Coração De Tinta

3 Capítulo 3: Congele, rejeite e imagine


Notas iniciais
Ohayooo!!! Desculpem-me a demora, o pc estragou na quinta, e apenas hoje ficou totalmente pronto. Mas, aqui está um novo capítulo, espero que curtam :))

Colégio Karl Johans Gate, 10:35/ Oslo, Noruega

Assustado, Gaara desviou os olhos verdes, antes focados em seu braço esquerdo, para os olhos azuis que olhavam-no espantados, incrédulos e com agonia. O que ela estava fazendo ali? Porque havia o parado? O que queria? Quem ela achava ser? Iria começar com os mesmos discursos feitos por Naruto? Diversas perguntas rondavam-lhe a mente, a humana mente. No entanto, as palavras dela colocaram-no irritado. Tentando se matar? E por acaso se ele estivesse pretendendo mesmo era algo que dizia respeito a ela? Mas a última frase dita pelos lábios cobertos por uma curiosa tinta vermelha era o principal alvo de sua atenção: “Precisa de ajuda”. Rangendo os dentes, o ruivo retirou com brutalidade seu braço das finas mãos da loira.

_ Eu não lhe chamei aqui, saia! – ordenou Gaara, em fúria.

_ Eu não vou sair! Não vou deixar que se drogue no meio do horário de educação física!! Você será expulso se o pegarem!! – exclamou Ino, tentando retirar a ampola com heroína das mãos de Gaara. Desviando o braço, ele ergueu-se do gramado, emanando cólera.

_ Eu não me importo. Sinta-se à vontade para me entregar... – afirmou Gaara, rouco, virando-se e voltando a caminhar pelo pátio.

_ Eu não vou lhe entregar!!! Mas estou falando sério!! Seu braço está todo perfurado, precisa de ajuda!! Será que não está se dando conta de que está acabando consigo mesmo?! – argumentou Ino, deixando sua bolsa em tecido roxo abaixo da grande árvore, para em seguida, correr atrás do ruivo, que fingia não ouvi-la.

Seguindo-o, a loira tentou alcançá-lo, proferindo todo tipo de coisa que lhe vinha à cabeça, na esperança de que ele parasse e lhe escutasse, chegando a irritar-se e emitir alguns palavrões. Ela estava tentando ajudá-lo e ele a ignorava, como se não colocasse importância alguma em si mesmo. Não sabia porque ainda estava a perder seu tempo, se importando com alguém que mal conhecia e, até agora, apenas a havia tratado com grosseria e desprezo. Vencida, Ino parou de correr, vendo-o adentrar o banheiro masculino do pátio. Se ele pretendia drogar-se até perder suas forças, seria então problema dele, ela não insistiria em ajudá-lo. Por mais que por toda sua infância sempre acreditara nas pessoas, não tinha mais a mesma certeza de antes. Talvez... Nem todos merecessem crédito.

******

Perdida nos olhos ônix que estavam a aprisioná-la na mais profunda das masmorras, Sakura prosseguia observando aquele em sua frente. A escuridão... O fogo... Porém, a luz. Ela podia ver uma fraca luz no fundo daquele olhar, que demonstrava satisfação em deter sua atenção.

_ Deveria dizer a sua amiga loira para não confrontar o Gaara... Ele é como um pavio, apenas aguarda ser aceso. – a voz grave e presente dele a fez despertar de seus devaneios. Entretanto, a expressão vazia dele se mantivera. Ele não demonstrara expressão alguma desde que adentrara aquela sala...

_ Porque diz isso? – perguntou Sakura, enfim focando-se nas palavras ditas pelo Uchiha, que não movia um único dedo, somente a observava. _ A Ino não está aqui. Apenas nós dois estamos nesta sala... Porque diz que ela está confrontando seu amigo? Como pode saber o que ela está fazendo agora?

_ Intuição. Somente... Intuição. – limitou-se Sasuke, concentrado nas mudanças ocorridas na face da rosada. Ela parecia capaz de estar em vários lugares ao mesmo minuto, parecia apreciar formular perguntas... E os olhos dela, eram como as mais raras jóias da Dinamarca. O século XVII... Ela era como uma pacata dama. Toda a arte fluía em seu sangue... Jamais encontrara uma presa tão curiosa antes. As freiras tinham sempre a mesma carne pálida, erradia, intragável. A mesma aparência. O mesmo sabor... Qual seria o dela? Aquela pele alva, aqueles cabelos em coloração recessiva... Ela seria o mais saboroso dos alimentos.

_ Intuição? Nasceu aqui em Oslo? De onde é? – interrogou Sakura, intrigada. Ele não aparentava ser como os garotos noruegueses, em momento algum citara qualquer referência ao A-ha, a mais famosa banda do país, já que falavam de música. Tanto ele quanto os amigos não detinham traço algum da Noruega. Só poderiam ser estrangeiros. Todavia, a mesma aura fria que emanava a pouco dele, voltara. Talvez... Ele viesse dos mais solitários montes da Finlândia.

