Cooly Doctor
8 Wasp in the House
Notas iniciais
No geral, existem dois tipos de pessoas neste mundo: aqueles que concordam que o mundo deveria ser movido sob pressão, e aqueles que concordam que o mundo deveria ser movido através da harmonia. A justiça para os primeiros é o mérito que alguns conquistam, enquanto que para os segundos, a justiça é a igualdade para todos. Então, se você ainda é um dos que acreditam que vilania e clemência ainda são uma coisa... duas coisas... alguma coisa, ou algumas duas coisas... acho que deu um bug gramatical na minha mente e na minha narração... por que eu tô falando isso?
Enfim, cresçam. Sejam mulheres, sejam homens..., cresçam.
... Onde é que estávamos mesmo? Ah sim, final do capítulo 8...
— Cadê o Canti? – Mamimi, como de costume, já queria partir diretamente para o assunto principal, a coisa que mais importa para qualquer ser humano dominado por natureza: recordar as nostalgias. O pior se eu te dissesse que eu não fazia ideia onde estava o Canti?
— Não estava atrás de você? – Pergunto para o Doutor.
— Não me faça exigências, aquela... coisa é sua posse! – Usa um termo equivocado, ao menos para ele, já que quis corrigir. – Perdoe-me, o robô. Às vezes eu viro racista quando fico nervoso...
— Olha, o Canti estava na sua nave e quem me levou nessa viagem foi você, então não jogue toda a culpa para cima de mim.
— Minha Nossa Senhora da Escócia, porque eles sempre tentam encontrar uma fraudulenta forma de eu ser responsável por tudo?!
— VÊ SE NÃO GRITA COMIGO! EU NÃO GOSTO QUANDO LEVANTAM A VOZ PARA CIMA DE MIM! – Talvez eu pareça um louco, mas ele estava claramente pensando alto, mas deixou sair com a voz alta demais. Pensava que estava gritando em seus pensamentos pensantes que pensavam sobre sei lá o quê um senhor das estrelas poderia pensar...
— É SENHOR DO TEMPO! E NÃO GRITE QUANDO EU ESTIVER GRITANDO! – Acho que eu não deveria provocar sua falta de paciência. Eu queria uma substituta para a Haruko, e ao invés disso, ganhei uma cópia nonsense de mim mesmo.
Mamimi deveria ter parado aquela briga sem noção. Mas como nada faz sentido nesse universo, ela optou pela opção mais lógica: desviar a atenção e milagrosamente, por algum motivo que a personificação 3D de Isaac Newton conspirou para que chegássemos a esse ponto em toda narrativa de aventura, ela vê o robô desgraçado tomando um sorvete na praça.
— COMO ISSO É POSSÍVEL?! – o Doutor tem outro ataque de pânico nonsense. Isso me deixa desconfortável, porque isso não parece ser natural de seu universo pessoal.
— Ora, vai dizer que você nunca viu um robô com cabeça de TV comendo? – Mamimi tenta esclarecer.
— Isso não pode ser considerado saudável...
— Claro que o intestino dele é meio sensível a coisas geladas.
— Ele não tem intestino. — Retruquei.
— Não isso! – o Doutor nos calou e foi em direção ao Canti. Na verdade, ele foi em direção à sorveteria, onde estava o Canti, então, de certa forma, ele foi até o Canti. – Eu pensava que a Udderlicious Ice Cream ficava a uma milha a noroeste daqui!
— Doutor, subitamente, todas as coisas parecem mais próximas quando queremos poupar nosso tempo. – Tentei consolar sua mente confusa, que, por algum motivo, não estava sendo compatível ao nível de absurdez que eu estava acostumado, mas talvez ele nem tanto.
— O que você pensa que isso é?! Um anime surreal?
— Você está começando a parecer com o meu pai...
