Convergencial

4 Número 1 na Lista de Preocupações


Notas iniciais
Eu tinha ficado muito feliz com o ritmo dos primeiros capítulos, de atualizar a cada 15 dias, porém os capítulos anteriores não tinham o tamanho que costumo escrever. Esse daqui ainda não chegou ao meu tamanho "ideal", mas chega perto, então acredito que as atualizações serão mais demoradas a partir de agora, infelizmente. Logo termino de responder os comentários.

Dante costumava ter boas relações em seus estágios. Era um rapaz responsável e profissional, um dos poucos estudantes a ter a sorte de ser verdadeiramente apaixonado por sua área. Já no fim do curso de Direito, tinha acumulado experiências em áreas diversas em busca de descobrir o que mais lhe interessava. Havia passado por escritórios trabalhistas, assessorias empresariais, conciliação em Famílias, e agora via a aplicação do Processo Penal em uma delegacia de polícia.

A delegada Campos era uma supervisora razoável. Na verdade ela não era sua supervisora, ao menos não diretamente, mas ouvia suas dúvidas com mais paciência do que o Desidério, seu supervisor de fato; explicava em detalhes suas funções, em vez de supor que ele já tinha alguma experiência, e, como era ex-aluna da mesma faculdade dele, era bem tolerante com as ausências em razão das provas de certos professores cuja aversão eles tinham em comum. Havia, também, um ar de informalidade cativante quando se encontravam, em que ela conversava com tanta casualidade que não pareciam estar num ambiente de trabalho policial. Casualidade essa retribuída por Dante, que não se esforçava em esconder a curiosidade sobre alguns aspectos dos inquéritos que lhe eram estranhos. Apenas as vezes, quando se excedia, conseguia arrancar da delegada um simples “Não posso conversar sobre isso com você”, o lembrete do limite de suas posições.

Mas naquele dia, quando Dante desceu do Perpétuo e se dirigiu para a delegacia, bastou pôr um pé dentro do lugar para perceber que algo estava bem diferente. A delegada andava de um lado para o outro com uma expressão azeda, exigindo documentos e relatórios, e o tempo todo alguém cruzava o caminho de Dante com uma pasta na mão tentando entregar a ela. Dante conseguiu alcançar em segurança a mesa perto da parede sem esbarrar em ninguém pelo caminho, parando diante de Tomás, um homem de cabelos castanhos e com um crachá de identificação pendente sobre o azul desbotado da camisa de botões. Por trás dos óculos quadrados, Tomás não desviou o olhar da tela do computador, mas Dante sabia que ele tinha percebido sua presença. Ele não parecia muito ocupado, pelo contrário, rolava a tela displicentemente reclinado na cadeira sem qualquer respeito pela própria saúde cervical. Mas nunca tinha certeza se tratando de Tomás, que mesmo com assuntos importantes tinha esse ar informal de quem vive em uma marcha diferente do resto do mundo.

— Boa tarde... Aconteceu alguma coisa?

— Não acompanha o jornal? — Com um desinteresse um pouco desdenhoso, Tomás empurrou uma edição do Oracular dobrada em uma matéria específica sobre a mesa para Dante.

— “Delegada assume conexão da polícia com o Levante”? — Dante questionou, sem acreditar no que estava lendo. Mas logo viu que a matéria era de Fernando Cerrado e a surpresa amargou com a compreensão de que a história real provavelmente era bem diferente. Mesmo lendo rapidamente, estranhou a pergunta que havia colocado a delegada em maus lençóis. Aparentemente, uma ouvinte aleatória insinuara que os relatórios tinham sido adulterados para ocultar uma relação da polícia com o Levante. Estranho, mas não sabia o porquê. Não deu muita atenção e pôs o jornal de volta na mesa. — Isso foi há 4 horas. Eu estava em aula.

— Sorte a sua — Tomás respondeu, tirando os óculos para limpar as lentes no próprio tecido da camisa, e assobiou como se o dia tivesse sido exaustivo. Pela falta de costume, a ausência dos óculos deixava o rosto dele estranho de uma forma que Dante não sabia especificar. — Ela anda uma fera por causa disso.