No entanto, ele não respondera a nenhuma de suas perguntas, deixara sua mesa, em silêncio, apenas emitindo um sorriso praticamente imperceptível, encaminhando-se a porta. O couro da jaqueta dele era marcante, assim como as luvas pretas usadas por ele. O loiro usava uma igual, na coloração laranja. Já o ruivo, não reparara. Ele tinha uma expressão conturbada, que ela preferia não permanecer a analisar. Mas... Aquelas palavras entravam-lhe na mente outra vez. Ino realmente falara com o ruivo no início da primeira aula. Porque não acreditava que... Ele poderia mesmo estar a ser apenas intuitivo? Não acreditava. Algo em si não acreditava, ele dissera com precisão.

Ele emanava morte... Incrivelmente emanava morte. No entanto, parecia emanar vida, em algum lugar distante de si. Ele iria segui-lo. Assim que terminasse a aula, seguiria-o. Não sabia muito bem o que a motivava a realizar um ato tão impensado como aquele, tão impulsivo, mas, iria executá-lo. Já tinha uma ideia para a próxima "Coração de tinta". Phantom of de opera...

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_ Sakura já subiu para a classe, Shika? – perguntou Hinata apertando os grossos livros que, mesmo na aula de educação física, carregava consigo.

_ Acho que sim... Ela nunca gostou das aulas do Gai, é sempre a primeira a sair. É bem provável. – respondeu o Nara, cético, ajeitando as fivelas de seu fiel colete cinza. Admirava a Haruno, queria ter a mesma coragem de abandonar a aula logo que quarenta por cento desta se fosse. Mas, para seu azar, os garotos sempre jogavam após as meninas, portanto, tinha de permanecer em quadra.

_ Eu não estou vendo a Ino... Ela não estava no banheiro das garotas. Será que ela já foi também? – opinou Hinata, ouvindo as passadas de suas sapatilhas no corredor vazio.

_ Não faço ideia... – se manifestou Shikamaru, tranquilo. Ino poderia ser uma travessa sem escrúpulos, mas, nunca faltara com responsabilidade alguma.

Ambos continuaram a caminhada até a sala do terceiro ano, mas, já podiam ouvir as vozes dos meninos, que vinham logo atrás, subindo as escadas.

_ Aquele loirinho trapaceou... Eu não sei como... Mas esse moleque trapaceou!! – exclamava Kiba, irritado.

_ Aceite a derrota Kiba... Não é porque o novato foi o primeiro a ganhar de você que tem que ficar assim! – zombava Rock Lee, divertindo-se com a nítida revolta do Inuzuka.

_ Mas o Kiba tem razão... Aquele moleque nem parece normal! O sexto ponto dele foi épico! Ele tem que competir no campeonato! – argumentava Chouji, entre uma batata e outra.

Com os olhos sob o chão, Hinata ouvia atentamente a conversa dos garotos. Do mesmo modo que Shikamaru, que diminuía o ritmo de suas passadas. “A ela. Hyuuga Hinata”... A estridente voz do loiro de olhos azuis vinha à mente da Hyuuga, que confirmava algumas de suas hipóteses. Ao menos, não era a única a achar que o novato não era um garoto de dezesseis anos comum. Havia algo de avançado nele. Mas... Mesmo que estivesse a pesquisar sobre seres sobrenaturais, não havia encontrado evidência alguma da existência de algum deles. Apenas suposições... Como as dela. Vai ver, Ino estava com razão em parte, andava passando tempo demais em suas pesquisas.

_ Shikamaru... O que acha do novato? – interrogou Hinata, já avistando a classe.

_ O Uzumaki? Ainda é muito cedo para achar alguma coisa dele, não? – optou Shikamaru, discreto. Também tinha a mesma opinião dos garotos, mas, conheciam o tal Naruto a menos de um dia, não poderiam se basear naquilo. O tempo... O tempo se encarregaria de confirmar ou negar qualquer suspeita.

******

Gaara não sabia o que se passava consigo, tão pouco o dera em si para... Quebrar todos os boxes do banheiro. Portas ao chão... Os azulejos partidos... Era o que a sua presença resultara no escondido banheiro, agora totalmente destruído. Encolhido próximo à porta, o ruivo tentava em vão respirar, mas o ar estava a lhe trair e faltar-lhe nos pulmões. Detestava aquela forma... Detestava aquele ambiente... Detestava todas as malditas sensações que o invadiam sem pedir permissão, sem ele se dar conta. Detestava tudo que os outros diziam... Ele necessitava das drogas humanas. Necessitava para tolerar sua forma, mesmo que completamente alheio. Seu corpo tremia sem que ele autorizasse... Sua cabeça queimava sem que ele lhe estendesse um isqueiro... Não compreendia. Somente odiava aquele corpo.