— Eu acho que você está precisando estudar um pouco mais sobre desenvolvimento de personagens... – Eu acho que isso foi um insulto... será? – Seu pai trata este universo como se fosse uma realidade alternativa à que ele vive, e convive com esse pensamento naturalmente. Eu pareço estar aceitando o surrealismo por trás dessa arte?
—.... Bem...
— Então neste caso, me desculpa por ser parnasiano demais para a sua cultura! – Ele nem deixou que eu completasse a minha frase. Alguma coisa estava bem esquisita, e eu rezava para estar destinado a descobrir o que era... se ao menos religioso eu fosse...
Tentando voltar ao foco da narrativa desordenada, mas ainda andando em linha reta: Mamimi e Canti se reencontram. Acontece um momento bem sentimental e fofo entre os dois, eu devo admitir. Eu mesmo sentia que Canti parecia incompleto, sem inerência autômata, vivendo apenas nas sombras de um piloto automático, sem ser bem automático, para falar a verdade...
Mamimi se reencontra com seu deus. Canti se reencontra com sua... bem, vamos cair na real: Mamimi não é tanta coisa. Talvez o tanto quanto Canti seja para nós em relação ao que ela pensa.
Canti tinha parado para tomar um sorvete. Talvez o dinheiro que usou não fosse tão bem avaliado pela caixa eletrônica, excêntrica demais para um tubo de televisão ultrapassado como o pobre do Canti. Mas para analisarem o que ele supostamente entregou, demoraria alguns meses... MAIS alguns meses, no caso. Mas como eu não queria endividar meus problemas, decidimos ficar para tomar um sorvete também. Eu sei que tinha uma tecnologia alienígena muito perigosa à solta no mundo, mas como o Doutor disse: tem vezes que é essencial parar para tomar um sorvete.
— Na verdade, era chá. – Mais uma vez, ele mostrava excentricidade. E exatamente por essa atitude, me fez pensar o que o motivou a mudar de personalidade tão drasticamente de volta lá quando estávamos procurando pelo Canti. Instigado pela curiosidade, ousei a perguntar:
— Doutor... Você já foi nonsense? – Do jeito que ele me encarou, assim como encarou a si mesmo, creio que esse questionamento tinha algum significado para ele. Como é uma personalidade muito ambígua que ele guarda, como se treze pessoas diferentes habitassem seu espírito, às vezes pode ser confusa a definição do que é “nonsense” para esse tipo de pessoa, ou qualquer tipo de absurdo ou surreal. Mas ele respondeu, sendo o mais direto possível (ou não):
— Duas vezes. A primeira foi na quarta. – Não sei se eu deveria ter entendido isso, mas esta foi sua resposta, embora não tenha me convencido tão fortemente, por isso eu instiguei:
— Tem certeza?
—... Não. – Desta vez, ele foi sincero. – Para falar a verdade, eu sempre tive um pouco de falta de noção dentro de mim. Mas tem algum tipo de campo de força que, conforme eu ando com vocês, é como se eu estivesse em outro universo. Eu já passei por situação parecida, mas nunca foi tão diretamente quanto agora...
— Talvez seja coronavírus. – Mamimi respondeu enquanto lambia a colher melada com sorvete de menta. O Doutor quase cuspiu para fora ao ouvir essa palavra. Canti teve um curto circuito, talvez tenha sido o sorvete. Eu não entendi foi nada.
— COMO ASSIM?! – o Doutor indaga.
— Houve uma epidemia de SARS na China semana passada. Eu temo que se estenda ao longo da Ásia. Só espero que não chegue até aqui...
— Ah sim, eu pensava que fosse outra coisa....
Estou começando a ficar preocupado com esse homem...
Quando desviei o olhar para aquela coisa que acompanhava Mamimi, eu fazia ideia do que fosse, embora não soubesse descrever o que era, talvez parecesse uma pequena miniatura de um submarino amarelo, se alguém pudesse concordar. Sem dúvida, foi produzido a partir de N.O., mas, ainda assim, eu ousei perguntar:
— O que é esse bicho, Mamimi?
