Controlados- Interativa

14 Capítulo 12- Desespero- Parte II


Notas iniciais
Olá pessoal, desculpem a demora, mas finalmente temos mais um capítulo pra vocês, e este com certeza está... Desesperante!! Espero que gostem. Estou apaixonado pela música, ouvi tantas vezes que acho que até decorei a letra, por isso coloquei pra vocês!!!

Nate River

The Watcher

“Com o tempo a morte será um mistério até para mim” — Janela Secreta, Stephen King

Soushou Innocente- Uchida Maaya

Sentia suas pernas doerem de tanto correr em meio a espessa neve, seus membros tremiam e latejavam fortemente, seus pés afundavam na neve e ele tinha de fazer força para conseguir vencer o cansaço e continuar correndo. Sua vista embaçava e rodopiava, como se tudo estivesse dançando ao seu redor, o breu era completo, a escuridão parecia-se com um monstro a devorar a paisagem pouco a pouco, o único rastro de luz vinha da lua que parecia mais um pequeno ponto no céu noturno encoberto por nuvens espessas, mas ao mesmo tempo em que a luz lhe dava uma pequena visibilidade jogava sobre a situação um ar macabro, uma luz mortiça e macabra. O frio lhe cortava a pele como uma centena de facas, como ele viera parar ali? Era mais uma brincadeira dos cientistas? Queriam ver até onde ele suportava?

Pode ouvir passos inumanos irem atrás dele, e mais uns, e mais, como uma centena de passos, sons abafados de patas correndo entre a neve. Que merda estaria acontecendo? Olhou em volta, sabia que algo estava na escuridão observando-o, poderia facilmente enxergar milhões de olhos demoníacos devorando-o cada vez mais. Caiu de joelhos na neve, completamente esgotado, não tinha mais forças para correr. Foi quando ele viu, o lobo, as garras brilhavam na luz da luz, as presas pontiagudas lhe fizeram gritar de medo, e logo dez deles corriam a sua volta, e em poucos segundos ele pode ver que os lobos o rodeavam. Mas ele não era mais ele, ele era agora a garota ruiva de sua base, a que desrespeitara as regras e fora exilada pelos soldados. E os lobos saltaram para cima dele, as bocas abertas, os olhos vermelhos como o fogo do inferno.

Nate acordou de súbito, sua respiração estava ofegante, o seu corpo tremia e ele estava ensopado de suor. Era só um sonho, apenas um sonho. Então ele poderia sonhar naquele mundo? Interessante, muito interessante, precisava tomar nota disso. Levantou-se lentamente da pequena cama que lhe fora ofertada em uma das estalagens do vilarejo. Jantar e um quarto, por apenas dois dracmas por noite, ele havia pago por seis noites e uns a mais pelo café da manhã, era o tempo necessário para que ele pudesse “estudar” aquele mundo, talvez Observador fosse mesmo uma classe perfeita para ele.

Trocou de roupa rapidamente enquanto lembrava-se do sonho. Aquela menina, ele nunca a conhecera pessoalmente, mas sabia que ela estava morta, não havia como sobreviver no mundo real fora de uma base. Existiam alguns grupos nômades, mas estes eram especialistas e muito bem armados, e as vezes nem estes conseguiam sobreviver, quanto mais uma adolescente desarmada. Mas o que tinha a ver? Ele não tinha responsabilidade nenhuma sobre ela.

Desceu as escadas da estalagem lentamente, um bloco de papel e uma caneta dourada em mãos, anotava algo sobre os sonhos enquanto sentava-se em uma das mesas da estalagem. Depois de terminar as anotações, guardou o bloco em sua sacola e apoiou os cotovelos sobre a mesa. Faziam umas semanas que estavam ali, quer dizer, semanas ali, não saberia dizer quanto tempo se passou no mundo real. Sabia que a maioria dos outros jovens, assim como ele estaria no Nível 12. Ele havia tido algumas experiências de combate, suas habilidades como observador baseavam-se em ataques furtivos, envenenar, esconder-se e é claro “observar” as habilidades e status do oponente. Ele poderia ser um grande estrategista naquele jogo. Se estivesse é claro, com vontade de entrar naquele jogo sádico, o que realmente não estava.

