Conversa de Garotas

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Uma ideia que nasceu da minha tendência ao masoquismo e a mente vazia na hora de dormir. Tive que escrever, sinto muito, mas eu também sofri, por isso me perdoem. Enfim, espero que gostem (mas entenderei se me odiarem...)

A filha deles tem sete anos e está tendo problemas na Academia.

Os professores contam aos pais preocupados que ela entrou em uma briga de novo. Normalmente ela teria sido expulsa a essa altura, mas por ela ser a princesa eles estão sendo condescendentes. No entanto, eles esperavam que a situação não se repetisse.

— Ela não está feliz com tudo isso, — Mai diz a ele quando eles estão na cama. Ele pensa em tirá-la da Academia e providenciar que ela tenha aulas em casa, mas Mai diz que vai conversar com ela e as coisas vão se resolver.

Na manhã seguinte ele as encontra na varando do quarto dela, sua esposa com um olhar firme e sua filha parecendo um pouco chateada.

— Posso interromper? — Ele pergunta, esperando à porta.

— É uma conversa de garotas, Zuko, — Mai o enxota. Primeiro ele fica um pouco confuso, mas então ela ergue uma sobrancelha e ele percebe que sim, ele precisa sair. Ele fica chocado e um pouco magoado por ter sido posto de lado. Ele tenta discutir, mas tudo o que deixa sua boca são grunhidos inteligíveis antes que ele se vá, envergonhado.

O som da sua filha rindo levemente das expressões dele, no entanto, é o bastante para tranquilizá-lo.

A filha deles tem treze anos e está com um coração partido.

Ela não quer conversar com ninguém, mas uma de seus amigos mais próximos conta a eles. Izumi já ficou trancada no quarto por tempo demais, e todos eles estão preocupados, então ela decide se esquecer da promessa de não contar pra ninguém (ele era um babaca mesmo).

Ele não sabe o nome do garoto, mas seu plano definitivo é encontrá-lo e então fazê-lo se arrepender de ter feito seu bebê chorar. Depois de um tempo ela permite que eles entrem em seu quarto, mas ela se recusa a comer, o que deixa Zuko frustrado. Ele não gosta de ficar por perto por muito tempo, olhando para o seu rosto triste e seus olhos lacrimejantes, então ele deixa grande parte do trabalho duro para Mai, o que o frustra ainda mais.

Em um desses dias ele as encontra na varanda do quarto dela. A visão de sua esposa abraçando sua filha chorando é suficiente para partir seu coração.

— Posso interromper? — Ele pergunta, esperando à porta.

— É uma conversa de garotas, Zuko, — Mai suspira, tentando segurar os pedaços do coração de Izumi. Ele deseja que ele pudesse discutir, mas ele não pode suportar a visão de sua princesa de coração partido sem querer socar alguém por muito tempo. Ele suspira e dá a sua esposa um olhar de desculpas, mas ela apenas balança a cabeça, compreensiva, antes que ele se vá.

Mai consegue tomar conta disso. Ele sabe que sim porque ele já fez ela passar por isso antes. O som da sua filha chorando, no entanto, é o bastante para deixá-lo irritado.

A filha deles tem dezessete anos e está aprendendo como relacionamentos funcionam.

Ela está feliz, é claro, mas às vezes ela fica amuada durante as refeições, e seus pais sabem que eles tiveram outra briga. Alguns desses períodos duram mais do que outros, mas eles sempre duram por tempo suficiente para que eles comecem a agir cuidadosamente perto dela, especialmente quando há objetos afiados no recinto.

— Ela só fala comigo porque eu tenho mais experiência, — ela diz a ele depois que ele assume seu descontentamento por Izumi sempre recorrer à mãe quando está tendo problemas de relacionamento, deixando Zuko de fora das suas conversas de garotas secretas. E ele não fica feliz quando ela implica que sim, ele era um péssimo namorado quando eles tinham a idade dela.

Ele geralmente as encontra rindo, sentadas lado a lado na varanda do quarto dela, e elas sempre param de rir quando ele se aproxima.

— Posso interromper? — Ele pergunta, esperando à porta.

— É uma conversa de garotas, Zuko, — Mai diz rindo, e ele não consegue ignorar a sensação de que ela estava usando ele como um exemplo de como garotos podem ser estúpidos quando são jovens. Então Izumi dá uma pequena risadinha, e ele tem certeza. Ele fica por perto um pouco mais, no entanto, olhando para eles com olhos desconfiados, enquanto suas garotas tentam segurar a risada na frente dele.