Ela responde com certo tom de empolgação:
— Eu encontrei esse feioso perambulando pela rua ultimamente. Parecia tão desgraçado que me senti na obrigação – ênfase no termo – de adotá-lo. Ele é tão feio que eu acho lindo! Decidi nomeá-lo de “Ta-kun”! Vem cá, Ta-kun!
— Que original... – Queria golpear um sarcasmo bem na cara dela, pois eu já falei para ela parar com esse tipo de paranoia, mas as pessoas nunca mudam. Nem mesmo eu...
— De fato, é um ser muito estranho. – o Doutor analisou. – Se importa? – Parece que ele queria analisa-lo, e Mamimi o deu autorização. Então, ele tirou aquela coisinha brilhante que piscava do bolso do seu casaco e começou a analisar o genótipo do paciente. Espera... Genótipo?!
— Aparentemente, todos esses seres possuem alguma ligação genotípica dominante em comum..., algum tipo de “pai embrionário”. Mas quem poderia ser essa pessoa? – Ele tentava dar um ar de mistério enquanto se aproximava cada vez mais da minha mesa, incomodando minha privacidade e causando desconforto em Mamimi, Canti e aquele bicho esquisito.
—... Só fala logo que sou eu... – Redimi a verdade. Ele já deveria saber que eu tinha tudo a ver com aquilo.
— Era você mesmo? Puxa vida, eu ia dar apenas um palpite... – Esta é a resposta mais calma que eu já ouvi vindo dele, o que me fez acreditar até que ele estava sendo sarcástico. Mas era hora de encarar as coisas com seriedade, e também de analisarmos a situação com cuidado para poder ultrapassá-la:
— Doutor, você viu aquela coisa saindo literalmente pela a minha cabeça...
— Na verdade, é da cabeça. – Mamimi tenta me corrigir.
— Não, mas isso é uso verbal de adequação situacional, o “Furi-Kuri”, estava saindo pela minha cabeça.
— O que você sabe de gramática, Naota?
— Mais que você! Pelo menos eu vou para a escola!
— Não fale assim comigo, Ta-kun!
— Pare de me chamar de Ta-kun. Eu sei que você usou vale para comprar sua aprovação no vestibular, estúpida! Todo mundo pode fazer isso... – Eu sei o que você está pensando: é horrivelmente chato ter interrompido a conversa para ficar discutindo mesmo que ela tenha começado. O Doutor e o Canti concordavam, sem dúvida.
— Bem, menos eu! Eu tenho o ensino médio todo completo!
— Não, Mamimi, você não tem. Você abandonou os estudos oficialmente a partir da segunda série.
— Bom, não é o meu caso, e...
— VOCÊ TEM VALE, DELINQUENTE!
— Eu não tenho isso, sua aberração!
— VOCÊ TEM VALE! – Gritei na mesa com total raiva pela provocação de sua mentira. Era como se minha cabeça estivesse rachada, e acredito que estava mesmo se rachando, ao menos o Doutor percebeu. Ele tentou me avisar sobre o risco, mas eu estava concentrado demais com assuntos importantes.
Os “assuntos importantes”, de acordo com Mamimi:
— Eu não tenho essa merda de vale, seu filho da mãe! Eu não tenho dois, quatro, oito, nem dezesseis!
— Mamimi, vá para uma central de educação, apresente um atestado sobre o seu histórico curricular: se você tiver qualquer indecência, você pode ser considerada vestibulanda sem profissão! Você não precisa nem usar Furi-Kuri para isso! Pelo amor de Deus, por que você não aceita...
— Eu não tenho vale!
— É VALE DE APROVAÇÃO! PARA O VESTIBULAR! QUE SACO! – Na hora em que eu me instiguei para valer, eis que o “Furi-Kuri” sai de vez da minha cabeça... de novo.