Uma das funcionárias da estalagem pôs a sua frente um prato de porcelana branca com uma pequena fatia de bolo e uma xícara de café fumegante. Ele agradeceu com um meneio e viu a mulher ir atender outra pessoa. Ele pegou a xícara e levou-a aos lábios sentindo o líquido quente acordá-lo aos poucos. Pôs a xícara de volta a mesa e coçou os olhos, qual era o sentido de tudo aquilo? Se era realmente um teste, então eles estavam indo bem, pelo tempo que passaram ali, talvez já tivesse dado para perceber como as pessoas reagiam a uma realidade virtual, o teste já era para ter acabado, então porque ele continuava preso a aquele mundo?

De nada adiantava ficar imerso em pensamentos, com toda certeza ele era apenas uma cobaia descartável, haviam ainda muitos seres humanos disponíveis e se ele morresse, poderia ser substituído, e com toda certeza o governo não estava incomodado em ter de sacrificar a vida de vinte jovens. “Uma vida para salvar milhões de outras’’, deveria ser essa a justificativa. Comeu rapidamente o seu café da manhã e se debruçou sobre a mesa de madeira. Estava cansado daquele mundo, cansado daquele experimento, cansado de tudo aquilo.

– Parece estar com sono, não dormiu bem ontem a noite? – ele pode escutar a voz doce e feminina lhe tirar do seu estado sonolento, era a aldeã que havia trazido seu café da manhã- nossas camas não estão confortáveis o suficiente?

– Não, não é isso. É que eu estou com muita coisa na cabeça, muitas preocupações- a mulher sorriu ajeitando os cabelos dourados e espessos.

– Entendo. Sei como é se preocupar com as coisas, meu irmão é uma sentinela do Cavaleiro Negro, e ás vezes fico com medo de que aconteça uma guerra aqui e ele tenha que lutar e acabe morrendo, apesar de tudo nossa vila é muito pacífica e qualquer anormalidade é motivo de preocupação- ela adquiriu uma expressão séria, os olhos azuis brilhantes encaravam Nate de uma forma um tanto agressiva- como a chegada de vocês por exemplo.

– Como assim? – ele perguntou, não escondendo o tom de curiosidade em sua voz.

– Vocês são diferentes de tudo o que vimos por aqui, suas roupas, seu modo de agir, poderia dizer que nem são desse mundo.

“Se aplicaria muito bem a situação” ele pensou. Como poderia um programa de computador conversar com ele daquela forma? Ela era apenas um eco digital, um efeito daquele mundo virtual, ela não existia na realidade, então ele estava falando sozinho. A situação seria bem cômica se não fosse trágica.

– Não vou mais amolar você com essas asneiras- a aldeã riu dando as costas ao albino e voltando ao seu trabalho- mas é bom tomar cuidado, se o Cavaleiro souber das habilidades de vocês, pode persegui-los.

– Eu vou me cuidar, pode deixar.

– Assim espero. Boa sorte!

Foi realmente um diálogo bastante estranho e inconveniente, do nada uma das aldeãs começa a falar aquelas coisas para ele? Seria mais uma brincadeira dos cientistas? Qual era o real objetivo deles naquele jogo? Tantas perguntas sem resposta, que chegavam a sufoca-lo por dentro. Ele mesmo não entendia porque estava procurando respostas, se era para ajudar a todos, ou era apenas puro egoísmo e vontade de sair dali.

Foi quando aconteceu, tão rápido que sua mente nem pode raciocinar direito. Em poucos segundos seu corpo brilhava, irradiava uma luz branco-azulada e ofuscante, ele levantou-se bruscamente olhando para os seus próprios braços tentando entender o que estava acontecendo. Os aldeões no local pareciam bastante surpresos ao ver o garoto brilhar como uma estrela no meio da estalagem. E de repente não era só Nate que brilhava, mas tudo a sua volta, tudo tornou-se um clarão gigantesco que obstruía sua visão sem que ele pudesse notar onde estava ou para onde ia.

