Cooly Doctor
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Apenas idiotas conseguem fazer com que coisas legais se tornem possíveis. Por isso que elas são legais. "
Assim dizia Haruko Haruhara. Uma alienígena, uma empregada, uma motoqueira, uma caçadora de relíquias... um estranho manifesto do que eu realmente queria ser...
Não sei até que ponto habitantes de outros planetas, vulgo extraterrestres, poderiam estar interessado no nosso planeta, e no fundo, preferiria não saber. Ao menos era isso o que eu imaginava até conhecer ela...
Haruko Haruhara. Desde que ela saiu da Terra, meu sono ficou menos curto, o que não me é importante. Além de que a rotina na padaria ficou mais lenta, o que também não me é importante. Além disso, parece que pessoas que eu convivia deixarão de conviver comigo, o que, mais uma vez, não me é importante.
E por falar nisso, realmente, eu não estou acostumado a dormir tanto. Percebo que ninguém está deitado na parte de cima do meu beliche, e que ninguém vai tentar me acordar com barulhos de guitarras ou meiguices desconfortáveis. Acho que essa ausência impactaria qualquer um, de qualquer forma, de qualquer jeito...
Eu não queria saber por que alienígenas estariam interessados na gente. Tudo o que eu quero é evitar querer pensar nisso, tendo me fazer falar três verbos seguidos para exprimir isso... mas desde que Haruko veio, eu percebi que alienígenas existem e isso não me incomoda nem um pouco. Na verdade, isso não mudaria nada para mim. Só vivendo a minha vida para entender o que quero dizer. Talvez você me entenda, no final das contas. Se você vive em uma cidade habitada por gente imatura, quando seu irmão deixou você e a namorada piromaníaca dele à própria sorte, e por acaso esta fica constantemente te provocando, até que uma esquisita te atropela com uma moto e infecções enérgicas alienígenas tomam conta da cidade, aí ela se torna sua empregada e vocês ficam coletando estas ditas energias, mas, de repente, tudo isso acaba em uma semana como se nada tivesse acontecido, realmente, você entenderia pelo o que eu passei, ou quem sabe, ainda estou passando...
Seis dias tendo tudo isso foi perturbante, mas, por algum claro motivo, eu sinto falta desse incômodo caótico e literalmente extraterrestre. Seis dias em que meu negativismo provou estar um tanto errado. Seis dias de amor e ódio. Os únicos seis dias da minha vida em que eu realmente fui feliz. E agora só tenha a agradecer a ti, meu crepúsculo...
E agora, tudo voltou ao normal. Apenas como era antes, assim como Mabase naturalmente deve ser: nada de interessante acontece por aqui. Somente o usual...
Mesmo assim, eu ainda me pergunto: por onde andará a mulher da Vespa, aquela gatinha alienígena? E pensar que eu ainda guardo a sua guitarra, Haruko...
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