Convergencial
6 Ponto de Ruptura
Notas iniciais
Monte Luzeiro era uma comunidade pequena, apesar de toda a sua importância religiosa e cultural. A entrada de visitantes era rigidamente controlada pela Cátedra. Um visitante precisava da autorização de um dos catedráticos apenas para passar da fronteira, e para morar era preciso a concordância de um terço da Cátedra. A natureza mundana ou mágica não costumava interferir nesses detalhes, sendo os antecedentes e realizações que de fato importavam na hora de conseguir a permissão, então os números eram quase igualitários, apesar de, oposto ao resto do mundo, ter um pouco mais de magos do que mundanos residentes.
Por causa disso, estabelecimentos voltados para as necessidades dos magos brotaram em cada esquina. Anis saiu de uma loja de artigos de encantamentos com ingredientes para o feitiço que precisava conjurar. Sua cabeça parecia prestes a explodir e a única coisa que parecia aliviar a dor era pensar em voltar ao lago. Desde que percebera a possessão, a dor se intensificara, sua vontade estava batendo de frente com a vontade do possessor e isso era fisicamente exaustivo. Mas a dor não era o único sinal que havia se agravado. Anis não conseguia ficar em paz em algum lugar sem ter a sensação de estar sendo observada. A paranoia que a deixava desconfiada de quaisquer passos atrás de si não a deixou em paz até que ela alcançasse a área florestal de Monte Luzeiro.
Sendo uma cidade destinada à elevação intelectual, Monte Luzeiro tinha muitos locais para a prática de magia. Feitiços mais perigosos ou instáveis deviam ser elaborados em locais especiais, isolados. Logo Anis chegou a uma clareira da floresta cujo chão era entalhado em placas de mármore branco; uma grande placa circular no centro, cercada por quatro círculos menores em cada lado, e, mais distante, um quinto círculo pequeno de mármore. Existiam várias daquelas “arenas” pela floresta, e quando estavam em uso se tornavam invisíveis para que o mago não fosse incomodado durante o feitiço. No círculo central, Anis pôs com cuidado um espelho de mão de prata sobre o mármore. Pegou um odre de azeite virgem e o verteu sobre o espelho até que o líquido cobrisse toda a superfície. Nos quatro círculos menores, os símbolos dos elementos estavam gravados no mármore. Pôs o resto do odre no símbolo da Água. Deixou Terra e Ar vazios, porém ativos, e apagou o símbolo do Fogo com tinta branca. Fogo apenas atrapalharia.
Com tudo preparado, Anis subiu no círculo mais distante, destinado ao mago, e ergueu as mãos diante do corpo.
— Seja você quem for — murmurou, finalmente assumindo para si mesma o quanto estava irritada com a situação — saia da minha cabeça.
Unindo as mãos, Anis fez um gesto como se estivesse puxando algo de dentro de si. Não era doloroso, mas desagradável; a presença escapando como lágrimas negras de seus olhos, a sombra fugindo de cada dobra de sua roupa, o chão ondulando sobre a passagem de algo que não tinha corpo. Uniu cada uma dessas coisas a sua frente e o empurrou para longe. O esforço de expulsá-lo a deixou subitamente sem ar, uma desorientação momentânea causada pela ausência de algo que antes fazia peso sobre ela. Anis caiu de joelhos, mas logo ergueu o rosto para a arena e, mesmo que sua suposição estivesse correta, a visão ainda foi inesperada. O ar tremulava na área piramidal formada pelos três símbolos ativos, formando uma prisão energética para seu possessor. A forma irregular e sombria tentava desesperadamente se livrar da prisão, mas se desfazia em névoa sempre que tentava escapar da arena, refazendo-se no centro.
Uma sombra.
