Estamos reunidos no meu quarto, Zeke, Cara, Caleb e Christina. Evelyn e Nitta continuam na cozinha. Decidi que a única forma justa de decidir se Nitta se junta ou não ao nosso grupo é através de votação, por isso estamos aqui.

_ Não é novidade pra ninguém aqui, que eu não quero era vadia no grupo. Por tanto, meu voto é não. — Zeke é o primeiro a se pronunciar, ninguém se surpreende com o seu voto.

_ Eu voto sim. Afinal ela conhece a Margem como ninguém, conhece os líderes dos Rebeldes e também porque trabalhou para o Governo, de modo que está muito mais habituada a lidar com eles do que qualquer um de nós. — Diz Caleb.

_ Eu voto sim, concordo com Caleb. — Diz Cara.

_ Definitivamente não! Essa vaca não pode ir conosco, ela é falsa e mentirosa. Na primeira oportunidade que surgir tenho certeza que ela vai nos apunhalar pelas costas. — Diz Christina.

_ O voto de minerva é seu Quatro. — Cara diz.

Eu não gostaria de tê-la no grupo sei que se fosse para benefício próprio, ou da causa em que acredita ela nos trairia, Christina está certa. No entanto Caleb tem razão ela conhece a Margem, trabalhou para o governo e tem também o fato de que ela reconheceria o homem que esteve com a Tris naquele dia.

Todos estão me olhando ansiosos, esperando minha decisão.

_ Zeke, entendo os seus motivos para votar não, e também não gostaria de ter que olhar para ela novamente. E sim Christina, você está certa na primeira oportunidade em que não precisará mais de nós, ou visando benefício próprio ou pela sua causa, ela nos trairá. Mas Caleb e Cara têm razão. Ela conhece muito mais esse mundo que existe através da cerca do qualquer um de nós. E eu também preciso dela para que possa reconhecer o homem que esteve com a Tris naquele dia. Então meu voto é sim.

Zeke assente com a cabeça. Ele é racional o bastante para perceber que é o certo a se fazer. Mas Christina me olha incrédula e diz.

_ Quatro você está aceitando Nitta no grupo só por causa que você acreditou na historinha dela sobre a Tris e quer ela reconheça o tal homem. Acho que você perdeu completamente o foco. Estamos numa missão na busca de informações sobre o Governo e principalmente para encontrar algo que possa ser útil para erradicar o vírus da nossa cidade. — Christina diz.

_ É claro que eu sei qual o objetivo da missão. E sim você tem razão, se existe alguma possibilidade de que o que Nitta falou é verdade eu vou até o fim para buscar respostas. E você não tem nada a ver com isso. — Eu cuspo as últimas palavras porque já estou de saco cheio da impertinencia dela.

_ Mesmo que ela não estivesse mentindo, de que adiantaria encontrar o homem e saber o que aconteceu já que ela está morta e não vai voltar. — Christina diz dando de ombros e dessa vez sou eu quem quer apertar o pescoço dela.

_ Já chega Christina! Se o Quatro quer encontrar o tal homem e descobrir o que aconteceu ele tem todo o direito. Vamos respeitar a sua vontade e vamos ajudá-lo a encontrar quem quer que ele decida procurar. — Diz Zeke e os demais concordam com as suas palavras assentindo com a cabeça.

_ Ok, tudo bem, vai lá Quatro abra as velhas feridas, quem vai sofrer as consequências será você mesmo! — Christina diz como se realmente não ligasse e definitivamente eu gostaria que isso fosse verdade.

_ Você realmente não entende. Não é mesmo? Como posso abrir feridas que não cicatrizaram, que ainda estão em carne viva? Você acha realmente que um dia eu vou superar e simplesmente seguir em frente? — Eu digo e esse momento o buraco no peito está inflamado, queimado e corroendo a carne ao seu redor, tenho a impressão de que serei consumido por esse sofrimento.

_ Desculpe. — Ela diz encerrando de vez o assunto.

*******

De volta a cozinha, o silêncio preenche o ambiente. Evelyn está sentada numa cadeira tomando uma xícara de chá. Nitta está em silêncio roendo as unhas em sinal do seu nervosismo.

Sem mais cerimônias eu digo:

_ Você vem com a gente.

Ela me solha aliviada e sorri e diz:

_ Obrigada Tobias, você não vai se arrepender.

_ Você não tem que me agradecer, a decisão não foi minha foi do grupo. Espero que você aproveite esse voto de confiança da melhor forma possível, porque não haverá segunda chance. — Eu digo.

_ Tudo bem. Obrigada a todos por terem me aceitado. — Nita diz.

_ Estamos de olho em você, acho melhor não cometer nenhuma besteira ou eu mesma terei o privilégio de acabar com a sua raça. — Christina ameaça, e ela não reage.

_ Então agora que a equipe está formada, temos que conseguir armas. Vamos para o complexo da audácia, lá encontraremos tudo o que vamos precisar. — Eu digo.

_ Vamos ainda hoje? — Caleb pergunta.

_ Sim, por quê? Você esqueceu sua chupeta em casa?? — Zeke debocha.

_ Não seja idiota! Só acho imprudente sairmos assim de noite se avisar ninguém. — Caleb se defende.

_ Idiota é você! Cuidado com a boca ou você pode ficar sem dentes! — Zeke ameça.

_ Não se preocupe, amanhã aviso todos que precisarem saber sobre o paradeiro de vocês. — Evelyn diz.

_ Já chega de conversa. Vamos lá. — Eu digo enquanto me dirijo para a porta.

_ Tobias, tenha cuidado! — Evelyn diz.

Eu me viro, seus olhos estão aflitos. Apenas assinto com a cabeça e saio porta a fora e os outros me seguem.

*********

Faltam poucas horas para o dia amanhecer. Estamos todos armados, exceto Nitta. Zeke e Christina, não quiseram lhe entregar uma arma e eu não discuti a respeito, talvez eles tenham razão.

Estamos na minha pickup nos dirigindo para o limite da cidade. Os policiais que estão de serviço se aproximam assim que paramos diante da cerca.

_ Boa Noite! Aonde vocês estão indo? — Pergunta o policial na minha janela. Zeke se abaixa para que possa ser visto pelo guarda e diz :

_ Jeremy, sou eu, Zeke! Estamos saindo para investigar a origem do vírus.

_ Oi Zeke! — Não me avisaram nada sobre isso. — O policial explica.

_ Eu sou Tobias Eaton. Não se preocupe, Johanna e eu estamos de acordo. A decisão de ir hoje foi tomada a pouco, por isso não receberam um comunicado oficial.

_ Sim, senhor. Me desculpe, não o reconheci. — O policial responde.

_ Sem problemas. Abras os portões por favor. — Digo.

_ Sim Senhor! — Ele se afasta, conversa com os dois colegas e os três vão em direção a cerca, digitam a senha e ouço as engrenagens do portão protestando. Ligo o motor e quando estamos atravessando o portão o policial que falou conosco grita:

_ Boa sorte!

Sorte... É tudo com o que podemos contar nesse momento.