—.... — O Doutor ficava bestificado com aquela cena — Por que diabos você se irrita com qualquer coisa!?
E mais uma obra que saiu, literalmente, da minha cabeça, acaba de devastar uma cidade. Nada de estranho, obviamente, mas o problema é que não era uma cidade artificialmente criada para servir de consumo para a indústria, o que seria a melhor definição para eu dizer o que era Mabase. Nada disso! Eu estava na Grande Londres!
“E o que isso tem demais?”
Poderia ser considerado extremamente vergonhoso ver os meus instintos percorrendo com todo o vapor em um lugar onde milhões de pessoas podem ver ao vivo, embora aquele fosse um dia chuvoso e, portanto, as pessoas preferiram ficar em casa tomando suas deliciosas xícaras de chá com algumas boas bolachas de Jammy Dodgers.
— Eu queria uma Jammy Dodger... – Falava Mamimi, querendo se intrometer na minha intimidade com sua safadeza e vergonha alheia de sempre. Educadamente respondi:
— Vai ficar querendo.
— Você tenta me engolir com suas palavras só porque eu matei aula algumas vezes pensa que eu tenho culpa!
— Tá bom! Desculpa! Eu só queria que você fosse mais honesta... – Essas palavras deixaram-na um pouco constrangida. Talvez uma boa maneira de por um pouco de empatia em seu coração. E, mais uma vez, o bom stress raivoso de um adolescente em fase de puberdade nutre uma criatura que não faço ideia do que viria a se tornar. Porém o que estava infernizando a mente do Doutor naquele momento era o fato de que aquele bicho que seguia Mamimi por algum motivo (ou ela que seguia ele, levando em conta a natureza selvagem de Mamimi), tinha desaparecido. Mais uma vez ele consulta aquele aparelho esquisito como se estivesse brincando de procurar abelhas... ou chamando elas com aquele zunido também esquisito. Ele analisa os resultados buscados e compara com uma leitura que parecia estar fora do estabelecimento em que estávamos. Finalmente, ele responde:
— Pelo o que parece, o seu bichinho decidiu se fundir com a produção N.O. criada por Naota, e está a criar algum tipo de coisa tão grande quanto a que vimos lá na Mechanical Machine. Eu só imagino o que venha a ser desta vez... – Quando parou pra pensar, ele ficou preocupado. Como é da natureza de sua personalidade... passageira? Eu acho que é isso o que ele quis dizer com “mudar de encarnação”, ele não tenta explicar, é muito impaciente para fazer alguma coisa assim. Ele é direto e quer suas ordens obedecidas no momento que é dado. E quando faz o que precisava fazer, ninguém entendeu ao certo o porquê:
— Saiam daqui!
Realmente ninguém entendeu de primeira, já que ele parecia calmo com sua voz. Mas foi só ele aumenta-la ao perceber os sinalizadores de incêndio da sorveteria estar agindo completamente malucos. Foi quando eu percebi que alguma coisa muito errada ia acontecer.
A sorveteria sofreu graves danos por causa da explosão. O Doutor parecia bastante frustrado com aquilo:
— Que droga! Por que você fez isso com uma sorveteria de tão boa qualidade, Naota? – Ele põe a culpa dos meus instintos em mim. Que original.
— Um grande desperdício, levando em conta a qualidade da comida britânica...
— Eu não tolero xenofobia entre pessoas da mesma espécie! – Talvez eu tenha sido um pouco preconceituoso. Ele que parece ter milhares de anos, ao menos, parecia concordar com minha presumada suposição.
— Menos papo e mais ação! Para onde foi a minha ereção... digo, minha criação! – A divergência entre palavras não era tão grande. Por que acha que eu dei o nome de “Furi Kuri”? Ainda bem que eu estava rodeado de pessoas que parecem não dar a mínima importância para tabus sociais. Especialmente a Mamimi...