E quando o clarão sumiu, não havia mais aldeões e nem estalagem, havia apenas um campo aberto, e dezenove pessoas rodeando-o, todos os jovens foram levados até aquela colina esverdeada. E antes que eles pudessem se olhar ou dizerem algo uns para os outros, um clarão vermelho se fez presente na colina, fazendo com que todos tivessem que tapar os olhos pois ninguém conseguia ver em meio a luz intensa. E quando a luz sumiu, em seu lugar estava um homem alto e esguio, seus cabelos e olhos eram negros como a noite e sua pele tinha um tom claro. Usava uma camisa turquesa coberta por um sobretudo vermelho e fechos dourados, a calça também vermelha estava cheia de enfeites coloridos, sapatos brancos e luvas douradas, além de uma cartola rubra na cabeça. Nate se perguntava de que circo viera aquele homem.

Em uma das mãos trazia um cetro de cristal que reluzia a luz do sol, o homem deu uma sonora gargalhada enquanto parecia observar individualmente cada um deles, antes de finalmente dizer:

– Bem vindos senhores e senhoras, me chamo Abadom, e vim dar as devidas instruções ao jogo que vou lhes propor, e já aviso de antemão que a recusa é inaceitável- o homem deu um sorriso maléfico, os olhos adquiriram um tom demoníaco- hoje vamos iniciar o supremo reality show!

– Mas o que é que está acontecendo? — foi uma das meninas quem protestou, uma a qual ele nem lembrava o nome.

– O que está acontecendo? Está acontecendo que vocês serão introduzidos em um jogo repleto de desespero. Mas antes deixe-me explicar a vocês como esse mundo funciona. A realidade alternativa, que antes devia ser a única esperança da humanidade é composta por vinte dimensões diferentes, cada uma delas é chefiada por um guardião e o único modo de adquirir a passagem para a próxima dimensão é matando o guardião dela. Sei que vocês devem estar loucos para saírem desse mundo decrépito- ele falou num entusiasmo infantil que chegava a assustar, quem era aquele homem? – Então o único modo de sair, é chegando a vigésima dimensão e derrotando seu guardião, só assim poderão voltar para o seu mundinho cheio de desespero.

– Você não pode estar falando sério- dessa vez foi Nate quem falou- então vamos poder voltar para a casa?

– Calma rapaz, não é tão simples como parece. Apenas um de vocês poderá voltar- o espanto foi geral entre todos os adolescentes- mesmo que os vinte cheguem a última dimensão, apenas um de vocês poderá ir para casa. E como vocês vão decidir isso? Simples! Vocês vão lutar até a morte. A partir de agora, se você morrer nesse mundo sua mente se perderá para sempre e seu corpo morrerá, se você for derrotado aqui, terá como punição a própria vida. Vamos iniciar um jogo de vida ou morte, onde vocês terão que lutar para passar a próxima dimensão e de quebra, lutar uns contra os outros até a morte para decidir quem voltará para casa. E com o mundo inteiro assistindo, isso é tão empolgante não é mesmo? — e o homem deu uma sonora gargalhada, esta ecoou por toda a colina, uma gargalhada maléfica e distorcida pelo vento.

– N-não pode ser, você está mentindo! – alguém gritou atrás dele- Isso é só um truque para nos testar não é?

– Truques? Não, o grande Abadom não trabalha com truques. Mas antes que eu passe a tarde inteira aqui deixe-me explicar a vocês as regras deste jogo- Abadom estalou os dedos e em poucos segundos, os emblemas que antes flutuavam por cima da cabeça dos jovens desfez-se em uma poeira azulada que migrou até o pulso deles cintilando e transformando-se em uma espécie de pulseira dourada com uma joia transparente- estas pulseiras indicam que vocês são participantes desse jogo, caso você morra, ela irá se desfazer e levar sua mente junto para os confins do inferno, e então é fim de jogo pra você, servirá também como um sistema de baixas, toda vez que alguém morrer, a pulseira mostrará para vocês o rosto do falecido ou falecida, coisa que eu estou ansioso para ver. Outra regra importante é, depois do guardião ser morto, um portal é aberto, e uma contagem regressiva de três horas se forma, terminado esse período o portal se fecha e a dimensão deixada para trás é destruída e apagada para sempre, levando consigo os participantes que por capricho do destino ficaram nela. Agora que já sabem o que fazer, vão e joguem meus queridos, joguem pelas suas próprias vidas.

