Coração é terra que ninguém vê
37 Desinibições – Parte I
Notas iniciais
Bruce congelou quando todas as mulheres se viraram para ele, com exceção de Tala, que não sofrera com as ações do feitiço. Elas o lançaram um olhar predatório e não demorou nada para ele perceber que estava enrascado. Shayera, Diana, Dora, Katana, Aresia e Carol estavam todas sorrindo maliciosamente para ele.
Diana lambia os lábios; Shayera acariciava a maça; Safira piscava o olho; Katana e Dora acariciavam o topo dos seios; Aresia se aproximava a passos lentos com um rebolado nos quadris. Todas estavam em posição de ataque: um ataque de sedução!
— Inferno, Tala, o que você fez? – O Batman gritou.
— Eu não sei. – A bruxa balançava a cabeça com incompreensão – Eu achei que o feitiço despertaria o controle da mente. Mas elas parecem estar... bem... descontroladas! – Tala disse com um pouco de receio na voz.
— Faça alguma coisa! – Bruce latiu – Reverta essa droga!
— Eu não posso. Eu não conheço o feitiço reverso! – Ela disse enquanto se distanciava do local. E camuflada por uma fumaça roxa, desapareceu do local.
As mulheres sorriram lascivamente.
— Não se preocupe, Batman, nós não vamos te machucar! – Diana o olhava como se fosse uma peça de carne e isso causou frio na espinha do morcego.
Antes que todas avançassem de uma vez, ele se pendurou na viga mais próxima, atirando um batarangue, balançando-se como um pêndulo, voando por cima das suas ‘algozes’.
Ele levou a mão ao ouvido e acionou o comunicador da Liga chamando o Lanterna Verde e o Superman. Dessa vez, ele precisava engolir o orgulho ou não sobraria pedaço dele, se não obtivesse ajuda o quanto antes.
(...)
Quando John e Kal chegaram, se depararam com a cena dantesca: As mulheres tinham encurralado o Batman, que estava sem a parte de cima do uniforme. Algumas o lambiam e outras apenas tentavam arrancar a parte de baixo, com alguma dificuldade.
— O que diabos está acontecendo aqui? – John gritou, quando viu Shayera sentada sobre a pélvis do Morcego.
Superman estava estarrecido e levou algum tempo para entender o que estava se passando.
— Me ajudem, não fiquem aí parados! – Batman bradou.
— Shayera, Diana! – Kal chamou a atenção das heroínas, que voaram para ele.
Lanterna usou seu anel para encurralar, com um raio de energia, as vilãs e as heroínas numa única bolha formada pelo anel. Todas foram levadas para torre de vigilância para serem examinadas pelo Caçador de Marte e Zatanna.
Ainda no Javelin, as coisas se mostraram preocupantes quando Shayera sentou no colo de John e começou a ronronar todo tipo de saliência ao pé d’ouvido do ex-marine. Batman pediu a Superman que segurasse Diana após suas investidas incessantes. As vilãs continuaram presas na bolha de energia formada por John e todos estavam apreensivos antes mesmo de chegar a baía médica do Sentinela.
(...)
J’onn examinou Diana e Shayera com atenção. Segundo o marciano, não havia nada de errado com a fisiologia delas ou das outras mulheres. Todas estavam bem, ao menos fisicamente.
Safira, Aresia, Dora e Katana foram levadas às celas da Torre de Vigilância, enquanto a Mulher Maravilha e a Mulher Gavião eram examinadas mais atentamente por J’onn Jones.
— Eu estou com fome! – Shayera bradou, com o estilo autoritário de sempre.
— Assim que o J’onn terminar, nós vamos comer, Shay. – O lanterna respondeu.
— Não, eu quero comer agora! – Ela insistiu, olhando para o homem verde à sua frente com um olhar de interrogação.
— Bom, visto que eu não consigo achar nada de errado com ela ou Diana, vocês poder ir ao refeitório – O marciano respondeu.
“Tem certeza que não há nada de errado, J’onn”, o Batman perguntou telepaticamente. “Não, Batman, física e psicologicamente está tudo normal”, ele respondeu.
“Cuide delas, eu vou voltar para Gotham e depois da patrulha, chamar Zatanna na Batcaverna e pesquisar um modo de reverter o feitiço. Me chame se precisar de ajuda”, o Batman tomou seu rumo, tentando não ser visto por Diana.
J’onn permaneceu executando testes na princesa para dar a chance do Morcego sair sem ser visto.