— Tomás! Será que dá para você começar a se mexer?! — A delegada reclamou da porta de seu escritório como se tivesse ouvido o comentário. Sem mudar em nada a urgência de seus gestos, Tomás recolocou os óculos.

— A Dominique ainda não chegou, não tenho como acessar as alterações do relatório magico-pericial sem ela — respondeu de forma lenta, apesar da expressão séria. Era difícil saber quando ele fazia de propósito. — E você lembra que eu saio mais cedo hoje, não lembra? Eu avisei semana passada e você me liberou.

Ela pressionou as têmporas assentindo a contragosto. Contribuindo para o clima frenético da delegacia, seu celular recebeu uma ligação. Se a delegada tinha algo a dizer para Tomás antes de ver o número que ligava, desistiu.

— Só... resolve isso antes de sair, ok?

Quando ela se afastou, Tomás se curvou para perto de Dante e sussurrou:

— Vinte conto e eu faço com que ela não seja capaz de lhe ver o dia inteiro.

— Pelo visto, está barato ainda.

— Desconto para amigos. Sou generoso com a minha magia.

Dante sorriu. Apreciava o ar de desleixo de Tomás com relação à magia. A maioria dos magos a tratava como algo sagrado e frágil, nobre demais para bobagens como aquela, mesmo sendo só uma piada. Alguns mundanos também pensavam dessa forma. Mesmo vivendo com magos assim, Dante ainda via a magia mais como “uma ciência linguística”, pegando emprestado as palavras da antropóloga estrangeira Mieko Nishizaki, do que uma ferramenta religiosa.

— Dominique! — Tomás bateu na mesa, como fazia inconscientemente quando uma espera chegava ao fim, e se levantou para interceptar a colega que acabava de chegar com os costumeiros fones de ouvido e nem havia percebido o ritmo acelerado do local.

Dante também saiu do lugar, mas para a direção oposta. Como jamais levaria a sério a proposta do mago para ocultá-lo da delegada, fazer o seu trabalho era a única forma de não despertar o lado cruel da chefe no momento, e era também sua forma preferida.

— Dante — Anália o chamou do escritório. Fez um sinal com a cabeça para que ele entrasse, sendo prontamente atendida. Ela mal o olhou enquanto fechava a porta de vidro atrás deles.

— Sim, delegada?

— Quero que reúna e me entregue os registros dos seus atendimentos das últimas duas semanas. Principalmente das pessoas que só vieram buscar orientação, mas não registraram nenhuma ocorrência. Você se lembra de ter atendido pessoas assim?

Ele assentiu.

— Farei isso. Mas nenhuma das pessoas parecia estar mentindo. Foi... por isso que perguntou? A senhora acha que alguém queria só ganhar tempo dentro da delegacia? — Juntando as poucas informações da matéria no jornal e o diálogo entre Tomás e Anália sobre alterações de relatórios, Dante supôs o que ela queria, mas, se essa era a suspeita, sua contribuição não seria de muita ajuda. Nem todas as pessoas que iam até lá realmente queriam abrir uma queixa, e mesmo os que só queriam orientação pareciam dizer a verdade. Ela franziu as sobrancelhas para a pergunta, então Dante emendou rapidamente: — Se eu souber o que procura, posso lembrar de algum detalhe que não me chamou atenção no momento.

— Apenas traga os registros, obrigada.

Apesar da resposta, ela não parecia realmente incomodada com o palpite. Dante quase achou que fosse uma deixa para ir embora, mas antes que se movesse, Anália tirou do bolso uma memória — uma pedra lilás polida com um símbolo perfeitamente marcado na superfície, intraduzível para ambos. Apesar disso, colocou-a na mesa com a naturalidade de quem lidava com coisas assim todos os dias, pois era bastante usada para recolher testemunhos delicados ou descrições fiéis de pessoas procuradas, diretamente das mentes das testemunhas. A pedra reluziu e a imagem de uma mulher de cabelos castanhos curtos e óculos escuros tremulou no ar, movendo os lábios como se fizesse uma pergunta silenciosa que terminava em um meio sorriso.