Anis se levantou, ainda boquiaberta. Esse tipo de possessão só podia ser fruto de um mago umbrático, pois ela teria conseguido perceber e se defender de qualquer ataque psíquico contra sua mente. Mas umbráticos eram diferentes dos psíquicos tanto na forma de dominação mental quanto na criação de ilusões. Ainda não se sabia como duas áreas da magia podiam ser tão distintas quanto eram parecidas. Principalmente a possessão, pois ilusões tinham uma explicação mais óbvia: psíquicos alteravam a percepção de uma pessoa, enquanto umbráticos alteravam a luz e criavam a imagem.
E, por um instante, Anis desejou que o que estava vendo fosse uma ilusão.
A forma humanoide se retorcia no ar de forma tão errática que nódoas se formavam onde as sombras se adensavam, deixando buracos nas sombras esparsas das outras partes do corpo — se é que podia chamar aquilo de corpo —, que permitiam que Anis visse as árvores através dela. Os dedos longos e retorcidos se solidificavam apenas por tempo o bastante para tentar avançar em sua direção, desfazendo-se em névoa ao tocar o limite da prisão. Mas o pior era o rosto. Feito inteiramente de sombras, ele não tinha feições, mas algo em seu rosto parecia contorcido e tomado de sofrimento. Unia as mãos ao rosto e parecia que seria capaz de arrancar a própria pele, se tivesse alguma, em agonia. Um movimento onde deveria ser sua boca, junto ao punho sobre o peito comprimido, fez Anis se retesar com a impressão de um guincho silencioso. Ele não havia gritado, ao menos não com sons, não com uma voz, mas cada centímetro de seu corpo ouviu o que não deveria ser ouvido.
— Pare! — Anis gritou, o comando que tinha sobre o feitiço deixou a sombra mais agitada em sua prisão. Ele parecia menos com uma pessoa agora, apenas um borrão no ar tentando desesperadamente encontrar uma brecha em suas correntes invisíveis. — Pare. Responda-me. Quem é seu mestre?
Da névoa amorfa, os dedos retorcidos se fecharam sobre a prisão invisível em um pânico suplicante. Por um instante ínfimo, Anis pensou ter visto a sombra de joelhos como um condenado à morte, roubado de qualquer esperança. Mas não houve resposta.
— A quem você serve, sombra? Responda-me.
Nada. Nenhuma resposta. Anis se sentiu idiota por tentar interrogar um servo sem mente e cogitou em usar fogo logo e acabar com aquilo. Mas pelo que sabia das sombras, elas apenas se resconstruiriam novamente aos pés de seus senhores quando destruídas pela luz, e assim perderia qualquer chance de descobrir a identidade do umbrático.
Anis ergueu as mãos. A sombra deu mais de seus gritos silenciosos enquanto a maga moldava as correntes energéticas na direção do espelho no chão; tentava evitar a nova prisão, pois sabia que seria mais definitiva do que a atual. A superfície do espelho absorveu as sombras até que nada mais restasse na clareira além de Anis, os símbolos mágicos e um espelho de vidro inteiramente preto.
Verônica e a Cátedra teriam de esperar.
Anis precisava voltar para Sagrada e pedir um favor a uma amiga relutante.
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Eleonora se debruçou no parapeito do mezanino, ouvindo sem muito interesse a palestra do Magister. O tempo todo olhava ao redor, buscando alguém que lhe parecesse suspeito ou que demonstrasse o mínimo de interesse nela. Talvez fosse imprudente, mas queria descobrir o que pudesse antes de tomar a decisão de passar mais tempo em Sagrada ou partir de imediato. E o segundo bilhete a deixara bastante curiosa.
Espaço Ágora, às 13h.
Não sou um sântico.
A letra era diferente do primeiro bilhete, mas também tinha aparecido no balcão da loja, depois dela instalar fechaduras mágicas. Por isso, tinha a certeza de que, quem quer que tivesse escrito aquilo, não havia estado na floricultura pessoalmente. Seria impossível.