(...)
Enquanto isso, no refeitório da Watchtower...
— Algo está definitivamente errado com você, Shay. – O lanterna olhou para a linda ruiva de olhos verdes.
— Eu me sinto muito bem, desde que eu esteja com você – Shayera sedutoramente ronronou, seus dedos deslizando para acariciar o queixo talhado do moreno – Eu tenho certeza que você poderia me fazer sentir mais do que bem, soldado. Você poderia me fazer gritar como uma banshee, não poderia?
O Lanterna sentiu uma contração distinta em sua virilha, um súbito calor que estava se espalhando rapidamente por ele. John já tinha sofrido um árduo trinamento na Marinha e outro ainda mais duro para se tornar um Lanterna. Ele condicionou a mente para ser um mestre da Vontade, para ser merecedor de vestir o manto da Tropa dos Lanternas Verdes, vigilantes da galáxia. Mas aquele tipo de tortura era infinitamente pior que qualquer teste que ele já sofrera.
— Shay, esta não é você. Eu não vou tirar proveito de você nesta situação. – ele disse uniformemente, tentando uma abordagem diferente, em um esforço para chegar a seu lado racional.
— É claro que sou eu, John. Você não está negando o fato de que você me quer – os lábios da ruiva se curvaram em um sorriso triunfante.
Seu coração acelerou com o pensamento, seus pensamentos nublados com o desejo pela ruiva estonteante. – Só porque eu quero alguma coisa não significa que eu deveria. Você não está no controle de suas ações.
Ele era extremamente grato que a Torre de Vigilância não estava tão cheia naquele momento particular, já que era madrugada na Terra.
— Eu pensei que o azulão fosse o escoteiro – Brincou ela.
Nem todo analgésico da Terra seria suficiente para curar a enxaqueca que se contruía por trás dos olhos de John Stweart, principalmente devido à excitação de bombeamento através de seu corpo, alcançando níveis insuportáveis. Ele ia ter que tomar um banho frio, se ele quisesse sobreviver.
— Vamos pegar algo pra comer e depois eu vou pedir ao J’onn para sedar você, Shayera.
Ele jurou que ia explodir em breve, se ele não obter algum tipo de alívio. Ele teve que admitir que ele estava bastante impressionado com o fato de que ele tinha sido capaz de se levantar contra o constante ataque da mulher que ele amava até agora.
Ele estava começando a pensar que ele era um idiota absoluto para não ceder ao que ele queria, mas mesmo sendo sua namorada, ela estava vulnerável. Não era uma escolha sã feita por ela, mas fruto de magia. Isso era contra o código de ética de um militar e ele a respeitava demais além do mais.
— Lanterna, como vai? – Perguntou Ollie, seguindo de um aceno de Canário, Flash e Beatriz, sentados juntos numa das mesas do salão.
John Stewart engoliu a saliva rezando para sair do refeitório sem despertar a curiosidade dos amigos.
— Ei, você viu o Batman? Ele disse que viria aqui para atualizar o Sistema de Defesa da Torre e até agora, nem sinal dele. – O arqueiro continuou.
— Yah, mas ele precisou ir urgentemente à Gotham. Ele deve fazer isso amanhã. – John deu um sorriso amarelo.
De repente, o Lanterna percebeu que os olhos de Oliver Queen estavam arregalados, Dinah exibia um sorriso irônico, Flash derrubou o mocha no uniforme e Fogo estava rindo descontroladamente.
—O que há de errado com a Mulher Gavião? – Ollie perguntou.
— Por quê? – John estalou com um medo súbito, rapidamente se voltando para detectar que Shayera estava numa posição degradante, com a boca aberta, por baixo do bocal da máquina de refrigerante, bebendo direto no aparelho. Engolindo todo líquido com uma ferocidade de fazer inveja ao Velocista Escarlate.
O Lanterna Verde correu em direção a ela, agarrando-a pelos ombros e puxando-a para longe da máquina. – Que diabos você está fazendo? – Ele gritou.
A mulher alada inclinou a cabeça e olhou para ele: –O que? Eu estava com sede.
— Use um copo – Ele afirmou, pegando um para ela.
Ele entregou o copo cheio e olhou com incredulidade quando ela jogou a cabeça para trás, derrubando o conteúdo com um só gole. Ela largou o copo, olhando avidamente para ele, arrastando lentamente a língua sobre seu lábio superior para remover o que restou de sua bebida.