— Por que você fica constantemente praticando bullying comigo, Ta-kun? – Mamimi parecia indignada justo na hora de eu ter pensado sobre o assunto. Ou ela simplesmente queria invadir meus pensamentos. De todo o jeito, eu fiz o que deveria fazer com naturalidade, que era responder com total sinceridade. Acho que ela já deva entender com o povo que frequenta agora que eles se comunicam desse jeito:
— Deixe-me ver alguma razão: você cometeu um incêndio intencionado no colégio do meu irmão mais velho (e é que ela nega ser uma yandere), tentou substituí-lo por mim quando ele se foi para a América, nunca se importou com seu futuro e preferia matar aula para ficar jogando videogame, fumando cigarro e cheirando gatinhos, e acima de tudo, ficou constantemente me bajulando durante a fase mais difícil da minha vida só porque achava divertido fazer isso com jovens entrando na puberdade! Eu não tinha nem idade para te namorar e quase me cedeu porque você era a única pessoa que parecia se importar comigo! Se ao menos você tivesse condição de proporcionar um romance decente... sempre que eu chegava perto, você estava com cheiro de queimado, cachaça ou cigarro.
— Quantos anos você tinha mesmo?
— 12 anos!
— Bem, parece legal. Acho que eu não vou ter muito problema...
Embora essa realmente seja a faixa etária legal no Japão, eu me preocupo com Mamimi. Existem certas pessoas que, mesmo deixando seu preconceito de lado, você não consegue ver futuro para ela por causa de suas ações. Querendo ou não, ela foi uma das únicas pessoas com quem eu me importei, especialmente levando em conta que ninguém que a conhecia gostava dela. Mas eu gostava. Por isso que eu queria que ela fosse um pouco mais... madura.
Doutor parecia bem focado, no entanto. Ele enxergava aquilo como se fosse apenas mais um episódio da série dele. Mas eu acredito que ele queria desenvolver mais empatia com aquilo, especialmente levando em conta a origem da energia N.O., e que também ele é bem mais racional que a maioria das pessoas que eu conheço, o que pode ser um problema, pois desbalanceia essa experiência. Mas ao menos ele é racional. Ah, se a Haruko fosse assim! Ah se fosse...
— ! – Parece que ele detectou a origem do N.O. – Eu detectei a origem do N.O.!
— Então diga onde fica!
— Onde mais você esperava? – Ele aponta para o Big Ben. De novo: que original.
— Por que sempre um grande edifício? – Eu questionava, mas então eu pensei: — Espera um minuto, e se a torre também produz N.O.?
— Que nem a Medical Mechanica!? — o Doutor indaga. — Mas isso é impossível! Quem estaria produzindo esse vírus de maneira tão ampla?
— Nem imagino... — Sinto cheiro de Haruko por trás disso...
— Pessoal, onde eu coloco isso? – Mamimi aparece com uma placa escrita “estou com idiotas”, o que era verídico, mas desnecessário.
— Agora não é hora de se preocupar com isso, Mamimi! – Exclamei. E ela saiu de cena reclamando para o Canti:
— Eu disse que não era para usar essa coisa, Canti! – O pobre e mudo robô é incapaz de entender por sua inocência.
E lá estávamos nós, subindo o Big Ben atrás de uma coisa estranha que saiu da minha imaginação e, provavelmente, meus desejos de adolescente. Ouvi um estranho zunido.
— Doutor, poderia desligar essa coisa? – Pedi delicadamente, pensando ter ouvido a chave sônica dele tocando.
— Naota, eu não fiz isso!
De novo. O zunido desta vez era bem maior, com um som propagado de forma bem caótica. Quando ninguém esperava ouvir nenhum comentário tomado pela dúvida, Canti dá um sinal e Mamimi responde com certo receio e, talvez, nojo:
— Eu acho que vi uma vespa gigante...
— O quê?! Será que ela está aqui então?! – Doutor e eu respondemos surpresos ao mesmo tempo.