Com uma pequena pesquisa, ela soube que o Ágora era um espaço alugado para eventos, onde estava acontecendo um congresso sobre história da magia. Ela ignorou o horário no bilhete e chegou no começo do evento para poder escolher um lugar discreto e estratégico. O Magister Erasmo Heddart era o terceiro palestrante da manhã, e o único dentre eles que era um mago. Os outros eram historiadores e antropólogos mundanos. Erasmo também era antropólogo, mas era sua segunda formação. Sua verdadeira formação, já que, segundo ele próprio no começo da palestra, só havia se formado em Alquimia por pressão social.
O fato dele ser formado na mesma área fez com que instintivamente prestasse mais atenção no que ele dizia, isso até perceber que o assunto era a criação do Ponos para magos no direito penal pós medieval; um assunto que não a interessava minimamente. Continuou observando o lugar em busca de alguém que, como ela, não parecesse estar ali pela palestra. Uma das intérpretes de Sinais estava o tempo todo olhando para o relógio quando não era sua vez de estar ao lado do palestrante. Uma garota jovem olhava para os lados o tempo todo, como se esperasse alguém, mas logo um colega chegou e ficou claro que ela apenas estava guardando um lugar para ele. Numa das filas do meio, um rapaz fazia anotações em uma folha sem levantar o rosto para o Magister, e escrevia mesmo quando ele não tinha dito nada. Pouco depois ele deixou a prancheta pender para a frente, e Eleonora viu que não eram anotações, mas um desenho de uma garota sentada a três cadeiras de distância, completamente alheia ao artista inspirado.
— Nessa época, houve uma mudança de visão por parte das autoridades magas pelo mundo, que remetia ao primitivismo, quando magos eram vistos como semideuses — explicou o Magister. Um homem na primeira fila parecia inquieto com algumas mensagens no celular. — E o questionamento sobre os limites da magia retornou.
Uma mulher estava apoiada na porta do auditório, observando tudo com desinteresse. A atenção nômade de Eleonora começava a irritá-la. Talvez não devesse ter ido. Talvez aquilo fosse perda de tempo e ela já devesse estar fora de Sagrada.
— A Era das Trevas ficou conhecida assim pelo alta ocorrência de maldições. — Um silêncio pouco natural se seguiu após a palavra, como se o público evitasse até mesmo respirar. Maldições eram o único verdadeiro tabu no meio dos magos, não se falava delas com tanta casualidade; o mal que magos podiam causar era algo que não deveria ser lembrado.
Porque magos jamais mentem ou quebram promessas, Eleonora pensou com ironia. Magos não eram meras pessoas, porque pessoas erram e pecam e sofrem e fazem sofrer.
O Magister continuou explicando como esse cenário culminou em grandes revoltas mundanas. Por um breve momento, o mundo esteve invertido e os mundanos passaram a perseguir os magos. Mas isso não durou mais do que uma ou duas décadas escondidas no meio de milênios do oposto. Então surgiu o Ponos, a primeira pena designada para magos acusados de crimes graves: o trabalho forçado.
— É um absurdo que ainda hoje, séculos após sua criação, o Ponos continue existindo como uma medida diferente para os crimes do magos. O Ponos não se confunde com o trabalho forçado que muitos países aplicam à mundanos, ainda que tenha natureza punitiva, ele é certamente menos danoso para o indivídio que penas de detenção e reclusão, e muito mais em acordo com os Direitos Humanos modernos.
Eleonora se certificava de que jamais estaria perto de sofrer as consequências de seu trabalho paralelo, então não se importava muito com aquele assunto, mas era no mínimo curioso ver um mago se pronunciar contra um privilégio que possuía. Após explicar as diferenças entre o trabalho forçado dos magos e dos mundanos, desde a discrição, carga-horária e remuneração, a organização abriu espaço para perguntas dos ouvintes. Alguns alunos que só estavam ali para cumprir as horas flexíveis desafiaram a timidez e fizeram perguntas, e depois um homem ainda mais hesitante que eles ergueu a mão.