Rodeando os braços envolta dos joelhos descobertos pelo jeans rasgado, o ruivo viu-se repentinamente atento ao seu próprio braço esquerdo. “Seu braço está todo perfurado,...” a voz dela parecia não sair mais de sua cabeça. De fato sua pele estava repleta de marcas. As marcas que as agulhas apreciavam deixar. Enraivecido, Gaara levantou-se do chão, passando por uma das portas derrubadas, colocando-se de frente para o espelho mediano do local, deixando as mãos caírem sobre a pia de mármore.

Pegando um pedaço de azulejo, que caíra sobre a pia, o ruivo arrastou-o sobre o antebraço esquerdo, franzindo o cenho, observando o sangue escorrer. Detestava aquele vermelho. O mesmo vermelho que habitava-lhe os cabelos. A pele se rasgava e, o ardor provocado era insuportável. Dor... Ele estava a sentir dor, mas, ela não aliviava-lhe, trazia pânico. Soltou o azulejo manchado de imediato, vendo-o se quebrar em atrito com o chão. Sua garganta queimava, seu rosto se pressionava por dentro. Desesperado, o ruivo retornou ao canto onde estava, sentando-se no chão.

Seus olhos derramavam água, e a constatação o fez se debater contra a parede. Ele não queria dar início a um oceano. Não queria dar início aos malditos oceanos, que ele tanto fazia questão de repudiar.

Passos afoitos adentraram o banheiro, olhos perplexos encontravam-se fartos daquela cena. Abaixando-se, Ino o observou, segurando-lhe os cotovelos para que parassem de se chocar contra a parede.

_ Para!!! Calma... Não está tendo um bom dia, não é? – indagou a loira, soltando-o. Ele parara se debater, mantendo os olhos sob os pés. _ Você está sangrando muito... Como teve coragem de fazer isso? Não vai poder nem ir a enfermaria, iriam saber que esse estrago foi obra sua logo de cara. Se importa se eu fizer um curativo nestes cortes? Não pode voltar à sala assim.

Erguendo a cabeça, Gaara tentou controlar sua ofegante respiração. Ela tinha razão. Não poderia voltar para a sala daquela maneira. Porém, quem disse que ele iria voltar aquela sala? Iria sair daquele maldito lugar naquele instante! Não ficaria mais um minuto ali.

_ Não vou voltar para a sala. Estou dando o fora desse lugar. – afirmou o ruivo, convicto.

_ Vai fugir do colégio? – perguntou Ino, incrédula.

Gaara levantou-se do chão, respondendo silenciosamente a pergunta que ela fizera. Respirando fundo para recuperar o fôlego, ele virou-se, fazendo menção em sair do banheiro.

_ Porque está fazendo isso? – questionou Ino, impedindo-o de passar, colocando-se na frente dele. Jamais vira cena igual antes. Ele estava passando por uma amarga situação. Não compreendia porque ele estava a se ferir daquele modo, parecia não gostar de si mesmo.

_ Não gosto dessa forma. – decretou Gaara, rangendo os dentes. Sua pele estava ardendo, não estava suportando aquela dor. Precisava de sua droga humana, a heroína.

_ Me deixe fazer um curativo nessas feridas... Está nítido que está sentindo dor. Eu prometo que não digo uma palavra se não quiser. – insistiu Ino, incomodada com as gotas de sangue que estavam pingar em suas sapatilhas.

O convite aparentava mesmo ser tentador. Suspirando, o ruivo estendeu o braço, deixando que ela o tocasse.

******

Não acreditava que, novamente, estava atrasada para aula. Bendita a hora que havia tido a ideia de devolver alguns livros na biblioteca para que pudesse retornar para a casa com a mochila mais leve desta vez. Correndo, Hinata segurava sua garrafa de suco. Logo o sinal do segundo intervalo tocaria e ela não poderia esquecer o lanche na biblioteca, ou ficaria faminta, já que a bibliotecária proibira a entrada dos alunos durante o segundo intervalo, justamente para que em ao menos um intervalo, comessem algo. Distraída, a Hyuuga chocou-se com um forte corpo, deixando a garrafa cair.

Um imponente casaco laranja tomara-lhe os olhos perolados. Assim como um brilhante sorriso.

_ Acho que isso é seu. Vamos, estamos atrasados para a aula. – proferiu Naruto, sorridente por sua pequena travessura. Entregando a garrafa a ela, ele deu as costas, caminhando calmamente. Que Gaara arcasse com suas próprias roubadas, ele não iria procurá-lo mais. Não com sua presa tão próxima.

Hinata o acompanhava com o olhar, verificando que sua garrafa ficara do nada... Extremamente gelada.

_ Hoje está um ótimo dia para um sorvete, não?! – brincou Naruto, inibindo o riso. Logo ela se acostumaria com seus presentes, o próximo, como tinha em mente, seria uma bela bola de futebol americano, feita com o mais puro gelo.

Notas finais
Gostaram?? Beeeeeijos, até o próximo, Mística.