Ele suspira, mas então sai, ignorando as risadas irrompendo atrás dele. Honestamente, se sua própria família não tem nenhum respeito por ele, então como a nação inteira terá?

A filha deles agora é crescida e estará se casando logo.

Ele ainda não aceitou o fato de que sua garotinha já é uma mulher, e que ela não precisa mais da sua ajuda com o dever de casa, mas ela encontrou um bom homem. Ao menos, bom o suficiente para que Zuko não precise ficar ameaçando-o constantemente a fim de manter seu bebê a salvo e feliz.

Contudo, ele acha que esse dia chegou rápido demais, e isso o deixa triste. É por isso que ele não consegue ficar como Mai ou Katara e Suki, que estão sempre correndo pelo palácio assegurando que tudo estará pronto dentro do prazo e que a noiva será a coisa mais linda que todos já viram. A única coisa que Zuko faz para auxiliar nos preparativos é se sentar com seu futuro genro, para garantir que ele certamente estará presente na cerimônia.

Durante os breves intervalos, no entanto, ele vai checar sua filha, para ter certeza de que ela não está se afogando nas sedas ou nas flores. Ele as encontra na varanda, conversando em voz baixa.

— Posso interromper? — Ele pergunta, esperando à porta.

— É uma conversa de garotas, Zuko, — Mai diz com um sorriso zombeteiro e Izumi desvia o olhar. Primeiro ele não entende o que está acontecendo, mas quando ele entende ele não consegue acreditar. Ele olha interrogativamente para elas e o jeito que as orelhas da sua filha ficam vermelhas confirmam suas suspeitas. Mai ri um pouco da maneira como as bochechas dele ficam rosa e ele acha que encontrou uma nova definição para a palavra ‘mortificado’.

Ele foge o mais rápido que pode, ignorando a sensação queimante em seu rosto. Izumi e Mai podem ter sua conversinha de garotas pra elas, ele não liga.

A filha deles já está na meia-idade e ela não é forte o suficiente para isso.

Ela já é uma grande esposa, uma grande mãe e uma grande líder, Zuko não poderia estar mais orgulhoso. Ele agradece aos Céus por deixarem ele ter Mai ao seu lado todo esse tempo, do contrário seria bem provável que ele tivesse arruinado tudo.

Ele caminha com pernas cansadas por corredores que pareciam menores quando ele era mais jovem, mais leve, mais aquecido. Mas agora ele está velho e ele demora mais para chegar ao quarto dela. É claro, o quarto não é mais dela, mas não importa. Ele sempre as encontrou lá, na varanda, mesmo depois que Izumi se casou e se mudou para outro quarto com o marido.

— Posso interromper? — Ele pergunta, esperando à porta.

Sua filha se senta sozinha no banco que ela costumava compartilhar com sua mãe. Ela está se esforçando para não deixar as lágrimas caírem, assim como ele está, para que ela possa ser forte pelas crianças. Ao menos até que a cerimônia acabe.

Ela ergue o olhar para ele, e ele não consegue se lembrar de tê-la vista tão frágil assim antes. Ele não tem certeza se pode consertá-la se ela quebrar, não sem Mai.

— Pai… — Izumi suspira e corre para ele. Ele abre os braços e deixa que ela chore em seu ombro, sentindo-a abraçá-lo tão forte que ele nem consegue respirar direito. Não que isso o incomode, uma vez que ele a segura com força semelhante.

Suas roupas brancas estão tingidas com o laranja do pôr do sol. Mai sempre odiou laranja.

Ele fecha os olhos ao ouvir Izumi soluçando, e tenta lhe dar todo o consolo que sua mãe não poderia mais lhe dar. Logo em breve eles teriam que descer as escadas e parecer fortes para a multidão, mas no momento ele iria apenas ajudá-la a pôr tudo para fora, e então eles iriam focar em se melhorar.

Quanto a ele, ele iria chorar mais tarde. Quando as luzes tivessem apagado e ele estivesse dormindo em uma cama vazia e fria. Ele iria chorar e soluçar e sentir saudades dela mais do que qualquer coisa, mas não agora.

Agora ele iria apenas abraçar a filha deles.

Notas finais
Eu pediria desculpa, mas a verdade é que não tenho arrependimentos... Opiniões são bem-vindas. Elogios sempre aceitos. Críticas apreciadas. :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!