— Eu não consegui encontrar uma informação sobre maldições... — começou, depois de gaguejar nas primeiras palavras, inseguro de fazer uma pergunta sobre isso.
— Desculpe interrompê-lo — disse o Magister, com um sorriso que buscava ser ao mesmo tempo educado e descontraído —, mas só mencionei as maldições pelo contexto histórico. Esse não é o tema da palestra, e sinceramente, me preocupa a razão do seu interesse.
Mas o Magister disse isso como uma brincadeira, e até mesmo o rapaz se sentiu mais a vontade.
— Não se preocupe, eu sou um mundano. Meu interesse é para um livro que estou escrevendo.
— Livros! Isso é injusto, agora não posso recusar. Certo, eu vou responder uma pergunta. Todos vocês mantenham isso em segredo, viu? — A plateia riu, mas não muito. Não queriam perder uma só palavra de um assunto tão pouco comentado.
— Existe algum padrão pelo qual se possa prever o “custo” de uma maldição?
O Magister meneou a cabeça, indeciso.
— Sim e não. Veja bem, a ideia é que o custo seja imprevisível. O imprevisível já é assustador, então magos fogem de maldições como o Oculto foge de relâmpagos. Mas existe uma hipótese de que o custo seja sempre uma forma da natureza manter seu curso natural. É ilusão nossa achar que estamos acima da natureza. A magia é apenas uma alternativa dentre as várias que a natureza oferece.
Eleonora notou alguns olhares desagradados. Era mesmo uma ousadia tentar fazer a magia parecer algo tão mundano quanto a natureza. Mas o que ele disse fazia sentido. Lembrou-se de um livro que lera na infância, embora fosse muito violento para ser adequado para crianças. Nele, doze de pessoas faziam um feitiço para se tornarem imortais logo antes de uma guerra. Mas ao forçar a morte a nunca vir das mãos de seus inimigos, eles se condenaram a morrer pelas mãos dos amigos. Então a paranoia, a desconfiança e o medo da traição os destruíram.
— É comum que o custo de uma maldição seja a coisa que um mago mais queira evitar ao conjurá-la. É estranho e contraditório, mas é assim mesmo. Isso ajudará o seu livro? — Com a afirmação do escritor, o Magister concluiu: — Ótimo. Nosso tempo acabou, a organizadora tá ali implorando para eu finalizar a palestra há dez minutos.
Eleonora conferiu as horas. Quase 13h. As pessoas se reorganizaram para a próxima palestra, enquanto o Magister Erasmo ainda respondia algumas perguntas em particular. Eleonora tinha um palpite audacioso, mas, se não fosse isso, provavelmente o bilhete não teria passado de um trote e tudo aquilo tinha sido perda de tempo.
Que seja.
Desceu o mezanino e se aproximou da fila de alunos que ainda o importunavam, um pequeno grupo já fora do auditório, pois a palestra seguinte iria começar. Um a um, o Magister respondeu suas perguntas, até que seu olhar caiu sobre a última do grupo. Mas a palestrante seguinte já estava no palco, então ele sinalizou para ela.
— Não vamos atrapalhar os outros. Bora lá fora e eu respondo suas dúvidas.
— Eu não sou uma estudante.
— Não quer dizer que não tenha dúvidas. — Ele riu e saiu, deixando Eleonora sem escolha além de segui-lo.
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— Mãe, como eu tempero o macarrão?
— Thiago, eu posso fazer isso — respondeu Anália, ainda com as mãos preparando a carne para assar.
— Eu quero ajudar! É raro você almoçar em casa. E eu só errei o macarrão uma vez...
— Posso ajudar também? — Cauã perguntou, com apenas o rosto visível da porta da cozinha, porque a mãe sempre dizia que cozinha não é lugar de criança. — Posso fazer o suco?
— Claro, mas seu irmão que corta a embalagem.
Cauã fez uma careta. A mãe geralmente os tratava como se fossem mais jovens do que realmente eram, chegava a ser irritante a preocupação dela com facas e tesouras em suas mãos infantis.