— Sei que ela não está muito reconhecível, mas foi como eu a vi. Sabe me dizer se essa mulher veio aqui?

— Não que eu me lembre. Posso perguntar…

— Prefiro que não. É melhor você ir, Desidério vai pensar que se atrasou.

Dante franziu a testa, ponderando se valia a pena dar a resposta que queria para aquela interrupção. Anália havia recolhido a memória e estava sentada à mesa, folheando um documento encadernado que era apenas o primeiro de uma pilha generosa. Ela levantou os olhos outra vez, questionando silenciosamente por que ele ainda estava ali. E na rápida luta mental de Dante, o bom-senso saíra derrotado. Ou, talvez, fosse apenas a consequência que Anália tinha de arcar por lhe dar tanta liberdade. O que era que a dona Dalila, do orfanato, dizia quando falava das crianças? “Pode até dar dinheiro, mas não dê liberdade”? Talvez pudesse estender isso aos jovens em geral, não apenas às crianças.

— Por que alguém... viria aqui deletar dos relatórios uma informação que causaria o mesmo estrago se já fosse divulgada desde o início?

Era isso, Dante percebeu, que lhe parecera estranho na reportagem que lera mais cedo. A pergunta tinha sido mais um pensamento alto do que um questionamento real, mas a delegada não tinha como saber.

— Por que pede permissão se vai perguntar de qualquer forma? — ela respondeu com calma, apoiando o rosto nas mãos entrelaçadas, e pela primeira vez no dia ela pareceu quase sorrir. Se a consequência da liberdade era um pouco de impertinência, ela pensava, então valia a pena. — Já disse antes que não posso conversar esse tipo de coisa com você. Mas é uma boa pergunta. Só imagino uma resposta para ela, e você? — Anália pegou uma garrafa sobre a mesa, dando a Dante um tempo de silêncio enquanto bebia um gole. Ele não respondeu, o que a fez soltar um falso suspiro desanimado. — Se você tivesse talento para respostas como tem para perguntas, Tomás estaria sem emprego.

Pelo histórico ligeiramente desagradável da conversa, Dante não estava disposto a se distrair pela brincadeira, embora o clima agora tivesse se aproximado das conversas que tinham diariamente. A delegada podia ter tido uma manhã ruim, mas ele não tinha culpa nisso, e não ignoraria aquela rispidez indevida de uma hora para a outra. O humor da delegada até podia estar começando a melhorar, mas já tinha contaminado o dele.

Dante aceitou que ela não lhe responderia e saiu para preparar os registros.

E fez a nota mental de não dar muito crédito às pessoas por meras primeiras impressões.

.

A única vela no banco ao lado de Sofí tornava a leitura do jornal uma tarefa cansativa e desagradável. Cansativa para os olhos, desagradável para a mente, mas essa parte não era culpa da vela, exceto por permitir, ainda que seu brilho fosse fraco, que Sofí lesse a mais recente atrocidade do Oracular, um perigo que saltava da página e impregnava aquela sala fria. As insinuações relatadas na matéria eram duplamente preocupantes, tanto pela pessoa misteriosa que as fizera quanto pelo significado oculto nelas, e se a delegada tivesse o mínimo de inteligência, já deveria ter entendido também. Essa mera possibilidade fez Sofí se sentir exposta, como se um par de olhos virasse para sua direção, ainda que não soubesse o que procurar.

Uma nova luz tremulou tão fraca quanto a sua. Ao perceber o jornal em suas mãos, André suspirou, quase apagando a vela que segurava.

— Por que lê essa porcaria? Sabe muito bem que só tem mentiras.

— Um de nós ainda tem que se importar com o resto do mundo — Sofí falou com evidente desaprovação, que, infelizmente, ele estava bem familiarizado. Mas a distração que ele proporcionara era bem-vinda no momento. — E mentiras ainda podem ser esclarecedoras.

Ele tomou o jornal sem resistência, deixando-o na mesa junto às duas velas, e se sentou ao lado dela, apoiando a cabeça na parede.

— Acha que a mulher é ela?

— Sinceramente, não importa muito no momento. Pode vir a ser um problema, sim, mas o que ela disse é mais urgente do que quem ela é.