– Você está louco- um grito feminino pode se escutado, enquanto uma jovem morena vinha até a frente, Nate a reconhecia, era a garota que vivia fazendo escândalos, seu nome devia ser Ísis- como saber se tudo o que você falou aqui é verdade? Como saber se isso não é tudo mentira?

– Ora, ora. Temos uma encrenqueira aqui? — Abadom deu um pequeno sorriso enquanto encarava Ísis.

– Não me venha com essa, você é apenas mais uma das loucuras desse mundo. Mais uma das babaquices que aqueles cientistas escrotos inventaram. O que você pensa que é para nos obrigar a lutar?

– Eu? Nesse momento eu sou o controlador deste mundo, eu ordeno em tudo aqui. Inclusive em você!

– Você está falando o que quer- ela continuou, em tom autoritário- mas como posso ter garantia de que se eu morrer aqui vou mesmo morrer de verdade?

– Você quer uma garantia? Porque não disse antes, terei prazer em lhe mostrar.

Foi tudo rápido para que os jovens pudessem assimilar. Em poucos segundos, Abadom estava a uma distância considerável de Ísis, mas num piscar de olhos ele estava de frente a ela e não era só isso. Uma longa espada transpassava o corpo da garota. Seus olhos extremamente abertos, pareciam saltar das órbitas, seus dedos crispados, seu corpo paralisado de dor. O sangue gotejava manchando a grama verde. A menina apenas mexia a boca sem conseguir articular nenhuma palavra, Abadom girava lentamente a espada ainda dentro de garota, o sangue corria ainda mais formando um rio escarlate pela lâmina da espada. Depois de alguns segundos o homem retirou bruscamente a espada de dentro dela fazendo jorrar uma chuva escarlate enquanto o corpo de Ísis caía no chão.

– Não queria que ela morresse agora, sua determinação juvenil serial ideal para esse jogo, mas um exemplo talvez fosse mesmo necessário. Agora contemplem.

Abadom estalou os dedos mais uma vez e um holograma apareceu diante deles, mostrava Ísis deitada em uma maca com vários fios ligados a sua cabeça, ela contraiu o abdômen de súbito enquanto alguns enfermeiros a socorriam inutilmente, no aparelho ao lado da cama era possível ver seus batimentos chegarem a zero e a imagem se desfez.

– Ela morreu, agora podem ter certeza, se morrerem aqui, vai acabar para vocês na vida real também. Agora aproveitem esse jogo de sobrevivência, veremos quem conseguirá atingir o objetivo final!

E Abadom sumiu numa nuvem de fumaça vermelha, todos estavam estatelados olhando para o corpo inerte de Ísis. Nate sentiu seu braço erguer-se sem seu comando, a pulseira brilhava em vermelho e um segundo holograma apareceu, emanando do pequeno diamante. Mostrava as fotos dos vinte jovens, girando na tela até para parar na foto de Ísis, um X vermelho apareceu sobre a foto da garota e um pequeno número “20” no canto desceu para “19”. Ela estava mesmo morta.

– E agora o que vamos fazer? – ele disse a si mesmo- Vamos todos morrer aqui?

° ° °

The Fallen

Em memória de Ísis, a Druida.

1st Dead.

Notas finais
Um minuto de silêncio pela Ísis... Pronto, espero que tenham gostado, como será que os personagens vão se sair agora em meio a um jogo como esses? Veremos!!! E aqueles que eu pedi pra mandarem um resuminho dos meus personagens ou a ficha e ainda não entregarem, por favor, entreguem logo. Beijinhos!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.