— Mas aí eu só vou encher a jarra de água?
— Você pode colocar o pozinho na jarra — Thiago zombou, certo de que seria repreendido pela mãe, mas o celular de Anália começou a tocar. Meio por instinto, ela limpou as mãos rapidamente e foi na direção da cozinha, não sem antes avisar a Thiago:
— Tempero misto no macarrão, uma colher apenas, e finaliza com orégano. — Ele fez um joinha em resposta.
Anália não esperava ligações de ninguém, então imaginou que fosse algo da delegacia. Ou ligações da Capital Distante lhe oferecendo um novo plano de internet. Pegou o celular e viu que estava errada sobre ambos. Respirou fundo, se preparando para uma das piores partes de seu trabalho.
— Eu esperava sua ligação, Magistra Anis.
— Esperava, é? Engraçado. Não é você quem diz que eu só ligo quando preciso de um favor? — O tom de voz não era o que Anália imaginara. Não inteiramente despreocupado, mas parecia tentar ser. — E eu achando que comprovaria sua teoria hoje, pois preciso urgentemente dos seus peritos. Você me empresta eles, delegada?
— Eu... Espera, foi por isso que ligou?
— Sim. Por quê?
Pedidos como esse não eram incomuns. Elas eram cordiais uma com a outra, mas o que tinham era uma relação de conveniência, não amizade. E por mais estranho que fosse, nenhuma das duas se incomodava muito com isso. Já tinham sido mutuamente úteis, e contanto que uma não tentasse iludir a outra para além da “não-amizade” que tinham, Anália não se incomodava nem um pouco.
Mas aquela vez era diferente.
— Magistra Anis, preciso conversar com você. Pode me encontrar hoje?
— O que houve?
— É melhor pessoalmente — respondeu, sabendo que isso nunca foi o suficiente para satisfazer a ninguém. Aguardou em ansiedade durante um breve silêncio, quase sentindo Anis ponderar as probabilidades, e, por fim, desistir de todas.
— Fala de uma vez, delegada.
Anis nunca foi do tipo de aceitar ser mantida no escuro.
— É sobre a sua filha.
— O que houve com ela? — A voz tentou disfarçar, mas Anália a conhecia bem o bastante para entender a apreensão. — Invadiu minha casa de novo? Não é problema, ela faz isso de vez em quando...
— Magistra, Ísis foi sequestrada. Foi há uns quinze dias, ainda está desaparecida e... droga, onde você estava? — A pergunta não passou de um suspiro exaurido.
— Tem certeza... — A pergunta débil sequer foi concluída.
— Quando soube que era a sua filha, tentei falar com você que nem louca, você chegou a me atender uma vez e desligou em dois segundos.
— Eu não lembro disso.
— Não lembra?! — Anis não respondeu. Quando o silêncio se tornou incômodo, o que não demorou muito, Anália continuou: — Sinto muito. Não queria te avisar assim.
Pelo ruído leve que ouviu e por conhecer Anis, teve a sensação de que ela estaria assentindo ao celular, como se Anália pudesse ver o gesto. Então ficou claro que ela não lhe diria mais nada.
— Por favor, vá para a delegacia. Eu lhe encontrarei lá. Peça ajuda à Dominique com o favor que precisar.
Desligou. Os meninos estavam arengando na cozinha sobre alguma coisa. Ouviu o tilintar da bailarina na jarra de vidro. Thiago com certeza tinha errado com o macarrão de novo. Estava em um momento tão bom.
Anália não era religiosa, mas às vezes imaginava que talvez o Omnioculto realmente tivesse seus favoritos. E ela certamente não estava entre eles. Voltou para a cozinha, pensando que ao menos teria tempo de almoçar em casa dessa vez.
E com um estrondo alto, todo o vidro na varanda atrás de Anália explodiu.
É. Ela não estava entre os favoritos.
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