Sofí esfregou os olhos para tentar aliviar o desconforto, mantendo-os fechados por um tempo, apoiando o rosto nas mãos. Seu irmão poderia ajudar. Será que ele faria qualquer coisa sem antes ouvir o som do dinheiro caindo em sua mão? Será que ela faria?

— O que está lhe incomodando agora, Sofí?

— Quer que eu faça uma lista?

— Imediatamente.

Sofí abriu um sorriso quase invisível à meia luz, mas apenas se levantou e limpou a poeira da calça. As manchas na bainha da camisa persistiram, despercebidas.

— Então vamos ao primeiro item.

André a seguiu, conferindo o cassetete elétrico na lateral do corpo enquanto ela destrancava a porta para um quarto imerso em completa escuridão, exceto pela iluminação frágil que vinha de suas costas. Sofí não entrou muito, parou diante da porta como se a qualquer momento pudesse dar as costas e ir embora. Ela mudava quando entrava ali, e André achava extremamente interessante. Eles não conseguiam ver a mulher, mas sabiam onde ela estava presa, então Sofí aguardou sem pressa, com a postura firme, os braços para trás, certificando-se de que teria a atenção da maga. Não parecia alguém que há poucos minutos se perguntava como tinha se deixado convencer por aquele plano. As divergências internas do Levante não eram para o testemunho de ninguém além deles, e se ela tinha permitido toda aquela operação, então tinha o dever de considerá-la como sua operação também.

Ísis não os percebeu de imediato. Logo depois de ser capturada, ela havia acordado em um lugar bem diferente do que estava agora, e todos os mundanos ao seu redor pareciam agitados. Um pouco por medo, mas também por euforia. Temiam a maga que haviam capturado ao mesmo tempo que admiravam a captura. Mas ela não pôde pensar no que isso significava ou em como usar a seu favor. Eles lhe deram algo — só por garantia, enquanto a levavam para sua prisão definitiva —, e suas memórias seguintes eram borrões semiconscientes e, às vezes, delirantes, que não a deixavam sequer pensar direito sobre o que estava acontecendo. Parecia que seu corpo havia sido desligado da mente e ela não podia se mexer, mas a mente estava tão dilacerada que não conseguia nem mesmo sentir medo por isso.

Agora que o efeito desvanecia, talvez a ausência de medo tivesse sido uma bênção. A memória dos choques era revivida por tremores irregulares, como se seu corpo antecipasse o momento em que a dor viria de novo. Seu olhar vagou de um canto a outro do ambiente, percebendo que era inútil tentar se localizar, mas o que queria realmente era localizar aquela pequena parte de si que havia sido arrancada.

— Você é a Ísis, não é? A tatuadora? Ainda não nos conhecemos, e infelizmente isso continuará assim até conseguirmos um pouco de sua cooperação. Mas saiba que nós não temos a intenção de feri-la.

Ísis tentou forçar o olhar, mas a única luz vinda de trás daquelas duas pessoas piorava bastante sua dor de cabeça e dificultava ainda mais distinguir seus rostos. A falta de resposta fez André se mover inquieto.

— Tem algo de errado com ela? — perguntou para Sofí, temendo ter apostado demais em um plano sem retornos.

Sua apreensão não era recente; no dia em que a capturaram, André lembrava de estranhar o quanto ela parecia surpreendentemente indefesa para uma maga. Porém, mal terminara de falar e as correntes tilintaram quando Ísis tentou avançar na direção dele. A força do movimento impensado fez uma dor pungente se alastrar dos pulsos por seus braços, mas, no momento, ela nem notou a dor. O homem recuou um passo por instinto. Mesmo que a tivesse descrito como indefesa, soube que, naquele momento, teve sorte por ela estar presa.

— Você... — Ísis resmungou, reconhecendo o captor pela voz. Por um instante, houve apenas silêncio, desprezo e rancor por parte dos três, até que a postura inflexível de Ísis cedeu.

Ela analisou a sala outra vez como se algo pudesse ter mudado nos poucos segundos desde o momento em que havia acordado. Algo estava definitivamente errado. Mas não era o que estava presente que a incomodava, e sim o que não estava. Sua magia.

