Copiosamente
23 Copiosamente
Notas iniciais
COPIOSAMENTE
Olhe agora no fundo dos meus olhos tão apáticos
Sou ou não sou a vastíssima face do enigmático?
Tristeza de verão envolta em insanos pensamentos
Tentar desvendar o meu mistério é uma perda de tempo
Indecifrável, amável, por vezes detestável.
Coração em chamas, criatividade irrefreável.
Sou eu a coruja da noite, a águia da verdade.
Curiosa e idealista; serei a sua intranquilidade.
Faísca dançante e indefinida; sou o vislumbrar do incerto.
Poetisa dos olhos que reluzem no tom do verso do inverso
Sob o pálido brilho da lua derramo as minhas doces lamúrias.
Incompreensível, sou uma mistura, não uma substância pura.
Enxugo as lágrimas de diamante com um lenço dourado
Juro não cometer os mesmos erros, espírito marcado.
Chafurdada numa bolha de sonhos de um mundo irreal
Eu quero me libertar, desejo mais do que uma vida carnal.
Eu sou tudo o que você gostaria que não se tornasse real
Talvez os meus objetivos se dissipem em meio ao vento
E não haja mais sentido em lutar contra o desalento
Será inútil, quem sabe, caminhar por essa ilha árida.
Tão somente lacrimejarei em meio à chuva ácida
Contudo, por mais que desabe nesse abismo escuro.
Os meus ideias não se abalarão, serei a voz do futuro.
Não serei uma farsa, serei a diferença, serei o grito.
Compactuarei apenas com o que de fato acredito
E é essa a bandeira que hastearei, serei incorruptível.
O meu caminho não passa de uma estrada inacabada
Mas preencherei o meu vazio existencial, serei amada.
Não me imporão mais regras, essa é a minha oração.
Tão livre quanto a artista que mora no meu coração
Entrelaçar-me-ei na parca luz ainda existente no mundo
Eu não serei um estereótipo, morrerei pelo meu tudo.
Fantasiarei na minha imaginação a paixão do infinito
Tornar-me-ei o que não esperavam; quase um mito.
Serei única, não apenas diferente.
Amarei acima de tudo o meu cerne
Copiosamente...
Fale com o autor