Keiko estava olhando para Yusuke, que concentrava uma grande quantidade de poder nas mãos.

Keiko: Quer nos matar é?

Yusuke: Que matar o quê, sua exagerada!

Keiko: Onde está a Botan?

Yusuke: Que Botan? Eu não vi a Botan hoje.

Keiko: Yusuke, o que está acontecendo? Você está tirando uma com a minha cara? Eu quero ir embora.

Yusuke: Mas eu não sei de nada! O Kurama me trouxe aqui e disse que tinha um treinamento e...

Keiko: Treinamento de novo? Quando que você vai parar com isso? Não acha que já tiveram lutas demais na sua vida não?

Yusuke: Keiko, eu...

Keiko: Eu não quero saber Yusuke. Abra esta porta que eu quero sair agora.

Yusuke: Oh menininha difícil. Você sabia que tem um gênio do cão? Tá, vou abrir esta porta sua chata.

Yusuke se direcionou para a porta e liberou uma grande quantidade de poder, mas ele se desfez sem fazer a porta nem tremer.

Yusuke: Eu não entendo. O que aconteceu?

Keiko: Tá perdendo o jeito? A porta nem se mexeu...

Yusuke: Há há. Não tem ninguém perdendo o jeito não. Vou colocar um pouco mais de força.

Novamente ele tentou derrubar a porta e ela não se mexeu.

Keiko: Estou vendo que não vamos sair daqui hoje. Tá bom Yusuke. Pode parar de tentar. Você não vai conseguir.

Yusuke: Quem não vai conseguir? Você vai ver.

Keiko: Então tá. Fica tentando aí então.

Keiko então se sentou e pegou uma revista que estava em cima de uma mesinha na sala onde estavam. Ela estava achando tudo aquilo muito estranho. Era uma casa simples, mas estava toda mobiliada. Até a cozinha estava abastecida. A casa possuía dois quartos e ambos estavam arrumados. E apenas um tinha cama. Em um deles havia uma mala, mas como não sabia de quem era, resolveu não abrir. Botan havia deixado ela ali há quase uma hora e agora Kurama tinha trazido Yusuke. O que será que estava acontecendo?

Yusuke: Eu desisto. Não quer abrir.

Ele olhou para Keiko, que estava perdida em seus pensamentos. Olhou em volta. A sala não era muito grande, mas estava arrumadinha. Tapete, mesinha, revistas, sofá. Mas não tinha televisão e nem telefone. Yusuke viu um envelope em cima de um dos sofás. Ele pegou e começou a ler:

Queridos pombinhos:

Percebemos que os dois não conseguem se entender, por isso resolvemos deixa-los trancados nesta casa até que resolvam a vida de vocês. Daqui uma semana voltaremos para abrir a porta e esperamos que vocês tenham se resolvido. Não aguentamos mais o mau humor dos dois.

Ah, Yusuke, as portas e janelas da casa estão seladas com um poder do mundo espiritual. Você não vai conseguir abrir, mesmo que você use todo o seu poder.

A casa está abastecida com comida, então aproveitem a chance e coloquem tudo em ordem.

Dos amigos mais lindos e que torcem por vocês,

Botan, Kuwabara, Shizuka e Kurama.

Yusuke: Eu não estou acreditando nisto!

Keiko: O que você está lendo aí?

Yusuke: Ah, não é nada não!

Keiko: Me dá. Eu quero ler.

Yusuke: Mas você não vai gostar. Vai ficar mais mau humorada do que já está.

Keiko: Me dá agora!

Yusuke: Tome. Eu avisei.

Keiko pegou a carta.

Keiko: O quê? Uma semana? O que eles estão pensando? Eu vou perder aula!

Yusuke: Eu avisei...

Keiko: Você sabia disso, não sabia?

Yusuke: Eu? Eu juro que não. Eu não sabia de nada.

Keiko: E aquela mala lá no quarto?

Yusuke: Que mala garota? Você viu que cheguei depois de você!

Keiko foi para o quarto e Yusuke foi atrás dela. Chegando lá, ela abriu a mala e viu que tinham roupas dela e de Yusuke dentro.

Keiko: Eu não estou acreditando nisso. Quando os encontrar, vou matar um por um.

Yusuke: Mas esse gosto você não vai me tirar.

Keiko: O que vamos fazer agora?

Yusuke: Nada! Vamos esperar essa semana passar. Onde fica a cozinha? Eu estou com uma fome danada.

Keiko: Procura você!

Yusuke: Credo! Pode deixar que eu acho sozinho.

Keiko ficou emburrada olhando para o chão. Yusuke realmente nem se importava. E o que estava escrito naquela carta não quis dizer nada para ele. Começou a achar que esses anos todos longe dela, o haviam distanciado e que a promessa dele tinha ido por água abaixo.

Quando chegou na cozinha, Yusuke ficou olhando para o armário aberto cheio de alimentos. Os amigos deles tinham agido na maior boa vontade, mas o que faria agora? Keiko estava uma fera! Eles iriam ficar uma semana trancados um com o outro, debaixo do mesmo teto. Ele não ia ficar indiferente a isto. Mas como colocar pra fora tudo o que sentia. Talvez ela não estivesse mais tão apaixonada assim por ele. Três anos longe era muita coisa.

Yusuke: Oh Keiko, o que você vai fazer pra gente comer?

Keiko: Não enche!

Yusuke sorriu. Ia ser muito difícil esta semana.