Sem pensar duas vezes, Shayera agarrou-o pelo uniforme batendo a boca contra a dele. Ela beijou-o com força, sugando todo o ar de seus pulmões. Antes que ele pudesse sequer começar a responder ao que ela estava fazendo com ele, ele sentiu o slide sensual inesperada de sua língua tão quente e persistente contra a sua.
O tempo pareceu lento quando ele devolveu seu beijo com igual paixão, esquecendo-se de que eles não estavam sozinhos no local. O som de alguém cair sua bandeja em choque quebrou o transe. John rapidamente recuou, respirando com dificuldade, enquanto ele lutava para fazer o seu trabalho de ser sensato novamente.
Seguindo-a até uma mesa, John sentou-se em frente a ela. Ele nunca tinha visto-a comer tanto de uma só vez. Ele sabia que ela poderia comer muito. Ele incluisve se perguntava como ela conseguia se manter em forma comendo tanto. Ele imaginou que era em virtude de seu metabolismo thanagariano, que provavelmente era bem acelerado.
Shayera sorriu para ele e pegou uma batata frita, segurando-A na frente de seus lábios.
— Por que você não quer sentar-se ao meu lado, Soldado? Você tem medo de que eu vá mordê-lo? VocÊ sabe que eu mordo, mas só em ocasiões especiais, se é que você me entende! – a ruiva ronronou.
Stwart engoliu em seco quando viu os lábios dela fecharem lentamente em torno da batata frita, mordendo e mastigando-a do modo mais sexy do mundo.
— Eu não tenho medo de nada – Ele finalmente conseguiu murmurar, apesar da voz ter saído muito mais rouca do que ele queria.
— Você quer que algumas das minhas batatas fritas? – Ela ofereceu, sedutora.
Ele limpou a garganta antes de responder, as mãos apertadas com força por baixo da mesa. – Não, eu estou bem. Obrigada! – John severamente continuou – Se apresse, Shayera. Temos que voltar a enfermaria.
— Você sabe, eu estava pensando em fazer algo diferente com o meu cabelo – Ela disse. – O que você acha?
O pensamento dela cortando o cabelo quase o causou um ataque de pânico. Ele tinha sonhos com aqueles cabelos lindos e ruivos espalhando-se ao longo de seu corpo. Ele adorava aquelas madeixas ruivas.
— Não, não se atreva a tocar no seu cabelo, Shayera Hall. – ele gritou.
Aquela ordem saiu com mais exigência do que ele esperava e todos olharam para ele, como também a ruiva thanagariana.
— Então você está dizendo que você gosta desse jeito? – Ela perguntou, usando os dedos para trilhar o caminho dos cabelos e soltá-los, deixando seu rosto ser emoldurado pelos fios vermelhos.
John mordeu o interior de sua bochecha e pôs-se abruptamente de pé. – Tudo bem, vamos voltar à enfermaria.
— Hum... você vai me examinar, Marinheiro? – Shayera não escondeu o tom de sedução de ninguém no refeitório.
A ruiva se levantou, agarrando um dos seus cheeseburgers e o refrigerante antes de segui-lo para fora do refeitório. Ela teve que se mover rapidamente para acompanhar o ritmo determinado do Lanterna. Ela estava animada para ficar com ele na enfermaria, ansiosa para encurralá-lo, achando que estariam sozinhos, para que ela pudesse finalmente conseguir o que queria.
Apesar de seus esforços, ele não podia ignorar o gosto dela ainda persistente em sua língua, misturado com o refrigerante gelado. Quando Ollie e Dinah gritaram “Arrumem um quarto, pelo amor de Deus” e todos riram.
(...)
— J’oon, dê algo a ela. Eu não aguento mais! – Stwart pediu, quase lamentando.
— Eu não posso dopá-la ainda, John. Não sabemos o efeito do feitiço. Podemos ter uma reação conflituosa. Eu tentei fazer isso com Diana e só a deixei mais eufórica. – O Marciano retrucou.
— E onde ele está? – John perguntou.
— Procurando o Batman. – Jones respondeu.
— Coitado do Morcego. Ele vai precisar de todo o Tai Chi do mundo para resistir ao furacão amazônico que está prestes a abatê-lo – O Lanterna disse, com uma certa diversão.
No fim, ele decidiu levar sua namorada aos aposentos e cuidar dela lá, onde ela estaria segura de novos vexames. O que ele não previu foi sua vontade de ferro ceder facilmente aos encantos da ruiva com asas de anjo.
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