— Onde...?

— Não é a sala, se está se perguntando — Sofí disse, abrindo uma garrafa de água. Ela se ajoelhou e ajudou Ísis a beber um pouco. Seus gestos eram suaves, mas nem o tom e nem o olhar eram gentis.

Com o aviso, Ísis olhou para trás. As correntes eram velhas, mas as algemas eram peças largas de metal polido, e apesar de não lhe causarem choques ainda, ela podia quase ouvir a corrente elétrica passando pelo objeto. Nunca tinha visto de perto uma criação de magos para conter magos, mas sabia que eram usadas por equipes policiais especializadas. Aqueles dois não pareciam nem um pouco com policiais, então pensar em como haviam conseguido aquilo não era muito tranquilizador.

— Não... Não, não, eu preciso sair daqui... Eu preciso sair daqui.... — Ela forçou inutilmente os pulsos nas algemas. Recusou beber mais água, e a impulsividade que os mundanos haviam visto instantes antes se tornou algo atemorizado e irreconhecível.

André se ajoelhou na altura dela também, com uma curiosidade quase decepcionada expressa nas sobrancelhas franzidas.

— Essa não pode ser ela…

— Uma maga é uma maga, nenhum deles gosta de ficar sem magia — Sofí cortou, quase o repreendendo por ser tão transparente. Diferente dele, ela permanecia impassível, o rosto perto do de Ísis com uma frieza que não mostrava desprezo, mas assertividade. Ambos estavam perto demais, invadindo propositalmente o espaço pessoal da maga, mas enquanto André parecia intrigado, Sofí pensava em como fazer daquilo algo útil. Como a maga estava agitada demais para aceitar a água, ela umedeceu um lenço que tinha consigo e passou de leve sobre o rosto de Ísis. — Imagino que seja pedir muito, mas por favor não tenha medo. Sei que não causamos a melhor das primeiras impressões, mas também não somos animais.

Ísis recuou ao toque, mantendo o rosto baixo. Sofí fez um gesto para que André se afastasse, presumindo que a presença dele, a pessoa que comandara o sequestro, a assustasse. Quando voltou a olhar para eles, com a desorientação sendo lentamente substituída por uma expressão enraivacida, os murmúrios ininteligíveis deram lugar aos gritos.

— O que pensam que estão fazendo?! Tirem essas malditas algemas de mim, mundanos de merda! Têm que me deixar ir!

Sofí suspirou pesadamente, pouco surpresa com o xingamento. Eletricidade estalou na ponta do cassetete de André, apenas um alerta que, mesmo sem um movimento dele, fez Ísis se encolher em seu canto.

— Desculpe! Me desculpe... — ela praticamente cuspiu as palavras, com tanto medo que nem pensou no significado delas.

Sofí pôs as mãos nos bolsos, analisando a maga com um pouco de curiosidade pela primeira vez.

— Vejo que não está muito disposta a conversar agora. Nós podemos voltar quando estiver menos... agitada. Não se preocupe, não temos pressa.

Quando Sofí alcançou a porta, a voz trêmula de Ísis a fez parar:

— E-Esperem! — Ela fechou os olhos, murmurando algo baixo demais para que um dos mundanos escutasse. Depois levantou o rosto novamente, mais calma que antes, ou ao menos fingindo melhor. — O que vocês querem? Se me soltarem, eu posso... eu vou fazer...

Sofí se aproximou a passos lentos e se abaixou para encará-la ao mesmo nível, e foi só com a proximidade entre as duas que o sorriso sutil em seu rosto ficou evidente para Ísis.

— Você promete?

Notas finais
Se tudo seguir conforme os planos, consigo apresentar os dois personagens restantes nos próximos dois capítulos. O próximo deve ser sobre a Thea e a Magistra Anis, e depois dele voltamos a ver a Eleanora e o Magister Erasmo. Confesso que é a primeira vez que escrevo com tantos pontos de vista, acho que vai ser desafiador, mas divertido. Obrigada por lerem, e até o próximo capítulo!