dela outra vez, mas, sua pele rasgada estava doía, precisava que ela fizesse com que aquele maldito ardor parasse, ou acabaria destruindo todo aquele patético país.

Atacar? Ele falava como se fosse um animal aprisionado, fadado a algo que desgostava.

_ Não vai voltar a sua casa? — perguntou Ino, observando a maneira como ele estudava seu quarto.

Direcionando seus olhos à ela, o ruivo se virou, estendendo seu braço.

_ Preciso que faça isso parar de queimar. – decretou Gaara, expressando-se ao seu modo.

_ Veio até aqui por conta destes cortes? – perguntou Ino, sentando-se em sua cama.

Movendo a cabeça em afirmativo, Gaara a viu suspirar, acenando para que se sentasse ao lado dela na cama. Desatando os nós que fizera com cuidado, a loira olhou para as feridas.

_ Não está cicatrizando... Vou pegar alguns curativos ideais. Fique aqui, não saia. Meu pai está dormindo. – orientou a Yamanaka, levantando-se da cama e indo até a porta.

Não demonstrando qualquer expressão, o ruivo a aguardou, desviando seus olhos para o grande espelho no canto do quarto.

Pegando o kit de primeiros socorros no armário da cozinha, Ino logo subiu as escadas novamente, porém, um grande estrondo a fez parar. Algo muito grande parecia ter se espatifado, ela temia que seu pai acordasse e pegasse Gaara em seu quarto. Desesperada, a loira correu em direção ao quarto do pai, mas, a porta ainda aparentava estar trancada para sua sorte. Voltando ao seu quarto, ela deixou o kit cair ao chão, colocando uma das mãos sobre a boca em completo espanto. Ele havia jogado seu espelho pela janela.

Ofegante, Gaara tinha as mãos apoiadas no parapeito, assistindo seu sangue escorrer devido aos socos desferidos no vidro.

_ Porque fez isso?!?! – se manifestou Ino, correndo até a janela.

_ Não gosto desta forma. – assentiu Gaara, em pânico, sentindo seu corpo tremer sem que ele permitisse.

Era a segunda vez que ele repetia aquelas palavras... Atônita, Ino não tentaria interpretá-las. O sangue dele estava a manchar em abundância sua janela, assim como a camisa branca trajada por ele debaixo do casaco vermelho. Guiando-o até a cama, a loira podia senti-lo trêmulo, exatamente como naquela tarde no banheiro do pátio.

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Casa da família Haruno, 01:25 / Oslo, Noruega.

“... Por entre as sombras, o fantasma se esconde, inibe sua presença na imensidão da Ópera. Fazendo dos porões sua única casa, seu parque de maravilhas, ele o apresenta a Christine, mantendo suas próprias esperanças. Esperanças de que... Com o passar do tempo... Ela corresponda ao seu incondicional amor, sem julgá-lo pela incomum e deformada aparência...” Não conseguia se desgrudar daquele fino notebook, mesmo que o sono lhe chamasse, ligeiro, sorrateiro, não poderia permitir que ele a vencesse. Aquela seria a próxima “Coração de Tinta”. Phantom of the opera... A música estrelada pela voz de Bruce Dickinson não abandonava qualquer poeira em seu quarto. Aquelas ondas pareciam preencher aquela gélida noite.

Assim como o fantasma, ele sumira de seus olhos, mantinha-se sobre uma intrigante muralha. Nada se sabia sobre seu anterior colégio, nada se sabia sobre seus dois amigos, que como ele, aparentavam conter algo real apenas na imaginação fértil dos sonhadores. Ele tinha a mesma aura negra, o mesmo olhar parado... Fixo. Será que ele também teria alguma fraqueza como o fantasma? Será que possuía alguma angústia? Aquela postura imperiosa faria qualquer um se dispor daquelas suposições...

O que ele acharia quando lesse aquela matéria? Ele leria aquela matéria? Algo em si dizia que sim, ele sabia sobre arte, tinha dado a entender pelo modo que falava... Cordial, formal. Nenhum dos meninos da classe falava como ele. A julgar por Kiba, Chouji, e os demais, o único consideravelmente próximo em vocabulário era Shikamaru, mas, nem mesmo ele tinha tão semelhante palavra.

Suspirando, a rosada olhou para sua caneca de café, posta naquela simples mesinha em madeira branca há algum tempo. O café estava frio...

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Casa da família Hyuuga, 02:00 / Oslo, Noruega.

Neji havia dormido a pouco, era a única acordada naquela grande e tradicional casa. Caminhando por seu quarto, Hinata tinha sua garrafinha que, mais cedo continha suco, em mãos. Não encontrava qualquer explicação para aquele gelar instantâneo... Não compreendia como seu suco tinha se congelado com um simples toque dele. Novamente, todos os movimentos que ele fizera na aula de Educação Física lhe viera a mente.

Ele era tão rápido... Jogava com tanta maestria que chegara a impressionar os meninos e a assustar Kiba, o mais brilhante jogador de todo KJG. Como ele executava aquelas jogadas? Tinha que encontrar algum meio lógico para cessar todas aquelas dúvidas ou surtaria. Aqueles gélidos olhos azuis não deixavam-na dormir... Aquele sorriso... Não parecia real, ele não sorria como um garoto normal. Era como se, por dentro, fosse vazio, ou detivesse um único propósito. Não fazia sentido... Ela tinha que concordar que suas pesquisas estavam tomando muito tempo de seus dias... Só poderia ser isso, ela queria que fosse isso. Seria besteira acreditar em suposições sem fundos, Shikamaru tinha razão. Ela devia deixar que o tempo encontrasse o Uzumaki e sua verdadeira personalidade. Então porquê? Porque não conseguia simplesmente dormir e deixar aqueles difusos pensamentos de lado?

Sentindo a fria brisa da noite, a Hyuuga se encaminhou até a janela de seu quarto. Dava para ver todo o centro de sua amada Oslo daquele ponto, de seu próprio quarto. As luzes eram lindas, aquela cidade era a mais bela dentre todas as outras para si... Outra vez, um frio vento a tocara, jogando-lhe os azulados fios soltos para trás, caindo sobre sua camisola branca. Sorrindo, Hinata abaixou o olhar, deixando que seu sorriso morresse instantaneamente.

Uma rosa? Feita com gelo? O que era aquilo?

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Colégio Karl Johans Gate, 07:22 / Oslo, Noruega.

Aqueles livros estavam mesmo pesados... Não compreendia porque teriam de levar todos os livros para o pátio hoje. Não fazia sentido ter aula de história ao ar livre, Kakashi precisaria do quadro. Suspirando, Sakura voltou a caminhar, ainda faltava um bom lance de escadas até o pátio. Ino e Hinata estavam atrasadas, até agora, não havia sinal algum das duas. “Ótimo... Estou sozinha hoje” pensou a Haruno, atravessando uma das portas até as escadas. No entanto, uma fria pele lhe tocara no ombro, fazendo-a se virar.

_ Excelente coluna... Apenas... Diga-me uma coisa. Quem é o fantasma?

Notas finais
Gostaram???? Kisses, Nita.