— Não, eu não estou me referindo ao veículo italiano, estou falando do inseto, só que em gigantes proporções!
— Oh, não me diga que eu estava certo! – Parece que o Doutor se identificou com suas expectativas, o que me deixou bastante... chateado.
Ele foi dar uma olhada no que tinha por dentro das engrenagens, e lá estava o esquisito ser. Foi no mesmo momento em que o Doutor exclamou. Ele parecia realmente animado, como se estivesse feliz:
— Vespiformes! – Ninguém entendeu de primeira, o que deveria ter o aborrecido por não ter dado o ênfase esperado, mas só o deixou ainda mais animado em falar: — Eu não esperava encontrar esse tipo de forma biológica saindo de ti, Naota. Eles deveriam fazer parte da Galáxia Silfrax!
— Ótima informação! Podemos usá-la na grande busca contra o maligno Fooly Cooly! – Minha última exclamação estranhou todo mundo. – Que foi? Não era para eu anglificar as coisas?
— Isso é sotaque de ianque, abestado! – Mamimi aponta o erro. – E aliás, o que é essa coisa?
— Vespiformes. Eu vi quando fui visitar uma vez a Agatha Christie. Parece que têm o poder de revelar suas formas atuais quando alguém entra em estado de tensão. – Apenas como o poder de Fooly Cooly. E na hora em que nos distraímos, a Vespa foi embora. Tentamos procura-la, e ela apareceu do lado de fora do relógio, se expondo para todo mundo, o que me deixou extremamente constrangido:
— Não a deixe escapar! Ela é o meu instinto de puberdade! – De novo, eles estranharam, e desta vez, com certo repúdio (menos o Doutor, já que ele parece naturalizar as ações humanas). Ainda assim, eu fiquei irritado: – Parem de constrangimento! Até parece que vocês nunca passaram por isso! – o Canti realmente não entenderia, afinal, ele só tem seis meses de idade. E eu sou pai dele.
A vespiforme parecia jogar bombas. Como eu poderia nomeá-la, “Blast Hornet”? Não, acho que eu seria acusado de plágio, embora condiga com minhas preferências...
E o Doutor analisava novamente:
— Não tem os mesmos poderes de um vespiforme, então estaríamos bem.
— Nos dá autorização para matar? – Mamimi e Canti perguntam (isso é, Mamimi pergunta. O outro só queria curtir com sua fã).
— Não, vocês não podem matar ninguém. Mas vocês podem destruir aquela coisa. É um organismo biológico, mas não é um ser, e talvez nem venha a ser. Quando estes casos requerem emergência, mais do que devem ser eliminadas, ainda que doa para o procriador. – Sinto que ele estava fazendo menção a alguma causa social. E adivinha quem tem que passar por tudo isso? Eu mesmo.
Naquela hora, a Vespa ataca o Doutor e o faz soltar sua chave de fenda, o que o faz exclamar de agonia. Logo em seguida, senti a ameaça que aquela coisa representava, o que me fez entrar em gatilho novamente, e chamei Canti para participar também.
Pelo o que parece, aquela coisa tinha uma aversão muito grande contra a gravidade. Sempre que fazíamos alguma pressão física que eu não sei explicar direito porque eu não sou bom em física, ela parecia ter uma enxaqueca maior do que a do meu pai quando vai fazer o checkup diário dos produtos em conserva.
Criamos duas guitarras. Uma para eu agitar o showtime e outra para o Doutor participar também. Entreolhamo-nos e sabíamos muito bem o que fazer, entrando em sintonia para acabar com aquela coisa através das notas musicais:
No começo, o senhor do tempo praguejou:
— Esqueci o tom grave! Acho que devo ter perdido o tiro certeiro!
— É assim mesmo! – Encorajei de que estava fazendo de acordo com a lei. A origem era a mesma: a música que sempre nos movia de alguma maneira mágica...
“BACK SHOOT hazushite PLAY OFF, MISTER HITMAKER sanjou kanpeki na kuroi naki mane (Saiu o tiro pela culatra. E já vem o sr. Hitmaker para chorar falsas lágrimas, perfeitas e negras)
Conforme aquelas bombas simbióticas e aromáticas se grudavam na gente, envolvendo um pobre civil em um dia comum de trabalho, o poder da vontade prevalecia. Justo quando eu parava para pensar se esse conflito poderia envolver a Ninamori. Por que eu pensei nela? Vamos lá, todo mundo já pensou numa pessoa aleatória algumas vezes...
Aliás, uma sacanagem o aroma, justo em um país atraído pela cultura do chá! Golpe baixo, Blast Hornet!
HIBISCUS VEGETARIAN FIGHT, Chousenjou de unzari no yuubinuke wa
Kinou moyashita (Luta vegetariana por hibiscos, uma caixa de correios cheia de desafios escritos foi queimada ontem)
E na hora em que a luta parecia estar em seu auge, ele se vai, como se tivesse desenvolvido vontade própria e foi embora sem permissão.
Yoake wo matte, hit the gong. Kizu wo fuyashita, and he is gone (À espera do amanhecer, salvo pelo gongo. Ele aumentou o número de feridas e se foi)
FREE THROW de taigyakuten CHANCE: SISTER VOLCANO tanjou. MAGMA yori atsui ubugoe! (Uma chance de uma grande virada com um lance livre: o nascimento de uma irmã vulcânica. Seu primeiro choro é mais fervoroso que magma)
Agora eu me lembrava das minhas partidas de beisebol, quando eu tentava me destacar. E agora é definitivo: eu já sei que eu girei o taco. Sim, EU GIREI O TACO! Eu chorei no momento, todos choram. Teria o Doutor girado o dele também? Ninguém nunca sabe. Quando o primeiro round acaba, sempre vem o segundo. Mas este papo de irmã vulcânica o fez lembrar-se de outra coisa: algo que sempre o motivou, o que o motivou a ter escolhido aquele rosto envelhecido como sua alma, e nós dois exclamamos:
— “Eu sou o Doutor, e eu salvo pessoas! E se alguém, por acaso tiver algum problema com isso, que vá para o Inferno!”
— “Eu sou Naota Nandaba, e eu girei o taco! E eu sei que, enquanto eu não fizer isso, eu viverei de desespero ao invés de algo realmente incrível!”
OUTSIDER HUNTING SHOWTIME, baishin-in wo karakatte kono sekai wo tsume daseretemo (São as caçadas de um estrangeiro em seu apogeu, mesmo que provoque o jurado e fiquemos fora desse mundo)
Quais são as intenções dele aqui? Por que ele apareceu justo em um momento depois de que eu precisava? Será que eu realmente preciso de um ídolo substituta? As coisas parecem muito confusas por aqui...
Tashikametakute, hit the gong. Chizu wo yabutta, and he is gone (Eu quero ter certeza, e eu vou acertar o gongo. Ele destruiu boa parte do mapa da cidade, e agora se foi)
— Todos esperem para ver um golpe supercalifragilisticexpialidocioso! – E foi nesse momento em que a minha sintonia e a do Doutor entramos em perfeita harmonia:
Saijoukyuu ni te wo nobashite itai me wo mitatte. Maybe I'm gonna be a freebee now, Kowakunakunatta! (Alcançando o nível mais alto mesmo se eu me machucar. Talvez eu vire uma abelha livre agora, já que eu não estou mais assustado)
E é verdade. São meus pensamentos, meus desejos, logo, minha imaginação! Porque eu precisaria parar para pensar no que outros julgassem? Estava na hora daquela voltar para o local de origem, em detrimento com o mundo real. E eu confiava naquele estranho Doutor para me acompanhar, mesmo já tendo feito isso várias vezes.
Estava tudo acabado. Nosso poder, de volta para onde merece estar. E eu? Tomei banho de mim mesmo. Eu, Doutor e Canti, conseguimos! Nós giramos o taco! Mais cedo do que eu esperava, mas às vezes isso acontece na vida. E a Mamimi, que só ficou assistindo, mas isso é bom: o que seria de uma banda sem sua plateia?
— Obrigado, The Pillows! Eu amo vocês!
—.... — O Doutor analisava — "Os Travesseiros". Que nome interessante para uma banda.
— Meio ridículo, para falar a verdade. — Mamimi dá a opinião.
— Talvez por isso que valha a pena... — Agora começo a entender a filosofia que Haruko tentava me ensinar.
Só para tirar satisfação com o alienígena após aquela crise existencial com a Mamimi e toda a confusão após essa tensa batalha, fui puxar assunto chamando pelo seu nome:
— Doutor?
— Eu? – Ele responde, parecendo bem estressado com a missão. De fato, essa era a única motivação para ele estar ali. Eu nunca o vi antes, mas parece que ele se sentia distante das pessoas justamente sendo uma pessoa que nunca se afasta delas. Como se realmente tivesse tido algum grande trauma. Talvez seja aquela Clara que ele me falou. De qualquer forma, continuei:
— Você já perdeu esperança em alguém? – A pergunta levanta certa dúvida na cabeça do senhor do tempo. Sua resposta foi nada mais que o esperado:
— Eu tenho mais de dois mil anos, o que você espera?
— Não foi muito “clara” a resposta. – O trocadilho o deixou frustrado, sem dúvida.
—... Em todos esses anos, eu sempre me esforcei para ter esperança nas pessoas. Sabe, Naota, todos os tipos de gente já me acompanharam. Desde os mais danados até o mais organizados, e todos agiram da forma que eu esperava que terminassem.
— Okay, Nanny McPhee. – Acho que ele entendeu a referência, e não gostou nem um pouco dela, como se ele fosse gostar de algum comentário besta que certa pessoa faz. Mas naquele momento de falso humor, ele me dá um sermão que eu não esperava ouvir novamente:
— Sabe, Ta-kun – ele me chama pelo nome errado. Parece que o costume de Mamimi consegue contagiar até mesmo os alienígenas. Ou isso foi intencional, — Eu acho que nada vai acontecer até que você realmente gire o taco. – Eu já sabia disso. Mas era importante avisar. Ele olha para Mamimi e Canti, mesmo com todos os seus defeitos de um ser um robô criado por simbiose e ter muitas limitações letais e a outra ter boas intenções mesmo sendo um desastre ambulante: — É estranho ter que conviver com os tipos mais exagerados e comuns de pessoas. Os pecados encarnados. É normal querer julgá-las, mas saiba que muitas vezes o que está marcado na nossa vida é o que deve ficar para sempre... A menos que você queira se juntar a mim... – Parecia um convite. Então ele não teria problema se eu o seguisse? Mas o que eu diria se esse realmente fosse o caso? Eu poderia simplesmente desistir de tudo o que eu fui destinado a seguir e fazer o que meus desejos devem fazer? Viajar com ele... um estrangeiro...
Para rechear ainda mais a experiência, vemos a presença de uma mulher possivelmente em seus quarenta anos, usando um uniforme governamental em terno com uma face extremamente decepcionada, já que possivelmente tinha poder para processar quem a irrita:
— Doutor, eu realmente não esperava nenhuma outra pessoa para causar tanta confusão em um só lugar senão fosse você!
— Ah, merda... – o Doutor pragueja, o que me dá certo estranhamento. A mulher aparece junto a outros guardas com posse de materiais muito estranhos (quer dizer, para uma pessoa comum. Eu já vi mais da metade do universo que um humano normal não faria ideia do que fosse).
— Quem são eles, Doutor?
— Esses, meu camarada, são da Torchwood...
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